segunda-feira, 29 de junho de 2009

E é então que um dia…um dia normal...como qualquer outro…
Um dia…quebramos todas as amarras…viramos as costas…fechamos as portas…não olhamos para trás…e deixamos a nossa vida começar…

terça-feira, 16 de junho de 2009

Há pessoas que julgamos inimigos e nos quais descobrimos amigos…
E há pessoas que julgamos estarem ao nosso lado…e estão muito longe…
Há dias de Verão tão frios!
E há dias de tempestade…tão calmos…
Há mentiras que nos fazem felizes…e verdades com lâminas muito afiadas…
Há noites claras...e dias tão sombrios…
Há humanidade nas pessoas que mostram expressões agressivas…e ódio naqueles que nos sorriem todos os dias…
Há horas tão curtas que nem nos dão tempo para respirar…e há minutos tão longos que nos sufocam…
Há erros nas coisas perfeitas…e harmonia na imperfeição…
Há feridas saradas que nos corroem…e feridas abertas das quais nem nos apercebemos…
Há pancadas que não fazem qualquer mossa…e palavras que nos fustigam a alma…
Há caras desconhecidas que nos parecem familiares…e caras familiares que serão sempre desconhecidas…
Há lugares que permanecem uma eternidade imutáveis…e lugares que já não reconhecemos a cada momento que passa…
Há dias de embriaguez lúcida…e noites de sobriedade entorpecida …
Há poemas escritos em folhas de papel…e poemas escritos em gestos…
Há realidades tão ficcionais…e ficções imensamente reais…
Há uma solidão no meio da multidão … e um abrigo no isolamento….
Há pessoas com armaduras facilmente permeáveis…e pessoas impermeáveis na sua nudez…
Há uma imensidão e um final…
Uma chegada…e uma partida…
Há saudades do que nunca se teve…e indiferença pelo que se tem…
Há ruídos mudos …e silêncios ensurdecedores …
Há gritos calados…e sussurros clamados…
Há mágoas acolhidas …e felicidade rejeitada…
Há frases que relembramos uma vida inteira…e há um dia em que viramos as costas…
Há lágrimas de alegria e sorrisos dolorosos…
Há histórias que sabemos o final apenas pelo título…e histórias que não têm fim…
Há textos imensamente extensos que nada dizem…e folhas papel em branco que tudo dizem…
Há aquilo que somos…a essência…aquilo que fica dentro das janelas e das portas fechadas…e há a película invisível que todos os dias envergamos… a fraude da nossa criação…

Somos uma fraude…um abismo…sem consolação…

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Algumas pessoas permanecem caladas…
Outras gritam o tempo todo!
Algumas pessoas vestem a sua melhor roupa e saem para conquistar a noite.
Outras conquistam a noite com um sorriso.
Algumas pessoas caminham sozinhas pela rua com olhar desinteressado…
Outras caminham pela rua interessadas em tudo…
Algumas pessoas fazem listas de compras e compram tudo excepto o que está na lista…
Outras não fazem listas e compram tudo ...

Algumas pessoas têm agendas com dias bastante preenchidos…
Outras têm apenas agendas…
Algumas pessoas têm medo do escuro…
Outras, porém vivem na escuridão uma vida toda sem, no entanto temerem nada
Algumas pessoas magoam os outros com mentiras compulsivas…
Outras magoam-se a elas próprias com sucessivas verdades…
Algumas pessoas bebem café para acordar…
Outras tomam comprimidos para adormecer…
Algumas pessoas escrevem…escrevem muito…
Outras…lêem…lêem imenso…
Algumas pessoas são modelo de comportamento para as restantes…
Outras são o exemplo exacto que como não se deve comportar…
Algumas pessoas vivem fechadas nas suas casas…
Outras vivem na rua….
Algumas pessoas procuram respostas…
Outras procuram lugares…
Algumas pessoas fazem perguntas…
Outras indicam direcções…
Algumas admitem que erram…
Outras proclamam que estão certas…
Algumas pessoas jogam…
Outras fazem as regras…
Algumas pessoas são peritas em fórmulas químicas…
Outras gostam de flores…
Algumas pessoas arrumam coisas…organizam tudo…
Outras vivem numa constante desarrumação…
Algumas pessoas comem…comem demasiado…
Outras passam fome…imensa fome…
Algumas pessoas são encarceradas…
Outras são forçadas á liberdade…
Algumas pessoas confessam os seus pecados…
Outras pessoas demonstram as suas virtudes…
Algumas pessoas são belas…
Outras ainda não foram descobertas que o são…
Algumas pessoas controlam o tempo…
Outras gastam-no…
Algumas pessoas têm pesadelos…
Outras provocam-nos…
Algumas pessoas são obrigadas a afastarem-se…
Outras promovem o seu auto-afastamento…
Algumas pessoas falam vários idiomas…
Outras são mudas…
Algumas pessoas acreditam que amam…
Outras sabem que não…
Algumas pessoas usam disfarces pelo Carnaval …
Outras usam disfarces uma vida toda…
Algumas pessoas são felizes e nem o sabem…
Outras fingem sê-lo...
Algumas pessoas são passado…
Outras são futuro…
Quase nenhumas são presente…
E hoje percebi…que no final, a nossa vida resume-se a isto…a fragmentos de nós empacotados num monte prontos a ser transportados…

domingo, 31 de maio de 2009

Aqui

Aqui, onde agora permaneço imóvel a olhar o infinito distante…
Já fui muitas pessoas…
Já vi o amanhecer…
A sorrir…
A odiar-me
Arrependida…
Dormente…
Já chorei…
Já me isolei…
Saí imensas vezes depois…
Algumas vezes sem rumo….
Outras a saber exactamente onde queria ir…e acabando por ir a outros sítios…
Aqui…
Fechei a porta muitas vezes…
(talvez vezes demais…)
Aqui…
Onde agora apenas permanece o eco moroso de dias passados…
Já desejei não ser…e era…
E desejei que fosse…e nunca foi…
Aqui…
Tive medo do escuro…
Da multidão…
Do vazio…
do silêncio…
Por aqui…
Passaram as Estações…e eu com elas fui…e voltei…
Voltei sempre…
Aqui…
Os dias e as noites…
A luz e a escuridão…
O frio e o calor…
A chuva e o vento…
Aqui…
O regresso…
O refúgio…
Aqui…
A inocência e a maturidade…
A expectativa e a desilusão…
O auge e o declínio…
Aqui…
Nem sei se tudo o que recordo aconteceu realmente…
ou se criei em mim ilusões de momentos…
Aqui…
Caí…e levantei-me…
Aqui…
Um pedaço de vida…
Aqui…
Fui o bem e o mal…
E passei, sem hesitar, para o outro lado…
Aqui ….
Onde agora o vácuo das paredes entoa fragmentos
De horas adormecidas….fui imensas pessoas…
E todas elas estão agora espalhadas em cada canto deste espaço inerte…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Não importa o que quer que eu faça…acaba sempre em tragédia…

terça-feira, 26 de maio de 2009

Lucidez...


Estou lúcida…

Hoje estou completamente lúcida…

E o facto de estar tão absurdamente lúcida deixa-me desconfortável…

Vejo todas as coisas…e percebo todas as coisas...

O que é…é…e não parece outra coisa qualquer…

Os objectos permanecem estáticos nos seus lugares de sempre…

Não há aquela musiquinha silenciosa a vibrar nos meus ouvidos…

Estou lúcida…límpida…
Estou dentro de mim…não há nada mais para além desta realidade…horas…e mais horas…

Sucessão de tempo…

Lucidez…

Sobriedade alucinante…

Vazio…

Espaço entre as coisas…e espaço ocupado…

Elipse…

Caminho pela rua e parece que toda a gente grita o teu nome em surdina…

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Eu sei …
Hoje eu sei…eu vou conseguir…

terça-feira, 5 de maio de 2009

Auto - Indulgência Cega

Amnésia…é tudo o que preciso agora…
Nada mais… neste jeito demorado de viver as emoções frias no calor de uma tarde como esta…ou como outra qualquer…
A minha pele gela…
Pela janela da minha consciência observo a realidade que nada me diz…
Eu sei…a culpa é minha…a minha loucura é premeditada … indulgente…
Não altera nada…na verdade, o que muda é o meu arrasto para o fundo…
Nada sei…sabendo tudo…não tenho rumo…sabendo bem o rumo que quero tomar…nada faço…sabendo o que deveria fazer…nada digo…sabendo o que deveria dizer…
Se a culpa é minha…e é, de facto…então acho que mereço isto…

segunda-feira, 4 de maio de 2009

“Can’t you see I’m selling lies?”

Ruídos confusos… música ... Silêncio...piadas más…
Felicidade... Mentiras... medos... Cigarros e vinho barato… Loucura ... Promessas de mau sexo… Toma outro comprimido e vai dormir... Amanhã já vai estar tudo bem ... Preguiça... Sonhos ... Pesadelos ... Solidão ... Se me vires na rua, por favor, não fales comigo... Noites absurdas... Pessoas aleatórias... Amor ... ódio ... apatia… Põe um novo vestido e vai! Tu não precisas de mim e eu não preciso de ti... A vida é um lugar estranho... Jogos ...
Sabores casuais ... Relações casuais ... Insanidade casual ... Luzes ... escuridão ... Esperança ... a ir e vir ... Conversas sem sentido ... Lutas inúteis ... Sucessos ... fracassos ... Labirintos complicados ... Estou perdida e tu não podes encontrar-me... Pecados… erros... Conquistas …vitórias…Mesas ocupadas... Portas abertas… Pegadas no chão... É de manhã outra vez e sinto-me miserável ... Onde estive eu? O que é que eu disse? O que é que tu disseste? O que é que eu fiz? Tento comprar algum entorpecimento... Há sentimentos que o dinheiro não pode comprar ... É tarde e estou a bater á porta errada novamente. Como é a realidade? Os meus olhos não a conseguem ver... Estou deitada na relva e o meu corpo dói... Acho que exagerei outra vez... Olha-me nos olhos e mostra-me toda a crueldade da tua indiferença!
Caminho no meio da multidão implorando por alguma resposta. A minha cabeça está demasiado pesada para pensar. Por favor, dá-me outra bebida! Os meus dedos estão frios... a minhas pernas tremem. Esta é a última vez... Prometo! Amanhã vou ser pura! Vazio... Melancolia… Preciso de uma canção triste para me fazer chorar! Ouço-te a falar mesmo ao meu lado mas não consigo entender uma palavra do que dizes…acho que preciso de descansar. Acordei de novo, num lugar desconhecido... e é apenas o meu quarto...
O meu espelho mostra uma expressão desinteressada... Que horas são? Acho que tenho andado a saltar dias ... Garrafas vazias deixadas na mesa ... Roupas espalhadas aleatoriamente no chão ... Quero esquecer tudo ... Não preciso da tua pena ... A luz do dia magoa-me. Outra noite inútil ... estou mais perto do paraíso ... Deixa-me aqui ... Não vou dizer nada ... A minha mente está vazia ... estou oca ... A realidade está muito longe ... Estou a abandonar-me... Não me interpretes mal ... eu não sou uma boa pessoa ... Não preciso da tua atenção ...Sou uma desordem ... sou feia… Sou um enigma ... e adoro fingir ... O que estás a dizer-me esta noite... eu não me vou lembrar amanhã... Eu não gosto de ti e tu não gostas de mim... é muito simples!Não digas que eu sou a melhor coisa que já viste na estúpida da tua vida! Estás a pôr-me doente! Onde estou? Que lugar é este? Estou sozinha e não reconheço todas estas caras á minha volta. O que estou a fazer? Acho que estou a perder o controlo... De repente, tudo é apenas uma mancha... Mais uma manhã caótica... Estou a acordar... Por favor, não me digas o que aconteceu... Não preciso de saber o final da história...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Melancolia...

A minha vida tornou-se melancólica…como o primeiro dia de Inverno…o primeiro dia de chuva…e eu não sei é de mim…ou… nada mais importa…
Os dias já não passam como dantes…os momentos sucedem-se sem que eu me aperceba deles…nada sinto…nada faço…estaticamente permaneço numa agonia desacertada…
Salta! Tens que saltar!
Vou saltar…
Os dias estão suspensos…em vagas horas de equidade consciente…
As luzes da cidade estão enevoadas…sem brilho…os sons dos carros que transpõem a ruas por onde caminho, despertam-me para uma realidade que não quero aceitar…
Acorda! Tens que acordar!
Vou acordar…
Que frio é este que rompe a minha pele?
Mesmo agora que sol brilha no seu esplendor…e há calor na cara das pessoas que passam por mim…
E toda a minha existência se resume a esta hipotermia sem remédio…
Que sentimento é este que veio ressurgir a minha doce dormência?
Dorme! Tens que dormir!
Vou dormir…
Vagueio horas sem sentido por entre aglomerados de vozes mudas…de pedaços de vidas dispersadas por aí…fragmentos de sanidade que tentam irromper por entre o meu escudo protector…
Já não consigo pronunciar palavras…ou construir algum pensamento consciente…
Há ruídos descontínuos na minha cabeça que não me deixam raciocinar…
Pensa! Tens que pensar!
Vou pensar…
Há qualquer coisa nestes dias que me deixa embriagada em frustração…ou então não é dos dias…é de mim…

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sabes…acho que nunca te disse…
Não…nunca te disse mesmo…
Muitas vezes tentei dizer-te…mas as palavras ficaram sempre retidas algures entre a realidade e a idealidade …
Eu sei que no fundo tu jamais poderias ouvir …mesmo que eu te tivesse dito…
Estamos sentados lado a lado naquele banco de jardim como antes…mas permanecemos em silêncio como dois desconhecidos que nada têm a dizer…quem passa por nós não imagina o quão longe estamos, apesar de os nossos corpos estarem muito próximos…quem nos vê ali…mudos…nem imagina o quanto há para dizer…o quanto ficou por dizer com o arrasto do tempo…o quanto vai sempre ficar por dizer entre nós…
Observo-te e é como se ali não estivesses…e na verdade não estás…
Até da minha própria presença duvido…
O que foi que aconteceu?
O que foi que o tempo fez de nós?
Ouves?
A tua mudez persiste como a chuva a entranhar-se no solo…
E repousamos nesta crueldade impermeável …como se o que existe se resumisse a isto…a esta dormência penosa…

E eu nunca te disse…e tu sabias que eu não te diria…
Vai...provocação deplorável...
Vai...

O teu sangue a escorrer pelo chão...
O meu reflexo no espelho…um espectro sem expressão…

Vai…ruído incessante…
Vai…
Que a noite venha e que tu te confundas nas sombras…
A tua pele em chamas no amanhecer…

Vai…condenação silenciosa …
Vai...

O teu corpo a jazer no túmulo do vazio…
E eu persisto…inerte…
A beleza deste momento…
A tua presença desvanece-se na decomposição da tua carne…
O fim…
O teu fim…o teu suave e doce fim…

A chuva cai…
E eu retiro-me silenciosamente…

sábado, 25 de abril de 2009

Indolência

Há pedaços de mosaicos partidos espalhados pelo chão…há uma destruição recente…iminente… há papéis rasgados com frases incompletas…há chamas apagadas em velas derretidas… há poças de água secas…há o vazio…há emoções escavadas em pontos negros sem retorno…há objectos intermitentes a vaguear na penumbra …há ecos de vozes incessantes a gritar remorsos …há um tempo e um espaço sem memória num vácuo absurdo de fragmentos de dias…e há isto…um gotejar de nada a penetrar pelas frestas das paredes… a espalhar-se pelo pó das noites entorpecidas …um adormecer moroso a apoderar-se da imensidão circundante… uma melodia silenciosa que abafa a realidade…

terça-feira, 31 de março de 2009


Eu sabia...um dia haveríamos de chegar a isto...

...Ao vazio entre o silêncio...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ás vezes parece que a vida não passa de uma anedota...sem piada nenhuma...tentamos rir, mas não conseguimos...não dá...
Se realmente existe algum deus...algures..."ele" deve ser de facto alguém com um humor extremamente sádico! Constrói dia após dia todas estas estranhas situações...e depois fica-nos a observar...lá do alto do seu pedestal desconhecido...movendo-nos como simples peças de um jogo de xadrez...

................

Eu adormeci?

Acordei só agora?

Perdi alguma coisa?

Tenho estado a perder dias...momentos...?

O que aconteceu?

Foi tudo um sonho?

Ou estarei a sonhar agora?

Que lugar é este?

Como vim aqui parar?

Estou aqui? Ou não estou...?

De quem são estas vozes?

Continuarei eu ainda a dormir?

Parece que tenho estado adormecida aqui há muito tempo...

Será isto tudo uma alucinação...?

Ou estarei eu a elouquecer...?


quarta-feira, 4 de março de 2009

As gotas de chuva queimam-me sem que eu tenha a noção de mim...
Hoje os meus passos estão presos no solo...e eu movo-me, mas não chego a lugar algum...
Desassossego...
Loucura...
Silêncio...
Nada...
Escuro...
Está escuro aqui...
Frio...muito frio...nos objectos em que toco...
Frio...no chão que piso...
Frio...em mim...na minha pele...
Horas...que não passam...ou passam sem que eu saiba...

Colapso...

Sinto...e não sinto...
nada me chama...
o mundo corrói-me...
Respiro...e o ar sufoca-me
caminho...e afundo-me na areia movediça do espaço...
Falo...e as minhas palavras flutuam no vazio...
A realidade lá fora apresenta-se muda para mim...
Aqui...do isolamento da minha existência...
Fecho as portas e impeço que a luz do exterior me assalte...
Ignoro quaisquer estimulos da aleatoridade dos dias...
Cerro a minha consciência e tento adormecer...
E durmo...com os olhos abertos, sem me aperceber
que luzes intermitentes vagueiam no escuro do meu refúgio solitário...
Dormir não chega, quando os pensamentos despertam no meio da escuridão,
Dormir não chega...
Se eu já não sou eu...
Se o tempo já não me pertence...
Dormir não chega...se a realidade colapsa á minha volta...