Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

Hoje quero escrever sobre algo com o qual tenho vivido nos últimos tempos e que tem condicionado a minha vida a vários níveis: a minha relação de amor e ódio com a comida.
Não me recordo já exactamente ao certo quando começou, creio que foi muito antes de eu sequer ter a noção do que era.
Talvez tenha começado por volta dos 13 anos quando, numa tentativa de emagrecer á força eu comecei a passar dias sem comer nada.
Passava os dias na escola a sentir-me mal, fraca, tonta, sem energia e triste.
Ia constantemente á casa de banho com uma necessidade enorme de vomitar. Vomitava uma espécie de espuma porque não tinha mais nada no estômago para expulsar.
À noite, quando ia para casa, os meus pais não imaginavam o que havia sucedido. E eu comia normalmente. E nunca emagrecia porque eventualmente eu comia ao jantar o suficiente para manter o meu nível de calorias diário.
No dia seguinte na escola repetia tudo outra vez.
Um dia desmaiei em pleno corredor da escola. Acordei com imensas caras de colegas e professores a olhar para mim ali caída no chão.
Jamais poderei apagar essa imagem da minha memória.
Lembro-me de me terem levado para as urgências e do médico dizer que eu estava com anemia.
O que sabia eu? Nem queria saber.
Creio que depois disso tentei corrigir o meu comportamento e passei a comer.
Conseguiria passar mais alguns anos a comer relativamente sem me preocupar. O pelo menos sem chegar ao extremo de não comer nada durante os dias.
E, portanto, continuaria com excesso de peso.
Creio que tudo voltou por volta dos 21/22 anos, não me lembro bem ao certo.
Por volta desta altura o meu desejo de emagrecer surgiu de novo.
Ao inicio tudo começou de uma forma pacifica.
Comecei por cortar algumas coisas da minha alimentação, reduzi as quantidades de outras coisas e finalmente consegui começar a ver resultados de emagrecimento. E isso foi a alavanca que desencadeou todo o problema. A partir de então nasceu em mim uma necessidade de desafiar os limites do meu corpo. Até onde eu poderia ir na perda de peso? Quanto poderia o meu corpo aguentar em termos de restrição alimentar?
Isto tornou-se um vício. Já era algo que me ultrapassava. Uma obsessão.
Se eu podia passar os dias com uma ou duas saladas e alguma fruta, talvez conseguisse passar os dias apenas com algumas frutas. Ou com apenas uma fruta. E porque não passar o dia em total abstinência de alimentos? Um dia? E porque não mais dias?
Tudo era possível, porque a vontade era enorme e eu não conseguia ver mais nada para além perda de volume corporal, de diminuição de valores de peso, de aparecimento de novos ossos salientes.
Havia momentos em que me sentia fraca, claro. Sentia-me de mau humor. Cansada. Não me conseguia concentrar nas aulas. Tinha más notas. Tinha muito sono. Tinha imensas dores da fome.
Outros momentos estava tão embriagada em emoções como a de poder vestir umas calças de um número que eu sempre idealizara, que nada mais importava.
Eu estava doente, muito, mas eu não tinha a noção.
E, na altura, eu não tinha a mínima noção de que tudo aquilo teria efeitos irreversíveis para sempre.
Com o tempo eu perdera tanto peso que as pessoas que me conheciam desde criança já não me reconheciam de cada vez que me viam.
E, se ao inicio me elogiavam dizendo que eu estava muito melhor assim, com o passar do tempo começaram a conspirar sobre o facto eu ter uma doença.
E eu tinha realmente, tinha uma doença tão grande que me sentia feliz com este tipo de comentários.
Naturalmente, o meu corpo chegou a um ponto de total saturação, ou seja cheguei a um momento em que não conseguia emagrecer mais. É verdade. A minha estrutura corporal não o permitia.
Curiosamente, eu pouco a pouco apercebi-me do mal que havia causado. Já não me achava mais bonita no espelho. Aliás, achava-me ainda mais horrível do que antes.
Tinha chegado a um ponto de total estagnação, e aí percebi que não podia mais continuar assim. Precisava de ajuda. Uma orientação, porque naquela altura eu já não me sabia alimentar. Tudo para mim era proibido. Tudo me causava peso na consciência.
Tomei então a decisão de consultar uma nutricionista.
A nutricionista examinou-me e disse que eu estava mesmo no limiar da anorexia. Um pouco mais tempo e não havia volta a dar.
Como esperado, ela elaborou um plano alimentar que eu segui durante algum tempo.
O objectivo daquele plano era fazer com que mantivesse aquele peso de uma forma saudável.
E, como esperado também, eu não o segui durante muito tempo, porque, a minha cabeça, sempre a maquinar novas paranóias, julgava que aquele plano só me iria engordar de novo.
Eu achava que estava a comer demais do que eu julgava aceitável.
Eu não confiava em ninguém, excepto em mim.
E voltei ao mesmo ponto.
Ou talvez não.
Algures após tudo isto, não sei bem já quanto tempo depois, comecei uma nova fase.
Uma fase em que eu, saturada de tanta privação durante tão tempo e de sempre me sentir miserável, decidi começar a comer com menos preocupações.
Ao inicio tudo bem. Esta fase foi um pouco como a inicial, começou de forma razoável.
Mas eu sempre fui uma pessoa de extremos, em tudo. O meio-termo nunca me contentou.
Eu não podia simplesmente começar a comer de forma normal como se nada fosse. Eu não poderia deixar passar assim de ânimo leve todos os distúrbios alimentares anteriores.
Seria muito fácil.
Fosse pela necessidade que o corpo tinha após tanta abstinência alimentar, fosse pelas frustrações que se sucediam na minha vida, fosse pelo demasiado tempo que tinha á minha disposição e consequentemente o enorme tédio, fosse tudo conjugado, uma nova fase se iniciou na minha relação com a comida.
Nesta fase eu tornar-me-ia viciada em comida.
Tudo começou por eu achar que estava na hora de poder comer com menor moderação…mas a menor moderação, rapidamente se transformou em excesso.
Esta fase seria tão auto-destrutiva como outras anteriores.
Eu só pensava em comida. E comia sem que tivesse fome. Aliás, eu já nem sentia fome. Pelo menos uma fome fisiológica. Nesta fase comecei apenas a reger-me pela fome emocional. A comida surgiu como um remédio que acalmava a minha ansiedade.
Quando tinha grandes crises de pânico, nervosismo …total descontrolo emocional …eu podia comer as coisas mais estapafúrdias que tivesse ao alcance. Comia as combinações mais bizarras que alguma vez experimentara. O sabor não me importava. Na verdade eu nem sentia o sabor da comida. Para a falar a verdade eu não tinha a noção de estar realmente a comer. Era como eu se estivesse sob hipnose, como se a minha consciência tivesse abandonado o meu corpo.
Só depois do “episódio” terminar, e que eu era confrontada com os “destroços” do que havia comido é que eu realmente me apercebia do que tinha acontecido.
E sentia-me horrível. De uma forma que não consigo explicar. Sentia-me tão mal, que acabava por ir comer compulsivamente de novo em seguida.
Eu já vivia num completo ciclo vicioso.
Quando finalmente conseguia acalmar, eu jurava que tinha sido a última vez. Que “amanhã” tudo seria diferente.
No outro dia repetia-se tudo outra vez.
Os episódios de descontrolo começaram a ser mais frequentes e envolvendo cada vez maior quantidade de comida.
Ficava acordada noites a comer. Não conseguia dormir enquanto não acabava toda a comida que tinha em casa. Aliás, apenas me sentia livre quando não restava mais comida, era a única forma que eu tinha de me certificar de que não comia mais. E por isso eu tinha que esgotar completamente o stock alimentar do momento, caso contrário não conseguiria permanecer serena.
E assim “vivi” durante algum tempo.
Como é obvio, com o tempo fui novamente aumentando o peso e, por muito que isso me deixasse frustrada, eu não conseguia parar.
Algum tempo depois, iniciaria uma nova fase.
Nesta fase conjugaria a privação alimentar com o excesso.
Na maioria do tempo, eu era uma anoréctica durante o dia, e uma comedora compulsiva durante a noite.
Outras vezes eu passava um, dois, três dias ou uma semana sem comer nada, seguindo-se posteriormente mais uns dias de alimentação compulsiva.
Eu tinha perdido por completo o domínio sobre todas as situações.
Suponho que é verdade o que dizem, distúrbio alimentar uma vez, distúrbio alimentar para toda a vida. É algo que permanece com a pessoa. Uma vez passando-se para o outro lado, não há retorno.
E eu nunca mais consegui ter uma refeição normal na minha cabeça. Deixei de saber o que é fome física, autêntica. Perdi a completa noção do meu conceito de saciedade.
A comida passou a ser apenas uma forma de alimentar estímulos emocionais.
Se eu estivesse mais calma e de bom humor, eu até podia passar um dia a comer de uma forma mais “aceitável” ou não comer nada, mas se pelo contrário, eu estivesse nervosa por alguma razão, se estivesse mais triste, aí perdia a noção do que comia.
Para quem, como eu, desenvolve este tipo de distúrbios alimentares há duas situações em que se consegue testemunhar as chamadas experiências “fora do corpo” : quando se passa muito tempo de privação de comida, e depois, no outro extremo, nos episódios das chamadas “orgias alimentares”.
Em quaisquer destas duas situações há um sentimento de leveza e transposição da consciência para um estado exterior ao corpo, e perde-se a noção do tempo, espaço e de tudo o resto.
Há uma parte de nós de um lado, e a outra observa tudo numa perspectiva mais elevada.
No entanto as sensações vivenciadas nas duas situações diferem em alguns aspectos.
Eu diria que esta experiência “fora do corpo” sente-se de forma mais acentuada durante um episódio de alimentação compulsiva, porque tudo acontece num menor curto de espaço de tempo, de forma mais abrupta. A adrenalina é tão forte que nos sentimos completamente transfigurados. Como se estivéssemos a observar-nos num daqueles documentários sobre a vida animal, em que nós somos a fera que devora,insaciável,a presa.
As cores das coisas alteram-se, sobressaindo mais, agindo como campainhas nos nossos olhos.
As formas dos objectos em nosso redor colidem numa só.
Durante a abstinência alimentar tudo vai acontecendo de forma mais gradual. Começa-se com um sentimento de total superioridade em relação às restantes pessoas. Estamos rodeados de pessoas a comer, e nós estamos ali completamente indiferentes em relação a toda aquela comida. Nestes momentos a energia/êxtase mental consegue apagar toda a debilidade física que se sente (e sente-se imensa). Quanto mais o tempo vai passando mais, mais fácil tudo se torna. Lá para o segundo dia de jejum o volume do som do mundo está diminuído. As cores das coisas também mudam neste estado, dissipam-se. Mudam as noções de profundidade, distância, altura, etc.…
A partir de então é como se não fizéssemos mais parte deste mundo.
Sente-se como aquelas cenas dos filmes em que o personagem vai passando e tudo em seu redor está desfocado, apenas há ênfase nos contornos do seu corpo.
Tudo o resto é secundário. A mente está mais elevada que o corpo.
Talvez por estas razões estes comportamentos sejam tão aditivos, porque, apesar de todos os estragos físicos que causam, eles conseguem trazer uma espécie de paz de espírito, uma satisfação adicional.Controlo no descontrolo. Harmonia no caos.
Faz-nos sentir que em qualquer um destes estados, vemos o mundo como não o conseguíamos ver num estado “normal”.
E quando se começa não se consegue parar.
No entanto, eu não escrevi isto para defender a “adopção” deste tipo de relacionamentos disfuncionais com a comida…se o que eu mais desejava é nunca ter vivido nada disto…se eu fantasio tantas vezes com o último dia em que tive uma alimentação normal…
Apenas precisava de escrever isto. De colocar isto em palavras de uma forma mais concreta e honesta, numa tentativa de conter este “monstro” dentro deste texto. E poder finalmente libertar-me.

Temo que isso não aconteça, mas não custa tentar…
………………………………………….

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

As luzes serpenteiam o caos escuro.
Que voz esta que ouço e não consigo decifrar?
Uma a uma. As paredes desmoronam-se no horizonte.
O labiríntico espaço decifra-se á minha frente.
É sempre tarde. Ou muito cedo.
É sempre agora. Ou não.
Palavras disformes preenchem cavidades como mosaicos.
Gravuras que contam histórias de dias remotos.
Gotas de chuva sobressaem no chão íngreme.
Mãos mortas seguram o tempo nas pontas dos dedos.
E é sempre tão tarde. E as horas são as mesmas.
Passos de inocência escavam grutas em caminhos de areias movediças.
Passos de indiferença exibem-se numa coreografia magnetizada.
E, por detrás da porta que nunca se abre, dormem, alheios de tudo,
Criadores de marionetas sem fios.
Artesãos de falsos cortejos.
Fanáticos do ilusionismo camuflado.
E há lâminas salientes nos leitos daqueles que ousam repousar.
E é sempre tarde demais.
O sorriso dos loucos solta-se em alarme.
Esboços de figuras desenhadas em folhas de papel ardem.
Labaredas de sonhos crepitantes.
Voltas e mais voltas dá a corda em redor do corpo amorfo.
Uma volta mais e não há mais volta a dar.
Passos atípicos deambulam no cais abandonado rompendo o nevoeiro.
Máscaras de benevolência cobrem cães raivosos.
Enquanto isso, o louco, na sua jaula, engole mais um comprimido.
O elixir do bom comportamento.
E o velho palhaço alcoólatra inventa felicidade para os sorrisos dos espectros cépticos espalhados pela sala.

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

So much I need to say but I can’t.
I really can’t.
So much I need to cry. But I can’t.
I really can’t.

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

Underneath your nails there’re dirty little pieces of your own dead skin.
It itches. I know.
It itches so bad that sometimes feels like your skin is burning.
Some people are allergic to oxygen.
Oxygen may be lethal.
Oxygen is venom.
It’s a drug. We’re all addicted to it.
Maybe we all should quit it.
Some people are tables all aligned in fancy restaurant rooms.
But they wished they’re chairs placed in a balcony of a very quiet house somewhere so far away.
Some people dream too much. So much that they can´t carry the load of their own dreams.
Some people have heart attacks while sleeping.
Their lazy hearts decide to stop right in the moment when they’re working more slowly.
There’s no God anymore, I tell you.Maybe he existed one day.
Maybe he got really tired of this planet, and eventually he just disconnected himself from it.
Maybe he died. And no one replaced him.
It’s not easy to find a good God these days.
We created God and maybe, along the way, we killed him.
I don’t know how to pray anymore.
But If I did, I would pray for the destruction of this planet.
I would pray for a collision with a meteor as shown in many apocalyptic movies.
For an egotist, I think this is the most altruist idea I’ve ever had.
Sometimes I wish I could burn all the law and etiquette books ever written.
And all the computers. All the files. All the conventions. And all the buildings.
I wish I could burn them all in a gigantic fire.
I mean, I’m not crazy; I just too tired of this stupid world we’re live in.
Your skin is covered of scars.
Some wounds never heal.
Even though you’ve been told that “time heals everything”.
Time is a liar. Time is a hypocrite.
And So Am I. and so are you and the rest of people.
I wish I had a gun pointed to my head.
People only reason with a gun pointed to their heads.
It’s only on the imminence of the death that people actually know for sure what they want.
“I reason with my cigarette”
So I look at the sky wondering…waiting for an answer.
A sign…
Damn, I really wish I know how to pray!
I had a dream it was 5 am.
“You are the alpha and the omega”…
Most of people are afraid to be alone.
Maybe they never learnt how to be alone.
It’s not bad, I tell you.
Some people feel so old, and they’re so young.
Some people feel so young, and yet they’re so old.
“I’m too young to feel this old”
“Wonder why it's getting cold at night. I must be getting old”
And so the story goes on.
No happy endings at the final chapter.
The lonely characters get even lonelier.
The miserable ones stay just as miserable.
The good ones are also the villains.
All the characters die. Not just the bad ones.
They’re all bad at some point.
There are no good lines. No funny jokes.
There’s no script.
No one has any idea how to fix things.
I don’t care about it.
It doesn’t move me.
I don’t know what really moves me anymore.
Give me back the hospital bed.
Give me another shot. Put me to sleep.
Give me the blue light of the anesthetic liquor.
Numb me!
“I wanna be sedated”
Make me cry. Make me feel something. I want to react.

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

There were times that I felt this song had been written for me...

"In your little white wicker chair
Unsuspicious nobody cares for you
You're so fucked up again
You laugh at nothin' in the pouring rain
Try to tell yourself you're not insane
You fool, I hate you sometimes

Hey, you know it ain't coincidental that you're lost in place
It's drippin' off your face, and you're losin' your precious mind

Send me a postcard if you get that far
You got a couple pennies in your rusty jar
The truth you've been gone for awhile
It's hard lookin' at you when you look that way
With your one night stands and your sleep all days
Ooh you're such a slut sometimes

Hey, you know it ain't coincidental that you're lost in place
It's drippin' off your face, and you're losin' your precious mind

You're losing your mind "
                        - Kings Of Leon - Wicker Chair  -

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

So as fire burns and water wets
The circle keeps closed as the fortune swaps
Bond the north, the east, the west as well as the south
And guard the words coming from your mouth
Under the old tree you must rest
For the path is long and bursts your chest
Nine nights and nine days
While the wheel turns its own ways
The candles mark the trace
Strong the hands and pure the face
When the dark defeats the light
On the top of the mount you must take sight
For in the horizon the moon stares
To be patient you must dare
And as the Man great prosperity makes.
Time gives and time takes.
And while your steps you see
Be aware of the rule of three
For all the seeds you sow
Healthy they must grow.

Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

No hay cielo o infierno en tus ojos.
El viento del sur me dijo que los días y las noches se hicieron muy pequeños para que los toques con tus manos.
Hay veces las que he intentado fingir las cosas que siento y la misma melodía siegue sonando siempre.
Y yo que soy todavía tan joven me siento tan vieja en estos días en los que el tiempo me habita.
Pero en tus ojos el tiempo no habita más.
Me pregunto si lo sabes…
Me gustaría preguntarte. Me gustaría decirte todo lo que nunca te dije…
Pero tú habitas ahora el reino del silencio.
Y cuando yo pienso que estás muy cerca…ya te has marchado.
¿Te acuerdas de las horas en las que palabras fueran nuestras murallas?
Creo que después del día en el que te fuiste todas las palabras se han borrado.
Como un cuerpo consumido que no puede más reconocerse.

Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Hoje gostava de escrever (uma vez mais) sobre o amor-próprio.
Não é fácil consegui-lo. Ele é sorrateiro.
Nem sempre ele está onde achamos que ele está.
Muitas vezes julgamos que o atingimos através de uma mudança de penteado, ou uma perda de peso ou uma roupa nova. Outras vezes achamos que o encontraremos nas relações com as outras pessoas.
Até que um dia nos apercebemos de que ele está apenas e só dentro de nós.
E é, na maioria das vezes indiferente às mudanças exteriores.
É com uma mudança interior que o encontramos.
Eu perdi quilómetros do meu caminho á procura dele onde ele não estava para mim.
Perdi horas…dias e noites…meses…anos…a tentar decifrar minuciosamente os caminhos do longo labirinto da auto-estima.
A empreender todas as regras para uma possível auto-aceitação.
Cansava-me. Desistia. E recomeçava tudo outra vez.
Sempre que julgava que estava perto de algo, concluía que ainda me odiava mais do que quando tinha começado.
Torturei-me de todas as formas possíveis. E quanto mais me torturava mais pensava que estava no melhor caminho para ser perfeita.
Perfeita…como se a perfeição existisse…
E não me suportava por falhar sempre em tudo.
E odiando-me, odiava o mundo.
Já sabemos que devemos gostar de nós, aceitarmo-nos como somos e tudo isso…mas não adianta dizer isso…porque isso não é a causa que leva ao amor-próprio, mas sim a sua consequência, ou seja, só conseguimos gostar de nós e aceitarmo-nos quando ganhamos o amor-próprio, e não de forma inversa.
Na verdade não adianta esforçarmo-nos muito.
No final, feitas as contas, acabamos por gostar realmente de nós exactamente quando nos deixamos de esforçar para isso. Quando nem nos importamos.
Eu diria que o segredo para conseguir o amor-próprio é a simplicidade.

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Tu és o tudo e o nada dos dias.
Nas tuas mãos o vento e todas as coisas vivas do universo.
Criaste a chuva e a manhã.
Revoltaste os ventos do norte e seguiste na tempestade fulminante.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Ao teu lado caminham os espíritos do entardecer.
E as feras da escuridão não te alcançam.
De ti cresce o caos e a harmonia.
E os que se cruzam contigo. E te olham e contemplam a tua imagem seguem alheios à grandeza de tal contemplação.
E tu nada lhes dás e nada lhes tiras.
De ti fluem nove rios com nove correntes. E os teus pés nunca se cansam.
Caminhas em silêncio, porque o tempo urge e sabes que as palavras por vezes lançam sementes que germinam em tragédias.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Nos teus olhos ardem as fogueiras das noites frias ancestrais.
O teu corpo forte e sem medo carrega o peso de um mundo que um dia desabou sobre ti.
Lês os sinais das estrelas e adivinhas na dança das folhas mortas a imortalidade dos ciclos.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Nos teus braços envolves o todo num tabuleiro de xadrez e a tua música nunca cessa.
Corres pelo espaço aberto dos campos desertos e espalhas o dia e a noite. E com eles acendes faíscas de gelo num mar de luz e trevas.
E na ponta dos teus dedos agitam-se milhões de trovoadas.
Tu és o tudo e o nada dos dias.
Na tua pele embalas a solidão num sono profundo.
Golpeias sem receio a carne crua das sombras apocalípticas erguidas em agonia.
E sabes, sem ninguém ter-te contado, que há estátuas de pedra que choram na escuridão tumular.
E escondes-te por detrás do ténue véu que separa o sangue da água.
E os que param e, cegos e sedentos de respostas, te confrontam, não os compreendes.
Tu és o tudo e nada dos dias.
À tua passagem extinguem-se as chamas de todas as velas.
E por ti ergue-se um altar sem nome.

Sábado, 26 de Novembro de 2011

Quantas vidas cabem numa vida?
Eu diria que cabem imensas.
Cabem quantas vidas surgirem no nosso caminho e quantas dessas nós estivermos dispostos a enfrentar.
Há uma nova vida em cada emoção. Em que cada mudança de humor. Em cada conquista.
Um dia somos a pessoa que se encerra totalmente do mundo desejando que toda a gente á sua volta se extinga de repente.
Outro dia somos a pessoa que implora para que alguém repare em si. Para que alguém diga alguma coisa. Para que alguém ofereça algum conforto.
Um dia somos a pessoa que tem medo do escuro.
No outro dia somos quem apaga as luzes.
Será possível viver vidas que se contradigam umas às outras?
Será possível não manter um padrão de comportamento?
Será possível continuar em frente ignorando os fragmentos das vidas passadas que vão ficando atrás de nós?
Eu diria que sim.
Alguns desses fragmentos provavelmente ainda permanecerão agarrados a nós por algum tempo, teremos que continuar a andar até que eles caiam completamente.
Alguns eventualmente não cairão.
Esses,teremos que aprender a cobri-los. A escondê-los. A soterrá-los.
Assumiremos então que eles farão parte da nossa bagagem ao longo da nossa viagem. E, assim, vamos guardando-os na parte mais recôndita e vamos colocando novas coisas sobre eles.
Somos usados, mas novos.
Sempre novos. Quantas vezes ousarmos sê-lo.
Fazemos o que for preciso.
Esperamos que com o pó dos dias os fragmentos das vidas passadas sem dissolvam.
E continuamos.
Não acontece de um dia para o outro.
A mudança leva tempo, já sabemos.
Temos que ser pacientes e esperar que a velha pele caia por completo, até podermos ostentar com brio a nova pele.
É uma metamorfose.
Temos que esperar pela altura certa, como as larvas esperam todo o inverno no seus casulos até à chegada da primavera para surgirem como lindas borboletas.
Aceitar e enfrentar cada nova vida que escolhemos é ter a noção de que temos que passar pelo processo da metamorfose.
Quantas vidas cabem numa vida?
Depende de nós. Da nossa coragem e aceitação de que tudo vem e tudo vai.
De que ao fim de algum tempo temos sempre que deixar a nossa pele velha cair.
Aceitar que durante esse processo podemos estar mais vulneráveis enquanto a nova pele ganha crosta. Mas que isso não nos faz necessariamente mais fracos, apenas seres em transição.
E é nessa transição que arranjamos escudos para nos protegermos na fase seguinte.

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Quando tinha 16 anos o que mais desejava era ser invisível.
Queira tanto ser invisível que marquei o meu suicídio para o dia em que completasse 17 anos.
(A sério?)
Tinha tudo programado…dia…hora…local…e claro a forma como me suicidaria…
(que tonta…)
Não me lembro exactamente do que me fez mudar de ideias na altura.
Creio que foi algo tão insignificante como o que me fez ter a ideia em primeira instância.
Na altura eu apenas sabia uma coisa.
Ou pelo menos julgava saber.
Sabia que a minha existência era ridícula.

 Houve muitas outras alturas em que me quis suicidar.
Não com dias marcados nem nada disso, mas sei que em diversas situações eu não quis mais viver.

Não, eu hoje já não penso assim.
Não sei se isso faça de mim uma pessoa melhor ou pior.
Simplesmente hoje gosto de viver.
Hoje finalmente posso dizer que GOSTO de viver.
Que GOSTO de mim.
E acho que nunca tinha sentido isso.
Não que eu tenha “melhorado” enquanto pessoa ou na aparência.
Apenas mudei a minha forma de me encarar.
Percebi que não temos que andar mortos antes de morrer.
A morte há-de vir.
E, desenganem-se…ela virá…
Percebi que não há necessidade nenhuma de sermos mártires de nós mesmos.
Um dia de cada vez…o caminho faz-se.
Não temos que ter objectivos tão grandes que tudo pareça tão impossível de alcançar.
Não temos que ter “role models”, que nos façam sentir sempre uns falhados.
Cada pessoa é diferente. E pronto.
Fazer da vida uma competição com alguém. Ou redesenharmo-nos á imagem de outra pessoa só nos condenará a um descontentamento diário.
E a nossa visão das coisas é sempre distorcida.
Percebi que nos esforçamos demasiado.
E quanto mais nos esforçamos mais tragédia cai sobre nós.
E eu antes não sabia disso.
Pensava que o mundo estava todo contra mim.
Que era um fardo viver. E,por conseguinte, nada fazia sentido.
E eu não sabia que apenas tinha que mudar a minha perspectiva de ver o mundo.

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Nostalgia is the reaction of our senses when exposed to certain facts that affect our memory.
Nostalgia is an open wound.
Or, as I read somewhere, in Greek, nostalgia means “the pain from an old wound”.
It’s not always as we thought it would be.
It’s not always a predictable reaction.
Nostalgia is both bitter and sweet.
Nostalgia is a tear falling down into a smile.
Or a smile that ends up in tears.
Nostalgia is scratching the scars.
We have many scars. Scars are easy to deal with.
But there’s always the wound.
That wound that never turns into a scar.
That wound that is always there.
Bleeding...

Quinta-feira, 17 de Março de 2011

The day we left

I miss the old days. I miss all of them, not just one in particular.
I miss watching the sunset and waiting for the night sky in my old house on the hill.
I was once a happy little girl in the old house on the hill.
And now it seems like forever since I was there for the last time.
The house is empty now. And so am I.
I remember the day I left.
I was fifteen. My father told me that we would come back anytime I want.
I believed him.
Actually, it took me three years to go back there.
I went there with my grandmother. And, as we were walking through the old garden, she told me to look at the trees. I took a look at her first and she was crying. Not a loud crying, but a silent one. She said that the trees seemed very sad…they were so lonely now. There was one specific that caught my attention. It was the old fig tree where I used to sit under many times.
I realized how much I’ve missed it. I still miss it.
Me and my cousin, we used to dress as superheroes, and he used to climb that fig tree and pretend he could fly. Eventually, he fell down several times. He even broke his arm once. But he was happy there as I was.
I was once a happy girl under a tree…believing in magic and casting spells with leaves, rocks and sticks…watching the setting sun over the hill…discovering constellations with my cousin on the summer sky.
I was once this happy girl.
Till one day, I don’t know, maybe I was too grown up already…or maybe the Summer ended and my father said that we had to leave….
We had to leave the house on the hill…the old house by the lake where my uncle taught our dog how to swim.
And so we left.
It was a Saturday of a random weekend in one of the first days of October. I’ve had just turned fifteen.
My father said that we were ready to go (were we?)…that everything was already gone.
He meant that we had already carried all the things from there to the new house…but for me, it meant exactly that… everything was really gone…
My childhood. The magic. The summer days. The stars, the moon and the sun.
The house to where we moved to, it wasn’t that far. It was, in fact, only 20 kilometers away, but, I don’t know why, I was feeling like I was moving to another country.
Our dog died a few months before we left.
He was too old, or maybe he already knew that we had to go, and so he didn’t want to wait to that moment.
He was always a good friend. My good friend.
I’ve never cared about an animal, nor dog nor cat, as I cared about him.
I used to take pictures of him.
I still keep one. He is still young…healthy…strong and with an amazing hair. He is sat on the ground in the middle of the garden between the trees and he is staring at the camera.
I swear he is smiling on his own way.
I had more dogs after him, but they could never replace him.
He died on an afternoon on a hot day of July.
His death was the prelude to the ending of all the things that made me happy.

Sábado, 12 de Março de 2011

"... you ain't a poet. Just a drunk with a pen."

Quinta-feira, 3 de Março de 2011

"...Even the most seemingly random events, have logic behind them.
Geniuses don’t make mistakes, they just instigate their own problems, so that they could be worked out with deeper insight."
                                                                                             Good Time Max

Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

And so then…I killed myself…
I ripped apart my soul from my body.
And from that moment on my body was only a moving tomb.

the end
And so as I walk everyday on the streets, and all these human beings keep passing by me, I close my eyes fiercely… and I yell to inside myself: PLEASE,PLEASE,PLEASE MAKE THEM ALL DISAPPEAR!!!!!!!!!!!!
And, as I open my eyes again…I realise that they're all still there… INFECTING MY SIGHT…

Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Do you know?
When the world is getting over and you know you’re gonna be the only survivor…
It’s not fair, is it?

Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

I’ve been to many places…and I have returned from all of them.
And, sheltered inside empty buildings, I secretly…hopelessly…in my drunkenness… wished to die.
I’ve seen the night and the day converge into random scattered nightmares of blind eyed audiences.
I’ve contemplated madness and I’ve soaked myself in desperation.
Give them the sun. Give them colors …
Give them easy conquests …
Give them a game to play…
Give them something to believe...
An idea…and they’ll be your slaves. They will worship you.
Give them flashing meteors.
Give them vices and devices.
Give them pills and cigarettes.
And they will crawl at your door on a Sunday morning begging for more.
I’ve been on the edge of defragmentation and I’ve came back in time to witness my own oblivion.
I repeatedly watched them witnessing time’s self-procrastination and fiercely clapping to their own destruction.
I saw their battles. I heard their screams.
Useless.
I’ve dripped night after night into distorted sceneries.
Assuming the world’s lost and seeking for more.
Finding refuge under the infrastructures of the hidden lights.
I’ve swore that I wasn’t there and I became invisible…wrapped in the smoothed curtains of the room.
And in the dark glances of my shelter I‘ve painted the picture of my own desolation.
How does it feel?
How is it?
I could give my life for just one small drop if it.
Is it too far? Or am I the one who’s running away from it?
Sweet poetry on the devil’s chess board…one single move and it’s over…
Give them the key to the eternal happiness.
Give them the reverse combination of the entrance.
They like to fight for something.
I could stay here for days and days….staring at the horizon …imagining that life is no longer available for me.
Give them a conception.
A drawing in a small piece of paper.
Where am I?
Is this the same place as yesterday?
Give them lobotomy shocks.
Give them razors. Scissors. Knives.
Give them lighters. Furniture. Stairs.
Give them make-up and costumes.
Give them parades.
Give them the warm flavor of resurrection …
I‘ve cried myself until I wasn’t able to cry any longer.
Until I invented tears to cry.
Until I created new ways of pain.
Electrifying thoughts colliding into catatonic excitement.
I’ve seen myself drenched in oil seas and I’ve slept in waste containers.
Until there was no more life at all...

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

I’m sick of feeling and I’m dying to feel something.
I’m sick in my mind and it hurts my body.
I can’t trust in what my eyes see anymore.
I can’t trust my thoughts. My senses are in a dysfunctional mode.
I have all the time at my disposal and I’m always late.
I’m desperate, though everything is so peaceful around me.
I’m anxious. I can’t concentrate myself. I can’t produce logical ideas.
I’m chasing shadows. I’m chasing invisible steps.
I’ve locked myself inside these walls so my madness can’t escape.
I’m starving. I’m greedy. I am obsessed.
I can’t sleep and I can’t keep my eyes open either.
I keep choosing “whatever” between the “yes” and “no” options.
My nights are full of empty spaces; my days are empty with fool actions…
My mother hates me and my father wished that I was a different person.
To say that I’m misunderstood is not a possibility.
I lie to everyone…I have to…because if I’d say the truth they wouldn’t believe me….
So I lie to them so fearless …I even lie to myself just for fun.
I keep passing through a lot of random situations…some of them real and most of them delusional…I can’t tell the difference anymore.
It’s 6pm. I am walking in an empty house and I open a door to a new world. Yet, not a better one…
“I spy with my little eye…” a room full of red wine…
Is it wine?
No it isn’t. It’s cold. It’s scarlet. It’s…Is it blood?
Then I’m walking again but I’m in another room. This one is very crowded. I can barely walk between the dancing skeletons. I look at my left hand and my glass is empty and in my right hand my cigarette has putted out ….
I’m sober. I start to panic. I want to get out of this place, but I can’t. There’s no way out. There’s no door. No window. And the walls are now giant guillotines.
I close my eyes and count to ten.
I’m lying on a bed now. It’s morning already, I can see the light penetrating the room through the small cracks on the window. I spent the all night awake.
I shouldn’t be here. I wanted to, but I know that I will regret it later.
Maybe not that later...
I have to go. And I’m sure that I will never come back.
Last thing I remember I am in an elevator, and then I blacked out.
It’s morning again. It’s another day. It’s Wednesday I guess. I’m weak. My legs shake. My head aches. My bones are freezing.
It’s been almost a week since I’ve been in self-starvation.
My mirror says that I’ve been succeed. I’m victorious.
What was the prize? Is there any? I can’t remember…
Is it endless happiness outfitted in stunning dresses?
Is it everlasting beauty?
Did I win?
Thank you! I’m so happy…I want to thank to the entire world…
Wait…what?!
Shut up and go eat something!
Just a very small amount of food won’t be a disaster. Or would it be?
Go ahead. Eat it. I know you’re dying to. Just one single bite and you’ll be saved.
Saved? Or damned? Not sure…
It’s 4am and I’m lying on the floor staring at the intermittent lights on the ceiling.
Empty bottles surround me.
I’m highly intoxicated.
I’m suffocating in ash and dust.
My body shivers.
Truth or consequence?
Rise or decadence?
Suicide or celebration?

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

"...no queda noche para más, que un último baile..."

Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

A veces estamos tan lejos de lo que queremos que creemos de verdad que jamás lo vamos a conseguirlo.
A veces estamos muy muy lejos de todo.
Estamos tan lejos que parece que nada más importa.

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Por el camino de la luna...

"Vivir y dejar vivir

De toque gentil y suave mirar
Es mejor poco hablar y mucho escuchar

Y escuchas los lobos a la Luna llorar
Y entonces la Rueda empieza a girar
Tira una piedra en el agua y veras
Como las ondas te dirán la verdad

Feliz encuentro, feliz partida
Tibio el corazón, brillante la mejilla

La ley del 3 tendrás presente
Tres veces mal, Tres veces bien,
Cuando la desgracia este en tu mente
Una estrella azul lleva en la frente

Haz tu voluntad y A nadie dañes..."