quarta-feira, 30 de abril de 2008


Os teus olhos sangram…caminhas nas longas noites de tempestade á procura de algo que não quer ser encontrado por ti…
A escuridão é o teu único abrigo…nela permaneces em silêncio…e observas o teu túmulo envelhecido no pó…
Nada mais é igual…nada mais é o que era…a realidade já não te pertence…ainda que a teu espectro vagueie por aí…sem rumo… em passos melancólicos de solidão…

quarta-feira, 23 de abril de 2008



Ás vezes permanecemos em silêncio muito tempo…tempo demais até…e um dia decidimos falar…falar bem alto para que todos nos ouçam…um dia rompemos conosco próprios e gritamos bem alto tudo o que guardámos cá dentro durante uma vida inteira… e nesse dia nascemos de novo…sem a alma dormente e o corpo cansado…

Acordei…era um novo dia…foi mais uma vez só um sonho mau…

Ainda me lembro do momento exacto que desencadeou tudo isto…um momento tão ridículo que se eu o contasse agora, todos o iam achar tão inútil…incapaz de ser a causa de algo que permanece no tempo…
Se eu ouvisse outra pessoa contar…eu própria acharia ridículo…
Mas eu não sei…ou talvez saiba e não queira admitir que eu podia ter evitado tudo isto…talvez se tivesse ignorado tudo…seguido em frente…sem olhar para mais nada…
Mas agora é tarde…mesmo tarde…não que alguma vez tivesse sido cedo…mas hoje definitivamente é tarde…
Eu acho que já esgotei todas as palavras para descrever isto…isto…que já nem sei o que é…um sentimento…uma doença…algo sem o qual já não consigo viver…mas que me consome…mais e mais…
Não sei…antes acho que havia vezes em que eu ainda me perdia em palavras e frases que descreviam o que eu sentia…mas depois de tanto tempo…estou vazia de descrições…
As descrições esgotaram…e foram tantas…e funcionavam…mas nunca foram muito longe…eram baças…
Outras vezes perdia-me em frases choradas…como quem agarra nas lágrimas e lhes retira palavras…
Mas as frases “choradas” depressa se tornaram inúteis como tudo o resto…
Tentei queimar coisas…objectos…memórias…nomes…sons…imagens…juntei-os todos e atirei-os para a fogueira enfurecida dos dias…mas as chamas consumiram-se rapidamente sem destruir completamente tudo o que queria destruir…
Depois tentei a raiva…a fúria… o ódio…e usei-os durante muito tempo…alimentava-os todos os dias…e cresciam cada vez mais…depois até esses se tornaram meras máscaras sem expressão…
Passei depois por tempos em que me convenci (em vão) do esquecimento…foi dificilmente fácil…
Hoje não sei…a sério que não sei…tentei apatia…desprezo…e não consegui resistir a um bom desespero…a um sofrimento bem profundo…sempre dolorosamente familiar…
Até já me tentei convencer da ideia …cheguei a um momento em que me quis fazer acreditar que conseguia viver bem com a ideia…mas a aceitação era demasiado inerte…não corroía nada…era aborrecida…previsível …
É desesperante…sim…eu sei…mas não consigo evitar, no entanto, no final, divertir-me com isto…

terça-feira, 22 de abril de 2008

"Rodeada de caras familiares sem nome"

Eu acho que não me encontro aqui...já me procurei...mas nao estou em lugar nenhum...fui a todos os lugares onde costumava estar...e não estava lá...depois desisti de me procurar e vi-me ao longe num lugar sem memória...eu nao queria...nada fiz para que isso acontecesse...mas a verdade é que nada fiz para o evitar...eu caminhei...caminhei muito por sitios e misturei-me com pessoas...pessoas reais e normais... pessoas com passos certos e seguros pela rua…e desejei ser como eles….caminhar assim sem medo…sem perturbações….sem impedimentos…sem desesperos…sem dúvidas…caminhar apenas por caminhar…apenas porque se se tem pernas é para caminhar…segui-os…caminhei ao lado deles...assumi a mesma máscara que eles...e fui com eles até sítios reais preenchidos de situações normais…nada poderia falhar…se eu me observasse ao longe na multidão não me reconheceria…o disfarce era perfeito… mas, no entanto, não passava disso mesmo, um disfarce

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O teu olhar já nada me diz...

O teu olhar já nada me diz…nem um gesto, nem um arrepio…
O vento da madrugada gelou a minha alma…e tento pensar que nunca estiveste aqui…
O teu olhar já nada esconde…
Enquanto caminho sem rumo pelo espaço nu de qualquer sítio que nem sei se é real, observo-te a caminhar ao meu lado sem razão aparente…
Esqueci os dias, as horas, os momentos que adormecerem em mim…morri das palavras ditas…dos caminhos percorridos…
O teu olhar já nada me diz…e diz-me tudo o que jamais podia ter dito antes…
Continuo sem saber se te vejo ou se crio a tua imagem em mim…continuo sem saber se te encontro ou se te procuro…continuo sem saber se falas comigo ou se permaneces aí no silêncio…
O teu olhar já nada me diz…
Percorro a noite, a madrugada que me devora…com a vontade de me desprender da minha pele…
Mas o teu olhar já nada me diz…e mesmo se ainda dissesse, eu já não estaria aqui para ouvir…fiquei parada naquele dia…naquele momento…
È inútil…desnecessário…o que faças ou digas…é inútil que me culpes e que eu me culpe…
O teu olhar já nada me diz…excepto esta tortura… esta culpa…que me persegue dia após dia…e grito agora, mesmo neste silêncio abrupto, que desejo caminhar agora sem mais olhar para trás…sem ver aquele momento vezes sem conta a acontecer…
O teu olhar já nada me diz…silenciei-o em mim…

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mundo Permeável...

Criei um mundo para mim…mas era um mundo permeável…e a chuva e o vento vieram e destruíram-no…destruíram-no sem que tenha havido um momento em que ele resistisse…cedeu logo ali ás primeiras intempéries sem reagir…
É inútil lutar por algo que não luta por si só…
Naquele dia ao cair da tarde percorri aquela rua que ia dar ao sítio mais longínquo do meu imaginário…
Janelas e portas fechadas á minha passagem…e não encontrei a consistência da minha presença…
Vou de novo fazer com que o relógio pare nas 6 horas da tarde e esquecer que o tempo vai continuar de passar…

quarta-feira, 12 de março de 2008

O que eu era…uma ilusão…o que eu sou agora…uma criação…
Não somos sempre a mesma pessoa….a maior parte daquilo que somos é uma criação que dia após dia deixamos sair das nossas mãos…

terça-feira, 11 de março de 2008


É fácil para ti dizeres o que dizes aí a essa distância…e é mais fácil para mim ficar aqui apenas a ouvir-te ao longe sem dizer uma única palavra…
Eu sei que tu preferias que te acusasse…que te culpasse por tudo…mas é mais seguro para mim ficar aqui sem nenhuma reacção…
Eu não posso compreender-te…não sei talvez entender que por de trás da tua existência está algo mais…sinto-me cega na tua presença…
Eu quero que me abandones…que me desprezes…porque eu também te abandonei…e também te desprezei…na vida nada fica sem resposta…
Não preciso que inventes uma historia qualquer sobre um final feliz onde tudo se resolve…não preciso que te esforces para ocultar as palavras dolorosas…
Tu não me compreendes e eu não te compreendo…e a nossa vivência é vazia e infeliz…
Torturas-me por te ter deixado partir…sem nada dizer…e agora aí a essa distância consegues acreditar que as coisas podiam ter sido diferentes…
E eu agora aqui….bem longe de tudo…não quero voltar atrás…
Eu não sei onde estás agora…talvez não tenha coragem de te procurar com medo de te encontrar…
Tu não sabes onde eu estou agora…deixei escrito no vento daquele dia de verão o meu destino…mas não mais esse vento ousou vaguear perto de ti…
Não sabemos onde estamos…um dia ia a passar por uma rua qualquer sem nome ou memória e pareceu-me ouvir as nossas vozes…pareceu-me ver-nos até…sombras insistentes num cair da tarde monótono… depois pareceu-me ver-nos dissipar num sofro de inexistência…e se um dia voltares a esse sitio e, assim de mansinho conseguires vislumbrar-nos…assim distantes…quero que libertes essa imagem de ti e a deixes desvanecer-se no ar cru da realidade…

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Eu não sei se na verdade ainda te vejo aí…

Não é real…e quanto mais penso que não é real, mais real se torna
E quanto mais penso que não estou a viver isto…mas o sinto…

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008


Estou condenada a um desespero contínuo…a não encontrar as coisas que estão terrivelmente fáceis de encontrar …a desejar o infinito inimaginável…e a conquistar o vazio imensurável…

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Combinámos no sítio de sempre…á hora de sempre…
As horas passaram desenfreadamente …mas eu achei que o tempo tinha parado…
No final senti que aquele momento não tinha acontecido…que nós não tínhamos sequer existido…

A vida tal como ela é… terminou…não que tenha havido necessariamente um momento em que eu vi tudo o que existia desabar ali á minha frente, qual castelo de cartas…foi um processo gradual…dia após dia eu observei essa mudança…que culminou num dia em que me apercebi que todos os dias até àquele dia tinham acabado…tinham-se esgotado…eram poeira inútil acumulada no tempo…vi que tudo o que eu havia sido antes era apenas uma ilusão…um sonho que tive…mas nesse dia, sim… nesse dia a mentira forçou-me a encarar a verdade…a verdade pura da minha existência… e tudo o que ficara para trás......tudo fora uma miragem…

Sim…combinámos no sitio de sempre…na hora de sempre…mas o sitio de sempre já não era o mesmo…e a hora de sempre havia mudado

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Resoluções...

Eu sempre gostei de pensar que conseguia resolver as coisas… sempre achei que resolvia as coisas…mas quanto mais penso na resolução das coisas…menos as resolvo…a minha mente devora-me numa corrida desenfreada rumo ao delírio…e eu não resolvo as coisas…as folhas de papel amontoam-se pelo meu quarto…e não estão resolvidas…
De facto eu não resolvo nada…procuro apenas saciar-me com o prazer de coisas momentâneas… imediatas…e as coisas imediatas, são isso mesmo: imediatas…efémeras…
E as palavras…as palavras por si só não resolvem nada…não provocam frio nem calor…não param o trânsito…não molham…não queimam…são inúteis…
Os sentimentos…esses nem tentam resolver nada…acomodam-se a um canto como sacos velhos cheios de coisas que já não usamos…mas que teimamos em guardar porque um dia acreditamos que vamos precisar delas…
Eu gostava de resolver as coisas…fazer uma lista de tudo…e resolve-las uma por uma…e depois arranjar novas coisas para resolver…e viver para sempre neste ciclo de resoluções…mas iam haver sempre coisas por resolver…e eu ia ficar igual ao que estou agora…com coisas por resolver…
Afinal no que diferem as coisas resolvidas das coisas por resolver? O que decide se as coisas estão resolvidas? Ou se não estão?
Passei a tarde toda a pensar… e não pensei em nada…muito menos resolvi alguma coisa…

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Desassossegos apáticos

Dizer que estou bem…é o mesmo que dizer que estou mal…
Digo-o…e a vida continua…
A vida continua como gelo enfraquecido que derrete…
Se eu gritar bem alto na rua que estou mal…será que os carros vão parar?
E se eu gritar que estou bem…será que a chuva começa a cair do nada?
Ás vezes acho que estou a sonhar tudo isto…
Naqueles dias em que o vento teima em incomodar-me… e em que a luz do sol fere-me os olhos…nesses dias o chão do meu quarto parece que se está a afundar… e as paredes reflectem os meus gestos suspensos…e sou uma matéria vã…
Dizer que estou bem ou mal nesses dias…seria limitar todas as minhas emoções e sentimentos…
Falar ou permanecer no silêncio é irrelevante…nada do que eu diga vai alterar o curso dos dias…e o meu silêncio também, só por si nada faz…
Falar ou não dizer absolutamente nada…não diria que é a mesma coisa…mas, na sua essência, ambas as acções são de facto, inúteis…
O relógio da parede está parado há dias nas mesmas horas…e mesmo assim…o tempo continua irremediavelmente a passar …
Dei por mim a falar sozinha na rua a caminho não sei de onde…de que falava eu então?
Não sei…Não consegui ouvir-me…
Eu ficar ou partir …que diferença vai fazer?
Se eu ficar…vou acabar por me aperceber que nada posso fazer pelo quer que seja…não porque não hajam inúmeras coisas que pudesse fazer…mas sei á partida que nada irei fazer, porque, na verdade, prefiro não fazer absolutamente nada…
Se eu partir…acabarei da mesma forma por nada fazer…
As coisas estão mesmo onde não deviam estar…as cores estão trocadas…e os sons não fazem sentido… mesmo agora, neste preciso momento…sei que nada está na ordem correcta…as peças estão todas espalhadas pelo chão…e é tarde…muito, muito tarde para as apanhar…e colocá-las nos lugares certos…e mesmo que elas fossem colocadas no sitio certo…elas já não se saberiam relacionar umas com as outras…
Eu preocupar-me imenso ou não me importar nada…é a mesma coisa…
Se eu me preocupar mesmo a sério…se mostrar com muita força a grande preocupação que sinto será que tudo se vai resolver? Se as coisas seguirem a sua ordem, é obvio que não…tudo ficará igual…ou mudará…sem que a minha preocupação tenha qualquer tipo de interferência…
Se não me importar mesmo nada…é igual…as coisas e acontecimentos e pessoas e…tudo…o que tiver para mudar…mudará… e o que tiver que continuar…continuará…sem que nada, na sua grandeza ou insignificância, tenha alguma alteração drástica por eu não me importar…
Há dias em que fico perplexa a observar algo ao longe que reflecte toda a minha existência…mas depois dissipa-se…
As chamas arrefecem na margem enlouquecida da razão…e as estrelas sucedem-se num céu sem rumo…
Nada está sem remédio…ás vezes no silêncio, ainda me encontro repartida entre dias e noites…
O relógio está parado nas 6 horas…e não é que me importe, porque já nem isso me perturba, um dia ou outro…uma hora a mais…ou a menos….Que diferença fará?
Fechei todas as portas e deixo-as ficar fechadas…inertes…
Deixei a luz partir …
Vou e venho…Nada mais é certo ou errado…
E o vento que colhe agora a minha serenidade…é o mesmo que outrora me embalou em sonhos doces em noites distantes…
Dizer que estou bem ou mal…não faria agora qualquer diferença…

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Regressar a casa…
Porque quando regresso a casa, sou criança outra vez…respiro de novo o ar puro da liberdade…volto a ser livre….as estrelas são mais brilhantes outra vez…tenho de novo a alma limpa….

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sinto necessidade a cada dia de fazer coisas que me façam sentir real…pequenas coisas como andar…abrir a janela…respirar…rodear-me de objectos que me transmitam emoções e sensações…que me liguem á realidade…preciso de me aperceber que adormeci…e acordei passadas umas horas…levantei-me… escolhi coisas para fazer durante as horas em que permaneci acordada…sou uma pessoa normal…e sigo nos dias…sigo na rotina… nada mais sendo do que normal…real…os outros vêem-me, falam comigo…e eu vejo-os e falo com eles…não há nada mais normal do que isto…quando entro numa casa…entro pela porta, não atravesso as paredes…quando ando pelas ruas…caminho…não voo…se está frio…eu sinto frio…se está calor…eu sinto calor…sou uma pessoa normal…então o que pode estar errado?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Nunca te disse para onde ia…talvez no fundo soubesses…mas não te disse…
O vento leva-nos para longe por vezes…mas não tão longe o suficiente para que apaguemos de nós tudo o que ficou para trás…
E eu parti…com tantas dúvidas e tantas certezas…
Por vezes ainda nos encontramos no lugar de sempre…mas eu não te vejo e tu não me vês…caminhamos lado a lado pelas ruas…e jamais trocamos uma palavra sequer…
Eu sei que vais continuar…nunca pararás…mesmo que o peso da dor te fustigue por completo…
Não esperes por mim…eu mergulho agora na estranheza dos dias…
Não esperes por mim…fecho agora todas as janelas e portas que me abrem para a luz…para que te vás…
Não esperes por mim já não sei mais o que dizer …esgotei as frases…os pensamentos…e não disse nada…mesmo agora se tentasse…tudo continuaria na mesma…
Estou tão longe agora…tão longe que parece que tudo passou…tão longe que tudo o que foi, é agora um infinito de imagens intermitentes na minha memoria…
As folhas pouco a pouco espalham-se pelo chão…
caixas de nada fechadas em pequenas gavetas que não ouso abrir…
Os sons sucedem-se num estrondo de nada…estou estática…sem vida…
suspensa entre imensidões de tempo…
Não esperes por mim…quero ouvir os teus passos lá fora em tom de abandono…

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008


Abandonei-te e abandonaste-me…nada mais há a fazer…
Às vezes nem nos apercebemos como estamos obcecados...é como uma doença…mas chega o dia em que aquelas coisas que nós mais queríamos se transformam em simples fragmentos de poeira dos nossos pesadelos…flutuando na noite desenfreada…
Tu estás aí…e eu estou aqui…e entre nós, todo um vácuo de distâncias dispersas…
A nossa solidão não cabe no mundo…e a nossa vida é tremendamente vazia…
Não te encontro…não é que te procure…mas as vezes recordo os dias que acordavam em nós como púrpura caída levemente na seda…mas não te procuro…deixei de te procurar quando ainda te encontrava…
Nós éramos frágeis sombras esvoaçantes…e a nossa frieza era infernal…
Guardei os dias de liberdade…os dias de sonhos…mas vou enterrá-los para sempre…não preciso mais deles…
Dizer-te que tudo foi em vão, seria extremamente cruel...mas agora nada mais me importa…
Esqueci as últimas palavras…vejo-as apenas a pairar por aí no vento calmo do entardecer…
Vagueio ao longe sem rumo…perdida entre a nostalgia das horas…
Sim, agora nada mais me importa…agora os dias nada mais são que árvores mortas…



O Silêncio Do Espelho...

Imagina a tua vida…
Imagina o espelho partido…imagina-te a ver o teu reflexo em pedaços no chão…
Imagina o silêncio…
Imagina a escuridão…
Imagina a dor…
Imagina a solidão…
Imagina um dia que não acaba…um dia que morre numa noite povoada de estrelas mortas…
Imagina um grito…um grito que não se reflecte no espelho quebrado…
Imagina o silêncio do espelho…que dia após dia observa tudo sem nada fazer ou dizer…
Imagina o silêncio do espelho perante o teu sofrimento…perante as tuas lágrimas….
Imagina o silêncio do espelho que, inútil, tudo presencia sem nada sentir…
Imagina-te a ti….imagina este momento…este que está mesmo agora a acontecer…
Sentiste?
Imagina que este mesmo momento ainda não tinha acabado…teria sido diferente?
Imagina o silêncio do espelho que todos os dias te fita do outro lado testemunhando as tuas expressões e movimentos sem nunca demonstrar um único sentimento…uma mísera reacção
Imagina o silêncio do espelho…esse silêncio infernal…que mesmo depois de jazer ali no chão quebrado em pedaços…a única coisa que consegue fazer é reflectir a tua expressão de mágoa …
Imagina a indiferença do espelho, outrora preso imóvel na parede, perante a tua própria indiferença…
Imagina o silêncio do espelho… que todos dias permanece no seu pedestal estático de mundos contrários…

sábado, 12 de janeiro de 2008

Se ao menos...


Se ao menos houvesse mais a não ser este vazio...se ao menos viver fosse mais que esta existência sombria... se ao menos o tempo fosse suficiente...se ao menos nao fosse dificil acordar...se ao menos eu não tivesse já partido há muito...se ao menos ainda conseguisse voltar...
Havia uma alma dentro de mim em tempos...mas perdeu-se por aí nos recantos escondidos da vida...
A realidade em meu redor tornou-se irrelevante ,deixei de me importar com as coisas…para mim, é igual se o sol um dia nasce no lado contrário…
Sinto que estou diferente...e, no entanto, não me lembro de ter sido de outra forma antes...