Foste o inicio. o fim.
a ausência e o sufoco.
foste a maresia perdida...
foste a esperança e a vontade.
"What are these barriers that keep people from reaching anywhere near their real potential? The answer to that can be found in another question and that's this: Which is the most universal human characteristic: fear, or laziness?" Waking Life
domingo, 23 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
É sempre tarde. momentâneo e desconsertado.este dia.estas horas.a luz.o ar que respiro.
é o fim, eu sei. vira-se as costas e nada mais há a afirmar ou interrogar.
O que fizeram de ti?
Será que ainda sabes o caminho para casa?
Será que um dia as coisas voltarão a ser como antes?
sem medos. sem perguntas.
Imensas perguntas pairam na tua cabeça, enquanto apertas na tua mão o pequeno pedaço de papel que te irá levar para longe. o teu bilhete para o "seja o que for".
Talvez um dia voltes, e ao voltares tentes viver tudo de novo e ver a beleza onde nunca conseguiste ver antes. e nunca mais voltes a partir.
Ou talvez nunca mais voltes. E deixes que tudo perca a tua memória, e que deixes simplesmente de existir neste lugar.
é o fim, eu sei. vira-se as costas e nada mais há a afirmar ou interrogar.
O que fizeram de ti?
Será que ainda sabes o caminho para casa?
Será que um dia as coisas voltarão a ser como antes?
sem medos. sem perguntas.
Imensas perguntas pairam na tua cabeça, enquanto apertas na tua mão o pequeno pedaço de papel que te irá levar para longe. o teu bilhete para o "seja o que for".
Talvez um dia voltes, e ao voltares tentes viver tudo de novo e ver a beleza onde nunca conseguiste ver antes. e nunca mais voltes a partir.
Ou talvez nunca mais voltes. E deixes que tudo perca a tua memória, e que deixes simplesmente de existir neste lugar.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Dissonância
Queria ser mais forte. Talvez mais cega. Talvez mais inteligente. Queria ser bela. Bela aos teus olhos. Queria que me fizesses odiar-te. Queria matar-te da minha pele. Estou só. A solidão é fácil de enfrentar. Vagueio solitariamente pelas ruas. As estrelas caem sobre os tectos dos prédios da cidade. Por toda a parte há um rumor desalinhado em torno de mim. As fibras sonoras da civilização circundante ressoam numa dissonância trémula. Para onde foi o meu mundo? Para onde foram os meus muros? As minhas paredes. As minhas portas. As minhas armaduras. Estou permeável, aqui, perdida no meio deste labiríntico caos de ruas desconexas. Procuro-te. Procuro-te? O teu sangue.
È apenas o teu sangue. No chão nu. O teu sangue. Frio. E eu permaneço aqui. Calada. Quero enterrar-te. Eu enterrei-te!
Queria ser mais forte. Uma tempestade. E devastar-te. Varrer-te daqui…de todos os lugares onde permaneces. Queria ser mais cega. Nada ver. Nada sentir. Ser um corpo emerso á superfície de um qualquer rio e mover-me apenas ao sabor da corrente. Queria ser mais inteligente. E saber exactamente o caminho que tenho que seguir para desprender-te de mim.
È apenas o teu sangue. No chão nu. O teu sangue. Frio. E eu permaneço aqui. Calada. Quero enterrar-te. Eu enterrei-te!
Queria ser mais forte. Uma tempestade. E devastar-te. Varrer-te daqui…de todos os lugares onde permaneces. Queria ser mais cega. Nada ver. Nada sentir. Ser um corpo emerso á superfície de um qualquer rio e mover-me apenas ao sabor da corrente. Queria ser mais inteligente. E saber exactamente o caminho que tenho que seguir para desprender-te de mim.
terça-feira, 28 de julho de 2009
O que somos nós?
É uma multidão.
É um caos.
A realidade.
Os dias.
São horas.
Parcelas ilusórias do tempo.
O que é o tempo?
O que somos nós?
Túmulos. Frios. A céu aberto. Com lápides repletas de inscrições vazias.
Fragmentos de músicas tristes.
Restos. Restos de momentos varridos na enxurrada do tempo.
Tempo. Sempre o tempo.
O herói e o vilão nas nossas vidas.
Tentamo-lo agarrar e ele escapa-se das nossas mãos sem nunca o termos tocado.
O que somos nós?
Candeeiros estáticos na rua. Com lâmpadas incandescentes e dissolutas.
Carcaças em movimento sem sintonia num caminho abstracto.
Viajantes desconhecidos no tempo.
O tempo. Molda-nos. Moldamo-lo. Destrói-nos. Destruímo-lo.
O que somos nós?
Tumultos de epiderme espalhados aleatoriamente pelo espaço.
Vozes exasperadas num vácuo profundo.
Gotas de chuva secas pelo tempo.
O tempo. Corre. Cessa. Mata-nos. Matamo-lo.
O que somos nós?
Cadáveres amontoados num cenário pós-guerra.
Desarmados. Sem vida. Sem…tempo…
É um caos.
A realidade.
Os dias.
São horas.
Parcelas ilusórias do tempo.
O que é o tempo?
O que somos nós?
Túmulos. Frios. A céu aberto. Com lápides repletas de inscrições vazias.
Fragmentos de músicas tristes.
Restos. Restos de momentos varridos na enxurrada do tempo.
Tempo. Sempre o tempo.
O herói e o vilão nas nossas vidas.
Tentamo-lo agarrar e ele escapa-se das nossas mãos sem nunca o termos tocado.
O que somos nós?
Candeeiros estáticos na rua. Com lâmpadas incandescentes e dissolutas.
Carcaças em movimento sem sintonia num caminho abstracto.
Viajantes desconhecidos no tempo.
O tempo. Molda-nos. Moldamo-lo. Destrói-nos. Destruímo-lo.
O que somos nós?
Tumultos de epiderme espalhados aleatoriamente pelo espaço.
Vozes exasperadas num vácuo profundo.
Gotas de chuva secas pelo tempo.
O tempo. Corre. Cessa. Mata-nos. Matamo-lo.
O que somos nós?
Cadáveres amontoados num cenário pós-guerra.
Desarmados. Sem vida. Sem…tempo…
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Quero que saibas que parti.
Não me procures mais, não me vais encontrar. É inútil.
Não adianta fazeres o que quer que seja para mudar as coisas.
Nada.
Não há mais nada aqui.
Apenas o vazio me cerca. Te cerca.
Quero que saibas que nem tentei. Nem por um momento tentei. Fui cobarde e virei as costas á realidade.
Já nada me importa.
A brisa da manhã não é mais doce e o sol não nasce mais no horizonte.
As portas fecharam-se. Nenhum ruído trespassa este muro.
Não me procures mais, não me vais encontrar. É inútil.
Não adianta fazeres o que quer que seja para mudar as coisas.
Nada.
Não há mais nada aqui.
Apenas o vazio me cerca. Te cerca.
Quero que saibas que nem tentei. Nem por um momento tentei. Fui cobarde e virei as costas á realidade.
Já nada me importa.
A brisa da manhã não é mais doce e o sol não nasce mais no horizonte.
As portas fecharam-se. Nenhum ruído trespassa este muro.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Há pessoas que julgamos inimigos e nos quais descobrimos amigos…
E há pessoas que julgamos estarem ao nosso lado…e estão muito longe…
Há dias de Verão tão frios!
E há dias de tempestade…tão calmos…
Há mentiras que nos fazem felizes…e verdades com lâminas muito afiadas…
Há noites claras...e dias tão sombrios…
Há humanidade nas pessoas que mostram expressões agressivas…e ódio naqueles que nos sorriem todos os dias…
Há horas tão curtas que nem nos dão tempo para respirar…e há minutos tão longos que nos sufocam…
Há erros nas coisas perfeitas…e harmonia na imperfeição…
Há feridas saradas que nos corroem…e feridas abertas das quais nem nos apercebemos…
Há pancadas que não fazem qualquer mossa…e palavras que nos fustigam a alma…
Há caras desconhecidas que nos parecem familiares…e caras familiares que serão sempre desconhecidas…
Há lugares que permanecem uma eternidade imutáveis…e lugares que já não reconhecemos a cada momento que passa…
Há dias de embriaguez lúcida…e noites de sobriedade entorpecida …
Há poemas escritos em folhas de papel…e poemas escritos em gestos…
Há realidades tão ficcionais…e ficções imensamente reais…
Há uma solidão no meio da multidão … e um abrigo no isolamento….
Há pessoas com armaduras facilmente permeáveis…e pessoas impermeáveis na sua nudez…
Há uma imensidão e um final…
Uma chegada…e uma partida…
Há saudades do que nunca se teve…e indiferença pelo que se tem…
Há ruídos mudos …e silêncios ensurdecedores …
Há gritos calados…e sussurros clamados…
Há mágoas acolhidas …e felicidade rejeitada…
Há frases que relembramos uma vida inteira…e há um dia em que viramos as costas…
Há lágrimas de alegria e sorrisos dolorosos…
Há histórias que sabemos o final apenas pelo título…e histórias que não têm fim…
Há textos imensamente extensos que nada dizem…e folhas papel em branco que tudo dizem…
Há aquilo que somos…a essência…aquilo que fica dentro das janelas e das portas fechadas…e há a película invisível que todos os dias envergamos… a fraude da nossa criação…
Somos uma fraude…um abismo…sem consolação…
E há pessoas que julgamos estarem ao nosso lado…e estão muito longe…
Há dias de Verão tão frios!
E há dias de tempestade…tão calmos…
Há mentiras que nos fazem felizes…e verdades com lâminas muito afiadas…
Há noites claras...e dias tão sombrios…
Há humanidade nas pessoas que mostram expressões agressivas…e ódio naqueles que nos sorriem todos os dias…
Há horas tão curtas que nem nos dão tempo para respirar…e há minutos tão longos que nos sufocam…
Há erros nas coisas perfeitas…e harmonia na imperfeição…
Há feridas saradas que nos corroem…e feridas abertas das quais nem nos apercebemos…
Há pancadas que não fazem qualquer mossa…e palavras que nos fustigam a alma…
Há caras desconhecidas que nos parecem familiares…e caras familiares que serão sempre desconhecidas…
Há lugares que permanecem uma eternidade imutáveis…e lugares que já não reconhecemos a cada momento que passa…
Há dias de embriaguez lúcida…e noites de sobriedade entorpecida …
Há poemas escritos em folhas de papel…e poemas escritos em gestos…
Há realidades tão ficcionais…e ficções imensamente reais…
Há uma solidão no meio da multidão … e um abrigo no isolamento….
Há pessoas com armaduras facilmente permeáveis…e pessoas impermeáveis na sua nudez…
Há uma imensidão e um final…
Uma chegada…e uma partida…
Há saudades do que nunca se teve…e indiferença pelo que se tem…
Há ruídos mudos …e silêncios ensurdecedores …
Há gritos calados…e sussurros clamados…
Há mágoas acolhidas …e felicidade rejeitada…
Há frases que relembramos uma vida inteira…e há um dia em que viramos as costas…
Há lágrimas de alegria e sorrisos dolorosos…
Há histórias que sabemos o final apenas pelo título…e histórias que não têm fim…
Há textos imensamente extensos que nada dizem…e folhas papel em branco que tudo dizem…
Há aquilo que somos…a essência…aquilo que fica dentro das janelas e das portas fechadas…e há a película invisível que todos os dias envergamos… a fraude da nossa criação…
Somos uma fraude…um abismo…sem consolação…
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Algumas pessoas permanecem caladas…
Outras gritam o tempo todo!
Algumas pessoas vestem a sua melhor roupa e saem para conquistar a noite.
Outras conquistam a noite com um sorriso.
Algumas pessoas caminham sozinhas pela rua com olhar desinteressado…
Outras caminham pela rua interessadas em tudo…
Algumas pessoas fazem listas de compras e compram tudo excepto o que está na lista…
Outras não fazem listas e compram tudo ...
Algumas pessoas têm agendas com dias bastante preenchidos…
Outras têm apenas agendas…
Algumas pessoas têm medo do escuro…
Outras, porém vivem na escuridão uma vida toda sem, no entanto temerem nada
Algumas pessoas magoam os outros com mentiras compulsivas…
Outras magoam-se a elas próprias com sucessivas verdades…
Algumas pessoas bebem café para acordar…
Outras tomam comprimidos para adormecer…
Algumas pessoas escrevem…escrevem muito…
Outras…lêem…lêem imenso…
Algumas pessoas são modelo de comportamento para as restantes…
Outras são o exemplo exacto que como não se deve comportar…
Algumas pessoas vivem fechadas nas suas casas…
Outras vivem na rua….
Algumas pessoas procuram respostas…
Outras procuram lugares…
Algumas pessoas fazem perguntas…
Outras indicam direcções…
Algumas admitem que erram…
Outras proclamam que estão certas…
Algumas pessoas jogam…
Outras fazem as regras…
Algumas pessoas são peritas em fórmulas químicas…
Outras gostam de flores…
Algumas pessoas arrumam coisas…organizam tudo…
Outras vivem numa constante desarrumação…
Algumas pessoas comem…comem demasiado…
Outras passam fome…imensa fome…
Algumas pessoas são encarceradas…
Outras são forçadas á liberdade…
Algumas pessoas confessam os seus pecados…
Outras pessoas demonstram as suas virtudes…
Algumas pessoas são belas…
Outras ainda não foram descobertas que o são…
Algumas pessoas controlam o tempo…
Outras gastam-no…
Algumas pessoas têm pesadelos…
Outras provocam-nos…
Algumas pessoas são obrigadas a afastarem-se…
Outras promovem o seu auto-afastamento…
Algumas pessoas falam vários idiomas…
Outras são mudas…
Algumas pessoas acreditam que amam…
Outras sabem que não…
Algumas pessoas usam disfarces pelo Carnaval …
Outras usam disfarces uma vida toda…
Algumas pessoas são felizes e nem o sabem…
Outras fingem sê-lo...
Algumas pessoas são passado…
Outras são futuro…
Quase nenhumas são presente…
Outras gritam o tempo todo!
Algumas pessoas vestem a sua melhor roupa e saem para conquistar a noite.
Outras conquistam a noite com um sorriso.
Algumas pessoas caminham sozinhas pela rua com olhar desinteressado…
Outras caminham pela rua interessadas em tudo…
Algumas pessoas fazem listas de compras e compram tudo excepto o que está na lista…
Outras não fazem listas e compram tudo ...
Algumas pessoas têm agendas com dias bastante preenchidos…
Outras têm apenas agendas…
Algumas pessoas têm medo do escuro…
Outras, porém vivem na escuridão uma vida toda sem, no entanto temerem nada
Algumas pessoas magoam os outros com mentiras compulsivas…
Outras magoam-se a elas próprias com sucessivas verdades…
Algumas pessoas bebem café para acordar…
Outras tomam comprimidos para adormecer…
Algumas pessoas escrevem…escrevem muito…
Outras…lêem…lêem imenso…
Algumas pessoas são modelo de comportamento para as restantes…
Outras são o exemplo exacto que como não se deve comportar…
Algumas pessoas vivem fechadas nas suas casas…
Outras vivem na rua….
Algumas pessoas procuram respostas…
Outras procuram lugares…
Algumas pessoas fazem perguntas…
Outras indicam direcções…
Algumas admitem que erram…
Outras proclamam que estão certas…
Algumas pessoas jogam…
Outras fazem as regras…
Algumas pessoas são peritas em fórmulas químicas…
Outras gostam de flores…
Algumas pessoas arrumam coisas…organizam tudo…
Outras vivem numa constante desarrumação…
Algumas pessoas comem…comem demasiado…
Outras passam fome…imensa fome…
Algumas pessoas são encarceradas…
Outras são forçadas á liberdade…
Algumas pessoas confessam os seus pecados…
Outras pessoas demonstram as suas virtudes…
Algumas pessoas são belas…
Outras ainda não foram descobertas que o são…
Algumas pessoas controlam o tempo…
Outras gastam-no…
Algumas pessoas têm pesadelos…
Outras provocam-nos…
Algumas pessoas são obrigadas a afastarem-se…
Outras promovem o seu auto-afastamento…
Algumas pessoas falam vários idiomas…
Outras são mudas…
Algumas pessoas acreditam que amam…
Outras sabem que não…
Algumas pessoas usam disfarces pelo Carnaval …
Outras usam disfarces uma vida toda…
Algumas pessoas são felizes e nem o sabem…
Outras fingem sê-lo...
Algumas pessoas são passado…
Outras são futuro…
Quase nenhumas são presente…
domingo, 31 de maio de 2009
Aqui
Aqui, onde agora permaneço imóvel a olhar o infinito distante…
Já fui muitas pessoas…
Já vi o amanhecer…
A sorrir…
A odiar-me
Arrependida…
Dormente…
Já chorei…
Já me isolei…
Saí imensas vezes depois…
Algumas vezes sem rumo….
Outras a saber exactamente onde queria ir…e acabando por ir a outros sítios…
Aqui…
Fechei a porta muitas vezes…
(talvez vezes demais…)
Aqui…
Onde agora apenas permanece o eco moroso de dias passados…
Já desejei não ser…e era…
E desejei que fosse…e nunca foi…
Aqui…
Tive medo do escuro…
Da multidão…
Do vazio…
do silêncio…
Por aqui…
Passaram as Estações…e eu com elas fui…e voltei…
Voltei sempre…
Aqui…
Os dias e as noites…
A luz e a escuridão…
O frio e o calor…
A chuva e o vento…
Aqui…
O regresso…
O refúgio…
Aqui…
A inocência e a maturidade…
A expectativa e a desilusão…
O auge e o declínio…
Aqui…
Nem sei se tudo o que recordo aconteceu realmente…
ou se criei em mim ilusões de momentos…
Aqui…
Caí…e levantei-me…
Aqui…
Um pedaço de vida…
Aqui…
Fui o bem e o mal…
E passei, sem hesitar, para o outro lado…
Aqui ….
Onde agora o vácuo das paredes entoa fragmentos
De horas adormecidas….fui imensas pessoas…
E todas elas estão agora espalhadas em cada canto deste espaço inerte…
Já fui muitas pessoas…
Já vi o amanhecer…
A sorrir…
A odiar-me
Arrependida…
Dormente…
Já chorei…
Já me isolei…
Saí imensas vezes depois…
Algumas vezes sem rumo….
Outras a saber exactamente onde queria ir…e acabando por ir a outros sítios…
Aqui…
Fechei a porta muitas vezes…
(talvez vezes demais…)
Aqui…
Onde agora apenas permanece o eco moroso de dias passados…
Já desejei não ser…e era…
E desejei que fosse…e nunca foi…
Aqui…
Tive medo do escuro…
Da multidão…
Do vazio…
do silêncio…
Por aqui…
Passaram as Estações…e eu com elas fui…e voltei…
Voltei sempre…
Aqui…
Os dias e as noites…
A luz e a escuridão…
O frio e o calor…
A chuva e o vento…
Aqui…
O regresso…
O refúgio…
Aqui…
A inocência e a maturidade…
A expectativa e a desilusão…
O auge e o declínio…
Aqui…
Nem sei se tudo o que recordo aconteceu realmente…
ou se criei em mim ilusões de momentos…
Aqui…
Caí…e levantei-me…
Aqui…
Um pedaço de vida…
Aqui…
Fui o bem e o mal…
E passei, sem hesitar, para o outro lado…
Aqui ….
Onde agora o vácuo das paredes entoa fragmentos
De horas adormecidas….fui imensas pessoas…
E todas elas estão agora espalhadas em cada canto deste espaço inerte…
sexta-feira, 29 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
Lucidez...

Estou lúcida…
Hoje estou completamente lúcida…
E o facto de estar tão absurdamente lúcida deixa-me desconfortável…
Vejo todas as coisas…e percebo todas as coisas...
O que é…é…e não parece outra coisa qualquer…
Os objectos permanecem estáticos nos seus lugares de sempre…
Não há aquela musiquinha silenciosa a vibrar nos meus ouvidos…
Estou lúcida…límpida…
Estou dentro de mim…não há nada mais para além desta realidade…horas…e mais horas…
Sucessão de tempo…
Lucidez…
Sobriedade alucinante…
Vazio…
Espaço entre as coisas…e espaço ocupado…
Elipse…
Hoje estou completamente lúcida…
E o facto de estar tão absurdamente lúcida deixa-me desconfortável…
Vejo todas as coisas…e percebo todas as coisas...
O que é…é…e não parece outra coisa qualquer…
Os objectos permanecem estáticos nos seus lugares de sempre…
Não há aquela musiquinha silenciosa a vibrar nos meus ouvidos…
Estou lúcida…límpida…
Estou dentro de mim…não há nada mais para além desta realidade…horas…e mais horas…
Sucessão de tempo…
Lucidez…
Sobriedade alucinante…
Vazio…
Espaço entre as coisas…e espaço ocupado…
Elipse…
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Auto - Indulgência Cega
Amnésia…é tudo o que preciso agora…
Nada mais… neste jeito demorado de viver as emoções frias no calor de uma tarde como esta…ou como outra qualquer…
A minha pele gela…
Pela janela da minha consciência observo a realidade que nada me diz…
Eu sei…a culpa é minha…a minha loucura é premeditada … indulgente…
Não altera nada…na verdade, o que muda é o meu arrasto para o fundo…
Nada sei…sabendo tudo…não tenho rumo…sabendo bem o rumo que quero tomar…nada faço…sabendo o que deveria fazer…nada digo…sabendo o que deveria dizer…
Se a culpa é minha…e é, de facto…então acho que mereço isto…
Nada mais… neste jeito demorado de viver as emoções frias no calor de uma tarde como esta…ou como outra qualquer…
A minha pele gela…
Pela janela da minha consciência observo a realidade que nada me diz…
Eu sei…a culpa é minha…a minha loucura é premeditada … indulgente…
Não altera nada…na verdade, o que muda é o meu arrasto para o fundo…
Nada sei…sabendo tudo…não tenho rumo…sabendo bem o rumo que quero tomar…nada faço…sabendo o que deveria fazer…nada digo…sabendo o que deveria dizer…
Se a culpa é minha…e é, de facto…então acho que mereço isto…
segunda-feira, 4 de maio de 2009
“Can’t you see I’m selling lies?”
Ruídos confusos… música ... Silêncio...piadas más…
Felicidade... Mentiras... medos... Cigarros e vinho barato… Loucura ... Promessas de mau sexo… Toma outro comprimido e vai dormir... Amanhã já vai estar tudo bem ... Preguiça... Sonhos ... Pesadelos ... Solidão ... Se me vires na rua, por favor, não fales comigo... Noites absurdas... Pessoas aleatórias... Amor ... ódio ... apatia… Põe um novo vestido e vai! Tu não precisas de mim e eu não preciso de ti... A vida é um lugar estranho... Jogos ...
Sabores casuais ... Relações casuais ... Insanidade casual ... Luzes ... escuridão ... Esperança ... a ir e vir ... Conversas sem sentido ... Lutas inúteis ... Sucessos ... fracassos ... Labirintos complicados ... Estou perdida e tu não podes encontrar-me... Pecados… erros... Conquistas …vitórias…Mesas ocupadas... Portas abertas… Pegadas no chão... É de manhã outra vez e sinto-me miserável ... Onde estive eu? O que é que eu disse? O que é que tu disseste? O que é que eu fiz? Tento comprar algum entorpecimento... Há sentimentos que o dinheiro não pode comprar ... É tarde e estou a bater á porta errada novamente. Como é a realidade? Os meus olhos não a conseguem ver... Estou deitada na relva e o meu corpo dói... Acho que exagerei outra vez... Olha-me nos olhos e mostra-me toda a crueldade da tua indiferença!
Caminho no meio da multidão implorando por alguma resposta. A minha cabeça está demasiado pesada para pensar. Por favor, dá-me outra bebida! Os meus dedos estão frios... a minhas pernas tremem. Esta é a última vez... Prometo! Amanhã vou ser pura! Vazio... Melancolia… Preciso de uma canção triste para me fazer chorar! Ouço-te a falar mesmo ao meu lado mas não consigo entender uma palavra do que dizes…acho que preciso de descansar. Acordei de novo, num lugar desconhecido... e é apenas o meu quarto...
O meu espelho mostra uma expressão desinteressada... Que horas são? Acho que tenho andado a saltar dias ... Garrafas vazias deixadas na mesa ... Roupas espalhadas aleatoriamente no chão ... Quero esquecer tudo ... Não preciso da tua pena ... A luz do dia magoa-me. Outra noite inútil ... estou mais perto do paraíso ... Deixa-me aqui ... Não vou dizer nada ... A minha mente está vazia ... estou oca ... A realidade está muito longe ... Estou a abandonar-me... Não me interpretes mal ... eu não sou uma boa pessoa ... Não preciso da tua atenção ...Sou uma desordem ... sou feia… Sou um enigma ... e adoro fingir ... O que estás a dizer-me esta noite... eu não me vou lembrar amanhã... Eu não gosto de ti e tu não gostas de mim... é muito simples!Não digas que eu sou a melhor coisa que já viste na estúpida da tua vida! Estás a pôr-me doente! Onde estou? Que lugar é este? Estou sozinha e não reconheço todas estas caras á minha volta. O que estou a fazer? Acho que estou a perder o controlo... De repente, tudo é apenas uma mancha... Mais uma manhã caótica... Estou a acordar... Por favor, não me digas o que aconteceu... Não preciso de saber o final da história...
Felicidade... Mentiras... medos... Cigarros e vinho barato… Loucura ... Promessas de mau sexo… Toma outro comprimido e vai dormir... Amanhã já vai estar tudo bem ... Preguiça... Sonhos ... Pesadelos ... Solidão ... Se me vires na rua, por favor, não fales comigo... Noites absurdas... Pessoas aleatórias... Amor ... ódio ... apatia… Põe um novo vestido e vai! Tu não precisas de mim e eu não preciso de ti... A vida é um lugar estranho... Jogos ...
Sabores casuais ... Relações casuais ... Insanidade casual ... Luzes ... escuridão ... Esperança ... a ir e vir ... Conversas sem sentido ... Lutas inúteis ... Sucessos ... fracassos ... Labirintos complicados ... Estou perdida e tu não podes encontrar-me... Pecados… erros... Conquistas …vitórias…Mesas ocupadas... Portas abertas… Pegadas no chão... É de manhã outra vez e sinto-me miserável ... Onde estive eu? O que é que eu disse? O que é que tu disseste? O que é que eu fiz? Tento comprar algum entorpecimento... Há sentimentos que o dinheiro não pode comprar ... É tarde e estou a bater á porta errada novamente. Como é a realidade? Os meus olhos não a conseguem ver... Estou deitada na relva e o meu corpo dói... Acho que exagerei outra vez... Olha-me nos olhos e mostra-me toda a crueldade da tua indiferença!
Caminho no meio da multidão implorando por alguma resposta. A minha cabeça está demasiado pesada para pensar. Por favor, dá-me outra bebida! Os meus dedos estão frios... a minhas pernas tremem. Esta é a última vez... Prometo! Amanhã vou ser pura! Vazio... Melancolia… Preciso de uma canção triste para me fazer chorar! Ouço-te a falar mesmo ao meu lado mas não consigo entender uma palavra do que dizes…acho que preciso de descansar. Acordei de novo, num lugar desconhecido... e é apenas o meu quarto...
O meu espelho mostra uma expressão desinteressada... Que horas são? Acho que tenho andado a saltar dias ... Garrafas vazias deixadas na mesa ... Roupas espalhadas aleatoriamente no chão ... Quero esquecer tudo ... Não preciso da tua pena ... A luz do dia magoa-me. Outra noite inútil ... estou mais perto do paraíso ... Deixa-me aqui ... Não vou dizer nada ... A minha mente está vazia ... estou oca ... A realidade está muito longe ... Estou a abandonar-me... Não me interpretes mal ... eu não sou uma boa pessoa ... Não preciso da tua atenção ...Sou uma desordem ... sou feia… Sou um enigma ... e adoro fingir ... O que estás a dizer-me esta noite... eu não me vou lembrar amanhã... Eu não gosto de ti e tu não gostas de mim... é muito simples!Não digas que eu sou a melhor coisa que já viste na estúpida da tua vida! Estás a pôr-me doente! Onde estou? Que lugar é este? Estou sozinha e não reconheço todas estas caras á minha volta. O que estou a fazer? Acho que estou a perder o controlo... De repente, tudo é apenas uma mancha... Mais uma manhã caótica... Estou a acordar... Por favor, não me digas o que aconteceu... Não preciso de saber o final da história...
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Melancolia...
A minha vida tornou-se melancólica…como o primeiro dia de Inverno…o primeiro dia de chuva…e eu não sei é de mim…ou… nada mais importa…
Os dias já não passam como dantes…os momentos sucedem-se sem que eu me aperceba deles…nada sinto…nada faço…estaticamente permaneço numa agonia desacertada…
Salta! Tens que saltar!
Vou saltar…
Os dias estão suspensos…em vagas horas de equidade consciente…
As luzes da cidade estão enevoadas…sem brilho…os sons dos carros que transpõem a ruas por onde caminho, despertam-me para uma realidade que não quero aceitar…
Acorda! Tens que acordar!
Vou acordar…
Que frio é este que rompe a minha pele?
Mesmo agora que sol brilha no seu esplendor…e há calor na cara das pessoas que passam por mim…
E toda a minha existência se resume a esta hipotermia sem remédio…
Que sentimento é este que veio ressurgir a minha doce dormência?
Dorme! Tens que dormir!
Vou dormir…
Vagueio horas sem sentido por entre aglomerados de vozes mudas…de pedaços de vidas dispersadas por aí…fragmentos de sanidade que tentam irromper por entre o meu escudo protector…
Já não consigo pronunciar palavras…ou construir algum pensamento consciente…
Há ruídos descontínuos na minha cabeça que não me deixam raciocinar…
Pensa! Tens que pensar!
Vou pensar…
Há qualquer coisa nestes dias que me deixa embriagada em frustração…ou então não é dos dias…é de mim…
Os dias já não passam como dantes…os momentos sucedem-se sem que eu me aperceba deles…nada sinto…nada faço…estaticamente permaneço numa agonia desacertada…
Salta! Tens que saltar!
Vou saltar…
Os dias estão suspensos…em vagas horas de equidade consciente…
As luzes da cidade estão enevoadas…sem brilho…os sons dos carros que transpõem a ruas por onde caminho, despertam-me para uma realidade que não quero aceitar…
Acorda! Tens que acordar!
Vou acordar…
Que frio é este que rompe a minha pele?
Mesmo agora que sol brilha no seu esplendor…e há calor na cara das pessoas que passam por mim…
E toda a minha existência se resume a esta hipotermia sem remédio…
Que sentimento é este que veio ressurgir a minha doce dormência?
Dorme! Tens que dormir!
Vou dormir…
Vagueio horas sem sentido por entre aglomerados de vozes mudas…de pedaços de vidas dispersadas por aí…fragmentos de sanidade que tentam irromper por entre o meu escudo protector…
Já não consigo pronunciar palavras…ou construir algum pensamento consciente…
Há ruídos descontínuos na minha cabeça que não me deixam raciocinar…
Pensa! Tens que pensar!
Vou pensar…
Há qualquer coisa nestes dias que me deixa embriagada em frustração…ou então não é dos dias…é de mim…
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Sabes…acho que nunca te disse…
Não…nunca te disse mesmo…
Muitas vezes tentei dizer-te…mas as palavras ficaram sempre retidas algures entre a realidade e a idealidade …
Eu sei que no fundo tu jamais poderias ouvir …mesmo que eu te tivesse dito…
Estamos sentados lado a lado naquele banco de jardim como antes…mas permanecemos em silêncio como dois desconhecidos que nada têm a dizer…quem passa por nós não imagina o quão longe estamos, apesar de os nossos corpos estarem muito próximos…quem nos vê ali…mudos…nem imagina o quanto há para dizer…o quanto ficou por dizer com o arrasto do tempo…o quanto vai sempre ficar por dizer entre nós…
Observo-te e é como se ali não estivesses…e na verdade não estás…
Até da minha própria presença duvido…
O que foi que aconteceu?
O que foi que o tempo fez de nós?
Ouves?
A tua mudez persiste como a chuva a entranhar-se no solo…
E repousamos nesta crueldade impermeável …como se o que existe se resumisse a isto…a esta dormência penosa…
E eu nunca te disse…e tu sabias que eu não te diria…
Não…nunca te disse mesmo…
Muitas vezes tentei dizer-te…mas as palavras ficaram sempre retidas algures entre a realidade e a idealidade …
Eu sei que no fundo tu jamais poderias ouvir …mesmo que eu te tivesse dito…
Estamos sentados lado a lado naquele banco de jardim como antes…mas permanecemos em silêncio como dois desconhecidos que nada têm a dizer…quem passa por nós não imagina o quão longe estamos, apesar de os nossos corpos estarem muito próximos…quem nos vê ali…mudos…nem imagina o quanto há para dizer…o quanto ficou por dizer com o arrasto do tempo…o quanto vai sempre ficar por dizer entre nós…
Observo-te e é como se ali não estivesses…e na verdade não estás…
Até da minha própria presença duvido…
O que foi que aconteceu?
O que foi que o tempo fez de nós?
Ouves?
A tua mudez persiste como a chuva a entranhar-se no solo…
E repousamos nesta crueldade impermeável …como se o que existe se resumisse a isto…a esta dormência penosa…
E eu nunca te disse…e tu sabias que eu não te diria…
Vai...provocação deplorável...
Vai...
O teu sangue a escorrer pelo chão...
O meu reflexo no espelho…um espectro sem expressão…
Vai…ruído incessante…
Vai…
Que a noite venha e que tu te confundas nas sombras…
A tua pele em chamas no amanhecer…
Vai…condenação silenciosa …
Vai...
O teu corpo a jazer no túmulo do vazio…
E eu persisto…inerte…
A beleza deste momento…
A tua presença desvanece-se na decomposição da tua carne…
O fim…
O teu fim…o teu suave e doce fim…
A chuva cai…
E eu retiro-me silenciosamente…
Vai...
O teu sangue a escorrer pelo chão...
O meu reflexo no espelho…um espectro sem expressão…
Vai…ruído incessante…
Vai…
Que a noite venha e que tu te confundas nas sombras…
A tua pele em chamas no amanhecer…
Vai…condenação silenciosa …
Vai...
O teu corpo a jazer no túmulo do vazio…
E eu persisto…inerte…
A beleza deste momento…
A tua presença desvanece-se na decomposição da tua carne…
O fim…
O teu fim…o teu suave e doce fim…
A chuva cai…
E eu retiro-me silenciosamente…
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