quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A ruína amontoa-se.

Vezes sem conta. Vezes demais.
Eu não a consigo parar. Varre-la daqui.
Há uma estagnação. Uma inércia na existência circundante.
Será isto o fim? Ou o início?
Será este o mal? Ou a cura?
O que quer que seja aproxima-se…e afasta-se simultaneamente.

domingo, 11 de outubro de 2009

Eventualmente, acabamos por seguir os caminhos errados na vida. Nada a fazer. Acabamos por numa certa altura da vida por perder o controlo da realidade, dos factos. As situações desenrolam-se á nossa volta e tudo surge como um conjunto de hologramas. Às vezes parece que não conseguimos tocar a realidade, como se tivéssemos sido depositados à pressa dentro de um filme. A história já está delineada, os personagens seguem o seu rumo. E a nós não nos é permitido alterar nada. Limitamo-nos a ficar a observar o decorrer da história. No entanto, poder-nos-á agradar a posição de passividade. É confortável.
Eventualmente, dizia eu, acabamos mesmo por seguir os caminhos errados na vida…e às vezes escolhemo-los…mesmo só por serem errados. Eventualmente, encontrar-nos-emos em situações estranhas, com pessoas estranhas em lugares ainda mais estranhos. Às vezes parece que algo interrompe o seguimento normal do “filme”, há partes que parecem cortadas, e portanto não percebemos a sequência de algumas cenas.
Eventualmente, os nossos sonhos não se irão realizar. Pelo menos a maior parte deles.
Os sonhos são uma espécie de “cenoura á frente do cavalo”, são apenas um incentivo para continuarmos contentes no dia-a-dia. É como em miúdos quando nos diziam que o Pai Natal existia, e que, se nos portássemos bem, ele trazer-nos-ia o presente que tanto desejávamos.
Os sonhos são publicidade. Ficção.
Eventualmente, a maioria das pessoas que consideramos importantes para nós hoje, deixarão de o ser com as circunstâncias da vida.
Eventualmente, teremos muitos momentos felizes. Uns longos outros muito curtos. Segundos apenas.
As coisas não serão boas o suficiente para nos deixar satisfeitos sempre, mas não serão igualmente más, que nos sintamos miseráveis o tempo todo. A vida é uma questão de equilíbrio e perspectiva.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pelas coisas que nunca te disse, e que não te direi.
Pelo sim, pelo não.
Pelo oposto e pelo conciliável.
Pelos dias, pelas noites.
Por dentro e por fora.
Pelos sorrisos e pelas lágrimas.
Pelas dúvidas e pelas certezas.
Pela crueldade das horas, e pela frieza das circunstâncias.
Pelo que foi. Pelo que não foi.
Pelo que não será. Nunca.
Pelo que pensei.
E não pensei.
Pelo caminhar para o abismo.
Pelo regresso.
Por tudo.


Nada.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Megalomania - "Cupid bought a gun..."

É excessivo. Doentio. Obsessivo.
Contamina. Corrói. Esmaga.
É ensurdecedor. É como se o mundo repetisse em surdina a mesma palavra.
É uma partida. Sem regresso.
É uma queda. Sem consolação.
É quando se apaga a última luz viva. Como se de repente as estrelas se descolassem do céu e caíssem no solo…mortas…apagadas…para sempre.
É o momento em que a voz não consegue trespassar a barreira do silêncio. Quando as unhas ferem o branco da parede. E quando a primeira gota de sangue inunda o chão.
É o sufoco. A inexistência abrupta do nada sombrio.
É o momento em que o relógio permanece estático nas mesmas horas.

São seis da tarde? Meia-noite? Que dia é hoje?

E é sempre assim…quando um eco longínquo entoa de uma forma trémula e descompassada uma melodia há muito perdida…

É o choro da noite. O canto do silêncio. A dança das sombras.

É um veneno. Um tumor. Uma infecção. Um cadáver a céu aberto.
Uma poça de sangue putrefacto.
Uma luz em câmara lenta, num deserto de carne desfeita…destroços…

É a paranóia. A demência. A tragédia exasperada.
È uma necessidade compulsiva. Um vício.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

"Life is an aimless drive that you take alone..."

Isto - a vida - não é um relato sobre grandiosas aventuras, enormes sorrisos e finais felizes…não é disso que a vida se compõe…a vida é, na sua essência mais pura e crua, solidão. Solidão e nada mais. E desenganem-se os idealistas desde o inicio. Será mais fácil depois lidar com a realidade. Demasiadas ilusões e esperanças só provocam mais solidão…mais dor.
De nada adianta serem “boas pessoas”, praticarem boas acções… as boas intenções não vos ajudarão, pelo contrário deixar-vos-ão mais vulneráveis…fracos…
Há uma enorme quantidade de pessoas cruéis que conseguem ter uma vida longa e próspera, e, por outro lado, há uma enorme quantidade de pessoas que se dedicam a ajudar outras enquanto que a vida delas se desmorona sem que ninguém se importe. A vida é atroz para as pessoas “boazinhas”. É um facto.
Podemos acreditar que a atitude positiva ajuda, mas devemos consciencializarmo-nos de antemão que a vida é uma jornada solitária…e que é completamente inútil lutarmos contra isso.
Estamos inevitavelmente condenados a viver para o tempo que ainda não nos pertence, a acreditar que o “amanhã será um dia melhor”…e o amanhã chega repentinamente e saberemos que tudo será igual.
Desiludam-se aqueles que vivem embalados em histórias utópicas e falsas crenças de felicidade eterna.
Isto não é uma exposição moralista de premissas aleatórias do senso comum…a vida na sua natureza mais genuína, é hostil…e de nada adianta tentarmos enganar os factos com eufemismos baratos.
O mundo não pára quando têm que chorar…simplesmente não quer saber…o mundo não espera por vós se precisarem de um tempo extra para delinearem a vossa vida…que importa isso? Nada…
Como já referi a vida é uma jornada solitária…acabarão por se aperceber disso (caso ainda não se tenham apercebido), que ao longo do vosso caminho vão deparar-se com situações em que a única pessoa com a qual poderão contar, é a vossa própria pessoa. Solidão…é disto que é feita a vida…não de sonhos como alguns acreditam…e fazem acreditar…a vida é uma viagem embrenhada em solidão. E pronto. Ninguém se importa. Eu não me importo.
Espero que percebam que o facto de eu pensar assim, não é, evidentemente uma escolha de ânimo leve, é não mais que uma constatação de episódios repetitivamente sucedidos em momentos constantes ao longo do tempo.


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Havia um tempo...

Havia um tempo em que eu sorria ao ver uma estrela cadente. Sorria e pedia um desejo.
Acreditava que a vida era simples. Feita de estrelas cadentes e desejos realizados.
Havia um tempo em que eu não tinha ainda atingido a superfície da realidade, andava dispersa em ilusões e esperanças no mais profundo da minha inocência. Era criança.
E não conseguia ser mais nada. Era feliz. Tinha pessoas felizes á minha volta. Os dias eram grandes, e neles cabiam todos os meus sonhos.
Havia um tempo em que nada importava. Apenas o presente. As decisões não definiam uma vida. Tudo era momentâneo e encantador.
Depois não sei o que aconteceu, eu mudei. O mundo á minha volta mudou. Mudaram os lugares, as pessoas, e os dias ficaram mais curtos e até as estrelas desapareceram do céu, ou eu comecei a esquecer-me de olhar para elas.
E alguém me disse que eu crescera. E haveria de continuar a crescer. E não havia nada que eu pudesse fazer. Era um processo fustigante e completamente irreversível.
Implicava mudanças. Á minha volta e em mim. E eu aceitei essa situação. E o tempo passou. Eu fui passando com ele. E vendo-o passar. A deixá-lo passar.
Pouco a pouco deixei de reconhecer a pessoa que me olhava no outro lado do espelho.
A distância aumentou. As caras á minha volta mudaram uma e outra vez...em chegadas e partidas... dia após dia fui-me perdendo em constantes metamorfoses e quase nem me dei conta disso…
Hoje sei que a vida não é feita de sonhos. E já não olho tanto para o céu e por isso já não vejo estrelas cadentes.
Mas se vir alguma, tenho a certeza que vou sorrir - um sorriso que me vai levar de volta a casa, á infância, á inocência… - e, claro vou pedir um desejo...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Cansaço

Estou cansada. Um cansaço interno. Nos ossos. No sangue Na pele. Na consciência.
Um cansaço que se arrasta e permanece.
Estou cansada de ser …todos os dias.
Cansada de saber…todos os dias.
Cansada de acreditar…todos os dias.
Cansada de pensar…todos os dias.
Cansada de ser eu…todos os dias. Cansada de ver o meu reflexo no espelho.
Cansada da realidade e da idealidade. Cansada do meu mundo e do mundo lá fora.
Cansada da rotina e da não rotina.
Cansada de mudar e permanecer na mesma.
Cansada de andar e não sair do mesmo lugar.
Cansada das palavras. Das frases. Cansada do silêncio.
Hoje acordei cansada. E faça o que fizer, continuarei cansada.
Combustão. Sistemática.
O mundo em pedaços visto através de um vidro de uma janela de um carro.
É noite.
Não estou a ir. Estou a voltar.
Estou virada do avesso. Uma peça retirada do seu espaço.
Este é o momento em que percebo que a vida é isto. Nada mais.
Há um sentimento incómodo. Há silêncio. Em excesso. Há calma. Em excesso.
A escuridão e a luminosidade na noite em simultâneo sinalizam uma tempestade iminente.
E eu sei. Sou cúmplice. Sei que está próxima.
Que poderia eu fazer para a impedir?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

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Dias vazios. Ilusões perdidas em horas ociosas. A desocupação acumula-se nas estantes. Nos vidros das janelas. Os ponteiros do relógio movem-se num compasso moroso. Sente-se o tempo a passar. Sente-se nos objectos. No ar. Em mim.
Sente-se o tempo a passar…e não passa…

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Talvez te tenha dito muitas coisas. Algumas vezes. E poucas coisas. Imensas vezes.
A verdade surge crua na minha frente. Não sei como alterar esta inabalável presença de dias. Momentos. Serenidade. Desordem. Renovação.

Tu não és mais a mesma resposta. Não tenho mais as mesmas perguntas.

Tu não és mais a resposta que eu procuro. Mudei as minhas perguntas.

Voltei atrás imensas vezes. Vezes demais, eu sei.
Destruí tudo o que havia construído vezes sem conta.
Mas agora recomeço em branco. Recomeço de um nada desprovido de tudo.

sábado, 19 de setembro de 2009

Agora, enquanto espreito pela janela para o mundo que se apresenta lá fora, sinto que há um tom de despedida no sol que vem a nascer, nas cores do dia que cresce na imensidão…
É o fim.
É o inicio.
É.
Não é.

domingo, 23 de agosto de 2009

Foste o inicio. o fim.
a ausência e o sufoco.
foste a maresia perdida...
foste a esperança e a vontade.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

É sempre tarde. momentâneo e desconsertado.este dia.estas horas.a luz.o ar que respiro.

é o fim, eu sei. vira-se as costas e nada mais há a afirmar ou interrogar.

O que fizeram de ti?

Será que ainda sabes o caminho para casa?

Será que um dia as coisas voltarão a ser como antes?

sem medos. sem perguntas.

Imensas perguntas pairam na tua cabeça, enquanto apertas na tua mão o pequeno pedaço de papel que te irá levar para longe. o teu bilhete para o "seja o que for".

Talvez um dia voltes, e ao voltares tentes viver tudo de novo e ver a beleza onde nunca conseguiste ver antes. e nunca mais voltes a partir.

Ou talvez nunca mais voltes. E deixes que tudo perca a tua memória, e que deixes simplesmente de existir neste lugar.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

  • Ultimamente coloquei-me em piloto automático e não comando o que digo nem o que faço.
    Estou algures a observar-me...e tudo o que vejo é uma junção completamente inútil de actos patéticos
    .

Dissonância

Queria ser mais forte. Talvez mais cega. Talvez mais inteligente. Queria ser bela. Bela aos teus olhos. Queria que me fizesses odiar-te. Queria matar-te da minha pele. Estou só. A solidão é fácil de enfrentar. Vagueio solitariamente pelas ruas. As estrelas caem sobre os tectos dos prédios da cidade. Por toda a parte há um rumor desalinhado em torno de mim. As fibras sonoras da civilização circundante ressoam numa dissonância trémula. Para onde foi o meu mundo? Para onde foram os meus muros? As minhas paredes. As minhas portas. As minhas armaduras. Estou permeável, aqui, perdida no meio deste labiríntico caos de ruas desconexas. Procuro-te. Procuro-te? O teu sangue.
È apenas o teu sangue. No chão nu. O teu sangue. Frio. E eu permaneço aqui. Calada. Quero enterrar-te. Eu enterrei-te!
Queria ser mais forte. Uma tempestade. E devastar-te. Varrer-te daqui…de todos os lugares onde permaneces. Queria ser mais cega. Nada ver. Nada sentir. Ser um corpo emerso á superfície de um qualquer rio e mover-me apenas ao sabor da corrente. Queria ser mais inteligente. E saber exactamente o caminho que tenho que seguir para desprender-te de mim.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O que somos nós?

É uma multidão.
É um caos.
A realidade.
Os dias.
São horas.
Parcelas ilusórias do tempo.
O que é o tempo?
O que somos nós?
Túmulos. Frios. A céu aberto. Com lápides repletas de inscrições vazias.
Fragmentos de músicas tristes.
Restos. Restos de momentos varridos na enxurrada do tempo.
Tempo. Sempre o tempo.
O herói e o vilão nas nossas vidas.
Tentamo-lo agarrar e ele escapa-se das nossas mãos sem nunca o termos tocado.
O que somos nós?
Candeeiros estáticos na rua. Com lâmpadas incandescentes e dissolutas.
Carcaças em movimento sem sintonia num caminho abstracto.
Viajantes desconhecidos no tempo.
O tempo. Molda-nos. Moldamo-lo. Destrói-nos. Destruímo-lo.
O que somos nós?
Tumultos de epiderme espalhados aleatoriamente pelo espaço.
Vozes exasperadas num vácuo profundo.
Gotas de chuva secas pelo tempo.
O tempo. Corre. Cessa. Mata-nos. Matamo-lo.
O que somos nós?
Cadáveres amontoados num cenário pós-guerra.
Desarmados. Sem vida. Sem…tempo…

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Quero que saibas que parti.
Não me procures mais, não me vais encontrar. É inútil.
Não adianta fazeres o que quer que seja para mudar as coisas.
Nada.
Não há mais nada aqui.
Apenas o vazio me cerca. Te cerca.
Quero que saibas que nem tentei. Nem por um momento tentei. Fui cobarde e virei as costas á realidade.
Já nada me importa.
A brisa da manhã não é mais doce e o sol não nasce mais no horizonte.
As portas fecharam-se. Nenhum ruído trespassa este muro.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

E é então que um dia…um dia normal...como qualquer outro…
Um dia…quebramos todas as amarras…viramos as costas…fechamos as portas…não olhamos para trás…e deixamos a nossa vida começar…

terça-feira, 16 de junho de 2009

Há pessoas que julgamos inimigos e nos quais descobrimos amigos…
E há pessoas que julgamos estarem ao nosso lado…e estão muito longe…
Há dias de Verão tão frios!
E há dias de tempestade…tão calmos…
Há mentiras que nos fazem felizes…e verdades com lâminas muito afiadas…
Há noites claras...e dias tão sombrios…
Há humanidade nas pessoas que mostram expressões agressivas…e ódio naqueles que nos sorriem todos os dias…
Há horas tão curtas que nem nos dão tempo para respirar…e há minutos tão longos que nos sufocam…
Há erros nas coisas perfeitas…e harmonia na imperfeição…
Há feridas saradas que nos corroem…e feridas abertas das quais nem nos apercebemos…
Há pancadas que não fazem qualquer mossa…e palavras que nos fustigam a alma…
Há caras desconhecidas que nos parecem familiares…e caras familiares que serão sempre desconhecidas…
Há lugares que permanecem uma eternidade imutáveis…e lugares que já não reconhecemos a cada momento que passa…
Há dias de embriaguez lúcida…e noites de sobriedade entorpecida …
Há poemas escritos em folhas de papel…e poemas escritos em gestos…
Há realidades tão ficcionais…e ficções imensamente reais…
Há uma solidão no meio da multidão … e um abrigo no isolamento….
Há pessoas com armaduras facilmente permeáveis…e pessoas impermeáveis na sua nudez…
Há uma imensidão e um final…
Uma chegada…e uma partida…
Há saudades do que nunca se teve…e indiferença pelo que se tem…
Há ruídos mudos …e silêncios ensurdecedores …
Há gritos calados…e sussurros clamados…
Há mágoas acolhidas …e felicidade rejeitada…
Há frases que relembramos uma vida inteira…e há um dia em que viramos as costas…
Há lágrimas de alegria e sorrisos dolorosos…
Há histórias que sabemos o final apenas pelo título…e histórias que não têm fim…
Há textos imensamente extensos que nada dizem…e folhas papel em branco que tudo dizem…
Há aquilo que somos…a essência…aquilo que fica dentro das janelas e das portas fechadas…e há a película invisível que todos os dias envergamos… a fraude da nossa criação…

Somos uma fraude…um abismo…sem consolação…

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Algumas pessoas permanecem caladas…
Outras gritam o tempo todo!
Algumas pessoas vestem a sua melhor roupa e saem para conquistar a noite.
Outras conquistam a noite com um sorriso.
Algumas pessoas caminham sozinhas pela rua com olhar desinteressado…
Outras caminham pela rua interessadas em tudo…
Algumas pessoas fazem listas de compras e compram tudo excepto o que está na lista…
Outras não fazem listas e compram tudo ...

Algumas pessoas têm agendas com dias bastante preenchidos…
Outras têm apenas agendas…
Algumas pessoas têm medo do escuro…
Outras, porém vivem na escuridão uma vida toda sem, no entanto temerem nada
Algumas pessoas magoam os outros com mentiras compulsivas…
Outras magoam-se a elas próprias com sucessivas verdades…
Algumas pessoas bebem café para acordar…
Outras tomam comprimidos para adormecer…
Algumas pessoas escrevem…escrevem muito…
Outras…lêem…lêem imenso…
Algumas pessoas são modelo de comportamento para as restantes…
Outras são o exemplo exacto que como não se deve comportar…
Algumas pessoas vivem fechadas nas suas casas…
Outras vivem na rua….
Algumas pessoas procuram respostas…
Outras procuram lugares…
Algumas pessoas fazem perguntas…
Outras indicam direcções…
Algumas admitem que erram…
Outras proclamam que estão certas…
Algumas pessoas jogam…
Outras fazem as regras…
Algumas pessoas são peritas em fórmulas químicas…
Outras gostam de flores…
Algumas pessoas arrumam coisas…organizam tudo…
Outras vivem numa constante desarrumação…
Algumas pessoas comem…comem demasiado…
Outras passam fome…imensa fome…
Algumas pessoas são encarceradas…
Outras são forçadas á liberdade…
Algumas pessoas confessam os seus pecados…
Outras pessoas demonstram as suas virtudes…
Algumas pessoas são belas…
Outras ainda não foram descobertas que o são…
Algumas pessoas controlam o tempo…
Outras gastam-no…
Algumas pessoas têm pesadelos…
Outras provocam-nos…
Algumas pessoas são obrigadas a afastarem-se…
Outras promovem o seu auto-afastamento…
Algumas pessoas falam vários idiomas…
Outras são mudas…
Algumas pessoas acreditam que amam…
Outras sabem que não…
Algumas pessoas usam disfarces pelo Carnaval …
Outras usam disfarces uma vida toda…
Algumas pessoas são felizes e nem o sabem…
Outras fingem sê-lo...
Algumas pessoas são passado…
Outras são futuro…
Quase nenhumas são presente…
E hoje percebi…que no final, a nossa vida resume-se a isto…a fragmentos de nós empacotados num monte prontos a ser transportados…

domingo, 31 de maio de 2009

Aqui

Aqui, onde agora permaneço imóvel a olhar o infinito distante…
Já fui muitas pessoas…
Já vi o amanhecer…
A sorrir…
A odiar-me
Arrependida…
Dormente…
Já chorei…
Já me isolei…
Saí imensas vezes depois…
Algumas vezes sem rumo….
Outras a saber exactamente onde queria ir…e acabando por ir a outros sítios…
Aqui…
Fechei a porta muitas vezes…
(talvez vezes demais…)
Aqui…
Onde agora apenas permanece o eco moroso de dias passados…
Já desejei não ser…e era…
E desejei que fosse…e nunca foi…
Aqui…
Tive medo do escuro…
Da multidão…
Do vazio…
do silêncio…
Por aqui…
Passaram as Estações…e eu com elas fui…e voltei…
Voltei sempre…
Aqui…
Os dias e as noites…
A luz e a escuridão…
O frio e o calor…
A chuva e o vento…
Aqui…
O regresso…
O refúgio…
Aqui…
A inocência e a maturidade…
A expectativa e a desilusão…
O auge e o declínio…
Aqui…
Nem sei se tudo o que recordo aconteceu realmente…
ou se criei em mim ilusões de momentos…
Aqui…
Caí…e levantei-me…
Aqui…
Um pedaço de vida…
Aqui…
Fui o bem e o mal…
E passei, sem hesitar, para o outro lado…
Aqui ….
Onde agora o vácuo das paredes entoa fragmentos
De horas adormecidas….fui imensas pessoas…
E todas elas estão agora espalhadas em cada canto deste espaço inerte…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Não importa o que quer que eu faça…acaba sempre em tragédia…

terça-feira, 26 de maio de 2009

Lucidez...


Estou lúcida…

Hoje estou completamente lúcida…

E o facto de estar tão absurdamente lúcida deixa-me desconfortável…

Vejo todas as coisas…e percebo todas as coisas...

O que é…é…e não parece outra coisa qualquer…

Os objectos permanecem estáticos nos seus lugares de sempre…

Não há aquela musiquinha silenciosa a vibrar nos meus ouvidos…

Estou lúcida…límpida…
Estou dentro de mim…não há nada mais para além desta realidade…horas…e mais horas…

Sucessão de tempo…

Lucidez…

Sobriedade alucinante…

Vazio…

Espaço entre as coisas…e espaço ocupado…

Elipse…

Caminho pela rua e parece que toda a gente grita o teu nome em surdina…

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Eu sei …
Hoje eu sei…eu vou conseguir…

terça-feira, 5 de maio de 2009

Auto - Indulgência Cega

Amnésia…é tudo o que preciso agora…
Nada mais… neste jeito demorado de viver as emoções frias no calor de uma tarde como esta…ou como outra qualquer…
A minha pele gela…
Pela janela da minha consciência observo a realidade que nada me diz…
Eu sei…a culpa é minha…a minha loucura é premeditada … indulgente…
Não altera nada…na verdade, o que muda é o meu arrasto para o fundo…
Nada sei…sabendo tudo…não tenho rumo…sabendo bem o rumo que quero tomar…nada faço…sabendo o que deveria fazer…nada digo…sabendo o que deveria dizer…
Se a culpa é minha…e é, de facto…então acho que mereço isto…

segunda-feira, 4 de maio de 2009

“Can’t you see I’m selling lies?”

Ruídos confusos… música ... Silêncio...piadas más…
Felicidade... Mentiras... medos... Cigarros e vinho barato… Loucura ... Promessas de mau sexo… Toma outro comprimido e vai dormir... Amanhã já vai estar tudo bem ... Preguiça... Sonhos ... Pesadelos ... Solidão ... Se me vires na rua, por favor, não fales comigo... Noites absurdas... Pessoas aleatórias... Amor ... ódio ... apatia… Põe um novo vestido e vai! Tu não precisas de mim e eu não preciso de ti... A vida é um lugar estranho... Jogos ...
Sabores casuais ... Relações casuais ... Insanidade casual ... Luzes ... escuridão ... Esperança ... a ir e vir ... Conversas sem sentido ... Lutas inúteis ... Sucessos ... fracassos ... Labirintos complicados ... Estou perdida e tu não podes encontrar-me... Pecados… erros... Conquistas …vitórias…Mesas ocupadas... Portas abertas… Pegadas no chão... É de manhã outra vez e sinto-me miserável ... Onde estive eu? O que é que eu disse? O que é que tu disseste? O que é que eu fiz? Tento comprar algum entorpecimento... Há sentimentos que o dinheiro não pode comprar ... É tarde e estou a bater á porta errada novamente. Como é a realidade? Os meus olhos não a conseguem ver... Estou deitada na relva e o meu corpo dói... Acho que exagerei outra vez... Olha-me nos olhos e mostra-me toda a crueldade da tua indiferença!
Caminho no meio da multidão implorando por alguma resposta. A minha cabeça está demasiado pesada para pensar. Por favor, dá-me outra bebida! Os meus dedos estão frios... a minhas pernas tremem. Esta é a última vez... Prometo! Amanhã vou ser pura! Vazio... Melancolia… Preciso de uma canção triste para me fazer chorar! Ouço-te a falar mesmo ao meu lado mas não consigo entender uma palavra do que dizes…acho que preciso de descansar. Acordei de novo, num lugar desconhecido... e é apenas o meu quarto...
O meu espelho mostra uma expressão desinteressada... Que horas são? Acho que tenho andado a saltar dias ... Garrafas vazias deixadas na mesa ... Roupas espalhadas aleatoriamente no chão ... Quero esquecer tudo ... Não preciso da tua pena ... A luz do dia magoa-me. Outra noite inútil ... estou mais perto do paraíso ... Deixa-me aqui ... Não vou dizer nada ... A minha mente está vazia ... estou oca ... A realidade está muito longe ... Estou a abandonar-me... Não me interpretes mal ... eu não sou uma boa pessoa ... Não preciso da tua atenção ...Sou uma desordem ... sou feia… Sou um enigma ... e adoro fingir ... O que estás a dizer-me esta noite... eu não me vou lembrar amanhã... Eu não gosto de ti e tu não gostas de mim... é muito simples!Não digas que eu sou a melhor coisa que já viste na estúpida da tua vida! Estás a pôr-me doente! Onde estou? Que lugar é este? Estou sozinha e não reconheço todas estas caras á minha volta. O que estou a fazer? Acho que estou a perder o controlo... De repente, tudo é apenas uma mancha... Mais uma manhã caótica... Estou a acordar... Por favor, não me digas o que aconteceu... Não preciso de saber o final da história...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Melancolia...

A minha vida tornou-se melancólica…como o primeiro dia de Inverno…o primeiro dia de chuva…e eu não sei é de mim…ou… nada mais importa…
Os dias já não passam como dantes…os momentos sucedem-se sem que eu me aperceba deles…nada sinto…nada faço…estaticamente permaneço numa agonia desacertada…
Salta! Tens que saltar!
Vou saltar…
Os dias estão suspensos…em vagas horas de equidade consciente…
As luzes da cidade estão enevoadas…sem brilho…os sons dos carros que transpõem a ruas por onde caminho, despertam-me para uma realidade que não quero aceitar…
Acorda! Tens que acordar!
Vou acordar…
Que frio é este que rompe a minha pele?
Mesmo agora que sol brilha no seu esplendor…e há calor na cara das pessoas que passam por mim…
E toda a minha existência se resume a esta hipotermia sem remédio…
Que sentimento é este que veio ressurgir a minha doce dormência?
Dorme! Tens que dormir!
Vou dormir…
Vagueio horas sem sentido por entre aglomerados de vozes mudas…de pedaços de vidas dispersadas por aí…fragmentos de sanidade que tentam irromper por entre o meu escudo protector…
Já não consigo pronunciar palavras…ou construir algum pensamento consciente…
Há ruídos descontínuos na minha cabeça que não me deixam raciocinar…
Pensa! Tens que pensar!
Vou pensar…
Há qualquer coisa nestes dias que me deixa embriagada em frustração…ou então não é dos dias…é de mim…

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sabes…acho que nunca te disse…
Não…nunca te disse mesmo…
Muitas vezes tentei dizer-te…mas as palavras ficaram sempre retidas algures entre a realidade e a idealidade …
Eu sei que no fundo tu jamais poderias ouvir …mesmo que eu te tivesse dito…
Estamos sentados lado a lado naquele banco de jardim como antes…mas permanecemos em silêncio como dois desconhecidos que nada têm a dizer…quem passa por nós não imagina o quão longe estamos, apesar de os nossos corpos estarem muito próximos…quem nos vê ali…mudos…nem imagina o quanto há para dizer…o quanto ficou por dizer com o arrasto do tempo…o quanto vai sempre ficar por dizer entre nós…
Observo-te e é como se ali não estivesses…e na verdade não estás…
Até da minha própria presença duvido…
O que foi que aconteceu?
O que foi que o tempo fez de nós?
Ouves?
A tua mudez persiste como a chuva a entranhar-se no solo…
E repousamos nesta crueldade impermeável …como se o que existe se resumisse a isto…a esta dormência penosa…

E eu nunca te disse…e tu sabias que eu não te diria…
Vai...provocação deplorável...
Vai...

O teu sangue a escorrer pelo chão...
O meu reflexo no espelho…um espectro sem expressão…

Vai…ruído incessante…
Vai…
Que a noite venha e que tu te confundas nas sombras…
A tua pele em chamas no amanhecer…

Vai…condenação silenciosa …
Vai...

O teu corpo a jazer no túmulo do vazio…
E eu persisto…inerte…
A beleza deste momento…
A tua presença desvanece-se na decomposição da tua carne…
O fim…
O teu fim…o teu suave e doce fim…

A chuva cai…
E eu retiro-me silenciosamente…

sábado, 25 de abril de 2009

Indolência

Há pedaços de mosaicos partidos espalhados pelo chão…há uma destruição recente…iminente… há papéis rasgados com frases incompletas…há chamas apagadas em velas derretidas… há poças de água secas…há o vazio…há emoções escavadas em pontos negros sem retorno…há objectos intermitentes a vaguear na penumbra …há ecos de vozes incessantes a gritar remorsos …há um tempo e um espaço sem memória num vácuo absurdo de fragmentos de dias…e há isto…um gotejar de nada a penetrar pelas frestas das paredes… a espalhar-se pelo pó das noites entorpecidas …um adormecer moroso a apoderar-se da imensidão circundante… uma melodia silenciosa que abafa a realidade…

terça-feira, 31 de março de 2009


Eu sabia...um dia haveríamos de chegar a isto...

...Ao vazio entre o silêncio...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ás vezes parece que a vida não passa de uma anedota...sem piada nenhuma...tentamos rir, mas não conseguimos...não dá...
Se realmente existe algum deus...algures..."ele" deve ser de facto alguém com um humor extremamente sádico! Constrói dia após dia todas estas estranhas situações...e depois fica-nos a observar...lá do alto do seu pedestal desconhecido...movendo-nos como simples peças de um jogo de xadrez...

................

Eu adormeci?

Acordei só agora?

Perdi alguma coisa?

Tenho estado a perder dias...momentos...?

O que aconteceu?

Foi tudo um sonho?

Ou estarei a sonhar agora?

Que lugar é este?

Como vim aqui parar?

Estou aqui? Ou não estou...?

De quem são estas vozes?

Continuarei eu ainda a dormir?

Parece que tenho estado adormecida aqui há muito tempo...

Será isto tudo uma alucinação...?

Ou estarei eu a elouquecer...?


quarta-feira, 4 de março de 2009

As gotas de chuva queimam-me sem que eu tenha a noção de mim...
Hoje os meus passos estão presos no solo...e eu movo-me, mas não chego a lugar algum...
Desassossego...
Loucura...
Silêncio...
Nada...
Escuro...
Está escuro aqui...
Frio...muito frio...nos objectos em que toco...
Frio...no chão que piso...
Frio...em mim...na minha pele...
Horas...que não passam...ou passam sem que eu saiba...

Colapso...

Sinto...e não sinto...
nada me chama...
o mundo corrói-me...
Respiro...e o ar sufoca-me
caminho...e afundo-me na areia movediça do espaço...
Falo...e as minhas palavras flutuam no vazio...
A realidade lá fora apresenta-se muda para mim...
Aqui...do isolamento da minha existência...
Fecho as portas e impeço que a luz do exterior me assalte...
Ignoro quaisquer estimulos da aleatoridade dos dias...
Cerro a minha consciência e tento adormecer...
E durmo...com os olhos abertos, sem me aperceber
que luzes intermitentes vagueiam no escuro do meu refúgio solitário...
Dormir não chega, quando os pensamentos despertam no meio da escuridão,
Dormir não chega...
Se eu já não sou eu...
Se o tempo já não me pertence...
Dormir não chega...se a realidade colapsa á minha volta...

Tempos houve em que eu escrevia...escrevia e as palavras conseguiam penetrar o espaço vazio em meu redor...e eu continuava em frente sem remorsos...
Tempos houve que eu escrevia, e sentia cada palavra escrita...e as frases transpunham paredes, janelas...muros no tempo...
Mas hoje, escrevo e nada acontece...não chove...não queima...nada...
Hoje encontro-me...sem me perder e perco-me e não me encontro...
Hoje as palavras vão...e eu não vou...

terça-feira, 3 de março de 2009

Baile de Máscaras

Há dias em que te sentes tão inútil que nada parece ter consolação...sentes os músculos entorpecidos, e os teus olhos teimam em não querer abrir-se...
Há dias em que nada mais há a fazer, senão permanecer no véu apático do teu ser...nada dizer, nada fazer, nada desejar...nada esperar...
Há dias em que parece que o mundo decidiu conspirar contra a tua existência...
Sorte ou azar...já não sabes...
O que sentes...mata-te lentamente...

O que não sentes...abre feridas na tua alma...
O que vês...não é o que na verdade olhas...
O que ouves...não conrresponde aos sons reais...
O que dizes...não é o que pensas...
Vives os dias num disfarce contínuo, como se a vida nada mais fosse que um enorme baile de máscaras...desfilas por aí...misturas-te na multidão...

Será que no fim há algum prémio para o melhor disfarce?
Haverá alguma recompensa por todo o tempo em que andaste a fingir...por todos os dias em que adulteraste a tua imagem?
No fim...que propósito terá tudo isto?
Dias e dias...na imensidão do nevoeiro social...

domingo, 1 de março de 2009

......

Como ir e não voltar...
Como cair e afundar...
Como partir e não regressar...
Como sorrir e sufocar....

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


Há então...desde há dias um desconforto...no tempo...no espaço...na madeira dos móveis...nos vidros das janelas...no branco das folhas de papel...um descompasso lento nos dias...nas horas...sinto-me adormecida...é como se não dormisse há dias...ou tivesse mesmo agora acabado de acordar...é um sono pesado...entranhado na pele...na alma...no silêncio...
E há...então...desde há dias...este sentimento que me corrói em silêncio...que se apodera de mim num passo mudo e pesado...e desde então que não sou...e não estou...
Não há mais palavras para descrever tudo isto...nenhuma mais poderia acrescentar para o exprimir...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

...


Os meus passos estão incertos...desordenados...troco-os o tempo todo e caio inúmeras vezes...não consigo ser coerente...atropelo-me vezes sem conta...e depois sigo em frente ...levando comigo as nódoas negras das minhas quedas...

Não consigo manter um padrão...um dia sou uma pessoa e no dia a seguir já sou outra...digo uma coisa e faço outra completamente diferente...engano-me uma e outra vez...uns dias odeio...e noutros não odeio assim tanto... ou nada sequer...uns dias sinto-me presa...e noutros livre como se nada me tocasse...

E tudo isto acontesse enquanto o relógio permance parado...nas mesmas horas de sempre...como se quisesse mostrar que os objectos também conseguem ser irónicos...o relógio pode parar...e o tempo continua sem se importar....

Será que disse tudo o queria dizer?
Será que as minhas palavras me levaram a algum lado?
Será que alguém me ouviu?


Hoje sou uma pessoa que amanhã já não quero ser...amanhã sei que continuarei a ser a mesma...será que isso muda alguma coisa?


E deixo este texto sem titulo...porque não sei que nome dar a isto...a isto que me move todos os dias...a isto que sinto...


Apatia?
Loucura?
Nada?
Vazio?
Descontrolo?
….........................

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tenho saudades das estrelas...de quando eu as via com olhos de criança...

O nada dos dias...

Porquê? Eu pergunto-me porquê imensas vezes...porquê esta inconsistência nos dias...as horas ignoradas que passam sem remédio...o tempo que nos devora com chamas incessantes desta grande fogueira do mundo...
E eu vagueio pelas ruas e observo as caras desatentas das pessoas que encontro no meu caminho...e todas me dizem o mesmo...NADA! é apenas um vazio constante em todos os que me rodeiam por aí...nada de novo...nada de inspirador...
E não sei se é de mim...ou os dias ficam mais curtos á medida que o tempo passa...parece que há uma pressa qualquer de chegar a algum lado...ou então pode não haver nenhum propósito...
E... se realmente não houver mesmo nenhum propósito? e se for isto...apenas...sem mais nada a esperar...é imensamente desolador pensar isso...acreditar nisso...
Os dias...as noites...os meses...os anos... não passam de consequências da rotação deste planeta ao qual resolveram chamar Terra...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Há caminhos que conseguimos traçar de olhos fechados, outros, porém, por mais que os mantenhamos bem abertos, não conseguimos encontrar uma forma de chegar a parte alguma...


Em 12.03.05

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Tu não sabes...

Tu não sabes...e eu não te direi...e isto jamais será revelado...
Tu não dizes nada...e eu mantenho-me neste silêncio gelado...
Nada mais há a dizer...
Tu não o sabes...não o poderias saber...e eu jamais te o poderia contar...
Tu estás aí...e eu já me já não sei mais onde estou...perdi-me...
Não há mais ar entre nós que possa tornar os sons em palavras...
E eu não sei...sabendo, no entanto tudo...
Tu não o sabes...eu sei que não...e não te posso culpar por isso...está fora do teu controlo...está para além do que possas pensar...querer...ou viver...
Tu não sabes...e eu sei demais...demais do que quero saber...do que devo saber...demais do que preciso saber
Tu não o sabes...e eu não te odeio por isso...odeio-me a mim por não te o conseguir dizer...

sábado, 10 de janeiro de 2009

E vi-te...

E então vi-te... estavas ali á minha frente...e de repente não soube se eras real...ou se eras apenas mais uma alucinação...e de repente não soube mais de mim...fiquei ali presa mais uma vez...a ti...a noite em ti...á tua presença na noite...a tua inesistência em mim...o frio...o desconforto de estares ali mais uma vez á minha frente...tão perto...mas na realidade a uma distância enorme e dolorosa...
E vi-te...como te imaginei durante anos...e depois ali...estavas real como antes...
E...de repente nenhuma palavra pode surgir...nenhuma seria apropriada..e nenhuma podia existir já...todas já haviam sido aglomeradas a um canto pela força dos anos...
E vi-te...sim...vi-te...e não sei...ao ver-te...se te vi realmente..ou se mais te via quando te imaginava...
E vi-te...e de repente... tudo em mim parou...e o vento...as vozes...as cores daquela noite dissiparam-se todas por entre os contornos da tua imagem...
E vi-te...mas pela primeira vez, ao olhar-te...tu eras tu...e eu era eu...
E vi-te...após tanto tempo...e nada de impressionante se pode sentir num momento assim...

sábado, 13 de dezembro de 2008



E era de novo Outono...e de novo aquela melodia melacólica entoava na minha cabeça...
Permaneces ai na frieza da casa com se ja nada mais te importasse...
És um bloco de gelo na minha existência ...e eu ja nao sei o que dizer ...se vou... se fico... não consigo perceber se isto é real se estou aqui...se estás aí...se realmente este dia existe ...e eu acho que não existe...acho que estou a sonhar isto...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Os caminhos seguem-se caminhando....passo a passo...na direcção que se vai apresentando dia após dia....

Não sei se fui ou se fiquei aqui perdida e estática...não sei se me movo ou se o chão se move debaixo dos meus pés...não sei se passo pelas coisas ou se as coisas passam por mim...nada sei agora...um dia após outro...já nao sei..fingo o que sou...e não sou o que fingo...



Permaneço aqui na evasão deste dia...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Eu nao quero admitir isto...não poderei jamais admitir...dói-me demasiado...é tremendamente sufocante....dói tanto que ás vezes é dificil respirar...as palavras ficam presas dentro de mim como espinhos cravados na pele...

sábado, 29 de novembro de 2008


Diz-me só desta vez...ouve-me...diz-me algo que me faça acreditar em alguma coisa...mente-me...podes-me mentir...eu deixo...não precisas de me dizer a verdade...não é isso que eu exijo de ti...apenas quero ouvir de ti alguma palavra...algo que me faça acreditar que isto é real...depois podes voltar para o teu mundo silencioso...eu não te pedirei mais nada...depois podes ir descansado...e eu permanecerei aqui como dantes...


Acho que já te perdi...acho que já partiste há muito...e eu nem me apercebi...a porta ainda tem o som da tua partida...e as paredes estão cheias do vazio da tua ausência...
já foste há tanto tempo e ainda parece que aqui estás...há fragmentos teus espalhados por aí...não consigo andar livremente pela casa sem esbarrar contigo...e no entanto vejo claramente que estou completamente sozinha aqui...
depois há o vento gélido do Outono que sopra em mim...como chamas incandescentes na minha pele...
Os dias começam e terminam...passam ao ritmo desenfreado das curtas horas da esquizofrenia desmedida deste tempo insaciável...e eu tento em vão continuar...caminhar e fingir que tudo faz sentido...mas há ainda os ecos da tua voz nos meus ouvidos...ainda há pedaços da tua epiderme nos móveis...e não é que eu me incomode...na maioria dos dias nem me apercebo...mas não sei se é deste Outono que teima em me atingir...ou se sou eu que ja não te consigo esquecer mais...estou assim...meio nostálgica...

Vou continuando..dia-após-dia...mas lembrar-me-ei de ti...porque não consigo simplesmente esquecer-te, ainda que tente muitas e muitas vezes...
Há estas palavras ....que me entoam na imensidão do meu silêncio...como se eu jamais podesse pensar noutra coisa qualquer a não ser em ti...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Relembra-te de olhar sempre para o outro lado...de tentar sempre seguir o outro caminho....a vida não é feita apenas numa direcção...quando caminhamos muito tempo pelo mesmo caminho...o melhor é parar e tentar outra direcção...nada nem ninguém te poderá dizer que o caminho que segues não é o certo poque na verdade ninguém sabe o que é certo e errado...a vida é uma viagem repleta de verdades subjectivas...
Relembra-te sempre de tentar de novo...de seguir em frente mesmo após uma batalha perdida...ou mesmo após uma sequência de batalhas perdidas...relembra-te de nunca te deixar mergulhar na monotonia dos dias vazios...de vencer a rigidez dos músculos...a ausência das palavras...
Com o tempo vais-te aperceber que os muros não são assim tão altos...que as paredes não são assim tão opacas...há sempre uma forma de transpôr tudo o que se apresenta á tua frente...
Com o tempo verás que as coisas afinal são tão mais simples...
Com o tempo o que era complicado fica apenas na memória como mais um obstáculo ultrapassado...
Com o tempo o que era longe fica perto...e o que estava perto começa a ficar tão longe...
Lembra-te de não andares tão depressa...não te canses...caminha no tempo...com tempo...com calma...não deixes que o tempo caminhe abruptamente em ti....
Não te esqueças de olhar primeiro para ti...de te conheceres bem....de saberes bem a pessoa que és...podes nunca descobrir realmente, mas tenta todos os dias vasculhar dentro de ti em busca da tua identidade....depois de olhares bem para ti...de aprofundares a tua existência...olha á tua volta...aceita e descobre o mundo...a realidade...
Não percas demasiado tempo com preocupações...o que for que tenha que acontecer...acontecerá...quer te preocupes imenso, quer nem te preocupes nada...
Aceita as adversidades...elas fazem parte desta tua jornada...da tua aprendizagem...aceita-as...ultrapassa-as e esquece-as...deixa que fique apenas em ti a experiência, o que aprendeste...não permitas nunca que elas deixem em ti o medo de continuar...
A vida nem sempre vai ser doce...e não vai haver finais de "e viveram felizes para sempre"...aceita isso desde o inicio...não cries expectativas positivas em relação a nada nem ninguém...e assim não terás desilusões desnecessárias...as coisas são aquilo que pensas delas...aquilo que constróis em torno delas...
Não confies no senso comum...esquece! Não vivas das experiências dos outros...vai em frente...passa por debaixo das escadas...e deixa que os gatos pretos se atravessem na tua estrada...não procures mais um trevo de quatro folhas...desafia a sorte e o azar....
Cria novas histórias para a tua vida...sempre que aquela em que estiveres se tornar demasiado rotineira, aborrecida e previsivel...recomeça a qualquer hora...em qualquer lugar...muda de personagem e de argumento quanto te apetecer... a vida não é linear nem rectilínea...há inúmeras possibilidades...
Mente...diz a verdade...foge...volta...esconde-te....aparece...baralha as coisas...simplifica tudo...liberta-te...prende-te...joga...ganha...perde...tropeça...cai...levanta-te...racionaliza e perde razão....
Assume que nada é perfeito...nada nem ninguém...
Assume que vais errar imenso ao longo da tua vida...e assume também que vais acertar também inúmeras vezes...tens que manter o equilibrio...
Assume igualmente que as coisas não acontecem apenas aos outros...quer sejam coisas boas ou más...tu tens as mesmas possibilidades que o resto do mundo...tanto de ganhar a lotaria, como de ter um acidente de carro...
Lembra-te que o facto de seres uma boa pessoa...de fazeres boas acções...não te vai impedir que te aconteçam coisas muito más...mas lembra-te também de nunca interferires no livre-arbítrio dos outros...assim como nunca deves deixar que ninguém interfira no teu...
As coisas e as pessoas não são apenas boas ou más...tudo tem duas faces...
Não te enganes por aí a idolatrar dogmas abstratos e confusos que impoêm regras na tua vida sem que percebas muito bem porquê...assume que deves ser tu a criar e construir as tuas próprias crenças e convicções, porque és tu que vais ter que viver com elas e aceitá-las...não deixes que sejam outros a fazer isso por ti...assume que tu és a única pessoa a responder pelas tuas próprias acções...sejam elas boas ou más...
De resto...lembra-te de viver..viver a sério...conciliando as tuas obrigações com o as tuas diversões...sem que as obrigações sejam demasiadas que chegues ao ponto de já não te saberes divertir...vive a sério...mesmo...sabendo que as coisas mais simples e mais fáceis de encontrar são as mais preciosas...e são também as que com mais facilidade esqueces e perdes...
Lembra-te de respirar a casa segundo...o ar é precioso...lembra-te de sorrir...lembra-te de voltar a casa...e ser criança de novo...quantas vezes quiseres e te apetecer...
Vive com um pensamento bem presente: aconteça o que acontecer, em qualquer lugar, há sempre algo que podes fazer para mudar a situação
.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Não tentes mudar o rumo das coisas...o que é agora... jamais mudará...nada do que faças vai alterar o que quer que seja...

Nada podes fazer para impedir que eu parta agora...nada poderás fazer para tentar que eu permaneça aqui mais um dia...agarrei as asas e vou voar...voar para longe sem receios...vou perder-me das memórias todas que carrego comigo agora...vou despreender-me de tudo...hoje...agora sou apenas eu...sou apenas a pessoa que sempre fui...que um dia perdi...

Não sei o que dizer...as palavras estão estáticas no silêncio da minha cabeça...não sei sequer mais o que pensar...estou ofuscada por dúvidas e inseguranças...eu não quero voltar a pensar que estou perdida por tua causa...não podes ser a razão de tudo isto...não aceito!!

Nâo voltes...nao te quero mais ver aqui...quero que partas para sempre...e que para sempre permaneças na solidão dos dias longuinquos...o que foi jamais voltará...és poeira que o vento levou para longe...e pouco a pouco o tempo apagará a tua memória...quero esquecer a tua voz...os teus olhos...o que costumavas dizer e o que calavas tão bruscamente...quero que para sempre não haja mais o passado...não quero mais que o sabor daquilo que foste permaneça nos ecos das paredes da casa...partiste...para sempre partiste...não há volta a dar...

Hoje acordei e lembrei-me de ti...e não sei o que mais escreva em relação a isso...



terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda sou a pessoa que era antes...mas há coisas que jamais poderei recuperar...há coisas que perdi para sempre na imensidão dos dias....há sorrisos...momentos...sentimentos...que jamais voltarão...há fileiras e fileiras de vazio a separar-me de tudo o que eu era...há desertos ...há mares..há muros...paredes altas e violentas...eu permaneço aqui perdida...parte de mim ficou lá...e parte de mim partiu há muito...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Devemos dizer tudo…pronunciar cada palavra…
Deitar cá para fora tudo o que nos atormenta cá dentro….
Depois ficamos frágeis….nus…como se a nossa pele estivesse exposta de repente a todas as intempéries sem que nada a pudesse proteger…somos uma carcaça caída no chão…
Mas dizer tudo o que sentimos, liberta-nos…nunca poderemos culpar-nos das coisas que não aconteceram porque nós ocultámos algo...
Temos que dizer tudo o que está dentro de nós…tirar as máscaras…soltar as amarras…caminhar em frente…de cabeça erguida e passos firmes…
O que foi…ficou…bom ou mau…
Seja o que for o efeito que as nossas palavras provoquem…estão ditas …para o bem ou para o mal…
Que as palavras sinceras nos libertem…nos tragam noites de sono descansado…e dias de olhares seguros….
Que as palavras sinceras tornem a nossa viagem mais cómoda…com menos bagagem…

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Pouco a pouco as coisas que me tiravam o sono deixaram de me visitar…como se se tivessem cansado de mim…ou fui eu que me cansei delas…

Espera até ao dia em que consigas finalmente
brilhar no meio das sombras…esse dia pode demorar anos…uma vida toda…mas vale a pena esperar por ele…porque um simples momento de brilho vale por toda uma vida de enclausura…

Há um dia em que alguém bate á tua porta e te atira pedras contra á janela e que te acorda para coisas sobre as quais dormias até então …e sais à rua levando na mão as pedras que te atiraram e fazes delas a tua nova arma…e vês tudo de uma forma diferente…

Não adianta que os outros te digam que ainda é cedo para lutar…tu sabes que o cedo ou tarde é relativo…


E pouco a pouco os dias foram parecendo menos sufocantes…senti que depois de um pequeno esforço as coisas sempre estabilizam…


As coisas não são assim tão más como podem parecer, acredita…

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Para me sentir bem …nada mais fiz que perceber que eu era uma pessoa completamente banal…sem nada de interessante para contar ou para se destacar no meio da multidão…a partir do momento em que me apercebi de tudo isso, nada mais me atormentou…aceitei o facto de ser uma pessoa normal…aceitei a realidade em mim e decidi que o meu lugar era no meio do todo que me rodeia…
A maioria dos nossos problemas e complicações, somos nós mesmos a criá-los…dia após dias vamo-nos convencendo de que há algo errado connosco…não temos coragem suficiente para nos aceitarmos…criamos histórias e dilemas existenciais a nosso respeito…mas no fundo não nos apercebemos que somos apenas carne… ossos…sangue…respiramos todos o mesmo ar…precisamos todos de comida…temos todos que dormir e respirar…a verdade nua e crua é que somos todos animais…selvagens que vagueiam por aí no meio da civilização…

domingo, 26 de outubro de 2008

As ruas estão vazias…caminho… caminho e não chego a lugar algum…bato a portas que não abrem…sento-me em bancos de jardins abandonados…depois caminho mais…sem que ninguém apareça...mas não estou só…jamais estarei…estás comigo…estarás sempre…

Se tu não fosses o que eu queria …deixava-te ir ao sabor do vento de cada anoitecer… mas não posso…não consigo sequer imaginar a minha vida sem estar a pensar no que poderia ser…mas eu não consigo imaginar a minha vida sem ti…sem me olhares…sem te ver sorrir em casa dia

Se eu pudesse dir-te-ia que as coisas nunca são como tu idealizas….tudo se dá de uma forma que não podes controlar porque nada é como deveria ser …é melhor esqueceres tudo o que viveste tudo é morto e inútil e insuportável…

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eu vou… sem saber para onde vou…pela primeira vez sigo em frente sem planos e medos…o que passou …ficou passado…apenas espero o que virá…nada mais me importa…vivo para o hoje…o momento imediato…

domingo, 19 de outubro de 2008

Descobri...

...descobri que viver sabe bem...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Vamos acreditar que as coisas ainda não perderam o sabor…


Vamos acreditar que este momento agora sabe a presente e não está carregado de fragmentos do passado e do futuro…


Vamos acreditar que as coisas ainda têm sabor…

Sabor a amanhecer…sabor a luar…sabor a limão…sabor a açucenas…sabor a céu azul…sabor a água fresca…sabor a terra molhada…sabor a folhas de Outono…sabor a CASA…

Vamos acreditar que as coisas ainda têm aquele sabor dos longos dias de Verão da infância …



Vamos acreditar que a vontade de saborear as coisas ainda permanece…

domingo, 28 de setembro de 2008

Sem nada para fazer neste domingo chuvoso, eu dou por mim a pensar “porque não estás aqui?”...os dias passam devagar …ou muito depressa…e nada permanece em mim… toda a realidade é crua…nada tem sabor…ou eu não saboreio nada …todos os sabores me passam pela boca sem que nenhum fique…não que me sinta infeliz…não sinto, sabes…podia sentir, não é? Mas não sinto…acho que de certa forma aprendi a viver assim…com este sentimento…
Sem ti é como se tudo o resto já não fizesse sentido …estou caída na rua enquanto o mundo passa por mim sem reparar…
Eu não sei o que poderia dizer agora ou o que seria se as coisas pudessem ser diferentes…eu jamais pensei que ao olhar para trás mudaria as coisas, nunca mudam mesmo quando nós tentamos muito…quando nos esforçamos mesmo…

sábado, 27 de setembro de 2008

Nada mais pode ruir-me agora…estou onde sempre quis estar…pouco a pouco subo mais um degrau …ainda não atingi o topo…mas um dia após outro…vou seguindo em frente…nada mais me prende em lugar algum…sou um espírito livre sem pretensões …sinto que posso agarrar o mundo apenas com as minhas mãos…sem medos…sou a mesma pessoa de sempre…de ontem…da semana passada…do mês passado…sou a mesma pessoa de há anos atrás…mas agora sei que a vida é uma viagem cheia de inúmeras possibilidades…que se uma falha…muitas outras de apresentam á nossa frente…não há nada a temer…eu já não temo...já não fujo e nem me escondo…a vida é o que tem que ser…sem mais nada… de nada adianta fingir-se que se é o que não se é…de nada adianta fazer escolhas que nos afastam daquilo que realmente queremos...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ás vezes não sei o que me dá…estou para aqui a vaguear em pensamentos…frases…ideias…coisas ocas…opacas…divisões…janelas…jardins intermináveis…chaves…folhas de papel desocupadas …casas…árvores secas caídas…e eu…a minha imagem desfocada num vidro de um carro que passa apressadamente por mim na rua…pensamentos vazios aqui e ali…paredes que se erguem á minha passagem…e eu não sei se é de mim…ou os dias estão a passar cada vez mais depressa…

sábado, 20 de setembro de 2008


Libertei a minha alma no entardecer...quando a lua espreita pela colina e eu sou felicidade...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Há em tudo o que me rodeia agora uma certa fragilidade…os objectos não permanecem nos mesmos lugares…as cores estão em constante mutação…os sons são imperceptíveis …
Permaneço a observar o horizonte sem pensar em nada…pela primeira vez não tenho expectativas nem planos… apenas sou o momento que se esgota de mim…apenas sou a luz que cai sobre a minha pele…apenas sou o ar que me rodeia…

Os dias já não são os mesmos…tudo se altera a casa minuto que passa….

Apenas a velha árvore permanece intacta face a todas as intempéries…apenas ela me olha sem pressas…a mostrar que o caminho é longo mas que eu tenho que ir devagar…

segunda-feira, 7 de julho de 2008

As palavras que não te disse e as coisas que não fiz estão guardadas na grande caixa fechada no tempo que jamais ousarei abrir...
Um dia talvez voltes...
Um dia talvez eu vá com a noite...
Um dia talvez te encontre onde nunca te perdi...
Um dia talvez não haja mais perguntas, nem respostas...
Um dia talvez eu te saiba...e tu me saibas...
Um dia talvez eu te deixe ir sem remorso...
Um dia talvez feche a porta sem olhar para trás...
Um dia talvez eu consiga agarrar as coisas que agora teimam em me escorrer das mãos como água...
Um dia, lá bem no fundo dos dias desertos, talvez o caminho se abra, os muros se quebrem e o espelho permaneça intacto...
As palavras que eu não te disse...carrego-as comigo...vão onde eu for e nunca me abandoman, até ao dia em que eu as liberte de mim e as pronuncie bem alto sem hesitar...
As palavras que não te disse, nunca foram na verdade palavras, não têm forma nem som...são apenas pensamentos súbitos sem consolação...
Os dias sucedem-se ao ritmo do relógio que ao fundo da sala teima em mostrar referências vãs de um tempo nulo...
Tudo permanece em silêncio...
Nem uma voz...nem um suspiro...
Eu caminho alheia pela casa...
Nada me prende...e tudo me agarra...
Nada me prende...nem as molduras com sorrisos distantes...nem os livros abertos em páginas aleatórias...nem os movimentos que se sucedem nos ponteiros do relógio...
Nada me prende...nem as memórias embebidas no pó dos móveis...nem os ecos que assombram o branco das paredes...
Se eu saisse agora não olharia para trás...mas toda a minha alma ficaria para sempre neste lugar...
Lá fora, uma leve brisa agita de mansinho as folhas das árvores, como se de repente elas dançassem ao som de um ritmo surdo e desenfreado..
E eu permaneço agora estática...inerte no vazio...
Imagino os dias...e as noites...
Á minha frente surgem imagens incandescentes de sonhos desfragmentados nos dias...
Se ao menos eu adormecesse...
Se ao menos, depois de dormir, eu acordasse então...
E os dias sucedem-se sem pedir permissão...
O dia de ontem já o perdi, o de hoje escapa-se abruptamente de mim...e o de amanhã não me pertence ainda...
Os dias não são meus...assim como não é meu o silêncio deste lugar...
Vagueio novamente pela casa...nada me pertence nesta solidão imaculada...
Nada me prende...e, no entanto, tudo me agarra...

terça-feira, 1 de julho de 2008

A maioria das pessoas nem se apercebe o quão surtuda é....caminha por aí à procura de coisas que já tem mas que não consegue ver...
Não sei se é o caminho que é longo demais, ou se fui eu que decidi parar…

quarta-feira, 11 de junho de 2008

As frases que escrevo estão a ficar extremamente vazias…baças…sem sentimento…sem significado…
As frases que escrevo agora…para nada servem…assumem-se como inúteis e assim permanecem…sem sequer se importarem…e eu, perante elas, sou impotente, nada posso…
Aquela música no fundo da rua transportou-me de repente para um lugar conhecido que eu há muito abandonara…e eu percorri o tempo…revoltei os dias…parei naquele instante exacto… no minuto que já passara…por entre as luzes do passado eu me confrontei com tudo o que eu fizera…
Gosto de pensar, que, a partir de um certo momento as coisas estão fora do meu controlo…eu posso até conduzi-las até uma determinada altura…mas depois elas soltam-se desenfreadas das minhas mãos…era nisso em que pensava naquele dia ao descer aquela rua e ao ouvir aquela música…
As coisas por si só são apenas coisas…mas a memória transfigura tudo...foi isso que me fez parar e ouvir aquela música com mais atenção…a música remexia nas minhas memórias…estava ligada a mim de algum jeito…
Depois comecei a pensar que eu vivia demasiado de memórias…e afastei-me á pressa dali…
Quem se alimenta demasiado do passado – como eu – perde imensas coisas do presente…apercebi-me quando verifiquei que as minhas memórias recentes eram apenas memórias de estar a relembrar alguma coisa…ou seja, memórias de memórias…percebi que estava a entrar num ciclo vicioso…




Quando não se consegue escrever mais nada...fica apenas isto...um esboço do que poderia ter sido...mas evidentemente nunca será...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Desencontro


Passaste por mim a correr numa manha de Outono em que as folhas das árvores cobriam as ruas…vi-te a passar e duvidei logo a seguir que te vira realmente naquele instante…
Posso ter imaginado aquele momento…seria natural que assim tivesse sido…
Ao passar de novo, numa tarde qualquer, por aquelas ruas tão cheias de tudo e vazias para mim…jurei que me esperavas numa esquina escondida perto daquele jardim onde costumávamos ir…e vi-te…mas a seguir dissipaste-te no vento daquele entardecer…
Um dia decidi esperar-te…sentei-me naquele velho banco de madeira…e esperei-te…esperei-te sem fim…horas e horas…até que a manhã se tornasse tarde…e a tarde morresse na noite…e ao esperar-te soube desde o início que não virias…
Mas esperei-te como quem espera que algo aconteça mesmo sem saber bem o quê…
Esperar-te com a certeza de que não aparecerias era uma forma de me enganar com uma mentira na qual eu no fundo não me iludia demasiado…
Quando a noite caiu levemente nas copas das árvores…fui embora sem olhar para trás…
Imaginei naquele momento, que ao ir embora tu chegarias…que te sentarias no mesmo banco…e ficarias ali…horas e horas a olhar em redor…á espera…
Ficarias ali...a esquecer o tempo...e a noite tornar-se-ia em manhã…e a manhã daria lugar á tarde…e ao anoitecer partirias com o cansaço de uma espera sem resposta…
Partirias … para que quando eu voltasse já não estivesses lá…

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Hoje sinto-me…

Ou será que não me sinto?

Hoje ouço todas as palavras que nunca antes eu tinha conseguido ouvir…e sinto-as como nunca as tinha sentido…vejo-as na sua plenitude…

Vezes sem conta digo a mim mesma que estou a enlouquecer…ou deveria dizer para não me preocupar que não estou a enlouquecer?

E tudo segue o seu curso certo…e eu sinto que estou a perder o controlo dos meus passos…


Hoje definitivamente não me sinto! Não estou em mim…não compreendo o vazio que me devora silenciosamente…


Olho á volta…e sinto o caos a instalar-se em todos os pormenores que me rodeiam…

Está aí alguém?
Eu não estou….
Procuro incessantemente por algum sinal…uma reacção …
Apenas palavras se elevam dos destroços no chão…e me fitam…

Dia após dia a minha razão de desmorona um pouco mais…

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Eu poderia ter continuado em frente…o tempo apaga tudo não é?
Poderia não ter olhado para trás…poderia ter deixado as peças caídas no chão…

E aquele dia atropela-me hoje…

E não sei mais o que fazer…

Não sei se fui eu que desejei isto tanto que acabou por acontecer…

E eu tentei apagar as memórias, a sério que tentei…

As vezes imagino que nunca exististe…que foste apenas um pesadelo que tive…
Se ao menos ao não ver-te…eu pudesse esquecer-te…

E não é que a tua felicidade me deixe infeliz…não…

E não é que te odeie…não poderia mesmo que quisesse…mas estou cansada de me torturar…o tempo passa e sinto que estou a perder a noção de tudo…

És …já nem sei o que és…cansei-me de definir-te…ao principio definia-te…e encerrava o assunto… e continuava…e sabia o que eras…mas hoje não te consigo definir…e a sério que já tentei…e como não te consigo definir…sinto-me fustigada por pensamentos incoerentes…

Estás aí…e eu estou aqui…e as coisas parecem estar na perfeita harmonia…dizer que me flagelas a alma por entre esta distância toda, seria demasiado absurdo…não poderia dizer-te isso…
Mas isto tudo por si só é absurdo…eu escrever isto....

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Não tem que haver uma lógica, pois não?
Eu posso estar aqui agora e achar isto tudo á minha volta extremamente estranho…mas no entanto isto ser puramente natural…
Eu não tenho que ter sempre palavras para descrever o que sinto, pois não?
Eu posso simplesmente permanecer no silêncio e continuar a sentir imenso…se eu disser alguma coisa vou estar a limitar o que sinto…escolher uma palavra em vez de outra…muda tudo…
Eu não sei…a sério que não sei…as ideias estão desarrumadas na minha cabeça…eu penso mas não digo…e digo mas não penso…e outras vezes digo exactamente o que penso e penso exactamente o que digo…e não sei se alguém consegue notar a diferença…
Somos tão vazios…vazios… e em simultâneo tão complexos…caminhamos no tempo…e o tempo caminha em nós…caminhamos por vezes tão iludidos a pensar que estamos a enganar os outros…quando na verdade só nos estamos a enganar a nós próprios…
E eu por vezes não sei o que fazer…mesmo havendo tanto para fazer…eu poderia me levantar agora…sair de casa e fazer imensas coisas…dizer palavras que guardo na minha cabeça…poderia mudar o rumo deste momento…segundo a segundo…a vida delineia-se nas escolhas que vamos fazendo…grandes escolhas…e algumas mesmo muito pequenas…como eu escolher permanecer aqui a escrever isto…ou de repente parar e o texto ficar exactamente aqui…e levantar-me e ir fazer outra coisa qualquer…a sucessão das coisas seria diferente? Eu amanhã seria uma pessoa como memórias diferentes?
Eu vejo-me de dois lados…observo-me ao longe a ser a pessoa que sou com as coisas que faço…e vejo-me de outro lado…com outras possibilidades…outros caminhos que eu poderia ter escolhido…
E isto tudo não tem que ter uma lógica…quer dizer podia ter até um certo período de tempo…mas depois começa a ficar incómodo…e eu não sei…não sei sequer já o que estou a escrever…não sei já o que penso…as minhas ideias estão atordoadas …presas numa gaveta que não consigo abrir…
Ouve-se ao longe um ruído mudo ensurdecedor… e eu penso em tudo…e no momento em que penso em tudo…não penso em rigorosamente nada…
Passos…passos e mais passos que me perseguem na escuridão…e eu grito…grito sem que consiga emitir algum som…
Não há lógica nestes dias repletos de coisa alguma… e há ainda tanta coisa que eu não consigo dizer ou fazer…há ainda tanta coisa que me prende sem me agarrar…
Nestes dias tenho-me questionado coisas para as quais não tento arranjar uma resposta…não quero sequer saber a resposta…se ao menos eu soubesse menos respostas…talvez eu vivesse mais tranquila…de olhos fechados…presa na apatia da inconsciência…
E não tem que haver uma lógica nas coisas…não poderia haver…

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pergunto-me quanto tempo vais precisares para te aperceberes que a casa está vazia? Para te aperceberes que não está mais ninguém aqui? Quanto tempo mais vais precisar para perceberes que as tuas perguntas não têm respostas? Que estás dentro de um quadro inacabado repleto de monólogos vãos? Quanto tempo mais ainda vais ficar aí, sabendo que nada mais há a fazer?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Tudo é pesado quando estamos cansados…tudo é escuro quando apagamos a luz…Tudo fica longe quando nos afastamos…

Não há volta a dar…não consigo regressar para onde fui…nada posso ou quero fazer para alterar esta situação …os dias estão a ficar extremamente distantes…sem referências…
Vou deixar tudo para trás e não me importar…
Não sei mais quem sou…nem como estou agora…sou apenas uma mágoa vã e dolorosa…
Se houve dias em que te vi, te senti…perdi-os todos…
Longe…perto…não sei bem…
Se por vezes não te olhei…não foi porque não te visse, foi simplesmente porque me doía demasiado olhar-te…
Deixei-te…
Parti sem te dizer para onde…
Mudei o destino…
Entrei numa história que não era a minha…e sem remorsos…sem lembranças continuei, deixando-te para trás…
Foi o fim…eu sei…

quarta-feira, 30 de abril de 2008


Os teus olhos sangram…caminhas nas longas noites de tempestade á procura de algo que não quer ser encontrado por ti…
A escuridão é o teu único abrigo…nela permaneces em silêncio…e observas o teu túmulo envelhecido no pó…
Nada mais é igual…nada mais é o que era…a realidade já não te pertence…ainda que a teu espectro vagueie por aí…sem rumo… em passos melancólicos de solidão…

quarta-feira, 23 de abril de 2008



Ás vezes permanecemos em silêncio muito tempo…tempo demais até…e um dia decidimos falar…falar bem alto para que todos nos ouçam…um dia rompemos conosco próprios e gritamos bem alto tudo o que guardámos cá dentro durante uma vida inteira… e nesse dia nascemos de novo…sem a alma dormente e o corpo cansado…

Acordei…era um novo dia…foi mais uma vez só um sonho mau…

Ainda me lembro do momento exacto que desencadeou tudo isto…um momento tão ridículo que se eu o contasse agora, todos o iam achar tão inútil…incapaz de ser a causa de algo que permanece no tempo…
Se eu ouvisse outra pessoa contar…eu própria acharia ridículo…
Mas eu não sei…ou talvez saiba e não queira admitir que eu podia ter evitado tudo isto…talvez se tivesse ignorado tudo…seguido em frente…sem olhar para mais nada…
Mas agora é tarde…mesmo tarde…não que alguma vez tivesse sido cedo…mas hoje definitivamente é tarde…
Eu acho que já esgotei todas as palavras para descrever isto…isto…que já nem sei o que é…um sentimento…uma doença…algo sem o qual já não consigo viver…mas que me consome…mais e mais…
Não sei…antes acho que havia vezes em que eu ainda me perdia em palavras e frases que descreviam o que eu sentia…mas depois de tanto tempo…estou vazia de descrições…
As descrições esgotaram…e foram tantas…e funcionavam…mas nunca foram muito longe…eram baças…
Outras vezes perdia-me em frases choradas…como quem agarra nas lágrimas e lhes retira palavras…
Mas as frases “choradas” depressa se tornaram inúteis como tudo o resto…
Tentei queimar coisas…objectos…memórias…nomes…sons…imagens…juntei-os todos e atirei-os para a fogueira enfurecida dos dias…mas as chamas consumiram-se rapidamente sem destruir completamente tudo o que queria destruir…
Depois tentei a raiva…a fúria… o ódio…e usei-os durante muito tempo…alimentava-os todos os dias…e cresciam cada vez mais…depois até esses se tornaram meras máscaras sem expressão…
Passei depois por tempos em que me convenci (em vão) do esquecimento…foi dificilmente fácil…
Hoje não sei…a sério que não sei…tentei apatia…desprezo…e não consegui resistir a um bom desespero…a um sofrimento bem profundo…sempre dolorosamente familiar…
Até já me tentei convencer da ideia …cheguei a um momento em que me quis fazer acreditar que conseguia viver bem com a ideia…mas a aceitação era demasiado inerte…não corroía nada…era aborrecida…previsível …
É desesperante…sim…eu sei…mas não consigo evitar, no entanto, no final, divertir-me com isto…

terça-feira, 22 de abril de 2008

"Rodeada de caras familiares sem nome"

Eu acho que não me encontro aqui...já me procurei...mas nao estou em lugar nenhum...fui a todos os lugares onde costumava estar...e não estava lá...depois desisti de me procurar e vi-me ao longe num lugar sem memória...eu nao queria...nada fiz para que isso acontecesse...mas a verdade é que nada fiz para o evitar...eu caminhei...caminhei muito por sitios e misturei-me com pessoas...pessoas reais e normais... pessoas com passos certos e seguros pela rua…e desejei ser como eles….caminhar assim sem medo…sem perturbações….sem impedimentos…sem desesperos…sem dúvidas…caminhar apenas por caminhar…apenas porque se se tem pernas é para caminhar…segui-os…caminhei ao lado deles...assumi a mesma máscara que eles...e fui com eles até sítios reais preenchidos de situações normais…nada poderia falhar…se eu me observasse ao longe na multidão não me reconheceria…o disfarce era perfeito… mas, no entanto, não passava disso mesmo, um disfarce

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O teu olhar já nada me diz...

O teu olhar já nada me diz…nem um gesto, nem um arrepio…
O vento da madrugada gelou a minha alma…e tento pensar que nunca estiveste aqui…
O teu olhar já nada esconde…
Enquanto caminho sem rumo pelo espaço nu de qualquer sítio que nem sei se é real, observo-te a caminhar ao meu lado sem razão aparente…
Esqueci os dias, as horas, os momentos que adormecerem em mim…morri das palavras ditas…dos caminhos percorridos…
O teu olhar já nada me diz…e diz-me tudo o que jamais podia ter dito antes…
Continuo sem saber se te vejo ou se crio a tua imagem em mim…continuo sem saber se te encontro ou se te procuro…continuo sem saber se falas comigo ou se permaneces aí no silêncio…
O teu olhar já nada me diz…
Percorro a noite, a madrugada que me devora…com a vontade de me desprender da minha pele…
Mas o teu olhar já nada me diz…e mesmo se ainda dissesse, eu já não estaria aqui para ouvir…fiquei parada naquele dia…naquele momento…
È inútil…desnecessário…o que faças ou digas…é inútil que me culpes e que eu me culpe…
O teu olhar já nada me diz…excepto esta tortura… esta culpa…que me persegue dia após dia…e grito agora, mesmo neste silêncio abrupto, que desejo caminhar agora sem mais olhar para trás…sem ver aquele momento vezes sem conta a acontecer…
O teu olhar já nada me diz…silenciei-o em mim…

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mundo Permeável...

Criei um mundo para mim…mas era um mundo permeável…e a chuva e o vento vieram e destruíram-no…destruíram-no sem que tenha havido um momento em que ele resistisse…cedeu logo ali ás primeiras intempéries sem reagir…
É inútil lutar por algo que não luta por si só…
Naquele dia ao cair da tarde percorri aquela rua que ia dar ao sítio mais longínquo do meu imaginário…
Janelas e portas fechadas á minha passagem…e não encontrei a consistência da minha presença…
Vou de novo fazer com que o relógio pare nas 6 horas da tarde e esquecer que o tempo vai continuar de passar…

quarta-feira, 12 de março de 2008

O que eu era…uma ilusão…o que eu sou agora…uma criação…
Não somos sempre a mesma pessoa….a maior parte daquilo que somos é uma criação que dia após dia deixamos sair das nossas mãos…

terça-feira, 11 de março de 2008


É fácil para ti dizeres o que dizes aí a essa distância…e é mais fácil para mim ficar aqui apenas a ouvir-te ao longe sem dizer uma única palavra…
Eu sei que tu preferias que te acusasse…que te culpasse por tudo…mas é mais seguro para mim ficar aqui sem nenhuma reacção…
Eu não posso compreender-te…não sei talvez entender que por de trás da tua existência está algo mais…sinto-me cega na tua presença…
Eu quero que me abandones…que me desprezes…porque eu também te abandonei…e também te desprezei…na vida nada fica sem resposta…
Não preciso que inventes uma historia qualquer sobre um final feliz onde tudo se resolve…não preciso que te esforces para ocultar as palavras dolorosas…
Tu não me compreendes e eu não te compreendo…e a nossa vivência é vazia e infeliz…
Torturas-me por te ter deixado partir…sem nada dizer…e agora aí a essa distância consegues acreditar que as coisas podiam ter sido diferentes…
E eu agora aqui….bem longe de tudo…não quero voltar atrás…
Eu não sei onde estás agora…talvez não tenha coragem de te procurar com medo de te encontrar…
Tu não sabes onde eu estou agora…deixei escrito no vento daquele dia de verão o meu destino…mas não mais esse vento ousou vaguear perto de ti…
Não sabemos onde estamos…um dia ia a passar por uma rua qualquer sem nome ou memória e pareceu-me ouvir as nossas vozes…pareceu-me ver-nos até…sombras insistentes num cair da tarde monótono… depois pareceu-me ver-nos dissipar num sofro de inexistência…e se um dia voltares a esse sitio e, assim de mansinho conseguires vislumbrar-nos…assim distantes…quero que libertes essa imagem de ti e a deixes desvanecer-se no ar cru da realidade…