sábado, 13 de dezembro de 2008



E era de novo Outono...e de novo aquela melodia melacólica entoava na minha cabeça...
Permaneces ai na frieza da casa com se ja nada mais te importasse...
És um bloco de gelo na minha existência ...e eu ja nao sei o que dizer ...se vou... se fico... não consigo perceber se isto é real se estou aqui...se estás aí...se realmente este dia existe ...e eu acho que não existe...acho que estou a sonhar isto...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Os caminhos seguem-se caminhando....passo a passo...na direcção que se vai apresentando dia após dia....

Não sei se fui ou se fiquei aqui perdida e estática...não sei se me movo ou se o chão se move debaixo dos meus pés...não sei se passo pelas coisas ou se as coisas passam por mim...nada sei agora...um dia após outro...já nao sei..fingo o que sou...e não sou o que fingo...



Permaneço aqui na evasão deste dia...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Eu nao quero admitir isto...não poderei jamais admitir...dói-me demasiado...é tremendamente sufocante....dói tanto que ás vezes é dificil respirar...as palavras ficam presas dentro de mim como espinhos cravados na pele...

sábado, 29 de novembro de 2008


Diz-me só desta vez...ouve-me...diz-me algo que me faça acreditar em alguma coisa...mente-me...podes-me mentir...eu deixo...não precisas de me dizer a verdade...não é isso que eu exijo de ti...apenas quero ouvir de ti alguma palavra...algo que me faça acreditar que isto é real...depois podes voltar para o teu mundo silencioso...eu não te pedirei mais nada...depois podes ir descansado...e eu permanecerei aqui como dantes...


Acho que já te perdi...acho que já partiste há muito...e eu nem me apercebi...a porta ainda tem o som da tua partida...e as paredes estão cheias do vazio da tua ausência...
já foste há tanto tempo e ainda parece que aqui estás...há fragmentos teus espalhados por aí...não consigo andar livremente pela casa sem esbarrar contigo...e no entanto vejo claramente que estou completamente sozinha aqui...
depois há o vento gélido do Outono que sopra em mim...como chamas incandescentes na minha pele...
Os dias começam e terminam...passam ao ritmo desenfreado das curtas horas da esquizofrenia desmedida deste tempo insaciável...e eu tento em vão continuar...caminhar e fingir que tudo faz sentido...mas há ainda os ecos da tua voz nos meus ouvidos...ainda há pedaços da tua epiderme nos móveis...e não é que eu me incomode...na maioria dos dias nem me apercebo...mas não sei se é deste Outono que teima em me atingir...ou se sou eu que ja não te consigo esquecer mais...estou assim...meio nostálgica...

Vou continuando..dia-após-dia...mas lembrar-me-ei de ti...porque não consigo simplesmente esquecer-te, ainda que tente muitas e muitas vezes...
Há estas palavras ....que me entoam na imensidão do meu silêncio...como se eu jamais podesse pensar noutra coisa qualquer a não ser em ti...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Relembra-te de olhar sempre para o outro lado...de tentar sempre seguir o outro caminho....a vida não é feita apenas numa direcção...quando caminhamos muito tempo pelo mesmo caminho...o melhor é parar e tentar outra direcção...nada nem ninguém te poderá dizer que o caminho que segues não é o certo poque na verdade ninguém sabe o que é certo e errado...a vida é uma viagem repleta de verdades subjectivas...
Relembra-te sempre de tentar de novo...de seguir em frente mesmo após uma batalha perdida...ou mesmo após uma sequência de batalhas perdidas...relembra-te de nunca te deixar mergulhar na monotonia dos dias vazios...de vencer a rigidez dos músculos...a ausência das palavras...
Com o tempo vais-te aperceber que os muros não são assim tão altos...que as paredes não são assim tão opacas...há sempre uma forma de transpôr tudo o que se apresenta á tua frente...
Com o tempo verás que as coisas afinal são tão mais simples...
Com o tempo o que era complicado fica apenas na memória como mais um obstáculo ultrapassado...
Com o tempo o que era longe fica perto...e o que estava perto começa a ficar tão longe...
Lembra-te de não andares tão depressa...não te canses...caminha no tempo...com tempo...com calma...não deixes que o tempo caminhe abruptamente em ti....
Não te esqueças de olhar primeiro para ti...de te conheceres bem....de saberes bem a pessoa que és...podes nunca descobrir realmente, mas tenta todos os dias vasculhar dentro de ti em busca da tua identidade....depois de olhares bem para ti...de aprofundares a tua existência...olha á tua volta...aceita e descobre o mundo...a realidade...
Não percas demasiado tempo com preocupações...o que for que tenha que acontecer...acontecerá...quer te preocupes imenso, quer nem te preocupes nada...
Aceita as adversidades...elas fazem parte desta tua jornada...da tua aprendizagem...aceita-as...ultrapassa-as e esquece-as...deixa que fique apenas em ti a experiência, o que aprendeste...não permitas nunca que elas deixem em ti o medo de continuar...
A vida nem sempre vai ser doce...e não vai haver finais de "e viveram felizes para sempre"...aceita isso desde o inicio...não cries expectativas positivas em relação a nada nem ninguém...e assim não terás desilusões desnecessárias...as coisas são aquilo que pensas delas...aquilo que constróis em torno delas...
Não confies no senso comum...esquece! Não vivas das experiências dos outros...vai em frente...passa por debaixo das escadas...e deixa que os gatos pretos se atravessem na tua estrada...não procures mais um trevo de quatro folhas...desafia a sorte e o azar....
Cria novas histórias para a tua vida...sempre que aquela em que estiveres se tornar demasiado rotineira, aborrecida e previsivel...recomeça a qualquer hora...em qualquer lugar...muda de personagem e de argumento quanto te apetecer... a vida não é linear nem rectilínea...há inúmeras possibilidades...
Mente...diz a verdade...foge...volta...esconde-te....aparece...baralha as coisas...simplifica tudo...liberta-te...prende-te...joga...ganha...perde...tropeça...cai...levanta-te...racionaliza e perde razão....
Assume que nada é perfeito...nada nem ninguém...
Assume que vais errar imenso ao longo da tua vida...e assume também que vais acertar também inúmeras vezes...tens que manter o equilibrio...
Assume igualmente que as coisas não acontecem apenas aos outros...quer sejam coisas boas ou más...tu tens as mesmas possibilidades que o resto do mundo...tanto de ganhar a lotaria, como de ter um acidente de carro...
Lembra-te que o facto de seres uma boa pessoa...de fazeres boas acções...não te vai impedir que te aconteçam coisas muito más...mas lembra-te também de nunca interferires no livre-arbítrio dos outros...assim como nunca deves deixar que ninguém interfira no teu...
As coisas e as pessoas não são apenas boas ou más...tudo tem duas faces...
Não te enganes por aí a idolatrar dogmas abstratos e confusos que impoêm regras na tua vida sem que percebas muito bem porquê...assume que deves ser tu a criar e construir as tuas próprias crenças e convicções, porque és tu que vais ter que viver com elas e aceitá-las...não deixes que sejam outros a fazer isso por ti...assume que tu és a única pessoa a responder pelas tuas próprias acções...sejam elas boas ou más...
De resto...lembra-te de viver..viver a sério...conciliando as tuas obrigações com o as tuas diversões...sem que as obrigações sejam demasiadas que chegues ao ponto de já não te saberes divertir...vive a sério...mesmo...sabendo que as coisas mais simples e mais fáceis de encontrar são as mais preciosas...e são também as que com mais facilidade esqueces e perdes...
Lembra-te de respirar a casa segundo...o ar é precioso...lembra-te de sorrir...lembra-te de voltar a casa...e ser criança de novo...quantas vezes quiseres e te apetecer...
Vive com um pensamento bem presente: aconteça o que acontecer, em qualquer lugar, há sempre algo que podes fazer para mudar a situação
.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Não tentes mudar o rumo das coisas...o que é agora... jamais mudará...nada do que faças vai alterar o que quer que seja...

Nada podes fazer para impedir que eu parta agora...nada poderás fazer para tentar que eu permaneça aqui mais um dia...agarrei as asas e vou voar...voar para longe sem receios...vou perder-me das memórias todas que carrego comigo agora...vou despreender-me de tudo...hoje...agora sou apenas eu...sou apenas a pessoa que sempre fui...que um dia perdi...

Não sei o que dizer...as palavras estão estáticas no silêncio da minha cabeça...não sei sequer mais o que pensar...estou ofuscada por dúvidas e inseguranças...eu não quero voltar a pensar que estou perdida por tua causa...não podes ser a razão de tudo isto...não aceito!!

Nâo voltes...nao te quero mais ver aqui...quero que partas para sempre...e que para sempre permaneças na solidão dos dias longuinquos...o que foi jamais voltará...és poeira que o vento levou para longe...e pouco a pouco o tempo apagará a tua memória...quero esquecer a tua voz...os teus olhos...o que costumavas dizer e o que calavas tão bruscamente...quero que para sempre não haja mais o passado...não quero mais que o sabor daquilo que foste permaneça nos ecos das paredes da casa...partiste...para sempre partiste...não há volta a dar...

Hoje acordei e lembrei-me de ti...e não sei o que mais escreva em relação a isso...



terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda sou a pessoa que era antes...mas há coisas que jamais poderei recuperar...há coisas que perdi para sempre na imensidão dos dias....há sorrisos...momentos...sentimentos...que jamais voltarão...há fileiras e fileiras de vazio a separar-me de tudo o que eu era...há desertos ...há mares..há muros...paredes altas e violentas...eu permaneço aqui perdida...parte de mim ficou lá...e parte de mim partiu há muito...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Devemos dizer tudo…pronunciar cada palavra…
Deitar cá para fora tudo o que nos atormenta cá dentro….
Depois ficamos frágeis….nus…como se a nossa pele estivesse exposta de repente a todas as intempéries sem que nada a pudesse proteger…somos uma carcaça caída no chão…
Mas dizer tudo o que sentimos, liberta-nos…nunca poderemos culpar-nos das coisas que não aconteceram porque nós ocultámos algo...
Temos que dizer tudo o que está dentro de nós…tirar as máscaras…soltar as amarras…caminhar em frente…de cabeça erguida e passos firmes…
O que foi…ficou…bom ou mau…
Seja o que for o efeito que as nossas palavras provoquem…estão ditas …para o bem ou para o mal…
Que as palavras sinceras nos libertem…nos tragam noites de sono descansado…e dias de olhares seguros….
Que as palavras sinceras tornem a nossa viagem mais cómoda…com menos bagagem…

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Pouco a pouco as coisas que me tiravam o sono deixaram de me visitar…como se se tivessem cansado de mim…ou fui eu que me cansei delas…

Espera até ao dia em que consigas finalmente
brilhar no meio das sombras…esse dia pode demorar anos…uma vida toda…mas vale a pena esperar por ele…porque um simples momento de brilho vale por toda uma vida de enclausura…

Há um dia em que alguém bate á tua porta e te atira pedras contra á janela e que te acorda para coisas sobre as quais dormias até então …e sais à rua levando na mão as pedras que te atiraram e fazes delas a tua nova arma…e vês tudo de uma forma diferente…

Não adianta que os outros te digam que ainda é cedo para lutar…tu sabes que o cedo ou tarde é relativo…


E pouco a pouco os dias foram parecendo menos sufocantes…senti que depois de um pequeno esforço as coisas sempre estabilizam…


As coisas não são assim tão más como podem parecer, acredita…

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Para me sentir bem …nada mais fiz que perceber que eu era uma pessoa completamente banal…sem nada de interessante para contar ou para se destacar no meio da multidão…a partir do momento em que me apercebi de tudo isso, nada mais me atormentou…aceitei o facto de ser uma pessoa normal…aceitei a realidade em mim e decidi que o meu lugar era no meio do todo que me rodeia…
A maioria dos nossos problemas e complicações, somos nós mesmos a criá-los…dia após dias vamo-nos convencendo de que há algo errado connosco…não temos coragem suficiente para nos aceitarmos…criamos histórias e dilemas existenciais a nosso respeito…mas no fundo não nos apercebemos que somos apenas carne… ossos…sangue…respiramos todos o mesmo ar…precisamos todos de comida…temos todos que dormir e respirar…a verdade nua e crua é que somos todos animais…selvagens que vagueiam por aí no meio da civilização…

domingo, 26 de outubro de 2008

As ruas estão vazias…caminho… caminho e não chego a lugar algum…bato a portas que não abrem…sento-me em bancos de jardins abandonados…depois caminho mais…sem que ninguém apareça...mas não estou só…jamais estarei…estás comigo…estarás sempre…

Se tu não fosses o que eu queria …deixava-te ir ao sabor do vento de cada anoitecer… mas não posso…não consigo sequer imaginar a minha vida sem estar a pensar no que poderia ser…mas eu não consigo imaginar a minha vida sem ti…sem me olhares…sem te ver sorrir em casa dia

Se eu pudesse dir-te-ia que as coisas nunca são como tu idealizas….tudo se dá de uma forma que não podes controlar porque nada é como deveria ser …é melhor esqueceres tudo o que viveste tudo é morto e inútil e insuportável…

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eu vou… sem saber para onde vou…pela primeira vez sigo em frente sem planos e medos…o que passou …ficou passado…apenas espero o que virá…nada mais me importa…vivo para o hoje…o momento imediato…

domingo, 19 de outubro de 2008

Descobri...

...descobri que viver sabe bem...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Vamos acreditar que as coisas ainda não perderam o sabor…


Vamos acreditar que este momento agora sabe a presente e não está carregado de fragmentos do passado e do futuro…


Vamos acreditar que as coisas ainda têm sabor…

Sabor a amanhecer…sabor a luar…sabor a limão…sabor a açucenas…sabor a céu azul…sabor a água fresca…sabor a terra molhada…sabor a folhas de Outono…sabor a CASA…

Vamos acreditar que as coisas ainda têm aquele sabor dos longos dias de Verão da infância …



Vamos acreditar que a vontade de saborear as coisas ainda permanece…

domingo, 28 de setembro de 2008

Sem nada para fazer neste domingo chuvoso, eu dou por mim a pensar “porque não estás aqui?”...os dias passam devagar …ou muito depressa…e nada permanece em mim… toda a realidade é crua…nada tem sabor…ou eu não saboreio nada …todos os sabores me passam pela boca sem que nenhum fique…não que me sinta infeliz…não sinto, sabes…podia sentir, não é? Mas não sinto…acho que de certa forma aprendi a viver assim…com este sentimento…
Sem ti é como se tudo o resto já não fizesse sentido …estou caída na rua enquanto o mundo passa por mim sem reparar…
Eu não sei o que poderia dizer agora ou o que seria se as coisas pudessem ser diferentes…eu jamais pensei que ao olhar para trás mudaria as coisas, nunca mudam mesmo quando nós tentamos muito…quando nos esforçamos mesmo…

sábado, 27 de setembro de 2008

Nada mais pode ruir-me agora…estou onde sempre quis estar…pouco a pouco subo mais um degrau …ainda não atingi o topo…mas um dia após outro…vou seguindo em frente…nada mais me prende em lugar algum…sou um espírito livre sem pretensões …sinto que posso agarrar o mundo apenas com as minhas mãos…sem medos…sou a mesma pessoa de sempre…de ontem…da semana passada…do mês passado…sou a mesma pessoa de há anos atrás…mas agora sei que a vida é uma viagem cheia de inúmeras possibilidades…que se uma falha…muitas outras de apresentam á nossa frente…não há nada a temer…eu já não temo...já não fujo e nem me escondo…a vida é o que tem que ser…sem mais nada… de nada adianta fingir-se que se é o que não se é…de nada adianta fazer escolhas que nos afastam daquilo que realmente queremos...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Ás vezes não sei o que me dá…estou para aqui a vaguear em pensamentos…frases…ideias…coisas ocas…opacas…divisões…janelas…jardins intermináveis…chaves…folhas de papel desocupadas …casas…árvores secas caídas…e eu…a minha imagem desfocada num vidro de um carro que passa apressadamente por mim na rua…pensamentos vazios aqui e ali…paredes que se erguem á minha passagem…e eu não sei se é de mim…ou os dias estão a passar cada vez mais depressa…

sábado, 20 de setembro de 2008


Libertei a minha alma no entardecer...quando a lua espreita pela colina e eu sou felicidade...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Há em tudo o que me rodeia agora uma certa fragilidade…os objectos não permanecem nos mesmos lugares…as cores estão em constante mutação…os sons são imperceptíveis …
Permaneço a observar o horizonte sem pensar em nada…pela primeira vez não tenho expectativas nem planos… apenas sou o momento que se esgota de mim…apenas sou a luz que cai sobre a minha pele…apenas sou o ar que me rodeia…

Os dias já não são os mesmos…tudo se altera a casa minuto que passa….

Apenas a velha árvore permanece intacta face a todas as intempéries…apenas ela me olha sem pressas…a mostrar que o caminho é longo mas que eu tenho que ir devagar…