sexta-feira, 30 de novembro de 2007


Eu caminhava nas ruas…alheia ao mundo…mergulhada em apatia…sem dizer nada…E eu pensava que era suficiente …eu pensava que podia usar isso como uma protecção…pensava que me bastava ignorar a realidade para que ela não invadisse o meu mundo…mas ela teima sempre em perturbar a minha solidão…em tentar acordar-me…quando na verdade apenas desejo permanecer neste sono profundo…

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sinto uma última vez este momento...

Depois de horas aqui fechada, sinto que estou a enlouquecer...
Todos os gritos...todas as lágrimas..são em vão...
Mais um dia... e nada mais vale a pena...porque agora os dias são tão vazios...
Porque eu não posso mais suportar toda esta angústia...
Porque eu não me consigo compreender...
Porque estou apática perante o mundo...porque não consigo sentir nada...
Sinto uma última vez este momento...e depois nada mais há a dizer...depois o silêncio e a multidão a invandir a escuridão...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Insónia...o vazio...ou a ausência...


Não sei mais onde estou… tento fechar os olhos mas não consigo sair daqui…
Quero adormecer…cair no sono e vaguear para longe…
Fechada nesta noite sem fim…tento afugentar esta luz que teima em me dominar…






Não posso mais ficar aqui…está frio…





Acho que estou a enlouquecer…estou a entranhar-me nas sombras…torno-me uma delas…deixei o meu corpo caído no chão…o sangue espalha-se pela casa…absorve o meu reflexo no espelho…mas não estou mais aqui…não acompanho mais o meu corpo…sou agora mais uma sombra na escuridão…nada me perturba agora nesta solidão calma…e por fim posso descansar nesta doce apatia…ausente de qualquer som ou de qualquer presença… ausente do tempo e do espaço…não há mais dor…não há mais sofrimento…apenas permaneço…aqui moribunda…sem agonia…
E o tempo passa lá fora…sem que eu faça parte dele…sem que o acompanhe…


Não sei mais de mim…não me vejo…não sei onde estou…


Tento esquecer o tempo que existiu quando te via…tento esquecer as horas que passaram em que te olhava…tento deixar para trás momentos…dias…semanas…mas não posso ignorar o facto de ainda querer voltar aos dias eternos…ás manhãs mergulhadas em liberdade…voltar a mim…voltar a ti…e depois deixar-te mais uma vez…ver-te partir de novo para que me convença que é o fim…


Porque não há mais anda que eu possa fazer…porque tudo é inútil…
Porque o mundo agora é apenas um estranho para nós…porque não há mais coerência nas coisas…porque a distância agora é um abismo de memórias…porque tudo o que éramos se esgotou…porque estás aqui e não te encontro…porque te vi partir e ainda assim não aceito a tua ausência…
Porque agora restam-me apenas estas repetições…estas frases sem nexo…estas palavras vazias…

O que devia eu sentir eu sentir? Devia eu sentir alguma coisa? Devia eu chorar? Devia eu sorrir? Devia ter pena? Devia eu fingir um pouco de felicidade? Devia eu demonstrar um pouco de dor?
Devia eu revoltar-me?

E mesmo agora que te tenho, sinto que já te perdi …E não consigo evitar que partas, mesmo que te agarre com todas as minhas forças.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Hoje...

Hoje sinto-me estupidamente infeliz…
Estupidamente longe do mundo…
Estupidamente inútil…
Estupidamente vazia…
Estupidamente insegura…
Estupidamente só…
Estupidamente revoltada…
Hoje sinto-me mergulhada num caos de pensamentos…
Hoje não estou cá…
Hoje vagueio por aí…no meio do nada…
Hoje sinto-me absorvida pela névoa á minha volta…
Hoje estou mais dispersa…
Hoje vou apenas esconder-me nas sombras…e não me importar…

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Provavelmente...

Provavelmente já não vais estar cá quando eu voltar…já terás tomado o teu caminho… já estarás longe…talvez sejas até outra pessoa…
Provavelmente eu vou chegar tarde…vou chegar depois de tudo ter acabado…
Provavelmente vou chegar no fim do dia…ao anoitecer…num tarde chuvosa…provavelmente já nem te vais aperceber que cheguei…nem eu vou notar que cheguei…
Provavelmente nem vais perguntar porque demorei tanto…nem te vai perturbar a minha ausência…
Provavelmente nunca mais nos vamos ver…e no fundo sabes que é melhor assim…
Provavelmente ainda poderás ver o meu reflexo a passar no vidro de uma janela qualquer…mas talvez nem te apercebas que é o meu reflexo…
Provavelmente ainda ouvirás a minha voz na tua memória…mas talvez a ignores…
O tempo esgotou-se…sabes bem…deixámos de ser o que fomos…quebrámos as correntes do passado…e tudo o que acontecer a partir de agora, já não importa…
Lembrar-nos-emos apenas do dia da despedida…mas vamos fazer tudo para esquecer o que sentimos…
Provavelmente tentemos não voltar aos mesmos sítios…talvez inventemos desculpas para evitar as lembranças…
Provavelmente tentemos enfrentar sem receio o facto de sermos outras pessoas…noutros cenários…pessoas sem memória…sem referências…
Provavelmente acabaremos como todos os outros…perdidos no meio da multidão…com olhares dispersos…aleatoriamente a passar…

"If only night can hold you where I can see you..."

Love is bleeding in the fog…
I am standing at the cemetery gate…drowning myself into this disastrous symphony…
Darkness has come to conquer my heart…
And I bleed…
I’m suffering…I’m defeated…
I will forget you…I promise…
Let me just close the coffin door and escape from you…escape from the world…
You are the biggest delusion I’ve ever had…the one I can’t let go…
My heart is no longer beating…my voice is soundless...
I hate to watch you there…so far away…but it hurts so much getting closer to you…
It’s painful to want you…it’s painful to leave you…
I will give up of life…I don’t mind anymore…
I’m starving for loneliness, for emptiness…
How can you do this to me?
How can you cause me so much pain?
I thought you were only in my imagination

sábado, 17 de novembro de 2007

“ Eu observo-te ao longe…os olhos vermelhos de não poder chorar…”

Estou obcecada por algo que não entendo …não estou mim…o mundo lá fora perdeu o interesse…todas as palavras não são suficientes…todos os gestos não chegam…
Hoje acordei…e não estou mesmo em mim…
Hoje acordei e o ar tem um cheiro ácido…e as sombras estão mais escuras…
Hoje acordei…com o corpo dormente…com os olhos fechados…
Hoje acordei…e não queria acordar…
Imagens intermitentes vagueiam na minha memória…estou longe ou perto…já não me vejo…
Permaneço no vácuo…no baú apático das minhas ilusões…
E assim, inerte, caminho na direcção errada…
Nada mais há a fazer…apenas observar ao longe o poderia ter sido...
E odeio este dia…odeio as emoções vazias desta existência…odeio este momento…
Odeio acordar neste dia…odeio que este dia seja mais um dia…
Odeio sentir-me inútil perante mim própria…observar-me ao longe…imóvel…sem uma única reacção…se um sentimento sequer…sem uma lágrima…sem um sorriso…sem um gesto…sem um grito…sem um olhar de revolta…
Estou a consumir-me…sinto-o mais a cada dia que passa…estou a empurrar-me para o fundo…
Estou a afogar-me no vazio gélido…se ao menos eu me conseguisse impedir… se ao menos eu me importasse…

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hoje mais do que nunca sinto que...estou a enlouquecer...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Todas as palavras foram ditas...resta-me este silêncio inútil...
Nada posso contra esta apatia que ocupa agora a minha vida...nada posso contra esta existência enexistente...
Não percebo esta inquietude...perdi o controlo de mim própria...
O final feliz foi-se para sempre...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ainda te escondes nas sombras...e não sei como te afugentar...não sei como seguir em frente...virar as costas e não olhar para trás...
Vejo-te e desapareces no mesmo instante...Toco-te e desfazes-te nas minhas mãos...
Tenho-te e perco-te...
Sinto-me a sufocar...sem forças...onde estou? onde estás? que lugar é este?
Gritas...mas já não te consigo ouvir...apenas sinto a tua dor no horizonte...
Abadono-me uma vez mais...sinto-me vazia...apática...dona de uma existencia vã...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

While you were sleeping, the voices stopped scream …

Why don’t you fall asleep one more time?
Why don’t you give up trying?

The rain is falling down on your hair …your heart is drowning…

There are no more reasons to go on…

No more nightmares…no more loneliness… no more sorrow…no more empty rooms…no more random days…

Maybe one day someone will cry a tear for you…
Maybe one day someone will remember you…

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Não fazem sentido as imagens que sinto vivas dentro de mim...a vozes que gritam na minha consciência...as palavras que rasgam a minha alma...
Momentos que vão e voltam...dias que se sucedem...horas que não acabam..outras que se esgotam ferozmente...
Um desconcerto interior...uma dor que me fustiga mais e mais...
Tento fugir...esconder-me de todas as pessoas da multidão...
Apenas busco a solidão...a inexistência...
Apenas desejo não estar...não ser...

domingo, 14 de outubro de 2007

Estou errada...eu sei que estou errada...não faço sentido nas coisas que digo ou que faço...estou vazia de lógica e de razão...
Minto a mim mesma...escondo-me quando tento procurar-me...
Não tenho cura...não tenho forma de deixar de ser o que sou...e o que sou está a matar-me!
Ultimamamente ando a magoar-me mais do que o habitual...sou, sem dúvida a minha pior inimiga...

Fui para além do que podia ser racional...
Como é que no fundo ainda me consigo divertir com tudo isto?!

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Folhas secas ao vento...
fragmentos de sonhos espalhados pelo chão...
vazio...silêncio...escuridão...
esperanças perdidas á solta numa folha de papel velha...
o tempo passa...não há mais ar...não sinto mais a minha pele...
uma claridade subita entra pela janela...recuso-me a aceitá-la...
escondo-me daquela luz que tenta roubar a minha solidão...
girtos...dor... de novo o silêncio...
agarro,em vão,uma lugar perdido na minha memória...
que noites passaram?que momentos vivi?
que sentimentos me preencheram?
sinto que os perdi...que não existiram...
quem era eu entao?
talvez apenas um breve pesadelo de alguém que desejou fugir para sempre...

sábado, 30 de junho de 2007

Hoje percebi que os sentimentos são demasiado inevitáveis...hoje sinto mais do que nunca que jamais apagarei estes momentos da minha memória
E eles trouxeram rosas vermelhas...
Não havia mais nada para dizer...mas alguém ainda tentou dizer que ia ficar tudo bem...
E eles vestiram-se de negro e fizeram olhares tristes...
Que momentos inúteis depois...e eu fiquei ali parada na multidão...e não estava mais ali...
E eles fizeram todos olhares de pena...que mais podiam eles fazer?
Será que ainda me ouviste? Será que ainda me viste a olhar-te...
E ainda te vejo como te via antes...ainda caminhas a meu lado na escuridão...

E o seu espirito disse-me...




"Como o vento numa madrugada que não se sente...
Senta-te serena no topo da grande escadaria...
Não tentes salvar o mundo...é inútil...tenta salvar-te a ti própria do mundo..."



E era como se ele soubesse tudo o que eu ia dizer...tudo o que eu sentia...era como se a minha alma tivesse caída no chão...seca...vazia...perdida...era como uma enorme dor penetrasse a minha pele sem que eu a pudesse impedir...

Desisti de lutar ...
Pedi à morte um sorriso devorador...ofereci o meu sangue à noite que passava...
Mas a minha dor continuava a corromper os meus sentidos...
Eu não queria sentir mais nada...queria mergulhar no nada...ser apenas uma sombra no vazio...
Neguei a razão da minha existência...apaguei a minha imagem do espelho...dei as minhas forças á á agonia...
E ali fiquei a desejar ver o meu corpo a decompor-se...
Queria apenas fugir do mundo...salvar-me...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Lembro-me daquele ultimo momento em que me senti em casa...e foi como aquilo que eu era ficasse ali...para sempre...foi como a minha alma me abandonasse naquele momento, como se não quisesse continuar mais comigo...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Prelúdio de uma morte...Parte II


Esperei tanto por este momento...
Um azul sem brilho a fluir no horizonte...uma luz morta a encendiar a noite...
E fui para sempre...não quis voltar...esqueci o passado...deixei as sombras perdidas no deserto...
As peças encaixaram-se todas e o espelho quebrou-se de novo...
Gotas de sangue arrancadas no chão...
Vi-te...encontrei-te...perdi-te...
Ao ver-te senti que os meus pés já não tocavam o chão...as minhas mãos eram agora meros reflexos da minha alma vazia...
Quis tocar-te...sentir-te de novo...mas não sei se era eu que já não conseguia sentir nada...o se eras tu que já havias partido...ou nunca ali tinhas estado...
Tentei construir o meu reflexo nos pedaços do espelho espalhados pelo chão...mas tudo o que vi foi um assombroso sorriso vindo do meu mais profundo pesadelo...
Sei que morri...tinha que morrer...tinha que me libertar do peso desta existência ...
E depois..a sensação doce do vazio...da liberdade...da eternidade...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

"Love is the red of the rose on your coffin door...What's life like, bleeding on the floor..."


Calm...storm...luxury...dust...
Silence...screams...agony …
Who am I now?
A Ghost...a shadow...
An empty soul lost with no shelter...
And I die…I die once again…
Fear…pain…pleasure...
I tremble…I shiver…
I cry…I bleed…
Like a crimson book…opened in a random page…
Like a lonely moonlight in an deep instant…
Like a rose fallen from heaven…
Like an angel sleeping at the cemetery gate…
Like a star that cannot shine…
Like your smile lost forever…your hands cold as ice…
Like my voice…clamming your name in the darkness…
Like my party dress floating in the lake…
Like that endless song…
Like your blood in my skin…
Like a long lost picture of your face…
Like these hurtful dreams…
Who am I now?
Who are you now?
Whispers...secrets...
Shadows in a forgotten valley...

Prelúdio de uma morte...


Antes que o tempo morra e a luz penetre os nossos olhares cansados...antes que a tua imagem saia da minha memória e o meu sangue seja o teu sangue...antes que o novo dia vazio regresse para nos assombrar ...e a dor... a dor que fica... seja tão poderosa que nada mais seja doloroso o suficiente para nos sufocar...antes que as luzes de presença sejam ligadas...antes de hoje....antes do fim...antes de um minuto em que o ar se esgota...antes que regresses ao tempo perdido dos amanheceres ilusórios...
Agradece a dor...
Agradece o vazio...morre... morre... morre...morre para renasceres...
Vão encontrar-te no final da festa...perdido entre os restos de felicidade imaginária...
Sentes esta chuva que cai agora sobre nós?
Consegues ver o sofrimento esculpido no horizonte?
Não, não foste tu...nem tão pouco fui eu...
Não, não é um pesadelo...nem uma ilusão...
Vê o teu nome escrito na frieza desta pedra sepulcral...
Vê o sangue que escorre nas tuas mãos...
Ouve os pássaros feridos que entoam o pranto das horas desesperadas...
Chegou a hora ....e antes que passemos a fronteira da sanidade...pintemos de vermelho as rosas que choram caídas no chão...deixemos que elas embalem a nossa solidão...
Caminhamos eternamente...
Eles ficaram para trás...observa-los ao longe...
Deixa-te agora apenas abraçar por este luar nu...
Dancemos agora para sempre neste vale de anjos adormecidos no pó...