As frases que escrevo estão a ficar extremamente vazias…baças…sem sentimento…sem significado…
As frases que escrevo agora…para nada servem…assumem-se como inúteis e assim permanecem…sem sequer se importarem…e eu, perante elas, sou impotente, nada posso…
"What are these barriers that keep people from reaching anywhere near their real potential? The answer to that can be found in another question and that's this: Which is the most universal human characteristic: fear, or laziness?" Waking Life
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Aquela música no fundo da rua transportou-me de repente para um lugar conhecido que eu há muito abandonara…e eu percorri o tempo…revoltei os dias…parei naquele instante exacto… no minuto que já passara…por entre as luzes do passado eu me confrontei com tudo o que eu fizera…
Gosto de pensar, que, a partir de um certo momento as coisas estão fora do meu controlo…eu posso até conduzi-las até uma determinada altura…mas depois elas soltam-se desenfreadas das minhas mãos…era nisso em que pensava naquele dia ao descer aquela rua e ao ouvir aquela música…
As coisas por si só são apenas coisas…mas a memória transfigura tudo...foi isso que me fez parar e ouvir aquela música com mais atenção…a música remexia nas minhas memórias…estava ligada a mim de algum jeito…
Depois comecei a pensar que eu vivia demasiado de memórias…e afastei-me á pressa dali…
Quem se alimenta demasiado do passado – como eu – perde imensas coisas do presente…apercebi-me quando verifiquei que as minhas memórias recentes eram apenas memórias de estar a relembrar alguma coisa…ou seja, memórias de memórias…percebi que estava a entrar num ciclo vicioso…
Quando não se consegue escrever mais nada...fica apenas isto...um esboço do que poderia ter sido...mas evidentemente nunca será...
Gosto de pensar, que, a partir de um certo momento as coisas estão fora do meu controlo…eu posso até conduzi-las até uma determinada altura…mas depois elas soltam-se desenfreadas das minhas mãos…era nisso em que pensava naquele dia ao descer aquela rua e ao ouvir aquela música…
As coisas por si só são apenas coisas…mas a memória transfigura tudo...foi isso que me fez parar e ouvir aquela música com mais atenção…a música remexia nas minhas memórias…estava ligada a mim de algum jeito…
Depois comecei a pensar que eu vivia demasiado de memórias…e afastei-me á pressa dali…
Quem se alimenta demasiado do passado – como eu – perde imensas coisas do presente…apercebi-me quando verifiquei que as minhas memórias recentes eram apenas memórias de estar a relembrar alguma coisa…ou seja, memórias de memórias…percebi que estava a entrar num ciclo vicioso…
Quando não se consegue escrever mais nada...fica apenas isto...um esboço do que poderia ter sido...mas evidentemente nunca será...
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Desencontro

Passaste por mim a correr numa manha de Outono em que as folhas das árvores cobriam as ruas…vi-te a passar e duvidei logo a seguir que te vira realmente naquele instante…
Posso ter imaginado aquele momento…seria natural que assim tivesse sido…
Ao passar de novo, numa tarde qualquer, por aquelas ruas tão cheias de tudo e vazias para mim…jurei que me esperavas numa esquina escondida perto daquele jardim onde costumávamos ir…e vi-te…mas a seguir dissipaste-te no vento daquele entardecer…
Um dia decidi esperar-te…sentei-me naquele velho banco de madeira…e esperei-te…esperei-te sem fim…horas e horas…até que a manhã se tornasse tarde…e a tarde morresse na noite…e ao esperar-te soube desde o início que não virias…
Mas esperei-te como quem espera que algo aconteça mesmo sem saber bem o quê…
Esperar-te com a certeza de que não aparecerias era uma forma de me enganar com uma mentira na qual eu no fundo não me iludia demasiado…
Quando a noite caiu levemente nas copas das árvores…fui embora sem olhar para trás…
Imaginei naquele momento, que ao ir embora tu chegarias…que te sentarias no mesmo banco…e ficarias ali…horas e horas a olhar em redor…á espera…
Ficarias ali...a esquecer o tempo...e a noite tornar-se-ia em manhã…e a manhã daria lugar á tarde…e ao anoitecer partirias com o cansaço de uma espera sem resposta…
Partirias … para que quando eu voltasse já não estivesses lá…
Posso ter imaginado aquele momento…seria natural que assim tivesse sido…
Ao passar de novo, numa tarde qualquer, por aquelas ruas tão cheias de tudo e vazias para mim…jurei que me esperavas numa esquina escondida perto daquele jardim onde costumávamos ir…e vi-te…mas a seguir dissipaste-te no vento daquele entardecer…
Um dia decidi esperar-te…sentei-me naquele velho banco de madeira…e esperei-te…esperei-te sem fim…horas e horas…até que a manhã se tornasse tarde…e a tarde morresse na noite…e ao esperar-te soube desde o início que não virias…
Mas esperei-te como quem espera que algo aconteça mesmo sem saber bem o quê…
Esperar-te com a certeza de que não aparecerias era uma forma de me enganar com uma mentira na qual eu no fundo não me iludia demasiado…
Quando a noite caiu levemente nas copas das árvores…fui embora sem olhar para trás…
Imaginei naquele momento, que ao ir embora tu chegarias…que te sentarias no mesmo banco…e ficarias ali…horas e horas a olhar em redor…á espera…
Ficarias ali...a esquecer o tempo...e a noite tornar-se-ia em manhã…e a manhã daria lugar á tarde…e ao anoitecer partirias com o cansaço de uma espera sem resposta…
Partirias … para que quando eu voltasse já não estivesses lá…
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Hoje sinto-me…
Ou será que não me sinto?
Hoje ouço todas as palavras que nunca antes eu tinha conseguido ouvir…e sinto-as como nunca as tinha sentido…vejo-as na sua plenitude…
Vezes sem conta digo a mim mesma que estou a enlouquecer…ou deveria dizer para não me preocupar que não estou a enlouquecer?
E tudo segue o seu curso certo…e eu sinto que estou a perder o controlo dos meus passos…
Hoje definitivamente não me sinto! Não estou em mim…não compreendo o vazio que me devora silenciosamente…
Olho á volta…e sinto o caos a instalar-se em todos os pormenores que me rodeiam…
Está aí alguém?
Eu não estou….
Procuro incessantemente por algum sinal…uma reacção …
Apenas palavras se elevam dos destroços no chão…e me fitam…
Dia após dia a minha razão de desmorona um pouco mais…
Ou será que não me sinto?
Hoje ouço todas as palavras que nunca antes eu tinha conseguido ouvir…e sinto-as como nunca as tinha sentido…vejo-as na sua plenitude…
Vezes sem conta digo a mim mesma que estou a enlouquecer…ou deveria dizer para não me preocupar que não estou a enlouquecer?
E tudo segue o seu curso certo…e eu sinto que estou a perder o controlo dos meus passos…
Hoje definitivamente não me sinto! Não estou em mim…não compreendo o vazio que me devora silenciosamente…
Olho á volta…e sinto o caos a instalar-se em todos os pormenores que me rodeiam…
Está aí alguém?
Eu não estou….
Procuro incessantemente por algum sinal…uma reacção …
Apenas palavras se elevam dos destroços no chão…e me fitam…
Dia após dia a minha razão de desmorona um pouco mais…
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Eu poderia ter continuado em frente…o tempo apaga tudo não é?
Poderia não ter olhado para trás…poderia ter deixado as peças caídas no chão…
E aquele dia atropela-me hoje…
E não sei mais o que fazer…
Não sei se fui eu que desejei isto tanto que acabou por acontecer…
E eu tentei apagar as memórias, a sério que tentei…
As vezes imagino que nunca exististe…que foste apenas um pesadelo que tive…
Se ao menos ao não ver-te…eu pudesse esquecer-te…
E não é que a tua felicidade me deixe infeliz…não…
E não é que te odeie…não poderia mesmo que quisesse…mas estou cansada de me torturar…o tempo passa e sinto que estou a perder a noção de tudo…
És …já nem sei o que és…cansei-me de definir-te…ao principio definia-te…e encerrava o assunto… e continuava…e sabia o que eras…mas hoje não te consigo definir…e a sério que já tentei…e como não te consigo definir…sinto-me fustigada por pensamentos incoerentes…
Estás aí…e eu estou aqui…e as coisas parecem estar na perfeita harmonia…dizer que me flagelas a alma por entre esta distância toda, seria demasiado absurdo…não poderia dizer-te isso…
Mas isto tudo por si só é absurdo…eu escrever isto....
Poderia não ter olhado para trás…poderia ter deixado as peças caídas no chão…
E aquele dia atropela-me hoje…
E não sei mais o que fazer…
Não sei se fui eu que desejei isto tanto que acabou por acontecer…
E eu tentei apagar as memórias, a sério que tentei…
As vezes imagino que nunca exististe…que foste apenas um pesadelo que tive…
Se ao menos ao não ver-te…eu pudesse esquecer-te…
E não é que a tua felicidade me deixe infeliz…não…
E não é que te odeie…não poderia mesmo que quisesse…mas estou cansada de me torturar…o tempo passa e sinto que estou a perder a noção de tudo…
És …já nem sei o que és…cansei-me de definir-te…ao principio definia-te…e encerrava o assunto… e continuava…e sabia o que eras…mas hoje não te consigo definir…e a sério que já tentei…e como não te consigo definir…sinto-me fustigada por pensamentos incoerentes…
Estás aí…e eu estou aqui…e as coisas parecem estar na perfeita harmonia…dizer que me flagelas a alma por entre esta distância toda, seria demasiado absurdo…não poderia dizer-te isso…
Mas isto tudo por si só é absurdo…eu escrever isto....
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Não tem que haver uma lógica, pois não?
Eu posso estar aqui agora e achar isto tudo á minha volta extremamente estranho…mas no entanto isto ser puramente natural…
Eu não tenho que ter sempre palavras para descrever o que sinto, pois não?
Eu posso simplesmente permanecer no silêncio e continuar a sentir imenso…se eu disser alguma coisa vou estar a limitar o que sinto…escolher uma palavra em vez de outra…muda tudo…
Eu não sei…a sério que não sei…as ideias estão desarrumadas na minha cabeça…eu penso mas não digo…e digo mas não penso…e outras vezes digo exactamente o que penso e penso exactamente o que digo…e não sei se alguém consegue notar a diferença…
Somos tão vazios…vazios… e em simultâneo tão complexos…caminhamos no tempo…e o tempo caminha em nós…caminhamos por vezes tão iludidos a pensar que estamos a enganar os outros…quando na verdade só nos estamos a enganar a nós próprios…
E eu por vezes não sei o que fazer…mesmo havendo tanto para fazer…eu poderia me levantar agora…sair de casa e fazer imensas coisas…dizer palavras que guardo na minha cabeça…poderia mudar o rumo deste momento…segundo a segundo…a vida delineia-se nas escolhas que vamos fazendo…grandes escolhas…e algumas mesmo muito pequenas…como eu escolher permanecer aqui a escrever isto…ou de repente parar e o texto ficar exactamente aqui…e levantar-me e ir fazer outra coisa qualquer…a sucessão das coisas seria diferente? Eu amanhã seria uma pessoa como memórias diferentes?
Eu vejo-me de dois lados…observo-me ao longe a ser a pessoa que sou com as coisas que faço…e vejo-me de outro lado…com outras possibilidades…outros caminhos que eu poderia ter escolhido…
E isto tudo não tem que ter uma lógica…quer dizer podia ter até um certo período de tempo…mas depois começa a ficar incómodo…e eu não sei…não sei sequer já o que estou a escrever…não sei já o que penso…as minhas ideias estão atordoadas …presas numa gaveta que não consigo abrir…
Ouve-se ao longe um ruído mudo ensurdecedor… e eu penso em tudo…e no momento em que penso em tudo…não penso em rigorosamente nada…
Passos…passos e mais passos que me perseguem na escuridão…e eu grito…grito sem que consiga emitir algum som…
Não há lógica nestes dias repletos de coisa alguma… e há ainda tanta coisa que eu não consigo dizer ou fazer…há ainda tanta coisa que me prende sem me agarrar…
Nestes dias tenho-me questionado coisas para as quais não tento arranjar uma resposta…não quero sequer saber a resposta…se ao menos eu soubesse menos respostas…talvez eu vivesse mais tranquila…de olhos fechados…presa na apatia da inconsciência…
E não tem que haver uma lógica nas coisas…não poderia haver…
Eu posso estar aqui agora e achar isto tudo á minha volta extremamente estranho…mas no entanto isto ser puramente natural…
Eu não tenho que ter sempre palavras para descrever o que sinto, pois não?
Eu posso simplesmente permanecer no silêncio e continuar a sentir imenso…se eu disser alguma coisa vou estar a limitar o que sinto…escolher uma palavra em vez de outra…muda tudo…
Eu não sei…a sério que não sei…as ideias estão desarrumadas na minha cabeça…eu penso mas não digo…e digo mas não penso…e outras vezes digo exactamente o que penso e penso exactamente o que digo…e não sei se alguém consegue notar a diferença…
Somos tão vazios…vazios… e em simultâneo tão complexos…caminhamos no tempo…e o tempo caminha em nós…caminhamos por vezes tão iludidos a pensar que estamos a enganar os outros…quando na verdade só nos estamos a enganar a nós próprios…
E eu por vezes não sei o que fazer…mesmo havendo tanto para fazer…eu poderia me levantar agora…sair de casa e fazer imensas coisas…dizer palavras que guardo na minha cabeça…poderia mudar o rumo deste momento…segundo a segundo…a vida delineia-se nas escolhas que vamos fazendo…grandes escolhas…e algumas mesmo muito pequenas…como eu escolher permanecer aqui a escrever isto…ou de repente parar e o texto ficar exactamente aqui…e levantar-me e ir fazer outra coisa qualquer…a sucessão das coisas seria diferente? Eu amanhã seria uma pessoa como memórias diferentes?
Eu vejo-me de dois lados…observo-me ao longe a ser a pessoa que sou com as coisas que faço…e vejo-me de outro lado…com outras possibilidades…outros caminhos que eu poderia ter escolhido…
E isto tudo não tem que ter uma lógica…quer dizer podia ter até um certo período de tempo…mas depois começa a ficar incómodo…e eu não sei…não sei sequer já o que estou a escrever…não sei já o que penso…as minhas ideias estão atordoadas …presas numa gaveta que não consigo abrir…
Ouve-se ao longe um ruído mudo ensurdecedor… e eu penso em tudo…e no momento em que penso em tudo…não penso em rigorosamente nada…
Passos…passos e mais passos que me perseguem na escuridão…e eu grito…grito sem que consiga emitir algum som…
Não há lógica nestes dias repletos de coisa alguma… e há ainda tanta coisa que eu não consigo dizer ou fazer…há ainda tanta coisa que me prende sem me agarrar…
Nestes dias tenho-me questionado coisas para as quais não tento arranjar uma resposta…não quero sequer saber a resposta…se ao menos eu soubesse menos respostas…talvez eu vivesse mais tranquila…de olhos fechados…presa na apatia da inconsciência…
E não tem que haver uma lógica nas coisas…não poderia haver…
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Pergunto-me quanto tempo vais precisares para te aperceberes que a casa está vazia? Para te aperceberes que não está mais ninguém aqui? Quanto tempo mais vais precisar para perceberes que as tuas perguntas não têm respostas? Que estás dentro de um quadro inacabado repleto de monólogos vãos? Quanto tempo mais ainda vais ficar aí, sabendo que nada mais há a fazer?
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Tudo é pesado quando estamos cansados…tudo é escuro quando apagamos a luz…Tudo fica longe quando nos afastamos…
Não há volta a dar…não consigo regressar para onde fui…nada posso ou quero fazer para alterar esta situação …os dias estão a ficar extremamente distantes…sem referências…
Vou deixar tudo para trás e não me importar…
Não sei mais quem sou…nem como estou agora…sou apenas uma mágoa vã e dolorosa…
Se houve dias em que te vi, te senti…perdi-os todos…
Longe…perto…não sei bem…
Se por vezes não te olhei…não foi porque não te visse, foi simplesmente porque me doía demasiado olhar-te…
Deixei-te…
Parti sem te dizer para onde…
Mudei o destino…
Entrei numa história que não era a minha…e sem remorsos…sem lembranças continuei, deixando-te para trás…
Foi o fim…eu sei…
Vou deixar tudo para trás e não me importar…
Não sei mais quem sou…nem como estou agora…sou apenas uma mágoa vã e dolorosa…
Se houve dias em que te vi, te senti…perdi-os todos…
Longe…perto…não sei bem…
Se por vezes não te olhei…não foi porque não te visse, foi simplesmente porque me doía demasiado olhar-te…
Deixei-te…
Parti sem te dizer para onde…
Mudei o destino…
Entrei numa história que não era a minha…e sem remorsos…sem lembranças continuei, deixando-te para trás…
Foi o fim…eu sei…
quarta-feira, 30 de abril de 2008

Os teus olhos sangram…caminhas nas longas noites de tempestade á procura de algo que não quer ser encontrado por ti…
A escuridão é o teu único abrigo…nela permaneces em silêncio…e observas o teu túmulo envelhecido no pó…
Nada mais é igual…nada mais é o que era…a realidade já não te pertence…ainda que a teu espectro vagueie por aí…sem rumo… em passos melancólicos de solidão…
A escuridão é o teu único abrigo…nela permaneces em silêncio…e observas o teu túmulo envelhecido no pó…
Nada mais é igual…nada mais é o que era…a realidade já não te pertence…ainda que a teu espectro vagueie por aí…sem rumo… em passos melancólicos de solidão…
quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ás vezes permanecemos em silêncio muito tempo…tempo demais até…e um dia decidimos falar…falar bem alto para que todos nos ouçam…um dia rompemos conosco próprios e gritamos bem alto tudo o que guardámos cá dentro durante uma vida inteira… e nesse dia nascemos de novo…sem a alma dormente e o corpo cansado…
Acordei…era um novo dia…foi mais uma vez só um sonho mau…
…
Ainda me lembro do momento exacto que desencadeou tudo isto…um momento tão ridículo que se eu o contasse agora, todos o iam achar tão inútil…incapaz de ser a causa de algo que permanece no tempo…
Se eu ouvisse outra pessoa contar…eu própria acharia ridículo…
Mas eu não sei…ou talvez saiba e não queira admitir que eu podia ter evitado tudo isto…talvez se tivesse ignorado tudo…seguido em frente…sem olhar para mais nada…
Mas agora é tarde…mesmo tarde…não que alguma vez tivesse sido cedo…mas hoje definitivamente é tarde…
Eu acho que já esgotei todas as palavras para descrever isto…isto…que já nem sei o que é…um sentimento…uma doença…algo sem o qual já não consigo viver…mas que me consome…mais e mais…
Não sei…antes acho que havia vezes em que eu ainda me perdia em palavras e frases que descreviam o que eu sentia…mas depois de tanto tempo…estou vazia de descrições…
As descrições esgotaram…e foram tantas…e funcionavam…mas nunca foram muito longe…eram baças…
Outras vezes perdia-me em frases choradas…como quem agarra nas lágrimas e lhes retira palavras…
Mas as frases “choradas” depressa se tornaram inúteis como tudo o resto…
Tentei queimar coisas…objectos…memórias…nomes…sons…imagens…juntei-os todos e atirei-os para a fogueira enfurecida dos dias…mas as chamas consumiram-se rapidamente sem destruir completamente tudo o que queria destruir…
Depois tentei a raiva…a fúria… o ódio…e usei-os durante muito tempo…alimentava-os todos os dias…e cresciam cada vez mais…depois até esses se tornaram meras máscaras sem expressão…
Passei depois por tempos em que me convenci (em vão) do esquecimento…foi dificilmente fácil…
Hoje não sei…a sério que não sei…tentei apatia…desprezo…e não consegui resistir a um bom desespero…a um sofrimento bem profundo…sempre dolorosamente familiar…
Até já me tentei convencer da ideia …cheguei a um momento em que me quis fazer acreditar que conseguia viver bem com a ideia…mas a aceitação era demasiado inerte…não corroía nada…era aborrecida…previsível …
É desesperante…sim…eu sei…mas não consigo evitar, no entanto, no final, divertir-me com isto…
Se eu ouvisse outra pessoa contar…eu própria acharia ridículo…
Mas eu não sei…ou talvez saiba e não queira admitir que eu podia ter evitado tudo isto…talvez se tivesse ignorado tudo…seguido em frente…sem olhar para mais nada…
Mas agora é tarde…mesmo tarde…não que alguma vez tivesse sido cedo…mas hoje definitivamente é tarde…
Eu acho que já esgotei todas as palavras para descrever isto…isto…que já nem sei o que é…um sentimento…uma doença…algo sem o qual já não consigo viver…mas que me consome…mais e mais…
Não sei…antes acho que havia vezes em que eu ainda me perdia em palavras e frases que descreviam o que eu sentia…mas depois de tanto tempo…estou vazia de descrições…
As descrições esgotaram…e foram tantas…e funcionavam…mas nunca foram muito longe…eram baças…
Outras vezes perdia-me em frases choradas…como quem agarra nas lágrimas e lhes retira palavras…
Mas as frases “choradas” depressa se tornaram inúteis como tudo o resto…
Tentei queimar coisas…objectos…memórias…nomes…sons…imagens…juntei-os todos e atirei-os para a fogueira enfurecida dos dias…mas as chamas consumiram-se rapidamente sem destruir completamente tudo o que queria destruir…
Depois tentei a raiva…a fúria… o ódio…e usei-os durante muito tempo…alimentava-os todos os dias…e cresciam cada vez mais…depois até esses se tornaram meras máscaras sem expressão…
Passei depois por tempos em que me convenci (em vão) do esquecimento…foi dificilmente fácil…
Hoje não sei…a sério que não sei…tentei apatia…desprezo…e não consegui resistir a um bom desespero…a um sofrimento bem profundo…sempre dolorosamente familiar…
Até já me tentei convencer da ideia …cheguei a um momento em que me quis fazer acreditar que conseguia viver bem com a ideia…mas a aceitação era demasiado inerte…não corroía nada…era aborrecida…previsível …
É desesperante…sim…eu sei…mas não consigo evitar, no entanto, no final, divertir-me com isto…
terça-feira, 22 de abril de 2008
"Rodeada de caras familiares sem nome"
Eu acho que não me encontro aqui...já me procurei...mas nao estou em lugar nenhum...fui a todos os lugares onde costumava estar...e não estava lá...depois desisti de me procurar e vi-me ao longe num lugar sem memória...eu nao queria...nada fiz para que isso acontecesse...mas a verdade é que nada fiz para o evitar...eu caminhei...caminhei muito por sitios e misturei-me com pessoas...pessoas reais e normais... pessoas com passos certos e seguros pela rua…e desejei ser como eles….caminhar assim sem medo…sem perturbações….sem impedimentos…sem desesperos…sem dúvidas…caminhar apenas por caminhar…apenas porque se se tem pernas é para caminhar…segui-os…caminhei ao lado deles...assumi a mesma máscara que eles...e fui com eles até sítios reais preenchidos de situações normais…nada poderia falhar…se eu me observasse ao longe na multidão não me reconheceria…o disfarce era perfeito… mas, no entanto, não passava disso mesmo, um disfarce…
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O teu olhar já nada me diz...
O teu olhar já nada me diz…nem um gesto, nem um arrepio…
O vento da madrugada gelou a minha alma…e tento pensar que nunca estiveste aqui…
O teu olhar já nada esconde…
Enquanto caminho sem rumo pelo espaço nu de qualquer sítio que nem sei se é real, observo-te a caminhar ao meu lado sem razão aparente…
Esqueci os dias, as horas, os momentos que adormecerem em mim…morri das palavras ditas…dos caminhos percorridos…
O teu olhar já nada me diz…e diz-me tudo o que jamais podia ter dito antes…
Continuo sem saber se te vejo ou se crio a tua imagem em mim…continuo sem saber se te encontro ou se te procuro…continuo sem saber se falas comigo ou se permaneces aí no silêncio…
O teu olhar já nada me diz…
Percorro a noite, a madrugada que me devora…com a vontade de me desprender da minha pele…
Mas o teu olhar já nada me diz…e mesmo se ainda dissesse, eu já não estaria aqui para ouvir…fiquei parada naquele dia…naquele momento…
È inútil…desnecessário…o que faças ou digas…é inútil que me culpes e que eu me culpe…
O teu olhar já nada me diz…excepto esta tortura… esta culpa…que me persegue dia após dia…e grito agora, mesmo neste silêncio abrupto, que desejo caminhar agora sem mais olhar para trás…sem ver aquele momento vezes sem conta a acontecer…
O teu olhar já nada me diz…silenciei-o em mim…
O vento da madrugada gelou a minha alma…e tento pensar que nunca estiveste aqui…
O teu olhar já nada esconde…
Enquanto caminho sem rumo pelo espaço nu de qualquer sítio que nem sei se é real, observo-te a caminhar ao meu lado sem razão aparente…
Esqueci os dias, as horas, os momentos que adormecerem em mim…morri das palavras ditas…dos caminhos percorridos…
O teu olhar já nada me diz…e diz-me tudo o que jamais podia ter dito antes…
Continuo sem saber se te vejo ou se crio a tua imagem em mim…continuo sem saber se te encontro ou se te procuro…continuo sem saber se falas comigo ou se permaneces aí no silêncio…
O teu olhar já nada me diz…
Percorro a noite, a madrugada que me devora…com a vontade de me desprender da minha pele…
Mas o teu olhar já nada me diz…e mesmo se ainda dissesse, eu já não estaria aqui para ouvir…fiquei parada naquele dia…naquele momento…
È inútil…desnecessário…o que faças ou digas…é inútil que me culpes e que eu me culpe…
O teu olhar já nada me diz…excepto esta tortura… esta culpa…que me persegue dia após dia…e grito agora, mesmo neste silêncio abrupto, que desejo caminhar agora sem mais olhar para trás…sem ver aquele momento vezes sem conta a acontecer…
O teu olhar já nada me diz…silenciei-o em mim…
quarta-feira, 19 de março de 2008
Mundo Permeável...
Criei um mundo para mim…mas era um mundo permeável…e a chuva e o vento vieram e destruíram-no…destruíram-no sem que tenha havido um momento em que ele resistisse…cedeu logo ali ás primeiras intempéries sem reagir…
É inútil lutar por algo que não luta por si só…
Naquele dia ao cair da tarde percorri aquela rua que ia dar ao sítio mais longínquo do meu imaginário…
Janelas e portas fechadas á minha passagem…e não encontrei a consistência da minha presença…
Vou de novo fazer com que o relógio pare nas 6 horas da tarde e esquecer que o tempo vai continuar de passar…
É inútil lutar por algo que não luta por si só…
Naquele dia ao cair da tarde percorri aquela rua que ia dar ao sítio mais longínquo do meu imaginário…
Janelas e portas fechadas á minha passagem…e não encontrei a consistência da minha presença…
Vou de novo fazer com que o relógio pare nas 6 horas da tarde e esquecer que o tempo vai continuar de passar…
quarta-feira, 12 de março de 2008
terça-feira, 11 de março de 2008
É fácil para ti dizeres o que dizes aí a essa distância…e é mais fácil para mim ficar aqui apenas a ouvir-te ao longe sem dizer uma única palavra…
Eu sei que tu preferias que te acusasse…que te culpasse por tudo…mas é mais seguro para mim ficar aqui sem nenhuma reacção…
Eu não posso compreender-te…não sei talvez entender que por de trás da tua existência está algo mais…sinto-me cega na tua presença…
Eu quero que me abandones…que me desprezes…porque eu também te abandonei…e também te desprezei…na vida nada fica sem resposta…
Não preciso que inventes uma historia qualquer sobre um final feliz onde tudo se resolve…não preciso que te esforces para ocultar as palavras dolorosas…
Tu não me compreendes e eu não te compreendo…e a nossa vivência é vazia e infeliz…
Torturas-me por te ter deixado partir…sem nada dizer…e agora aí a essa distância consegues acreditar que as coisas podiam ter sido diferentes…
E eu agora aqui….bem longe de tudo…não quero voltar atrás…
Eu não sei onde estás agora…talvez não tenha coragem de te procurar com medo de te encontrar…
Tu não sabes onde eu estou agora…deixei escrito no vento daquele dia de verão o meu destino…mas não mais esse vento ousou vaguear perto de ti…
Não sabemos onde estamos…um dia ia a passar por uma rua qualquer sem nome ou memória e pareceu-me ouvir as nossas vozes…pareceu-me ver-nos até…sombras insistentes num cair da tarde monótono… depois pareceu-me ver-nos dissipar num sofro de inexistência…e se um dia voltares a esse sitio e, assim de mansinho conseguires vislumbrar-nos…assim distantes…quero que libertes essa imagem de ti e a deixes desvanecer-se no ar cru da realidade…
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Combinámos no sítio de sempre…á hora de sempre…
As horas passaram desenfreadamente …mas eu achei que o tempo tinha parado…
No final senti que aquele momento não tinha acontecido…que nós não tínhamos sequer existido…
A vida tal como ela é… terminou…não que tenha havido necessariamente um momento em que eu vi tudo o que existia desabar ali á minha frente, qual castelo de cartas…foi um processo gradual…dia após dia eu observei essa mudança…que culminou num dia em que me apercebi que todos os dias até àquele dia tinham acabado…tinham-se esgotado…eram poeira inútil acumulada no tempo…vi que tudo o que eu havia sido antes era apenas uma ilusão…um sonho que tive…mas nesse dia, sim… nesse dia a mentira forçou-me a encarar a verdade…a verdade pura da minha existência… e tudo o que ficara para trás......tudo fora uma miragem…
Sim…combinámos no sitio de sempre…na hora de sempre…mas o sitio de sempre já não era o mesmo…e a hora de sempre havia mudado…
As horas passaram desenfreadamente …mas eu achei que o tempo tinha parado…
No final senti que aquele momento não tinha acontecido…que nós não tínhamos sequer existido…
A vida tal como ela é… terminou…não que tenha havido necessariamente um momento em que eu vi tudo o que existia desabar ali á minha frente, qual castelo de cartas…foi um processo gradual…dia após dia eu observei essa mudança…que culminou num dia em que me apercebi que todos os dias até àquele dia tinham acabado…tinham-se esgotado…eram poeira inútil acumulada no tempo…vi que tudo o que eu havia sido antes era apenas uma ilusão…um sonho que tive…mas nesse dia, sim… nesse dia a mentira forçou-me a encarar a verdade…a verdade pura da minha existência… e tudo o que ficara para trás......tudo fora uma miragem…
Sim…combinámos no sitio de sempre…na hora de sempre…mas o sitio de sempre já não era o mesmo…e a hora de sempre havia mudado…
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Resoluções...
Eu sempre gostei de pensar que conseguia resolver as coisas… sempre achei que resolvia as coisas…mas quanto mais penso na resolução das coisas…menos as resolvo…a minha mente devora-me numa corrida desenfreada rumo ao delírio…e eu não resolvo as coisas…as folhas de papel amontoam-se pelo meu quarto…e não estão resolvidas…
De facto eu não resolvo nada…procuro apenas saciar-me com o prazer de coisas momentâneas… imediatas…e as coisas imediatas, são isso mesmo: imediatas…efémeras…
E as palavras…as palavras por si só não resolvem nada…não provocam frio nem calor…não param o trânsito…não molham…não queimam…são inúteis…
Os sentimentos…esses nem tentam resolver nada…acomodam-se a um canto como sacos velhos cheios de coisas que já não usamos…mas que teimamos em guardar porque um dia acreditamos que vamos precisar delas…
Eu gostava de resolver as coisas…fazer uma lista de tudo…e resolve-las uma por uma…e depois arranjar novas coisas para resolver…e viver para sempre neste ciclo de resoluções…mas iam haver sempre coisas por resolver…e eu ia ficar igual ao que estou agora…com coisas por resolver…
Afinal no que diferem as coisas resolvidas das coisas por resolver? O que decide se as coisas estão resolvidas? Ou se não estão?
Passei a tarde toda a pensar… e não pensei em nada…muito menos resolvi alguma coisa…
De facto eu não resolvo nada…procuro apenas saciar-me com o prazer de coisas momentâneas… imediatas…e as coisas imediatas, são isso mesmo: imediatas…efémeras…
E as palavras…as palavras por si só não resolvem nada…não provocam frio nem calor…não param o trânsito…não molham…não queimam…são inúteis…
Os sentimentos…esses nem tentam resolver nada…acomodam-se a um canto como sacos velhos cheios de coisas que já não usamos…mas que teimamos em guardar porque um dia acreditamos que vamos precisar delas…
Eu gostava de resolver as coisas…fazer uma lista de tudo…e resolve-las uma por uma…e depois arranjar novas coisas para resolver…e viver para sempre neste ciclo de resoluções…mas iam haver sempre coisas por resolver…e eu ia ficar igual ao que estou agora…com coisas por resolver…
Afinal no que diferem as coisas resolvidas das coisas por resolver? O que decide se as coisas estão resolvidas? Ou se não estão?
Passei a tarde toda a pensar… e não pensei em nada…muito menos resolvi alguma coisa…
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