quinta-feira, 15 de abril de 2010

Na escuridão…ela permanece…

Chove impetuosamente.
Chove impetuosamente sobre toda a sua pele, mas ela não ousa mover-se.
Se ao menos ela conseguisse sentir as gotas gélidas de chuva a penetrar a sua carne…como lâminas bem afiadas…
Mas ela já não sente nada.
Tempos houve em que ela chorava…em que ela gritava…em que ela sofria…
Agora ela apenas observa.
Ela sabe que podia andar…que podia simplesmente andar… ou mesmo correr.
Ela podia sair da escuridão…e da chuva torrencial…e procurar um abrigo.
Mas ela permanece lá. Quieta. Silenciosa. Apática.Ela sabe, no entanto, que a vida é repleta de possibilidades…de escolhas…
E ela fez apenas a sua escolha. E é uma escolha tão plausível como qualquer outra.

A indulgente existência dos perdidos.

Se não sabemos do que andamos á procura…o mais provável é nunca nos apercebermos das coisas que encontramos. Tudo é bom, e tudo é mau.

Quando andamos muito tempo sem rumo, tudo é igual. É-nos indiferente o que nos vai surgindo pelo caminho. Algumas vezes encontramos coisas que nos prendem por uns tempos e acreditamos que possa ser aquilo que procuramos…mas na maioria das vezes somos foragidos do tempo.
Deslocamo-nos sem direcção…por aqui e por ali…sem qualquer emoção em relação a nada nem ninguém…tudo são apenas elementos aleatórios dos cenários que vamos encontrando…
Quando andamos sem rumo há imenso tempo, podemos transmitir para os outros a impressão de que aceitamos tudo passivamente…que não temos quaisquer vestígios de vontade própria…aceita-se tudo, de facto…sem dar muita… ou até nenhuma luta… e deixa-se estar…sem nada se dizer…sem se estabelecer uma posição…


É deprimente se pensarmos bem.
Mas a verdade é que não se pensa bem. Não se pensa, nem se age

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Se vos pudesse dar um bom conselho de sobrevivência, diria para nunca procurarem sabedoria na vida…tentem ao máximo não ser inteligentes.

A inteligência fractura severamente a razão. O conhecimento pode-se tornar um inimigo tremendamente fatal.

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Just because I'm paranoid it doesn't mean I'm not annoyed..."

I’ve been drinking in empty glasses.

I’ve been sleeping in sharp blade beds
I’ve been walking lonely in crowded streets
I’ve been living in castles of cards… falling down over me…
I’ve been wrong all my life.
I’ve screwed up everything I touched.
I’ve been pretending for so long…too long...
I’m a joke.
I’m a fraud.
There are no happy endings anymore. Never were.
I’ve been trying to be nice, and how much I hate to be nice!
And the point is: people despise me anyway…and I don’t care. I’m pretty sure that I despise them more.

terça-feira, 9 de março de 2010

Sou. Sou várias pessoas numa só. E às vezes não sou nenhuma.

domingo, 7 de março de 2010

Uma parte de mim está morta. Já não a sinto. Matei-a como se mata algo que se atravessa na nossa frente e não nos deixa passar.

Há coisas em nós que temos que matar. Sem piedade. De uma forma hostil e sangrenta.
Matá-las é a única forma de continuarmos a viver, ainda que isso nos condene a prosseguir o resto do caminho incompletos…vazios…cadáveres de uma alma dilacerada…

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Não. Não me dêem canções de amor. Inúteis e ridículas.

Não. Não me obriguem a emocionar-me com finais felizes em filmes românticos.
Não. Não quero saber da beleza do pôr-do-sol.
Não me interessa o brilho nos olhos das pessoas felizes nas ruas. Dos seus sorrisos descomprometidos. Porém acorrentados.
Não me importa as palavras bonitas. As cores do arco-íris pintado no céu ao ritmo de um dia chuvoso de Primavera. E toda a poesia circundante de tal momento.
Não! Não me tentem fazer acreditar que a vida é bela e doce. Que as pessoas têm que ser boazinhas. Simpáticas. Amigas. Prestáveis. Solidárias.
Não me tentem impor normas de comportamento ajustado.


Há um padrão a seguir. Para cada situação que acontece, os outros esperam de ti uma determinada reacção. Um determinado comportamento.


E o que acontece se eu não corresponder a isso? Se me aborrecer imenso ser coerente?
Pior. Se eu não fizer sequer ideia de como me tenho que “comportar” de acordo com as várias situações.


Não. Mas as respostas têm que ser consistentes. Os outros têm que saber agir face ao que fazes, não podes simplesmente alterar a livre sucessão dos acontecimentos.
A vida é um sistema de estímulos – respostas predefinidas.


E se eu for de tal forma desajustada do meio que me rodeia, que não faça ideia das respostas predefinidas? Será melhor ir viver para uma ilha deserta?
Ou posso continuar passivamente a ignorar tudo?


Acorda! Acorda para a vida! Uma vez que seja tens que te impor na realidade! Não podes continuar o tempo todo com uma atitude apática face aos estímulos exteriores. Respostas. Tens que dar respostas. Tens que dar um passo qualquer. Eles vão achar-te extremamente estranha se continuares assim. E ninguém vai querer aproximar-te de ti porque te vêem como uma aberração.


Muito bem. Acho justo. Mas e se eu não me importar? É uma boa desculpa, não? Eu não me importo. E pronto. Passa. E se eu não precisar que “eles” se aproximem de mim? E se eu achar que “eles” é que são aberrações?


Não. Tu tens que aprender a viver em sociedade. A tomar atenção ao mundo que te circula.
Se toda a gente diz que aquela parede é amarela, porque é que tu teimas em dizer que ela é verde?! Ou pior muitas vezes chegas ao ponto de nem saber de que cor é exactamente a parede! E todos vêem perfeitamente que é amarela! É tão óbvio!
Porque és tão pouco astuta?!
Deixaste-te de tal forma prender na tua própria piada…que já não tem graça nenhuma…ninguém já se está a rir…nem tu…sempre foste péssima a fazer piadas…
Há um momento. Um ténue momento em que tudo se ajusta e se desajusta em simultâneo.

Um momento em que a sanidade se transforma em loucura tão naturalmente como se tivesse sido sempre assim. Há sempre um momento em que tudo o que tínhamos já não nos pertence mais. Em que de repente acordamos a milhares de quilómetros de qualquer sitio. Um ténue momento de inexistência, de descontrolo. Perde-se o chão. Perde-se o poder sobre a gravidade. Perde-se o raciocínio. A compreensão da realidade.
E nesse ténue momento não sabemos se estamos acordados ou adormecidos. Não distinguimos as discrepâncias nos intervalos de sucessão de tempo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Não. Não há uma saída. Daquilo que eu sou. Do mundo que eu criei para mim.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O que está condenado logo à partida muito dificilmente ou nunca poderá ter solução.

E há coisas que visivelmente deixam transbordar o seu fim, mesmo antes de terem um início.












E não sei o que escrever mais. Ou não consigo. Não me é possível.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ostentar ou encerrar numa gaveta no canto mais escuro da casa…há sempre uma opção…mas não uma resolução…

Há momentos que deixam marcas irreparáveis em nós. Na nossa pele. Na nossa alma. Na nossa roupa. Na nossa perspectiva do mundo. Nos objectos em que tocamos. Nos lugares onde vamos. Na pessoa que somos.
Há momentos que parecem ser tão quase neutros, que passam e não deixam nenhum resquício visível aos olhos dos outros, mas que em nós deixam provas prolongadas da sua presença…memórias carimbadas com uma tinta que não pode ser retirada facilmente…feridas abertas que teimam em não cicatrizar…
Podemos deixar essas marcas bem visíveis, mostrá-las aos outros, assumi-las e deixar as feridas sangrarem tudo até nos ressequirem por inteiro ou então podemos optar por esconder com todas as nossas forças todas as evidências. Cobrir as marcas completamente com o nosso melhor disfarce, esconder as feridas com cicatrizes fictícias.
No entanto, quaisquer das duas opções é inútil, quer escondamos ou assumamos essas nossas fraquezas, o caminho a percorrer até as superarmos totalmente ou conseguirmos de certa forma viver passivamente com elas, é exactamente o mesmo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

May your dreams find you…and may you find yourself in your dreams.
May you stay as long as you feel like…and may you leave with no regrets.
May you smile.
May you love the things you have.
May you live. Every minute.
May you discover the truth above all the lies.
May you walk…and run…or just stay still in your own place.
May the people listen to you and may you listen to people.
May you take off your mask and may you be naked and free in the middle of the crowd.
May your spirit be wild.
May you go far…and may you come back home at the end of every journey.
May you reinvent you story as many times as you want.
May you be your owner.
May you choose your path. And may you change it anytime…anywhere…for any reason…or for no reason at all.
May you close the curtain at the end of each act. May you move on.
Whenever you’re hungry…may you search for food.
Whenever you’re thirsty…may you search for water.
As simple as that.

Seguir em frente...para trás...

Eu não devia esperar mais… Eu devia seguir…em frente…para seguir segue-se sempre em frente…como se o que ficou para trás fosse sempre algo que nos destruísse se tentássemos voltar a ele…
Eu não posso, portanto, seguir para trás…não posso…mesmo se tentasse…ouvi dizer que na vida os momentos são irreversíveis…e é verdade…
Gostava que apenas,por uma vez, pudesse seguir para trás…
Quem decidiu que ao voltar atrás, não se está igualmente a seguir em frente?
Às vezes não conseguimos seguir em frente, porque estamos presos a uma situação que ficou incompleta…por resolver no passado…desta forma, regressar a ela seria reformulá-la…relançá-la na realidade…e assim poder então seguir em frente como manda o equilíbrio do universo…
Nem sempre voltar atrás significa necessariamente um retrocesso na vida…às vezes voltar atrás é apenas a única forma de se conseguir seguir em frente…

"I got my solitary madness coming in..."

Estou sozinha…a fitar o branco da parede.

Estou melancólica…que dia é hoje?
Estou faminta… de vazio.
Estou a implorar…por alguma resposta.
Estou insone …
Estou acabada…absurdamente.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ela está parada numa estação de comboios. Uma qualquer. E dessa estação partem imensos comboios. E chegam tantos outros. E ela observa-os a todos. Os que chegam e os que partem. Todos eles trazem e levam muitas pessoas. E o que está na estação na se altera. Vazia ou cheia. Tudo permanece igual. E ela também. Ela não é nenhuma das pessoas que chega ou parte nos comboios. Ela na entra em nenhum dos comboios que parte. Nenhum deles a levaria ao seu destino. Poderia, eventualmente, ela sabe, entrar num qualquer e seguir um destino aleatório e fazer como todas as pessoas…seguir…
Talvez fosse melhor que estar ali parada em dissonância com o mundo á sua volta.
O tempo urge…e o mundo não é para os inactivos. Como se apenas àqueles que seguem um rumo qualquer…àqueles que se mexem…estivesse reservado uma espécie de felicidade.
Ela um dia já foi uma pessoa a entrar num daqueles comboios e seguiu um destino. Ela um dia já foi uma pessoa a sair de um comboio e a pisar um novo solo.
E isso não a tornou uma melhor pessoa agora. Ou mais feliz.
Talvez o rumo dela seja exactamente não tomar rumo nenhum.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A loucura é um caminho tão legítimo quanto qualquer outro.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O tempo passa-nos…e nós, na nossa felicidade cega e ignorante, julgamos que somos nós que passamos o tempo…

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Ha Ha You're Dead"

Está a acabar…vês?

Estás a sucumbir!
Pouco a pouco te consomes.
É tão triste…e tão caoticamente cómico.
Há coisas que foram feitas para acabar por ser extintas.
É uma pena…
Não vês? Eu não consigo parar de rir.
Há pessoas que choram nestes momentos.
Há pessoas que choram em imensos momentos.
Eu choro em muitos momentos, mas não neste.
Estás a sucumbir…a esvair-te para sempre…
Sabes, sonhei com isto imenso tempo.
Vai…deixa-te ir…nada podes fazer agora!
Há pessoas que são mais belas quando estão a ser destruídas.
Há pessoas que apenas são belas quando já não existem.

"O bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, provocar um tufão do outro lado do mundo."

As coisas que fazemos nunca são neutras, como muitas vezes julgamos que sejam...gostamos de nos enganar...pensar que não tem importância..."foi só desta vez"..."uma vez por acaso"..."ninguém viu/ouviu"...mas eu acredito que o acaso é algo que não existe...e que nada é feito "por acaso"...toda a acção tem o seu resultado correspondente…mesmo que às vezes demore imenso tempo a se observar esse resultado… E é isso que nos leva a julgar que há acções neutras, apenas pelo facto de não vermos as consequências (positivas e/ou negativas) imediatamente…
Mas eu acredito no “efeito borboleta”…qualquer acção, por mais pequena e insignificante que possa parecer altera tudo o resto…todo o percurso “natural” do caos…qualquer acção pode provocar ou evitar um certo acontecimento.
Nós temos uma necessidade extrema de expiar todas nossas culpas, por isso “optamos” por acreditar que há coisas que fazemos que não terão quaisquer repercussões no futuro…gostamos de pensar que somos inocentes…que estamos ilibados só porque o que fizemos pareceu (aos nossos olhos) passar completamente oculto ao resto do mundo.

domingo, 24 de janeiro de 2010

E passavam-se horas…dias…semanas…meses…anos até…e eu…eu nunca chegava…parece que fazia de propósito…

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

I HATE...

I hate all the colors of the rainbow.
I hate all the songs.
I hate the Spring, the Summer, the Fall and the Winter.
I hate the day and the night.
I hate all the sounds and the silence.
I hate Mondays…and all the rest of the days in the week.
I hate busy days and I hate lazy days.
I hate all my shoes and all my dresses.
I hate all the twelve months of the year.
I hate Carnival, Easter and Christmas.
I hate movies.
I hate my hair and my nails.
I hate birthdays.
I hate books and magazines.
I hate rainy days and sunny days.
I hate pepper as much as I hate salt.
I hate all the languages in the world.
I hate glass, paper and plastic.
I hate trees and flowers.
I hate cold as much as I hate heat.
I hate sand and I hate water.
I hate walls, doors and windows.
And I hate poems so much that make sick.
I hate darkness and I hate light.
I hate all the kinds of emotions and feelings.
I hate my bed and my pyjamas.
I hate pencils and pens.
I hate forks, spoons and knives.
I hate cigarettes and wine.
I hate tears as much as I hate smiles.
I hate sunsets and sunrises.
I hate birds and fishes.
I hate all the Oceans and Continents of the world.
I hate laundry machines and vacuum cleaners.
I hate teams and supporters.
I hate TV and radio.
I hate translations, subtitles and quotations.
I hate rice, potatoes and oranges.
I hate sins and virtues.
I hate bad and good.
I hate everything.
I hate to love and I only love to hate…even the things I love…just because….no reason at all…just for fun…just because I have nothing better to do.
I’m good hating things, it’s something that makes me happy…even though I hate happiness so much that I can’t stand it.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Manobras de diversão

Eu enganei-me. Enganei-me repetidas vezes. Enganei-me e continuo a enganar-me.
Parece que o engano surge na minha existência passiva e naturalmente.
Engano-me constantemente…e pior ainda…dou aos outros o poder de me enganarem também…apesar de saber à partida que o estão a fazer.


Sou hipócrita. Não planeei sê-lo mas a vida assim o proporcionou. Não penso muito nisso. Nem vou pensar agora.


Não sou interessante. Nada. Nem um pouco. Tento apenas transpor algum interesse para as várias personagens que vou criando…tudo não passam de simples manobras de diversão…
Se me divirto? Nem sempre…a maioria das vezes é mais aborrecido do que se possa pensar…


Mas eu enganei-me. E não há muito que possa fazer quanto a isso agora. Enganei-me na direcção. Na porta. Na rua. Nas palavras. Nos gestos. Nas escolhas.
Escolhi a personagem errada para cada uma de todas as situações.
O texto errado na história errada…
A farsa tornou-se tão grande que eu me enredei nela, deixando de conseguir distinguir a realidade da ficção (alucinação?).


Tenho um problema enorme com factos concretos. È extremamente complicado para mim ter que admitir que o branco é branco…o preto é preto…e pronto…não há mais nada para além disso. Tenho dificuldades em interpretar a realidade…em descrevê-la e assimilá-la. Suponho que a vejo sempre de forma transfigurada. Dificilmente consigo fazer boas descrições e dar opiniões fundamentadas sobre os acontecimentos reais.
Não lido bem com a objectividade, aliás abomino-a. Não me preenche. É demasiado simplificada.


E por isso me engano tanto…porque vagueio o tempo todo na imensidão absoluta e emaranhada da subjectividade. E as coisas nunca são o que são…são sempre outra coisa qualquer…
E a subjectividade é traiçoeira…cria imensos enigmas em meu redor… e eu engano-me uma e outra vez sem intervalos…
E,assim, as personagens estão deslocadas…não encaixam no enredo da história…e enganam-se…e enganam-me…


Deixei o drama…vou voltar à comédia...

domingo, 10 de janeiro de 2010

O grito. Empalhado em cima da mesa. A sucumbir num caótico nada.
O silêncio. Refugiado atrás da porta. Desventrado.
A loucura. Sufoca no moroso gotejar de sangue na entrada.
A dor. Nos restos de cigarros apagados no cinzeiro. Cinza.
A agonia. Esmorece suavemente na poesia morta dos degraus das escadas.
Não há mais nada.
É um facto.
Às vezes, pensamos que tudo está perdido, quando, na verdade, simplesmente ainda nem tenhamos procurado nada.
Andamos por aí…cegos…percorrendo caminhos que não nos levam a parte alguma…julgamos que estamos a chegar a algum lugar…mas movemo-nos em círculos…e acabamos sempre por voltar ao local de partida…
E pensamos que tudo está perdido…mas tudo…é muito relativo…o tudo é no fundo…nada…
Obcecamos até à exaustão…por grandes coisas…por pequenas coisas…a curto prazo e a longo prazo...e nada nos sacia...nada nos preenche…
Quando mais enchemos o espaço físico vazio à nossa volta…mais ocos nos sentimos por dentro…
Tentamos compensar lacunas…substituir posses…e tudo, inevitavelmente nos acaba por cansar e aborrecer…
É um facto.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ultimamente as pessoas cansam-me…mais do que já é habitual…chego sempre ao final com a conclusão de que eu e todas as outras pessoas somos completamente incompatíveis…e de nada adianta forçar as relações…e talvez o mal nem esteja nas restantes pessoas...é mais provável que o mal resida em mim…visto as outras pessoas parecerem sentir-se bastante confortáveis com as ligações sociais…

Mas eu não sei…suponho que os dias me tornam repulsiva…e não consigo evitar sentir que estou melhor solitariamente isolada algures…afundada no meu egoísmo… …fixada na minha vaidade vã… oculta no meu pretensiosismo…



Somos sempre devorados pelos monstros que criamos…não importa o quão os tentemos evitar…

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Não hoje…não agora…

E de repente, há um labirinto…um caos emergente nas fibras electrizantes das paredes brancas do espaço vazio…e eu permaneço sem me mover…e espero…espero por algo que não é suposto vir…não hoje…não agora…

Porquê esperar por algo que sabemos à partida que não virá?
Haverá algum conforto em enganarmo-nos assim?


E eu sinto que vou para qualquer lugar…e não vou a lugar algum…não hoje…não agora…
Adio os dias…os momentos…adio-me …como se ainda não tivesse chegado a minha hora…vai chegar…sei que vai chegar…mas não hoje…não agora…
Caminho aos solavancos por aí…caminho como se soubesse para onde me direcciono…caminho como quem caminha num deserto, muitos quilómetros na esperança de encontrar um oásis perdido algures…e um dia encontra…mas não hoje…não agora…


Os dias sucedem-se com um sabor ácido…hostil…há algo no meu mundo que se perdeu...e eu não sei onde o procurar ou se o devo procurar… ou se devo aceitar passivamente que algumas coisas na vida são mesmo assim…estão destinadas, à partida, a escaparem-se das nossas mãos…


Talvez um dia eu compreenda tudo isto…talvez um dia eu encontre um rumo…mas não hoje…não agora…

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

“As the blade moves closer…The reflection is brighter than the sun”

Está escuro…demasiado escuro para se ver…demasiado escuro para caminhar pelo vazio desta noite…

Está escuro.

E deixas que a escuridão te abrace…e vês…vês tudo…apesar de estar demasiado escuro para se ver…

E caminhas…apesar de estar demasiado escuro para caminhar.

Tens uma doença…e essa doença está a matar-te…

Na noite…na noite bem profunda…quando não há nenhuma testemunha por perto…o sangue rodeia-te…o sangue…o sangue que está demasiado frio…

O teu corpo está… frágil…caótico…

Estás a sofrer.

E está demasiado escuro para se ver…mas, no entanto, vês…a escuridão que protege a tua culpa…a tua doença…o teu insalubre vício…

Estás a reviver noites…

Uma após outra…colidem todas na mesma.

Caminhas…caminhas…caminhas…e acabas sempre no mesmo sítio…á mesma hora…no mesmo momento…

Há portas que nunca se deviam abrir…

Mas abres a mesma porta…uma e outra vez…e tudo de repente se sucede…a fita passa para trás e o filme tem sempre o mesmo fim…

Quando vais perceber que o fim culmina sempre da mesma forma?
Há memórias que as chamas não podem consumir…por muito espaço físico que elas devorem.

Os teus olhos estão em chaga…mas vês…

E caminhas…caminhas…apesar de estar demasiado escuro para se caminhar.

A luz é um espaço doloroso para as memórias.
É um espaço doloroso para ti.

O fim justifica os teus meios?
Já sabes o fim…ele repete-se continuamente na tua frente.
É o teu sonho inquieto.
Rasga essa inquietude de ti…rasga a tua pele…rasga a tua carne…rasga toda a tua consciência!

Deixa-te cair nesta penumbra infestante da noite.



És uma anomalia…






…estás a ter alucinações!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

E mais uma vez…lá estava eu a olhar para tudo de novo…e de repente foi como se o tempo não tivesse passado…e lá estavas tu…mais uma vez…

É estranho quando tempo não parece transformar as coisas…percorremos distâncias incríveis para nos apercebermos de que tudo está exactamente imutável…até mesmo nós…quando momento após momento somos agredidos com banhos de passado sem que tenhamos quase tempo para respirar…


E no meio das caras aleatórias das pessoas …vi-te…


E estavas onde parece sempre que tinhas estado…


E eu passei…sem ficar…porque ficar, agora, seria inútil…

sábado, 19 de dezembro de 2009

O fim da esperança...

Para onde vamos quando perdemos a esperança?

Será que há um lugar onde podemos repousar até nos recompormos?

É recorrente pensarmos que quando tudo parece correr mal em toda a parte á nossa volta…quando esgotamos todas as possibilidades onde estamos…podemos sempre voltar para casa…
Parece fácil ver as coisas desta forma…
Mas o que fazemos quando o conceito de casa começa a ficar complicado de definir…quando já não sabemos exactamente onde é a nossa “casa”…quando a nossa casa…aquela que está sempre lá à nossa espera depois do cansaço dos passos vãos…a nossa casa de sempre já não pode ser a nossa “casa”…porque nós já não somos os mesmos…porque o afastamento tem consequências irreversíveis em nós…


O conforto e a serenidade de antes já não nos são suficientes…o abrigo já não é o lugar onde queremos estar…já não é o que precisamos…


O que fazemos quando perdemos a esperança?
Quando os dias são simplesmente um aglomerado de momentos caóticos...
Quando vemos que falhámos nas pessoas que somos…e nas coisas que fazemos…
Quando estamos tão perdidos que não fazemos ideia do passo a dar no momento seguinte…
Quando nos questionamos constantemente o que estamos a fazer de mal…e chegamos à triste conclusão de que muito provavelmente andamos a fazer tudo mal…


Para onde vamos quando perdemos a esperança?


Fugimos para bem longe?
Mas para onde fugimos?


E  é nestas alturas que nos questionamos…Como foi que chegámos a esta situação?
O que nos acontece para ficarmos assim?
Não tem que acontecer nada em concreto…diria (como li algures) que é a vida…foi a vida que nos aconteceu…











quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A batalha dos egos

Eu devia ser mais atenta…à vida… e a essas coisas todas…
A minha avó sempre me disse “É preciso ter olho vivo!”…e ela tem razão…é mesmo…




É um facto que eu não tenho tomado muita atenção ao mundo a meu redor…entrei um estado de tal forma egocêntrico…que me tornei naquelas pessoas que eu sempre criticava que viviam em torno de si mesmas…e que parecia que achavam que o mundo girava á sua volta…
E eu transformei-me mesmo numa dessas pessoas…essas que vivem com a ilusão de que são o centro do Universo…
Algumas pessoas nascem assim…com sintomas egocêntricos por natureza, outros, porém, a vida conduze-los a essa situação…
Talvez seja do cansaço…da saturação do mundo em redor…da preguiça…ou incompetência para lidarmos com os outros e/ou de nos dedicarmos aos outros…ou porque simplesmente um dia nos apercebemos que não temos que nos colocar sempre em segundo plano na vida em relação aos outros…que a vida não é só dos outros…que somos realmente o centro do universo…somos o centro do nosso próprio universo…assim como todas as outras as pessoas…
Será assim tão errado vivermos maioritariamente em função de nós próprios?
Não considero que seja assim tão errado…mas pode trazer consequências nas nossas relações com os outros…
Quando os egos estão todos elevados…começa a ocorrer uma espécie de batalha de egos…e todos os egos (como bons egos que devem ser) querem estar no topo, não se importando com os restantes…e é nesta altura, quase sem nos apercebermos, que as relações interpessoais se tornam numa espécie de disputa de absorção de energia…qualquer possibilidade de sentimentos e/ou acções altruístas é completamente descurada…






Bem mas não era disto que eu queria falar…eu queria dizer apenas que sou desatenta…e pronto… e suponho que não o deveria ser tanto…mas…enfim…eu suponho sempre tanta coisa…

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A artificialidade do “eu”

Sabes, eu não sou mais a pessoa que conhecias.

Se me pudesses ver agora talvez nem soubesses mais quem sou.
Sem me encontrasses na rua provavelmente passarias por mim sem me notar.
A vida transfigura-nos imenso…eu sempre o soube…e, no entanto sempre assumi uma atitude pacífica em relação a isso.
Não sou mais a pessoa que tu acreditavas que eu era. Que querias acreditar que eu era.
Não sou mais a pessoa que eu acreditava que era. Que queria acreditar que era.
Sinto-me uma estranha em mim…na minha pele…
Desconheço o mundo pela minha perspectiva.
Discordo de mim própria em imensas coisas.
Contradigo-me …vezes sem conta…tentando encontrar alguma forma de autocontrolo no meio de todo o caos…
Sabes, às vezes vemos pessoas e lugares que não estão lá…vivemos dia-a-dia condenados a esta realidade esquizofrénica.
Suponho agora que tinhas razão…um dia ia acabar por me desencantar com a vida… ou a vida iria acabar por se desencantar comigo. Aconteceram as duas situações quase em simultâneo.
Se existe realmente um dia em que…pronto…assumimos a derrota…hoje é esse dia para mim…
Do que é que eu estava á espera afinal?! Já o podia ter feito há imenso tempo…podia e devia…
Mas parece que nunca queremos assumir a derrota sem ter nunca na verdade lutado…mas…sim…não lutar é essa, claramente, a derrota…
Quero que saibas que admito que a culpa é minha. Aceito isso sem apreensão alguma.
E sou tão culpada até na forma de viver tudo isto…amanhã talvez acorde e nada mais disto tenha sentido…percebes? Amanhã de repente posso voltar a encantar-me com a vida…e assim permaneço… numa constante sucessão alternada de amnésia momentânea…
Eu devia manter um padrão…não devia?
Eu devia ser regular…assumir a derrota e pronto…encerrar tudo…fechar as portas para quaisquer outros momentos…eu devia…rejeitar, de uma vez, a realidade…a esperança…devia me cansar de renovar o equilíbrio…as forças…a harmonia…
Depois espera-se um novo ciclo de total frustração…
Eu devia, de uma vez por todas…escolher um lado…ser uma coisa e não outra…
Esta dicotomia do meu “eu”…esta artificialidade da minha existência...deixa-me sem saber quem sou eu…se sou…ou se já não sou mais…mas provavelmente já não sou…

sábado, 5 de dezembro de 2009

A realidade desabou sobre mim num sobressalto e eu nem me apercebi…

Estou numa corrida contra o tempo, e, no entanto, permaneço estática…

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A posse

Dizem que “as coisas que possuímos acabam possuindo-nos”…sem dúvida que é verdade…mas as coisas que não possuímos, conseguem nos possuir de uma forma mais intensa.

As coisas que possuímos, conseguem dominar-nos imenso…tornando-nos escravos delas…nada a fazer…mas, no entanto, as coisas que já temos acabam por se tornar banais ao fim de algum tempo, e depois deixam de nos interessar tanto e, eventualmente, acabam por perder o significado total para nós.
Mas as coisas que não possuímos…e que desejávamos imenso possuir…e são difíceis ou até impossíveis de conseguir…essas sim…apoderam-se imenso de toda a nossa existência…entranham-se no nosso olhar…penetram no mais profundo do nosso cérebro…perfuram a nossa pele…fazem estragos na nossa realidade.
Primeiro surgem apenas num pensamento mais regular que todos os outros…depois começam a ocorrer constantemente na nossa cabeça…sempre ali a chamar a atenção…enquanto tentamos ignorar os seus estímulos…depois tornam-se vírus…tumores…obsessões…
Há uma fase em que conseguimos viver com isso…conseguimos estabelecer uma relação racional com essas obsessões…um dia apercebemos que se torna difícil controlar as situações…como se estivéssemos possessos por uma força sobrenatural…
O resto é dispensável …nada mais importa…a nossa vida pode estar perfeita…que não nos interessa…porque nos falta algo…falta sempre algo…mesmo que seja algo que efectivamente não traria nenhuma melhoria na nossa vivência…mas que mesmo assim nós acreditamos que, tendo aquilo, seríamos imensamente felizes.
Possivelmente, conseguimos atingir algumas das nossas obsessões…que depois prosseguem o seu ciclo na nossa vida, e acabam por nada ser no final…
Mas há sempre as coisas que nunca conseguiremos ter…seja porque eram demasiado absurdas para as atingirmos, seja porque não tentámos o suficiente obtê-las, ou porque…enfim…não tinha que ser…”não se pode ter tudo”…e essas irão possuir-nos para sempre…caminhando ao nosso lado dia após dia…e, ironicamente, serão, de certa forma, sempre nossas…precisamente pelo facto de nunca as termos possuído…

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

"I fake it so real I am beyond fake..."

You’re a wreck. A mistake.

You’re a fake. A player.
Are you about to win?
How often do you do this?
How phony are you?
Nobody knows you. You don’t make a big impression. You’re not that quite enthusiastic. You’re just another girl alone at the bar.
Everyday you wake up pretending you’re someone else...walking around with your fancy Munchausen syndrome.I think you just got bored of your life.

You’re so egotistical. Locked inside your little world, worshipping your own image, swaging your skeleton side to side as if you’re something special.
Have you ever notice how pretentious you are?
You spend hours idolizing your reflection on the mirror, as if it’s some sort of a painting…a work of art…
Are you afraid of facing the fact that you’re just another ordinary person in the middle of the crowd?
You’re not the main character of this low budget movie.
Your big show is a failure. Nobody is clapping for you on the audience.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Combustão

O crepitar insólito das labaredas a absorver a madeira dos móveis.
Indiferença. Perante a destruição.
Não creio que me deveria importar
.
Odeio o sabor da realidade.
O seu frígido e insensível toque na minha pele.

No entanto, faça o que fizer, estou irreversivelmente condenada e ela…

domingo, 29 de novembro de 2009

Rosas vermelhas

E chovia…chovia imenso naquele dia…e foi com se nunca tivesse chovido antes…

sábado, 28 de novembro de 2009

A escolha

É uma escolha que fazes.
Um dia simplesmente viras as costas e vais embora.
É uma escolha que fazes.
Nada mais.
E o processo repete-se inúmeras vezes.
A vida é feita de partidas, como se apenas as partidas (interiores ou exteriores) conduzissem a começos e recomeços.
É uma escolha que fazes. Certo ou errado…não sabes bem…e jamais poderás saber…
Cedo ou tarde…é sempre subjectivo…
É uma escolha. Um dia o teu corpo e o teu espírito cansam-se. Esgotam-se. Despejam-se de tudo o que os agarrava a um momento. A algo. A um lugar. A um sentimento. E tu tens que recarregá-los. Longe ou perto. Não sabes. Não importa. Mas sabes que tem que ser “noutro lugar”, sendo que não é necessário que seja um lugar físico, real…pode ser apenas uma mudança dentro de ti. Às vezes as maiores mudanças da vida ocorrem sem que tenhas que dar um único passo. Não tens que mudar de casa, mudar de cidade, de país, de nome…não tens que fazer uma mudança de visual extravagante… nem tens inventar uma felicidade absurda. Nem necessitas de te afogar em frases feitas retiradas de livros de auto-ajuda, nem tens que te convencer que “daqui para a frente tudo vai ser melhor”…porque foi isso que te causou a infelicidade em primeiro lugar…a expectativa.
Tens apenas que aceitar que há um tempo para tudo, que a vida não é rectilínea…que não tens que permanecer imutável durante o tempo todo…que te é dado o poder de mudares tudo, a qualquer hora, em qualquer circunstância…e que deves usar esse poder…
Tens apenas que pensar que é a vida…que as coisas são assim…não é como nos filmes…em que todas as situações, por mais absurdas e impossíveis que possam parecer, acabam sempre por ter uma resolução…um “final”…não tens que esperar essa resolução na tua vida…ás vezes, simplesmente não há resolução alguma…ou então essa inexistência aparente de uma resolução, é, por si só, já a resolução…
Tens que compreender que momentos vão e vêem…e saber que tens que perder algumas coisas, para que possas conseguir recolher coisas novas…como se a vida te tivesse dado uma grande mala de viagem…onde vais acumulando coisas ao longo da caminhada…mas que a uma determinada altura vai ficando cheia demais…e tens que te livrar de algumas coisa… caso contrário terás que carregar para o resto dos dias o peso das coisas que já não te servem para nada.

É uma escolha que fazes.
Um dia simplesmente, viras as costas e vais embora.
É fácil. Indolor. E nem precisas de mudar nada se assim o quiseres.


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A resposta

E se conseguisses ter aquilo que sempre mais desejaste?
E se o perdesses logo de seguida?
E se o voltasses a ter mesmo sabendo que já não te pertencia?

O filme pára no momento crucial e, por mais que carregues no “Play”, ele não prossegue.

Demoras imenso tempo para chegar a um lugar, e quando lá chegas…esse lugar já não existe.
Uma imensidão de tempo a tentar encontrar a resposta para aquela pergunta incessante na tua existência…e um dia quando a encontras… já não precisas dela...já tens uma nova pergunta...

Tens um conjunto de regras guardado em ti que foste acumulando com o passar do tempo. Mas de que te servem todas elas? Na maior parte das situações da tua vida só conseguirás sobreviver se não as respeitares.

Qual é a resposta para tudo isto?
Qual é o propósito?

Para onde caminhamos?

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

“Can you feel this? I’m dying to feel this.”

Blood…flesh…screams…
Pain…pleasure…
I woke up again in a strange place…
There comes my world again…falling down…
The writings in the wall tell me things I can’t understand…
The room is full of empty boxes…empty glasses…empty bottles…
Emptiness…meaningless…
Despair…
Faded pictures scattered on the floor…nameless faces…
Empty pages on an old book…
I am alone.
Am I alone?
I can’t see my reflection on the mirror…once again…


“Kill me!”…the voices say…

It’s cold…so cold…
It’s dark…so dark…


Blood…cold blood on the floor…

Can you feel this?


This damnation…
This suffocation…
This agony …
This…

Silence…


I guess you can’t feel this…



I’m confused as I walk around in this horrific place…
“Don’t look at me!”…the voices scream…

Or am I the one who’s screaming?

I scream.

The door is locked.

I’m trapped inside this tragic nightmare.

Reality…or delusion?

“Die!”…the voices shout…

I can hear them… I can hear them…

Can I hear them?

I can feel their voices… like razors cutting down my skin…

Can you feel this?

There are no colours here…

I lie down on the floor...as I drown in this perverse black and white madness.

Can you feel this?


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Às vezes esquecemo-nos...

Às vezes esquecemo-nos do que temos
De quem somos…e de quem não somos…
Esquecemo-nos de caminhos…de músicas…de pessoas…
Às vezes esquecemo-nos de onde viemos…e para onde vamos…
Esquecemo-nos das horas…dos dias…dos anos…
Esquecemo-nos de coisas das quais sempre nos lembrávamos…
Esquecemo-nos do que os outros se lembram…
Esquecemo-nos de sentir…de viver…
Às vezes esquecemo-nos do quão importante algo é, só pelo simples facto de não o ser para o resto do mundo…
Esquecemo-nos da chuva no Verão…e do calor no Inverno…
Esquecemo-nos do ruído quando estamos demasiado tempo no silêncio…

E de nos levantarmos quando caímos...
Às vezes esquecemo-nos que as coisas têm um fim…

...E que nem sempre há frases belas e inspiradoras nos finais dos textos…

(…assim como nem sempre há finais felizes na vida…)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Eu não sei como cheguei aqui…e não consigo daqui sair…
Não há nada para além daquela porta, e eu não tenho a chave.
Eu não sei para onde ir, porque não sei onde estou.
Estou perdida sem ter dado um único passo.
Mesmo permanecendo aqui, parada, perdi-me neste colosso de sucessões efémeras…
Às vezes as coisas vêm e vão tão repentinamente que nem nos apercebemos delas, e nem conseguimos ver o nosso lugar nelas…e por isso perdemo-nos antes de algo acontecer…
Estou tão perdida que nem consigo voltar para casa…que nem sei já onde é a minha casa…
Estou tão perdida que todos os lugares parecem iguais…
Tão perdida estou que nada mais me cativa…
Tão perdida estou que qualquer lugar é o meu lugar…e nenhum é de facto meu…
Eu não sei como cheguei aqui…parece que adormeci algures…e acordei aqui de repente, sem uma única pista de como aqui vim parar…sem um mapa para saber onde me localizo exactamente …
Uma parte de mim tenta desesperadamente escapar deste estranho lugar…outra parte de mim tenta encaixar-se neste puzzle…

Eu não sei como cheguei aqui…mas deve haver uma forma de sair…

domingo, 15 de novembro de 2009

"You pretend you're anything, just to be adored."

Um dos segredos da vida – a vida em sociedade - é eu saber até que ponto é que te consigo enganar, e tu saberes até que ponto é que me consegues enganar.

A vida em sociedade é isto…esquemas…enredos…farsas que criamos para acreditarmos e/ou levarmos os outros a acreditarem que tudo isto tem interesse.
Porque somos vendedores de mentiras. E vendemo-las sem nos apercebermos…ás vezes sem querermos…outras vezes de uma forma claramente intencional…algumas vezes vendemo-las as pessoas que não as queriam comprar…outras vezes vendemo-las aos que andavam exactamente á procura delas.
A vida, tal como a conhecemos, seria impossível se nos fosse retirada a possibilidade de mentir. Mentir é o respirar da sociedade. Ninguém nota. Ninguém se importa. Todos seguem o mesmo costume sem questionar.
Mentimos…fingimos…iludimos ….enganamos…simulamos…seja qual for o nome que lhe dermos …a intenção é a mesma.

Frases como “Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo” e “ A mentira tem perna curta”…não fazem muito sentido…porque, na verdade há imensos mentirosos que nunca foram apanhados e jamais serão…e mentiras que nunca chegam a ser vistas como tal…

Até que ponto conseguimos iludir os outros para que eles nos idolatrem? Para que nos tornemos deuses? Para que todas as nossas acções e frases sejam dogmas indubitáveis?
Até que ponto conseguimos transfigurar a nossa realidade e a realidade daqueles que “compram” as nossas mentiras?
Está aí alguém?
Uma voz?
Uma sombra?
Uma existência qualquer?
Alguma coisa…
Daqui nada surge…tudo se consome em fragmentos de irrealidade…

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

E há sempre um momento em que o que eu escrevo não tem sentido algum...

Há sempre um momento em que perdemos mais quando ganhamos…
Um momento em que partimos mais quando ficamos…
Um momento em que mentimos mais com a verdade…
Um momento em que nos interessamos mais quando mostramos indiferença…
Um momento em que falamos mais com o silêncio…
Há sempre um momento em que despertamos mais quando adormecidos…
Um momento em que o calor é mais frio que o próprio frio…
Um momento em que estamos mais sozinhos rodeados de pessoas…
Um momento em que choramos mais a sorrir…
Um momento em que nos falta mais quando já temos tudo…
Há sempre um momento em que somos mais novos mesmo mais velhos…
Um momento que mesmo curto permanece por uma vida…
Um momento em que o errado é certo…
Um momento em ajudamos mais se não ajudarmos…
Um momento em que saímos muito antes de entrar…
Há sempre um momento que as contradições redundam-se…as redundâncias adjectivam-se…os adjectivos contradizem-se…o preto é branco…o dia é noite…os ouvidos vêem …os olhos saboreiam…as mãos ouvem…em que a perfeição é imensamente imperfeita…a beleza é medonha…e a hediondez é harmoniosa…o sangue é água…e a água é veneno… as lâminas são suaves como penas…em que os sonhos nada mais são que pesadelos… o subjectivo é objectivo….o perto é excessivamente longe…e sim…o fim é o inicio…a minha preferida de todas as contradições…


Solidão

Caminho por entre a multidão…e as ruas estão vazias…
Pessoas…pessoas e mais pessoas…preenchem o espaço…e, no entanto, está tudo deserto…
Está escuro…e o dia acabou de nascer…
Há vozes espalhadas em torno da minha presença…mas o silêncio inunda a minha passagem…
Há caras familiares para onde quer que olhe…e,no entanto,todas são desconhecidas para mim…

Estou sozinha…e,no entanto, não estou só…

domingo, 25 de outubro de 2009

“Forget the freak, you’re just nature.”

I’ve got beer on my dress…
I’ve got ash on my shoes and my hand is burned.
The world is spinning around and I feel sick.
Who are you?
Have you been here all along?
Are you the only witness of my decay?
Somebody killed the night, and I don’t know how.
Was it I?
I’m talking random. I’m saying things I shouldn’t never had said.
I’m walking to the edge…I’m doing things that will haunt me later.
Where am I now?
I feel like I’m lying on the floor.
I’m really lying on the floor.
They’re saying things…I can hear them…but they think I don’t…
I’ve never been so conscious before, and yet, I have no idea what I’m thinking of.
I’ve got beer on my dress…I’ve got ash on my shoes…and I think that I’ve just died…
I know what you’re thinking… “You took too much…or “you’re just too pathetic…you pretend that you’re controlling the situation but, look at you…you’re such a mess…what the hell do you want to prove? Just go ahead, drink a little bit more…maybe just another drink…we know that you can do it…we know that you want to do it…look at you…you’re such a joke! You’re ridiculous! You’re so sad that make us laugh!”

All the people around me look like horrific monsters that came to devour me alive…

Everything is blurry…
Everything seems drenched in a giant white shadow…
The reality is just a bunch of holograms…

And I don’t care…I really don’t…

Should I care…?


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

...............

Estás perdida. Acabada.

Todos os dias acordas no mesmo sítio, da mesma forma.
Estás presa numa rotina que não é a tua, mas na qual entraste por acidente e agora da qual não consegues sair.

As medicações acumulam-se.
Cada vez mais fortes. Cada vez mais mortíferas.

Psiquiatria sala à direita. Suicídio sala à esquerda.


Sobrevives. Tentas sobreviver, fugindo da sobriedade dos dias.

As garrafas sucedem-se…uma após outra…vazias.


Terapia sala à direita. Suicídio sala à esquerda.


Queres partilhar connosco a tua história?
Nós ajudamos-te.
Só tens que falar.

Não funciona.

Mais um dia. Mais um fracasso.

A comida não tem sabor. Já não a sentes. Já mal consegues mastigar. Nem dormir. As tuas funções vitais estão a deteriorar-se.

Hospital à direita. Suicido à esquerda.

Há pessoas a chamarem-te.
Ouves?
Provavelmente não ouves. Ou se as ouves preferes ignorá-las.
São apenas ruídos longínquos e absurdos que tentam irromper o teu delírio.

Fala. Diz o que sentes. O que vês que os outros não vêem.
Conta. Expõe o quão doente és. Todos vão querer ouvir-te. E ajudar-te.
Vai correr tudo bem.

Psiquiatria sala à direita. Suicídio sala à esquerda.


A loucura é a única coisa que torna a vida interessante, porque transfigura-a.
Disfarça-a. Suaviza-a.



Enchem-te a cabeça de ideias. Dogmas. Crenças, cuja única função é manipular-te e privar-te de quaisquer hipóteses de livre arbítrio.

A tua alma está impura. As tuas mãos também. Todo o teu corpo.


Confissão sala à direita. Suicídio sala à esquerda.

Fala. Confessa tudo. “A verdade libertar-te-á.”
Deixa o bem prevalecer sobre o mal.
Só assim poderás ser perdoada.


És inconsequente. Inconsciente. Absurda. Desequilibrada.
Vives num mundo à parte que criaste para te proteger da realidade, mas agora os monstros que alimentaste na tua cabeça, estão cheios de vontade de te devorar.

Precisas de dormir. Meses.
E no entanto, não consegues acordar.

Estás sozinha. Completamente sozinha.
Pensavas que não?!

Como podes ser tão cega?

Tentas sair. Há uma porta.
Podes sair. Só tens que abrir a porta, e sorrir.

Realidade sala à direita. Suicídio sala à esquerda.

Tudo o que tens a fazer é escolher, mas não importa o caminho, o final é o mesmo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quebrei o espelho de novo.

O sangue seca nos pedaços de vido espalhados pelo chão.
O meu reflexo repousa agora nas entranhas do inferno.

Espectros canibais famintos ressurgem no caos.

Quem sou eu?

Não sou mais eu.

O pêndulo indica uma resposta para a qual eu não tinha sequer formulado uma pergunta.


Não sei ao certo o que criei. Não sei igualmente o que matei.
E não sei o que permaneceu.

Peça a peça. Membro a membro.

Sucumbe…


Lentamente…dolorosamente.




O inicio teve o seu inicio.

O recomeço teve o seu recomeço.

O fim não terá o seu fim…





segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Algumas coisas foram feitas para se perder.
Alguns dias nascem apenas para não se viver.
Algumas palavras não são para se dizer.
Algumas certezas existem para não se ter.
Algumas portas fizeram-se para não se abrir.
Alguns arco-íris são a preto e branco.
Algumas coisas estão condenadas á partida.

domingo, 18 de outubro de 2009

Na vida tudo é uma questão de atitude.
De nada adianta alcançar um objectivo, se por dentro, na nossa consciência, contradizemos em tudo as noções desse mesmo objectivo.
Não adianta vestirmos o hábito, se não somos o monge.
É agora…á luz verde da noite que abraça o meu redor…que tudo me parece claro…que o caos e a serenidade se juntam…que sou um ser indecifrável numa imensidão desajustada…há imagens, sons…antigos…recentes….permanentes e efémeros…e eu sou uma sombra inerte nesta infinidade de luz que rodeia o meu corpo…

E o mundo tornou-se um lugar estranho para pessoas como eu…

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

“Não peço que me sigam, pois também estou perdida …”


Quanto mais tento descobrir algo de “bom” em mim, mais me apercebo de que o mais provável é não haver mesmo nada de bom em mim. É uma realidade que eu tenho que aceitar. Alguém um dia me disse que eu não era uma má pessoa, mas que gostava de fingir que o era. Mas estava muito enganado, porque o que é verdade é exactamente o contrário: sou uma péssima pessoa, a tentar parecer boa pessoa. No fundo sou uma criadora de mentiras, de disfarces, de enigmas…e tudo isto me deixa bastante desordenada. Não sou mais que uma personagem de uma história qualquer que eu criei, e da qual não consigo sair. Perdi a capacidade de discernimento entre a “minha” realidade e a minha ficção.
Confuso isto, não?
Não sei…talvez…
Descobri que tenho uma certa habilidade para criar ruína, pouco a pouco…vai minando…
Tenho igualmente uma habilidade extraordinária para ser completamente desinteressada em relação a tudo e a todos.
Será o meu verdadeiro “eu”…ou a minha personagem?
Ou o meu verdadeiro “eu”, é no fundo a personagem…
Seja como for, tudo surge de forma extremamente confusa para mim…estou meio emaranhada entre vários mundos, várias realidades, várias personalidades…alucinações…sonhos…pesadelos…e momentos de qualquer coisa a que nem sei se lhe possa chamar “realidade”…
Afinal a realidade e a ficção são bastante subjectivas.
Como saber onde começa uma, e acaba a outra…ou vice versa…
Eu promovo o caos. Como se fosse uma certa forma de prazer escondido…
E depois, no fundo ainda consigo-me “divertir”com este caos autoproposto.




Uma vez mais volto a este poema…porque continua a fazer imenso sentido.

“Não peço que me sigam,
pois também estou perdida.
Desconheço até as profundezas de mim mesma,
persigo em busca de respostas
e só encontro a individualidade obscura contra as verdades absolutas, hipócritas....
Às vezes renuncio ao consciente para me sentir viva
e fantasio nas sombras do subconsciente
e por mais que seja ilusão,
vejo uma realidade minha,
reflexo da minha imaginação..."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A ruína amontoa-se.

Vezes sem conta. Vezes demais.
Eu não a consigo parar. Varre-la daqui.
Há uma estagnação. Uma inércia na existência circundante.
Será isto o fim? Ou o início?
Será este o mal? Ou a cura?
O que quer que seja aproxima-se…e afasta-se simultaneamente.

domingo, 11 de outubro de 2009

Eventualmente, acabamos por seguir os caminhos errados na vida. Nada a fazer. Acabamos por numa certa altura da vida por perder o controlo da realidade, dos factos. As situações desenrolam-se á nossa volta e tudo surge como um conjunto de hologramas. Às vezes parece que não conseguimos tocar a realidade, como se tivéssemos sido depositados à pressa dentro de um filme. A história já está delineada, os personagens seguem o seu rumo. E a nós não nos é permitido alterar nada. Limitamo-nos a ficar a observar o decorrer da história. No entanto, poder-nos-á agradar a posição de passividade. É confortável.
Eventualmente, dizia eu, acabamos mesmo por seguir os caminhos errados na vida…e às vezes escolhemo-los…mesmo só por serem errados. Eventualmente, encontrar-nos-emos em situações estranhas, com pessoas estranhas em lugares ainda mais estranhos. Às vezes parece que algo interrompe o seguimento normal do “filme”, há partes que parecem cortadas, e portanto não percebemos a sequência de algumas cenas.
Eventualmente, os nossos sonhos não se irão realizar. Pelo menos a maior parte deles.
Os sonhos são uma espécie de “cenoura á frente do cavalo”, são apenas um incentivo para continuarmos contentes no dia-a-dia. É como em miúdos quando nos diziam que o Pai Natal existia, e que, se nos portássemos bem, ele trazer-nos-ia o presente que tanto desejávamos.
Os sonhos são publicidade. Ficção.
Eventualmente, a maioria das pessoas que consideramos importantes para nós hoje, deixarão de o ser com as circunstâncias da vida.
Eventualmente, teremos muitos momentos felizes. Uns longos outros muito curtos. Segundos apenas.
As coisas não serão boas o suficiente para nos deixar satisfeitos sempre, mas não serão igualmente más, que nos sintamos miseráveis o tempo todo. A vida é uma questão de equilíbrio e perspectiva.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pelas coisas que nunca te disse, e que não te direi.
Pelo sim, pelo não.
Pelo oposto e pelo conciliável.
Pelos dias, pelas noites.
Por dentro e por fora.
Pelos sorrisos e pelas lágrimas.
Pelas dúvidas e pelas certezas.
Pela crueldade das horas, e pela frieza das circunstâncias.
Pelo que foi. Pelo que não foi.
Pelo que não será. Nunca.
Pelo que pensei.
E não pensei.
Pelo caminhar para o abismo.
Pelo regresso.
Por tudo.


Nada.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Megalomania - "Cupid bought a gun..."

É excessivo. Doentio. Obsessivo.
Contamina. Corrói. Esmaga.
É ensurdecedor. É como se o mundo repetisse em surdina a mesma palavra.
É uma partida. Sem regresso.
É uma queda. Sem consolação.
É quando se apaga a última luz viva. Como se de repente as estrelas se descolassem do céu e caíssem no solo…mortas…apagadas…para sempre.
É o momento em que a voz não consegue trespassar a barreira do silêncio. Quando as unhas ferem o branco da parede. E quando a primeira gota de sangue inunda o chão.
É o sufoco. A inexistência abrupta do nada sombrio.
É o momento em que o relógio permanece estático nas mesmas horas.

São seis da tarde? Meia-noite? Que dia é hoje?

E é sempre assim…quando um eco longínquo entoa de uma forma trémula e descompassada uma melodia há muito perdida…

É o choro da noite. O canto do silêncio. A dança das sombras.

É um veneno. Um tumor. Uma infecção. Um cadáver a céu aberto.
Uma poça de sangue putrefacto.
Uma luz em câmara lenta, num deserto de carne desfeita…destroços…

É a paranóia. A demência. A tragédia exasperada.
È uma necessidade compulsiva. Um vício.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Life is an aimless drive that you take alone..."

Isto - a vida - não é um relato sobre grandiosas aventuras, enormes sorrisos e finais felizes…não é disso que a vida se compõe…a vida é, na sua essência mais pura e crua, solidão. Solidão e nada mais. E desenganem-se os idealistas desde o inicio. Será mais fácil depois lidar com a realidade. Demasiadas ilusões e esperanças só provocam mais solidão…mais dor.
De nada adianta serem “boas pessoas”, praticarem boas acções… as boas intenções não vos ajudarão, pelo contrário deixar-vos-ão mais vulneráveis…fracos…
Há uma enorme quantidade de pessoas cruéis que conseguem ter uma vida longa e próspera, e, por outro lado, há uma enorme quantidade de pessoas que se dedicam a ajudar outras enquanto que a vida delas se desmorona sem que ninguém se importe. A vida é atroz para as pessoas “boazinhas”. É um facto.
Podemos acreditar que a atitude positiva ajuda, mas devemos consciencializarmo-nos de antemão que a vida é uma jornada solitária…e que é completamente inútil lutarmos contra isso.
Estamos inevitavelmente condenados a viver para o tempo que ainda não nos pertence, a acreditar que o “amanhã será um dia melhor”…e o amanhã chega repentinamente e saberemos que tudo será igual.
Desiludam-se aqueles que vivem embalados em histórias utópicas e falsas crenças de felicidade eterna.
Isto não é uma exposição moralista de premissas aleatórias do senso comum…a vida na sua natureza mais genuína, é hostil…e de nada adianta tentarmos enganar os factos com eufemismos baratos.
O mundo não pára quando têm que chorar…simplesmente não quer saber…o mundo não espera por vós se precisarem de um tempo extra para delinearem a vossa vida…que importa isso? Nada…
Como já referi a vida é uma jornada solitária…acabarão por se aperceber disso (caso ainda não se tenham apercebido), que ao longo do vosso caminho vão deparar-se com situações em que a única pessoa com a qual poderão contar, é a vossa própria pessoa. Solidão…é disto que é feita a vida…não de sonhos como alguns acreditam…e fazem acreditar…a vida é uma viagem embrenhada em solidão. E pronto. Ninguém se importa. Eu não me importo.
Espero que percebam que o facto de eu pensar assim, não é, evidentemente uma escolha de ânimo leve, é não mais que uma constatação de episódios repetitivamente sucedidos em momentos constantes ao longo do tempo.