May your dreams find you…and may you find yourself in your dreams.
May you stay as long as you feel like…and may you leave with no regrets.
May you smile.
May you love the things you have.
May you live. Every minute.
May you discover the truth above all the lies.
May you walk…and run…or just stay still in your own place.
May the people listen to you and may you listen to people.
May you take off your mask and may you be naked and free in the middle of the crowd.
May your spirit be wild.
May you go far…and may you come back home at the end of every journey.
May you reinvent you story as many times as you want.
May you be your owner.
May you choose your path. And may you change it anytime…anywhere…for any reason…or for no reason at all.
May you close the curtain at the end of each act. May you move on.
Whenever you’re hungry…may you search for food.
Whenever you’re thirsty…may you search for water.
As simple as that.
"What are these barriers that keep people from reaching anywhere near their real potential? The answer to that can be found in another question and that's this: Which is the most universal human characteristic: fear, or laziness?" Waking Life
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Seguir em frente...para trás...
Eu não devia esperar mais… Eu devia seguir…em frente…para seguir segue-se sempre em frente…como se o que ficou para trás fosse sempre algo que nos destruísse se tentássemos voltar a ele…
Eu não posso, portanto, seguir para trás…não posso…mesmo se tentasse…ouvi dizer que na vida os momentos são irreversíveis…e é verdade…
Gostava que apenas,por uma vez, pudesse seguir para trás…
Quem decidiu que ao voltar atrás, não se está igualmente a seguir em frente?
Às vezes não conseguimos seguir em frente, porque estamos presos a uma situação que ficou incompleta…por resolver no passado…desta forma, regressar a ela seria reformulá-la…relançá-la na realidade…e assim poder então seguir em frente como manda o equilíbrio do universo…
Nem sempre voltar atrás significa necessariamente um retrocesso na vida…às vezes voltar atrás é apenas a única forma de se conseguir seguir em frente…
Eu não posso, portanto, seguir para trás…não posso…mesmo se tentasse…ouvi dizer que na vida os momentos são irreversíveis…e é verdade…
Gostava que apenas,por uma vez, pudesse seguir para trás…
Quem decidiu que ao voltar atrás, não se está igualmente a seguir em frente?
Às vezes não conseguimos seguir em frente, porque estamos presos a uma situação que ficou incompleta…por resolver no passado…desta forma, regressar a ela seria reformulá-la…relançá-la na realidade…e assim poder então seguir em frente como manda o equilíbrio do universo…
Nem sempre voltar atrás significa necessariamente um retrocesso na vida…às vezes voltar atrás é apenas a única forma de se conseguir seguir em frente…
"I got my solitary madness coming in..."
Estou sozinha…a fitar o branco da parede.
Estou melancólica…que dia é hoje?
Estou faminta… de vazio.
Estou a implorar…por alguma resposta.
Estou insone …
Estou acabada…absurdamente.
Estou melancólica…que dia é hoje?
Estou faminta… de vazio.
Estou a implorar…por alguma resposta.
Estou insone …
Estou acabada…absurdamente.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Ela está parada numa estação de comboios. Uma qualquer. E dessa estação partem imensos comboios. E chegam tantos outros. E ela observa-os a todos. Os que chegam e os que partem. Todos eles trazem e levam muitas pessoas. E o que está na estação na se altera. Vazia ou cheia. Tudo permanece igual. E ela também. Ela não é nenhuma das pessoas que chega ou parte nos comboios. Ela na entra em nenhum dos comboios que parte. Nenhum deles a levaria ao seu destino. Poderia, eventualmente, ela sabe, entrar num qualquer e seguir um destino aleatório e fazer como todas as pessoas…seguir…
Talvez fosse melhor que estar ali parada em dissonância com o mundo á sua volta.
O tempo urge…e o mundo não é para os inactivos. Como se apenas àqueles que seguem um rumo qualquer…àqueles que se mexem…estivesse reservado uma espécie de felicidade.
Ela um dia já foi uma pessoa a entrar num daqueles comboios e seguiu um destino. Ela um dia já foi uma pessoa a sair de um comboio e a pisar um novo solo.
E isso não a tornou uma melhor pessoa agora. Ou mais feliz.
Talvez o rumo dela seja exactamente não tomar rumo nenhum.
Talvez fosse melhor que estar ali parada em dissonância com o mundo á sua volta.
O tempo urge…e o mundo não é para os inactivos. Como se apenas àqueles que seguem um rumo qualquer…àqueles que se mexem…estivesse reservado uma espécie de felicidade.
Ela um dia já foi uma pessoa a entrar num daqueles comboios e seguiu um destino. Ela um dia já foi uma pessoa a sair de um comboio e a pisar um novo solo.
E isso não a tornou uma melhor pessoa agora. Ou mais feliz.
Talvez o rumo dela seja exactamente não tomar rumo nenhum.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
"Ha Ha You're Dead"
Está a acabar…vês?
Estás a sucumbir!
Pouco a pouco te consomes.
É tão triste…e tão caoticamente cómico.
Há coisas que foram feitas para acabar por ser extintas.
É uma pena…
Não vês? Eu não consigo parar de rir.
Há pessoas que choram nestes momentos.
Há pessoas que choram em imensos momentos.
Eu choro em muitos momentos, mas não neste.
Estás a sucumbir…a esvair-te para sempre…
Sabes, sonhei com isto imenso tempo.
Vai…deixa-te ir…nada podes fazer agora!
Há pessoas que são mais belas quando estão a ser destruídas.
Há pessoas que apenas são belas quando já não existem.
Estás a sucumbir!
Pouco a pouco te consomes.
É tão triste…e tão caoticamente cómico.
Há coisas que foram feitas para acabar por ser extintas.
É uma pena…
Não vês? Eu não consigo parar de rir.
Há pessoas que choram nestes momentos.
Há pessoas que choram em imensos momentos.
Eu choro em muitos momentos, mas não neste.
Estás a sucumbir…a esvair-te para sempre…
Sabes, sonhei com isto imenso tempo.
Vai…deixa-te ir…nada podes fazer agora!
Há pessoas que são mais belas quando estão a ser destruídas.
Há pessoas que apenas são belas quando já não existem.
"O bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas e, assim, provocar um tufão do outro lado do mundo."
As coisas que fazemos nunca são neutras, como muitas vezes julgamos que sejam...gostamos de nos enganar...pensar que não tem importância..."foi só desta vez"..."uma vez por acaso"..."ninguém viu/ouviu"...mas eu acredito que o acaso é algo que não existe...e que nada é feito "por acaso"...toda a acção tem o seu resultado correspondente…mesmo que às vezes demore imenso tempo a se observar esse resultado… E é isso que nos leva a julgar que há acções neutras, apenas pelo facto de não vermos as consequências (positivas e/ou negativas) imediatamente…
Mas eu acredito no “efeito borboleta”…qualquer acção, por mais pequena e insignificante que possa parecer altera tudo o resto…todo o percurso “natural” do caos…qualquer acção pode provocar ou evitar um certo acontecimento.
Nós temos uma necessidade extrema de expiar todas nossas culpas, por isso “optamos” por acreditar que há coisas que fazemos que não terão quaisquer repercussões no futuro…gostamos de pensar que somos inocentes…que estamos ilibados só porque o que fizemos pareceu (aos nossos olhos) passar completamente oculto ao resto do mundo.
Mas eu acredito no “efeito borboleta”…qualquer acção, por mais pequena e insignificante que possa parecer altera tudo o resto…todo o percurso “natural” do caos…qualquer acção pode provocar ou evitar um certo acontecimento.
Nós temos uma necessidade extrema de expiar todas nossas culpas, por isso “optamos” por acreditar que há coisas que fazemos que não terão quaisquer repercussões no futuro…gostamos de pensar que somos inocentes…que estamos ilibados só porque o que fizemos pareceu (aos nossos olhos) passar completamente oculto ao resto do mundo.
domingo, 24 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
I HATE...
I hate all the colors of the rainbow.
I hate all the songs.
I hate the Spring, the Summer, the Fall and the Winter.
I hate the day and the night.
I hate all the sounds and the silence.
I hate Mondays…and all the rest of the days in the week.
I hate busy days and I hate lazy days.
I hate all my shoes and all my dresses.
I hate all the twelve months of the year.
I hate Carnival, Easter and Christmas.
I hate movies.
I hate my hair and my nails.
I hate birthdays.
I hate books and magazines.
I hate rainy days and sunny days.
I hate pepper as much as I hate salt.
I hate all the languages in the world.
I hate glass, paper and plastic.
I hate trees and flowers.
I hate cold as much as I hate heat.
I hate sand and I hate water.
I hate walls, doors and windows.
And I hate poems so much that make sick.
I hate darkness and I hate light.
I hate all the kinds of emotions and feelings.
I hate my bed and my pyjamas.
I hate pencils and pens.
I hate forks, spoons and knives.
I hate cigarettes and wine.
I hate tears as much as I hate smiles.
I hate sunsets and sunrises.
I hate birds and fishes.
I hate all the Oceans and Continents of the world.
I hate laundry machines and vacuum cleaners.
I hate teams and supporters.
I hate TV and radio.
I hate translations, subtitles and quotations.
I hate rice, potatoes and oranges.
I hate sins and virtues.
I hate bad and good.
I hate everything.
I hate to love and I only love to hate…even the things I love…just because….no reason at all…just for fun…just because I have nothing better to do.
I’m good hating things, it’s something that makes me happy…even though I hate happiness so much that I can’t stand it.
I hate all the songs.
I hate the Spring, the Summer, the Fall and the Winter.
I hate the day and the night.
I hate all the sounds and the silence.
I hate Mondays…and all the rest of the days in the week.
I hate busy days and I hate lazy days.
I hate all my shoes and all my dresses.
I hate all the twelve months of the year.
I hate Carnival, Easter and Christmas.
I hate movies.
I hate my hair and my nails.
I hate birthdays.
I hate books and magazines.
I hate rainy days and sunny days.
I hate pepper as much as I hate salt.
I hate all the languages in the world.
I hate glass, paper and plastic.
I hate trees and flowers.
I hate cold as much as I hate heat.
I hate sand and I hate water.
I hate walls, doors and windows.
And I hate poems so much that make sick.
I hate darkness and I hate light.
I hate all the kinds of emotions and feelings.
I hate my bed and my pyjamas.
I hate pencils and pens.
I hate forks, spoons and knives.
I hate cigarettes and wine.
I hate tears as much as I hate smiles.
I hate sunsets and sunrises.
I hate birds and fishes.
I hate all the Oceans and Continents of the world.
I hate laundry machines and vacuum cleaners.
I hate teams and supporters.
I hate TV and radio.
I hate translations, subtitles and quotations.
I hate rice, potatoes and oranges.
I hate sins and virtues.
I hate bad and good.
I hate everything.
I hate to love and I only love to hate…even the things I love…just because….no reason at all…just for fun…just because I have nothing better to do.
I’m good hating things, it’s something that makes me happy…even though I hate happiness so much that I can’t stand it.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Manobras de diversão
Eu enganei-me. Enganei-me repetidas vezes. Enganei-me e continuo a enganar-me.
Parece que o engano surge na minha existência passiva e naturalmente.
Engano-me constantemente…e pior ainda…dou aos outros o poder de me enganarem também…apesar de saber à partida que o estão a fazer.
Sou hipócrita. Não planeei sê-lo mas a vida assim o proporcionou. Não penso muito nisso. Nem vou pensar agora.
Não sou interessante. Nada. Nem um pouco. Tento apenas transpor algum interesse para as várias personagens que vou criando…tudo não passam de simples manobras de diversão…
Se me divirto? Nem sempre…a maioria das vezes é mais aborrecido do que se possa pensar…
Mas eu enganei-me. E não há muito que possa fazer quanto a isso agora. Enganei-me na direcção. Na porta. Na rua. Nas palavras. Nos gestos. Nas escolhas.
Escolhi a personagem errada para cada uma de todas as situações.
O texto errado na história errada…
A farsa tornou-se tão grande que eu me enredei nela, deixando de conseguir distinguir a realidade da ficção (alucinação?).
Tenho um problema enorme com factos concretos. È extremamente complicado para mim ter que admitir que o branco é branco…o preto é preto…e pronto…não há mais nada para além disso. Tenho dificuldades em interpretar a realidade…em descrevê-la e assimilá-la. Suponho que a vejo sempre de forma transfigurada. Dificilmente consigo fazer boas descrições e dar opiniões fundamentadas sobre os acontecimentos reais.
Não lido bem com a objectividade, aliás abomino-a. Não me preenche. É demasiado simplificada.
E por isso me engano tanto…porque vagueio o tempo todo na imensidão absoluta e emaranhada da subjectividade. E as coisas nunca são o que são…são sempre outra coisa qualquer…
E a subjectividade é traiçoeira…cria imensos enigmas em meu redor… e eu engano-me uma e outra vez sem intervalos…
E,assim, as personagens estão deslocadas…não encaixam no enredo da história…e enganam-se…e enganam-me…
Deixei o drama…vou voltar à comédia...
Parece que o engano surge na minha existência passiva e naturalmente.
Engano-me constantemente…e pior ainda…dou aos outros o poder de me enganarem também…apesar de saber à partida que o estão a fazer.
Sou hipócrita. Não planeei sê-lo mas a vida assim o proporcionou. Não penso muito nisso. Nem vou pensar agora.
Não sou interessante. Nada. Nem um pouco. Tento apenas transpor algum interesse para as várias personagens que vou criando…tudo não passam de simples manobras de diversão…
Se me divirto? Nem sempre…a maioria das vezes é mais aborrecido do que se possa pensar…
Mas eu enganei-me. E não há muito que possa fazer quanto a isso agora. Enganei-me na direcção. Na porta. Na rua. Nas palavras. Nos gestos. Nas escolhas.
Escolhi a personagem errada para cada uma de todas as situações.
O texto errado na história errada…
A farsa tornou-se tão grande que eu me enredei nela, deixando de conseguir distinguir a realidade da ficção (alucinação?).
Tenho um problema enorme com factos concretos. È extremamente complicado para mim ter que admitir que o branco é branco…o preto é preto…e pronto…não há mais nada para além disso. Tenho dificuldades em interpretar a realidade…em descrevê-la e assimilá-la. Suponho que a vejo sempre de forma transfigurada. Dificilmente consigo fazer boas descrições e dar opiniões fundamentadas sobre os acontecimentos reais.
Não lido bem com a objectividade, aliás abomino-a. Não me preenche. É demasiado simplificada.
E por isso me engano tanto…porque vagueio o tempo todo na imensidão absoluta e emaranhada da subjectividade. E as coisas nunca são o que são…são sempre outra coisa qualquer…
E a subjectividade é traiçoeira…cria imensos enigmas em meu redor… e eu engano-me uma e outra vez sem intervalos…
E,assim, as personagens estão deslocadas…não encaixam no enredo da história…e enganam-se…e enganam-me…
Deixei o drama…vou voltar à comédia...
domingo, 10 de janeiro de 2010
O grito. Empalhado em cima da mesa. A sucumbir num caótico nada.
O silêncio. Refugiado atrás da porta. Desventrado.
A loucura. Sufoca no moroso gotejar de sangue na entrada.
A dor. Nos restos de cigarros apagados no cinzeiro. Cinza.
A agonia. Esmorece suavemente na poesia morta dos degraus das escadas.
Não há mais nada.
O silêncio. Refugiado atrás da porta. Desventrado.
A loucura. Sufoca no moroso gotejar de sangue na entrada.
A dor. Nos restos de cigarros apagados no cinzeiro. Cinza.
A agonia. Esmorece suavemente na poesia morta dos degraus das escadas.
Não há mais nada.
É um facto.
Às vezes, pensamos que tudo está perdido, quando, na verdade, simplesmente ainda nem tenhamos procurado nada.
Andamos por aí…cegos…percorrendo caminhos que não nos levam a parte alguma…julgamos que estamos a chegar a algum lugar…mas movemo-nos em círculos…e acabamos sempre por voltar ao local de partida…
E pensamos que tudo está perdido…mas tudo…é muito relativo…o tudo é no fundo…nada…
Obcecamos até à exaustão…por grandes coisas…por pequenas coisas…a curto prazo e a longo prazo...e nada nos sacia...nada nos preenche…
Quando mais enchemos o espaço físico vazio à nossa volta…mais ocos nos sentimos por dentro…
Tentamos compensar lacunas…substituir posses…e tudo, inevitavelmente nos acaba por cansar e aborrecer…
É um facto.
Às vezes, pensamos que tudo está perdido, quando, na verdade, simplesmente ainda nem tenhamos procurado nada.
Andamos por aí…cegos…percorrendo caminhos que não nos levam a parte alguma…julgamos que estamos a chegar a algum lugar…mas movemo-nos em círculos…e acabamos sempre por voltar ao local de partida…
E pensamos que tudo está perdido…mas tudo…é muito relativo…o tudo é no fundo…nada…
Obcecamos até à exaustão…por grandes coisas…por pequenas coisas…a curto prazo e a longo prazo...e nada nos sacia...nada nos preenche…
Quando mais enchemos o espaço físico vazio à nossa volta…mais ocos nos sentimos por dentro…
Tentamos compensar lacunas…substituir posses…e tudo, inevitavelmente nos acaba por cansar e aborrecer…
É um facto.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Ultimamente as pessoas cansam-me…mais do que já é habitual…chego sempre ao final com a conclusão de que eu e todas as outras pessoas somos completamente incompatíveis…e de nada adianta forçar as relações…e talvez o mal nem esteja nas restantes pessoas...é mais provável que o mal resida em mim…visto as outras pessoas parecerem sentir-se bastante confortáveis com as ligações sociais…
Mas eu não sei…suponho que os dias me tornam repulsiva…e não consigo evitar sentir que estou melhor solitariamente isolada algures…afundada no meu egoísmo… …fixada na minha vaidade vã… oculta no meu pretensiosismo…
Somos sempre devorados pelos monstros que criamos…não importa o quão os tentemos evitar…
Mas eu não sei…suponho que os dias me tornam repulsiva…e não consigo evitar sentir que estou melhor solitariamente isolada algures…afundada no meu egoísmo… …fixada na minha vaidade vã… oculta no meu pretensiosismo…
Somos sempre devorados pelos monstros que criamos…não importa o quão os tentemos evitar…
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Não hoje…não agora…
E de repente, há um labirinto…um caos emergente nas fibras electrizantes das paredes brancas do espaço vazio…e eu permaneço sem me mover…e espero…espero por algo que não é suposto vir…não hoje…não agora…
Porquê esperar por algo que sabemos à partida que não virá?
Haverá algum conforto em enganarmo-nos assim?
E eu sinto que vou para qualquer lugar…e não vou a lugar algum…não hoje…não agora…
Adio os dias…os momentos…adio-me …como se ainda não tivesse chegado a minha hora…vai chegar…sei que vai chegar…mas não hoje…não agora…
Caminho aos solavancos por aí…caminho como se soubesse para onde me direcciono…caminho como quem caminha num deserto, muitos quilómetros na esperança de encontrar um oásis perdido algures…e um dia encontra…mas não hoje…não agora…
Os dias sucedem-se com um sabor ácido…hostil…há algo no meu mundo que se perdeu...e eu não sei onde o procurar ou se o devo procurar… ou se devo aceitar passivamente que algumas coisas na vida são mesmo assim…estão destinadas, à partida, a escaparem-se das nossas mãos…
Talvez um dia eu compreenda tudo isto…talvez um dia eu encontre um rumo…mas não hoje…não agora…
Porquê esperar por algo que sabemos à partida que não virá?
Haverá algum conforto em enganarmo-nos assim?
E eu sinto que vou para qualquer lugar…e não vou a lugar algum…não hoje…não agora…
Adio os dias…os momentos…adio-me …como se ainda não tivesse chegado a minha hora…vai chegar…sei que vai chegar…mas não hoje…não agora…
Caminho aos solavancos por aí…caminho como se soubesse para onde me direcciono…caminho como quem caminha num deserto, muitos quilómetros na esperança de encontrar um oásis perdido algures…e um dia encontra…mas não hoje…não agora…
Os dias sucedem-se com um sabor ácido…hostil…há algo no meu mundo que se perdeu...e eu não sei onde o procurar ou se o devo procurar… ou se devo aceitar passivamente que algumas coisas na vida são mesmo assim…estão destinadas, à partida, a escaparem-se das nossas mãos…
Talvez um dia eu compreenda tudo isto…talvez um dia eu encontre um rumo…mas não hoje…não agora…
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
“As the blade moves closer…The reflection is brighter than the sun”
Está escuro…demasiado escuro para se ver…demasiado escuro para caminhar pelo vazio desta noite…
Está escuro.
E deixas que a escuridão te abrace…e vês…vês tudo…apesar de estar demasiado escuro para se ver…
E caminhas…apesar de estar demasiado escuro para caminhar.
Tens uma doença…e essa doença está a matar-te…
Na noite…na noite bem profunda…quando não há nenhuma testemunha por perto…o sangue rodeia-te…o sangue…o sangue que está demasiado frio…
O teu corpo está… frágil…caótico…
Estás a sofrer.
E está demasiado escuro para se ver…mas, no entanto, vês…a escuridão que protege a tua culpa…a tua doença…o teu insalubre vício…
Estás a reviver noites…
Uma após outra…colidem todas na mesma.
Caminhas…caminhas…caminhas…e acabas sempre no mesmo sítio…á mesma hora…no mesmo momento…
Há portas que nunca se deviam abrir…
Mas abres a mesma porta…uma e outra vez…e tudo de repente se sucede…a fita passa para trás e o filme tem sempre o mesmo fim…
Quando vais perceber que o fim culmina sempre da mesma forma?
Há memórias que as chamas não podem consumir…por muito espaço físico que elas devorem.
Os teus olhos estão em chaga…mas vês…
E caminhas…caminhas…apesar de estar demasiado escuro para se caminhar.
A luz é um espaço doloroso para as memórias.
É um espaço doloroso para ti.
O fim justifica os teus meios?
Já sabes o fim…ele repete-se continuamente na tua frente.
É o teu sonho inquieto.
Rasga essa inquietude de ti…rasga a tua pele…rasga a tua carne…rasga toda a tua consciência!
Deixa-te cair nesta penumbra infestante da noite.
És uma anomalia…
…estás a ter alucinações!
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
E mais uma vez…lá estava eu a olhar para tudo de novo…e de repente foi como se o tempo não tivesse passado…e lá estavas tu…mais uma vez…
É estranho quando tempo não parece transformar as coisas…percorremos distâncias incríveis para nos apercebermos de que tudo está exactamente imutável…até mesmo nós…quando momento após momento somos agredidos com banhos de passado sem que tenhamos quase tempo para respirar…
E no meio das caras aleatórias das pessoas …vi-te…
E estavas onde parece sempre que tinhas estado…
E eu passei…sem ficar…porque ficar, agora, seria inútil…
É estranho quando tempo não parece transformar as coisas…percorremos distâncias incríveis para nos apercebermos de que tudo está exactamente imutável…até mesmo nós…quando momento após momento somos agredidos com banhos de passado sem que tenhamos quase tempo para respirar…
E no meio das caras aleatórias das pessoas …vi-te…
E estavas onde parece sempre que tinhas estado…
E eu passei…sem ficar…porque ficar, agora, seria inútil…
sábado, 19 de dezembro de 2009
O fim da esperança...
Para onde vamos quando perdemos a esperança?
Será que há um lugar onde podemos repousar até nos recompormos?
É recorrente pensarmos que quando tudo parece correr mal em toda a parte á nossa volta…quando esgotamos todas as possibilidades onde estamos…podemos sempre voltar para casa…
Parece fácil ver as coisas desta forma…
Mas o que fazemos quando o conceito de casa começa a ficar complicado de definir…quando já não sabemos exactamente onde é a nossa “casa”…quando a nossa casa…aquela que está sempre lá à nossa espera depois do cansaço dos passos vãos…a nossa casa de sempre já não pode ser a nossa “casa”…porque nós já não somos os mesmos…porque o afastamento tem consequências irreversíveis em nós…
O conforto e a serenidade de antes já não nos são suficientes…o abrigo já não é o lugar onde queremos estar…já não é o que precisamos…
O que fazemos quando perdemos a esperança?
Quando os dias são simplesmente um aglomerado de momentos caóticos...
Quando vemos que falhámos nas pessoas que somos…e nas coisas que fazemos…
Quando estamos tão perdidos que não fazemos ideia do passo a dar no momento seguinte…
Quando nos questionamos constantemente o que estamos a fazer de mal…e chegamos à triste conclusão de que muito provavelmente andamos a fazer tudo mal…
Para onde vamos quando perdemos a esperança?
Fugimos para bem longe?
Mas para onde fugimos?
E é nestas alturas que nos questionamos…Como foi que chegámos a esta situação?
O que nos acontece para ficarmos assim?
Não tem que acontecer nada em concreto…diria (como li algures) que é a vida…foi a vida que nos aconteceu…
Será que há um lugar onde podemos repousar até nos recompormos?
É recorrente pensarmos que quando tudo parece correr mal em toda a parte á nossa volta…quando esgotamos todas as possibilidades onde estamos…podemos sempre voltar para casa…
Parece fácil ver as coisas desta forma…
Mas o que fazemos quando o conceito de casa começa a ficar complicado de definir…quando já não sabemos exactamente onde é a nossa “casa”…quando a nossa casa…aquela que está sempre lá à nossa espera depois do cansaço dos passos vãos…a nossa casa de sempre já não pode ser a nossa “casa”…porque nós já não somos os mesmos…porque o afastamento tem consequências irreversíveis em nós…
O conforto e a serenidade de antes já não nos são suficientes…o abrigo já não é o lugar onde queremos estar…já não é o que precisamos…
O que fazemos quando perdemos a esperança?
Quando os dias são simplesmente um aglomerado de momentos caóticos...
Quando vemos que falhámos nas pessoas que somos…e nas coisas que fazemos…
Quando estamos tão perdidos que não fazemos ideia do passo a dar no momento seguinte…
Quando nos questionamos constantemente o que estamos a fazer de mal…e chegamos à triste conclusão de que muito provavelmente andamos a fazer tudo mal…
Para onde vamos quando perdemos a esperança?
Fugimos para bem longe?
Mas para onde fugimos?
E é nestas alturas que nos questionamos…Como foi que chegámos a esta situação?
O que nos acontece para ficarmos assim?
Não tem que acontecer nada em concreto…diria (como li algures) que é a vida…foi a vida que nos aconteceu…
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A batalha dos egos
Eu devia ser mais atenta…à vida… e a essas coisas todas…
A minha avó sempre me disse “É preciso ter olho vivo!”…e ela tem razão…é mesmo…
É um facto que eu não tenho tomado muita atenção ao mundo a meu redor…entrei um estado de tal forma egocêntrico…que me tornei naquelas pessoas que eu sempre criticava que viviam em torno de si mesmas…e que parecia que achavam que o mundo girava á sua volta…
E eu transformei-me mesmo numa dessas pessoas…essas que vivem com a ilusão de que são o centro do Universo…
Algumas pessoas nascem assim…com sintomas egocêntricos por natureza, outros, porém, a vida conduze-los a essa situação…
Talvez seja do cansaço…da saturação do mundo em redor…da preguiça…ou incompetência para lidarmos com os outros e/ou de nos dedicarmos aos outros…ou porque simplesmente um dia nos apercebemos que não temos que nos colocar sempre em segundo plano na vida em relação aos outros…que a vida não é só dos outros…que somos realmente o centro do universo…somos o centro do nosso próprio universo…assim como todas as outras as pessoas…
Será assim tão errado vivermos maioritariamente em função de nós próprios?
Não considero que seja assim tão errado…mas pode trazer consequências nas nossas relações com os outros…
Quando os egos estão todos elevados…começa a ocorrer uma espécie de batalha de egos…e todos os egos (como bons egos que devem ser) querem estar no topo, não se importando com os restantes…e é nesta altura, quase sem nos apercebermos, que as relações interpessoais se tornam numa espécie de disputa de absorção de energia…qualquer possibilidade de sentimentos e/ou acções altruístas é completamente descurada…
Bem mas não era disto que eu queria falar…eu queria dizer apenas que sou desatenta…e pronto… e suponho que não o deveria ser tanto…mas…enfim…eu suponho sempre tanta coisa…
A minha avó sempre me disse “É preciso ter olho vivo!”…e ela tem razão…é mesmo…
É um facto que eu não tenho tomado muita atenção ao mundo a meu redor…entrei um estado de tal forma egocêntrico…que me tornei naquelas pessoas que eu sempre criticava que viviam em torno de si mesmas…e que parecia que achavam que o mundo girava á sua volta…
E eu transformei-me mesmo numa dessas pessoas…essas que vivem com a ilusão de que são o centro do Universo…
Algumas pessoas nascem assim…com sintomas egocêntricos por natureza, outros, porém, a vida conduze-los a essa situação…
Talvez seja do cansaço…da saturação do mundo em redor…da preguiça…ou incompetência para lidarmos com os outros e/ou de nos dedicarmos aos outros…ou porque simplesmente um dia nos apercebemos que não temos que nos colocar sempre em segundo plano na vida em relação aos outros…que a vida não é só dos outros…que somos realmente o centro do universo…somos o centro do nosso próprio universo…assim como todas as outras as pessoas…
Será assim tão errado vivermos maioritariamente em função de nós próprios?
Não considero que seja assim tão errado…mas pode trazer consequências nas nossas relações com os outros…
Quando os egos estão todos elevados…começa a ocorrer uma espécie de batalha de egos…e todos os egos (como bons egos que devem ser) querem estar no topo, não se importando com os restantes…e é nesta altura, quase sem nos apercebermos, que as relações interpessoais se tornam numa espécie de disputa de absorção de energia…qualquer possibilidade de sentimentos e/ou acções altruístas é completamente descurada…
Bem mas não era disto que eu queria falar…eu queria dizer apenas que sou desatenta…e pronto… e suponho que não o deveria ser tanto…mas…enfim…eu suponho sempre tanta coisa…
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A artificialidade do “eu”
Sabes, eu não sou mais a pessoa que conhecias.
Se me pudesses ver agora talvez nem soubesses mais quem sou.
Sem me encontrasses na rua provavelmente passarias por mim sem me notar.
A vida transfigura-nos imenso…eu sempre o soube…e, no entanto sempre assumi uma atitude pacífica em relação a isso.
Não sou mais a pessoa que tu acreditavas que eu era. Que querias acreditar que eu era.
Não sou mais a pessoa que eu acreditava que era. Que queria acreditar que era.
Sinto-me uma estranha em mim…na minha pele…
Desconheço o mundo pela minha perspectiva.
Discordo de mim própria em imensas coisas.
Contradigo-me …vezes sem conta…tentando encontrar alguma forma de autocontrolo no meio de todo o caos…
Sabes, às vezes vemos pessoas e lugares que não estão lá…vivemos dia-a-dia condenados a esta realidade esquizofrénica.
Suponho agora que tinhas razão…um dia ia acabar por me desencantar com a vida… ou a vida iria acabar por se desencantar comigo. Aconteceram as duas situações quase em simultâneo.
Se existe realmente um dia em que…pronto…assumimos a derrota…hoje é esse dia para mim…
Do que é que eu estava á espera afinal?! Já o podia ter feito há imenso tempo…podia e devia…
Mas parece que nunca queremos assumir a derrota sem ter nunca na verdade lutado…mas…sim…não lutar é essa, claramente, a derrota…
Quero que saibas que admito que a culpa é minha. Aceito isso sem apreensão alguma.
E sou tão culpada até na forma de viver tudo isto…amanhã talvez acorde e nada mais disto tenha sentido…percebes? Amanhã de repente posso voltar a encantar-me com a vida…e assim permaneço… numa constante sucessão alternada de amnésia momentânea…
Eu devia manter um padrão…não devia?
Eu devia ser regular…assumir a derrota e pronto…encerrar tudo…fechar as portas para quaisquer outros momentos…eu devia…rejeitar, de uma vez, a realidade…a esperança…devia me cansar de renovar o equilíbrio…as forças…a harmonia…
Depois espera-se um novo ciclo de total frustração…
Eu devia, de uma vez por todas…escolher um lado…ser uma coisa e não outra…
Esta dicotomia do meu “eu”…esta artificialidade da minha existência...deixa-me sem saber quem sou eu…se sou…ou se já não sou mais…mas provavelmente já não sou…
Se me pudesses ver agora talvez nem soubesses mais quem sou.
Sem me encontrasses na rua provavelmente passarias por mim sem me notar.
A vida transfigura-nos imenso…eu sempre o soube…e, no entanto sempre assumi uma atitude pacífica em relação a isso.
Não sou mais a pessoa que tu acreditavas que eu era. Que querias acreditar que eu era.
Não sou mais a pessoa que eu acreditava que era. Que queria acreditar que era.
Sinto-me uma estranha em mim…na minha pele…
Desconheço o mundo pela minha perspectiva.
Discordo de mim própria em imensas coisas.
Contradigo-me …vezes sem conta…tentando encontrar alguma forma de autocontrolo no meio de todo o caos…
Sabes, às vezes vemos pessoas e lugares que não estão lá…vivemos dia-a-dia condenados a esta realidade esquizofrénica.
Suponho agora que tinhas razão…um dia ia acabar por me desencantar com a vida… ou a vida iria acabar por se desencantar comigo. Aconteceram as duas situações quase em simultâneo.
Se existe realmente um dia em que…pronto…assumimos a derrota…hoje é esse dia para mim…
Do que é que eu estava á espera afinal?! Já o podia ter feito há imenso tempo…podia e devia…
Mas parece que nunca queremos assumir a derrota sem ter nunca na verdade lutado…mas…sim…não lutar é essa, claramente, a derrota…
Quero que saibas que admito que a culpa é minha. Aceito isso sem apreensão alguma.
E sou tão culpada até na forma de viver tudo isto…amanhã talvez acorde e nada mais disto tenha sentido…percebes? Amanhã de repente posso voltar a encantar-me com a vida…e assim permaneço… numa constante sucessão alternada de amnésia momentânea…
Eu devia manter um padrão…não devia?
Eu devia ser regular…assumir a derrota e pronto…encerrar tudo…fechar as portas para quaisquer outros momentos…eu devia…rejeitar, de uma vez, a realidade…a esperança…devia me cansar de renovar o equilíbrio…as forças…a harmonia…
Depois espera-se um novo ciclo de total frustração…
Eu devia, de uma vez por todas…escolher um lado…ser uma coisa e não outra…
Esta dicotomia do meu “eu”…esta artificialidade da minha existência...deixa-me sem saber quem sou eu…se sou…ou se já não sou mais…mas provavelmente já não sou…
sábado, 5 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A posse
Dizem que “as coisas que possuímos acabam possuindo-nos”…sem dúvida que é verdade…mas as coisas que não possuímos, conseguem nos possuir de uma forma mais intensa.
As coisas que possuímos, conseguem dominar-nos imenso…tornando-nos escravos delas…nada a fazer…mas, no entanto, as coisas que já temos acabam por se tornar banais ao fim de algum tempo, e depois deixam de nos interessar tanto e, eventualmente, acabam por perder o significado total para nós.
Mas as coisas que não possuímos…e que desejávamos imenso possuir…e são difíceis ou até impossíveis de conseguir…essas sim…apoderam-se imenso de toda a nossa existência…entranham-se no nosso olhar…penetram no mais profundo do nosso cérebro…perfuram a nossa pele…fazem estragos na nossa realidade.
Primeiro surgem apenas num pensamento mais regular que todos os outros…depois começam a ocorrer constantemente na nossa cabeça…sempre ali a chamar a atenção…enquanto tentamos ignorar os seus estímulos…depois tornam-se vírus…tumores…obsessões…
Há uma fase em que conseguimos viver com isso…conseguimos estabelecer uma relação racional com essas obsessões…um dia apercebemos que se torna difícil controlar as situações…como se estivéssemos possessos por uma força sobrenatural…
O resto é dispensável …nada mais importa…a nossa vida pode estar perfeita…que não nos interessa…porque nos falta algo…falta sempre algo…mesmo que seja algo que efectivamente não traria nenhuma melhoria na nossa vivência…mas que mesmo assim nós acreditamos que, tendo aquilo, seríamos imensamente felizes.
Possivelmente, conseguimos atingir algumas das nossas obsessões…que depois prosseguem o seu ciclo na nossa vida, e acabam por nada ser no final…
Mas há sempre as coisas que nunca conseguiremos ter…seja porque eram demasiado absurdas para as atingirmos, seja porque não tentámos o suficiente obtê-las, ou porque…enfim…não tinha que ser…”não se pode ter tudo”…e essas irão possuir-nos para sempre…caminhando ao nosso lado dia após dia…e, ironicamente, serão, de certa forma, sempre nossas…precisamente pelo facto de nunca as termos possuído…
As coisas que possuímos, conseguem dominar-nos imenso…tornando-nos escravos delas…nada a fazer…mas, no entanto, as coisas que já temos acabam por se tornar banais ao fim de algum tempo, e depois deixam de nos interessar tanto e, eventualmente, acabam por perder o significado total para nós.
Mas as coisas que não possuímos…e que desejávamos imenso possuir…e são difíceis ou até impossíveis de conseguir…essas sim…apoderam-se imenso de toda a nossa existência…entranham-se no nosso olhar…penetram no mais profundo do nosso cérebro…perfuram a nossa pele…fazem estragos na nossa realidade.
Primeiro surgem apenas num pensamento mais regular que todos os outros…depois começam a ocorrer constantemente na nossa cabeça…sempre ali a chamar a atenção…enquanto tentamos ignorar os seus estímulos…depois tornam-se vírus…tumores…obsessões…
Há uma fase em que conseguimos viver com isso…conseguimos estabelecer uma relação racional com essas obsessões…um dia apercebemos que se torna difícil controlar as situações…como se estivéssemos possessos por uma força sobrenatural…
O resto é dispensável …nada mais importa…a nossa vida pode estar perfeita…que não nos interessa…porque nos falta algo…falta sempre algo…mesmo que seja algo que efectivamente não traria nenhuma melhoria na nossa vivência…mas que mesmo assim nós acreditamos que, tendo aquilo, seríamos imensamente felizes.
Possivelmente, conseguimos atingir algumas das nossas obsessões…que depois prosseguem o seu ciclo na nossa vida, e acabam por nada ser no final…
Mas há sempre as coisas que nunca conseguiremos ter…seja porque eram demasiado absurdas para as atingirmos, seja porque não tentámos o suficiente obtê-las, ou porque…enfim…não tinha que ser…”não se pode ter tudo”…e essas irão possuir-nos para sempre…caminhando ao nosso lado dia após dia…e, ironicamente, serão, de certa forma, sempre nossas…precisamente pelo facto de nunca as termos possuído…
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
"I fake it so real I am beyond fake..."
You’re a wreck. A mistake.
You’re a fake. A player.
Are you about to win?
How often do you do this?
How phony are you?
Nobody knows you. You don’t make a big impression. You’re not that quite enthusiastic. You’re just another girl alone at the bar.
Everyday you wake up pretending you’re someone else...walking around with your fancy Munchausen syndrome.I think you just got bored of your life.
You’re so egotistical. Locked inside your little world, worshipping your own image, swaging your skeleton side to side as if you’re something special.
Have you ever notice how pretentious you are?
You spend hours idolizing your reflection on the mirror, as if it’s some sort of a painting…a work of art…
Are you afraid of facing the fact that you’re just another ordinary person in the middle of the crowd?
You’re not the main character of this low budget movie.
Your big show is a failure. Nobody is clapping for you on the audience.
You’re a fake. A player.
Are you about to win?
How often do you do this?
How phony are you?
Nobody knows you. You don’t make a big impression. You’re not that quite enthusiastic. You’re just another girl alone at the bar.
Everyday you wake up pretending you’re someone else...walking around with your fancy Munchausen syndrome.I think you just got bored of your life.
You’re so egotistical. Locked inside your little world, worshipping your own image, swaging your skeleton side to side as if you’re something special.
Have you ever notice how pretentious you are?
You spend hours idolizing your reflection on the mirror, as if it’s some sort of a painting…a work of art…
Are you afraid of facing the fact that you’re just another ordinary person in the middle of the crowd?
You’re not the main character of this low budget movie.
Your big show is a failure. Nobody is clapping for you on the audience.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Combustão
O crepitar insólito das labaredas a absorver a madeira dos móveis.
Indiferença. Perante a destruição.
Não creio que me deveria importar.
Indiferença. Perante a destruição.
Não creio que me deveria importar.
domingo, 29 de novembro de 2009
sábado, 28 de novembro de 2009
A escolha
É uma escolha que fazes.
Um dia simplesmente viras as costas e vais embora.
É uma escolha que fazes.
Nada mais.
E o processo repete-se inúmeras vezes.
A vida é feita de partidas, como se apenas as partidas (interiores ou exteriores) conduzissem a começos e recomeços.
É uma escolha que fazes. Certo ou errado…não sabes bem…e jamais poderás saber…
Cedo ou tarde…é sempre subjectivo…
É uma escolha. Um dia o teu corpo e o teu espírito cansam-se. Esgotam-se. Despejam-se de tudo o que os agarrava a um momento. A algo. A um lugar. A um sentimento. E tu tens que recarregá-los. Longe ou perto. Não sabes. Não importa. Mas sabes que tem que ser “noutro lugar”, sendo que não é necessário que seja um lugar físico, real…pode ser apenas uma mudança dentro de ti. Às vezes as maiores mudanças da vida ocorrem sem que tenhas que dar um único passo. Não tens que mudar de casa, mudar de cidade, de país, de nome…não tens que fazer uma mudança de visual extravagante… nem tens inventar uma felicidade absurda. Nem necessitas de te afogar em frases feitas retiradas de livros de auto-ajuda, nem tens que te convencer que “daqui para a frente tudo vai ser melhor”…porque foi isso que te causou a infelicidade em primeiro lugar…a expectativa.
Tens apenas que aceitar que há um tempo para tudo, que a vida não é rectilínea…que não tens que permanecer imutável durante o tempo todo…que te é dado o poder de mudares tudo, a qualquer hora, em qualquer circunstância…e que deves usar esse poder…
Tens apenas que pensar que é a vida…que as coisas são assim…não é como nos filmes…em que todas as situações, por mais absurdas e impossíveis que possam parecer, acabam sempre por ter uma resolução…um “final”…não tens que esperar essa resolução na tua vida…ás vezes, simplesmente não há resolução alguma…ou então essa inexistência aparente de uma resolução, é, por si só, já a resolução…
Tens que compreender que momentos vão e vêem…e saber que tens que perder algumas coisas, para que possas conseguir recolher coisas novas…como se a vida te tivesse dado uma grande mala de viagem…onde vais acumulando coisas ao longo da caminhada…mas que a uma determinada altura vai ficando cheia demais…e tens que te livrar de algumas coisa… caso contrário terás que carregar para o resto dos dias o peso das coisas que já não te servem para nada.
É uma escolha que fazes.
Um dia simplesmente, viras as costas e vais embora.
É fácil. Indolor. E nem precisas de mudar nada se assim o quiseres.
Um dia simplesmente viras as costas e vais embora.
É uma escolha que fazes.
Nada mais.
E o processo repete-se inúmeras vezes.
A vida é feita de partidas, como se apenas as partidas (interiores ou exteriores) conduzissem a começos e recomeços.
É uma escolha que fazes. Certo ou errado…não sabes bem…e jamais poderás saber…
Cedo ou tarde…é sempre subjectivo…
É uma escolha. Um dia o teu corpo e o teu espírito cansam-se. Esgotam-se. Despejam-se de tudo o que os agarrava a um momento. A algo. A um lugar. A um sentimento. E tu tens que recarregá-los. Longe ou perto. Não sabes. Não importa. Mas sabes que tem que ser “noutro lugar”, sendo que não é necessário que seja um lugar físico, real…pode ser apenas uma mudança dentro de ti. Às vezes as maiores mudanças da vida ocorrem sem que tenhas que dar um único passo. Não tens que mudar de casa, mudar de cidade, de país, de nome…não tens que fazer uma mudança de visual extravagante… nem tens inventar uma felicidade absurda. Nem necessitas de te afogar em frases feitas retiradas de livros de auto-ajuda, nem tens que te convencer que “daqui para a frente tudo vai ser melhor”…porque foi isso que te causou a infelicidade em primeiro lugar…a expectativa.
Tens apenas que aceitar que há um tempo para tudo, que a vida não é rectilínea…que não tens que permanecer imutável durante o tempo todo…que te é dado o poder de mudares tudo, a qualquer hora, em qualquer circunstância…e que deves usar esse poder…
Tens apenas que pensar que é a vida…que as coisas são assim…não é como nos filmes…em que todas as situações, por mais absurdas e impossíveis que possam parecer, acabam sempre por ter uma resolução…um “final”…não tens que esperar essa resolução na tua vida…ás vezes, simplesmente não há resolução alguma…ou então essa inexistência aparente de uma resolução, é, por si só, já a resolução…
Tens que compreender que momentos vão e vêem…e saber que tens que perder algumas coisas, para que possas conseguir recolher coisas novas…como se a vida te tivesse dado uma grande mala de viagem…onde vais acumulando coisas ao longo da caminhada…mas que a uma determinada altura vai ficando cheia demais…e tens que te livrar de algumas coisa… caso contrário terás que carregar para o resto dos dias o peso das coisas que já não te servem para nada.
É uma escolha que fazes.
Um dia simplesmente, viras as costas e vais embora.
É fácil. Indolor. E nem precisas de mudar nada se assim o quiseres.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A resposta
E se conseguisses ter aquilo que sempre mais desejaste?
E se o perdesses logo de seguida?
E se o voltasses a ter mesmo sabendo que já não te pertencia?
O filme pára no momento crucial e, por mais que carregues no “Play”, ele não prossegue.
Demoras imenso tempo para chegar a um lugar, e quando lá chegas…esse lugar já não existe.
Uma imensidão de tempo a tentar encontrar a resposta para aquela pergunta incessante na tua existência…e um dia quando a encontras… já não precisas dela...já tens uma nova pergunta...
Tens um conjunto de regras guardado em ti que foste acumulando com o passar do tempo. Mas de que te servem todas elas? Na maior parte das situações da tua vida só conseguirás sobreviver se não as respeitares.
Qual é a resposta para tudo isto?
Qual é o propósito?
Para onde caminhamos?
E se o perdesses logo de seguida?
E se o voltasses a ter mesmo sabendo que já não te pertencia?
O filme pára no momento crucial e, por mais que carregues no “Play”, ele não prossegue.
Demoras imenso tempo para chegar a um lugar, e quando lá chegas…esse lugar já não existe.
Uma imensidão de tempo a tentar encontrar a resposta para aquela pergunta incessante na tua existência…e um dia quando a encontras… já não precisas dela...já tens uma nova pergunta...
Tens um conjunto de regras guardado em ti que foste acumulando com o passar do tempo. Mas de que te servem todas elas? Na maior parte das situações da tua vida só conseguirás sobreviver se não as respeitares.
Qual é a resposta para tudo isto?
Qual é o propósito?
Para onde caminhamos?
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
“Can you feel this? I’m dying to feel this.”
Blood…flesh…screams…
Pain…pleasure…
I woke up again in a strange place…
There comes my world again…falling down…
The writings in the wall tell me things I can’t understand…
The room is full of empty boxes…empty glasses…empty bottles…
Emptiness…meaningless…
Despair…
Faded pictures scattered on the floor…nameless faces…
Empty pages on an old book…
I am alone.
Am I alone?
I can’t see my reflection on the mirror…once again…
“Kill me!”…the voices say…
It’s cold…so cold…
It’s dark…so dark…
Blood…cold blood on the floor…
Can you feel this?
This damnation…
This suffocation…
This agony …
This…
Silence…
I guess you can’t feel this…
I’m confused as I walk around in this horrific place…
“Don’t look at me!”…the voices scream…
Or am I the one who’s screaming?
I scream.
The door is locked.
I’m trapped inside this tragic nightmare.
Reality…or delusion?
“Die!”…the voices shout…
I can hear them… I can hear them…
Can I hear them?
I can feel their voices… like razors cutting down my skin…
Can you feel this?
There are no colours here…
I lie down on the floor...as I drown in this perverse black and white madness.
Can you feel this?
Pain…pleasure…
I woke up again in a strange place…
There comes my world again…falling down…
The writings in the wall tell me things I can’t understand…
The room is full of empty boxes…empty glasses…empty bottles…
Emptiness…meaningless…
Despair…
Faded pictures scattered on the floor…nameless faces…
Empty pages on an old book…
I am alone.
Am I alone?
I can’t see my reflection on the mirror…once again…
“Kill me!”…the voices say…
It’s cold…so cold…
It’s dark…so dark…
Blood…cold blood on the floor…
Can you feel this?
This damnation…
This suffocation…
This agony …
This…
Silence…
I guess you can’t feel this…
I’m confused as I walk around in this horrific place…
“Don’t look at me!”…the voices scream…
Or am I the one who’s screaming?
I scream.
The door is locked.
I’m trapped inside this tragic nightmare.
Reality…or delusion?
“Die!”…the voices shout…
I can hear them… I can hear them…
Can I hear them?
I can feel their voices… like razors cutting down my skin…
Can you feel this?
There are no colours here…
I lie down on the floor...as I drown in this perverse black and white madness.
Can you feel this?
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Às vezes esquecemo-nos...
Às vezes esquecemo-nos do que temos
De quem somos…e de quem não somos…
Esquecemo-nos de caminhos…de músicas…de pessoas…
Às vezes esquecemo-nos de onde viemos…e para onde vamos…
Esquecemo-nos das horas…dos dias…dos anos…
Esquecemo-nos de coisas das quais sempre nos lembrávamos…
Esquecemo-nos do que os outros se lembram…
Esquecemo-nos de sentir…de viver…
Às vezes esquecemo-nos do quão importante algo é, só pelo simples facto de não o ser para o resto do mundo…
Esquecemo-nos da chuva no Verão…e do calor no Inverno…
Esquecemo-nos do ruído quando estamos demasiado tempo no silêncio…
E de nos levantarmos quando caímos...
Às vezes esquecemo-nos que as coisas têm um fim…
...E que nem sempre há frases belas e inspiradoras nos finais dos textos…
(…assim como nem sempre há finais felizes na vida…)
De quem somos…e de quem não somos…
Esquecemo-nos de caminhos…de músicas…de pessoas…
Às vezes esquecemo-nos de onde viemos…e para onde vamos…
Esquecemo-nos das horas…dos dias…dos anos…
Esquecemo-nos de coisas das quais sempre nos lembrávamos…
Esquecemo-nos do que os outros se lembram…
Esquecemo-nos de sentir…de viver…
Às vezes esquecemo-nos do quão importante algo é, só pelo simples facto de não o ser para o resto do mundo…
Esquecemo-nos da chuva no Verão…e do calor no Inverno…
Esquecemo-nos do ruído quando estamos demasiado tempo no silêncio…
E de nos levantarmos quando caímos...
Às vezes esquecemo-nos que as coisas têm um fim…
...E que nem sempre há frases belas e inspiradoras nos finais dos textos…
(…assim como nem sempre há finais felizes na vida…)
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Eu não sei como cheguei aqui…e não consigo daqui sair…
Não há nada para além daquela porta, e eu não tenho a chave.
Eu não sei para onde ir, porque não sei onde estou.
Estou perdida sem ter dado um único passo.
Mesmo permanecendo aqui, parada, perdi-me neste colosso de sucessões efémeras…
Às vezes as coisas vêm e vão tão repentinamente que nem nos apercebemos delas, e nem conseguimos ver o nosso lugar nelas…e por isso perdemo-nos antes de algo acontecer…
Estou tão perdida que nem consigo voltar para casa…que nem sei já onde é a minha casa…
Estou tão perdida que todos os lugares parecem iguais…
Tão perdida estou que nada mais me cativa…
Tão perdida estou que qualquer lugar é o meu lugar…e nenhum é de facto meu…
Eu não sei como cheguei aqui…parece que adormeci algures…e acordei aqui de repente, sem uma única pista de como aqui vim parar…sem um mapa para saber onde me localizo exactamente …
Uma parte de mim tenta desesperadamente escapar deste estranho lugar…outra parte de mim tenta encaixar-se neste puzzle…
Eu não sei como cheguei aqui…mas deve haver uma forma de sair…
Não há nada para além daquela porta, e eu não tenho a chave.
Eu não sei para onde ir, porque não sei onde estou.
Estou perdida sem ter dado um único passo.
Mesmo permanecendo aqui, parada, perdi-me neste colosso de sucessões efémeras…
Às vezes as coisas vêm e vão tão repentinamente que nem nos apercebemos delas, e nem conseguimos ver o nosso lugar nelas…e por isso perdemo-nos antes de algo acontecer…
Estou tão perdida que nem consigo voltar para casa…que nem sei já onde é a minha casa…
Estou tão perdida que todos os lugares parecem iguais…
Tão perdida estou que nada mais me cativa…
Tão perdida estou que qualquer lugar é o meu lugar…e nenhum é de facto meu…
Eu não sei como cheguei aqui…parece que adormeci algures…e acordei aqui de repente, sem uma única pista de como aqui vim parar…sem um mapa para saber onde me localizo exactamente …
Uma parte de mim tenta desesperadamente escapar deste estranho lugar…outra parte de mim tenta encaixar-se neste puzzle…
Eu não sei como cheguei aqui…mas deve haver uma forma de sair…
domingo, 15 de novembro de 2009
"You pretend you're anything, just to be adored."
Um dos segredos da vida – a vida em sociedade - é eu saber até que ponto é que te consigo enganar, e tu saberes até que ponto é que me consegues enganar.
A vida em sociedade é isto…esquemas…enredos…farsas que criamos para acreditarmos e/ou levarmos os outros a acreditarem que tudo isto tem interesse.
Porque somos vendedores de mentiras. E vendemo-las sem nos apercebermos…ás vezes sem querermos…outras vezes de uma forma claramente intencional…algumas vezes vendemo-las as pessoas que não as queriam comprar…outras vezes vendemo-las aos que andavam exactamente á procura delas.
A vida, tal como a conhecemos, seria impossível se nos fosse retirada a possibilidade de mentir. Mentir é o respirar da sociedade. Ninguém nota. Ninguém se importa. Todos seguem o mesmo costume sem questionar.
Mentimos…fingimos…iludimos ….enganamos…simulamos…seja qual for o nome que lhe dermos …a intenção é a mesma.
Frases como “Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo” e “ A mentira tem perna curta”…não fazem muito sentido…porque, na verdade há imensos mentirosos que nunca foram apanhados e jamais serão…e mentiras que nunca chegam a ser vistas como tal…
Até que ponto conseguimos iludir os outros para que eles nos idolatrem? Para que nos tornemos deuses? Para que todas as nossas acções e frases sejam dogmas indubitáveis?
Até que ponto conseguimos transfigurar a nossa realidade e a realidade daqueles que “compram” as nossas mentiras?
A vida em sociedade é isto…esquemas…enredos…farsas que criamos para acreditarmos e/ou levarmos os outros a acreditarem que tudo isto tem interesse.
Porque somos vendedores de mentiras. E vendemo-las sem nos apercebermos…ás vezes sem querermos…outras vezes de uma forma claramente intencional…algumas vezes vendemo-las as pessoas que não as queriam comprar…outras vezes vendemo-las aos que andavam exactamente á procura delas.
A vida, tal como a conhecemos, seria impossível se nos fosse retirada a possibilidade de mentir. Mentir é o respirar da sociedade. Ninguém nota. Ninguém se importa. Todos seguem o mesmo costume sem questionar.
Mentimos…fingimos…iludimos ….enganamos…simulamos…seja qual for o nome que lhe dermos …a intenção é a mesma.
Frases como “Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo” e “ A mentira tem perna curta”…não fazem muito sentido…porque, na verdade há imensos mentirosos que nunca foram apanhados e jamais serão…e mentiras que nunca chegam a ser vistas como tal…
Até que ponto conseguimos iludir os outros para que eles nos idolatrem? Para que nos tornemos deuses? Para que todas as nossas acções e frases sejam dogmas indubitáveis?
Até que ponto conseguimos transfigurar a nossa realidade e a realidade daqueles que “compram” as nossas mentiras?
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
E há sempre um momento em que o que eu escrevo não tem sentido algum...
Há sempre um momento em que perdemos mais quando ganhamos…
Um momento em que partimos mais quando ficamos…
Um momento em que mentimos mais com a verdade…
Um momento em que nos interessamos mais quando mostramos indiferença…
Um momento em que falamos mais com o silêncio…
Há sempre um momento em que despertamos mais quando adormecidos…
Um momento em que o calor é mais frio que o próprio frio…
Um momento em que estamos mais sozinhos rodeados de pessoas…
Um momento em que choramos mais a sorrir…
Um momento em que nos falta mais quando já temos tudo…
Há sempre um momento em que somos mais novos mesmo mais velhos…
Um momento que mesmo curto permanece por uma vida…
Um momento em que o errado é certo…
Um momento em ajudamos mais se não ajudarmos…
Um momento em que saímos muito antes de entrar…
Há sempre um momento que as contradições redundam-se…as redundâncias adjectivam-se…os adjectivos contradizem-se…o preto é branco…o dia é noite…os ouvidos vêem …os olhos saboreiam…as mãos ouvem…em que a perfeição é imensamente imperfeita…a beleza é medonha…e a hediondez é harmoniosa…o sangue é água…e a água é veneno… as lâminas são suaves como penas…em que os sonhos nada mais são que pesadelos… o subjectivo é objectivo….o perto é excessivamente longe…e sim…o fim é o inicio…a minha preferida de todas as contradições…
Um momento em que partimos mais quando ficamos…
Um momento em que mentimos mais com a verdade…
Um momento em que nos interessamos mais quando mostramos indiferença…
Um momento em que falamos mais com o silêncio…
Há sempre um momento em que despertamos mais quando adormecidos…
Um momento em que o calor é mais frio que o próprio frio…
Um momento em que estamos mais sozinhos rodeados de pessoas…
Um momento em que choramos mais a sorrir…
Um momento em que nos falta mais quando já temos tudo…
Há sempre um momento em que somos mais novos mesmo mais velhos…
Um momento que mesmo curto permanece por uma vida…
Um momento em que o errado é certo…
Um momento em ajudamos mais se não ajudarmos…
Um momento em que saímos muito antes de entrar…
Há sempre um momento que as contradições redundam-se…as redundâncias adjectivam-se…os adjectivos contradizem-se…o preto é branco…o dia é noite…os ouvidos vêem …os olhos saboreiam…as mãos ouvem…em que a perfeição é imensamente imperfeita…a beleza é medonha…e a hediondez é harmoniosa…o sangue é água…e a água é veneno… as lâminas são suaves como penas…em que os sonhos nada mais são que pesadelos… o subjectivo é objectivo….o perto é excessivamente longe…e sim…o fim é o inicio…a minha preferida de todas as contradições…
Solidão
Caminho por entre a multidão…e as ruas estão vazias…
Pessoas…pessoas e mais pessoas…preenchem o espaço…e, no entanto, está tudo deserto…
Está escuro…e o dia acabou de nascer…
Há vozes espalhadas em torno da minha presença…mas o silêncio inunda a minha passagem…
Há caras familiares para onde quer que olhe…e,no entanto,todas são desconhecidas para mim…
Estou sozinha…e,no entanto, não estou só…
Pessoas…pessoas e mais pessoas…preenchem o espaço…e, no entanto, está tudo deserto…
Está escuro…e o dia acabou de nascer…
Há vozes espalhadas em torno da minha presença…mas o silêncio inunda a minha passagem…
Há caras familiares para onde quer que olhe…e,no entanto,todas são desconhecidas para mim…
Estou sozinha…e,no entanto, não estou só…
domingo, 25 de outubro de 2009
“Forget the freak, you’re just nature.”
I’ve got beer on my dress…
I’ve got ash on my shoes and my hand is burned.
The world is spinning around and I feel sick.
Who are you?
Have you been here all along?
Are you the only witness of my decay?
Somebody killed the night, and I don’t know how.
Was it I?
I’m talking random. I’m saying things I shouldn’t never had said.
I’m walking to the edge…I’m doing things that will haunt me later.
Where am I now?
I feel like I’m lying on the floor.
I’m really lying on the floor.
They’re saying things…I can hear them…but they think I don’t…
I’ve never been so conscious before, and yet, I have no idea what I’m thinking of.
I’ve got beer on my dress…I’ve got ash on my shoes…and I think that I’ve just died…
I know what you’re thinking… “You took too much…or “you’re just too pathetic…you pretend that you’re controlling the situation but, look at you…you’re such a mess…what the hell do you want to prove? Just go ahead, drink a little bit more…maybe just another drink…we know that you can do it…we know that you want to do it…look at you…you’re such a joke! You’re ridiculous! You’re so sad that make us laugh!”
All the people around me look like horrific monsters that came to devour me alive…
Everything is blurry…
Everything seems drenched in a giant white shadow…
The reality is just a bunch of holograms…
And I don’t care…I really don’t…
Should I care…?
I’ve got ash on my shoes and my hand is burned.
The world is spinning around and I feel sick.
Who are you?
Have you been here all along?
Are you the only witness of my decay?
Somebody killed the night, and I don’t know how.
Was it I?
I’m talking random. I’m saying things I shouldn’t never had said.
I’m walking to the edge…I’m doing things that will haunt me later.
Where am I now?
I feel like I’m lying on the floor.
I’m really lying on the floor.
They’re saying things…I can hear them…but they think I don’t…
I’ve never been so conscious before, and yet, I have no idea what I’m thinking of.
I’ve got beer on my dress…I’ve got ash on my shoes…and I think that I’ve just died…
I know what you’re thinking… “You took too much…or “you’re just too pathetic…you pretend that you’re controlling the situation but, look at you…you’re such a mess…what the hell do you want to prove? Just go ahead, drink a little bit more…maybe just another drink…we know that you can do it…we know that you want to do it…look at you…you’re such a joke! You’re ridiculous! You’re so sad that make us laugh!”
All the people around me look like horrific monsters that came to devour me alive…
Everything is blurry…
Everything seems drenched in a giant white shadow…
The reality is just a bunch of holograms…
And I don’t care…I really don’t…
Should I care…?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
...............
Estás perdida. Acabada.
Todos os dias acordas no mesmo sítio, da mesma forma.
Estás presa numa rotina que não é a tua, mas na qual entraste por acidente e agora da qual não consegues sair.
As medicações acumulam-se.
Cada vez mais fortes. Cada vez mais mortíferas.
Psiquiatria sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Sobrevives. Tentas sobreviver, fugindo da sobriedade dos dias.
As garrafas sucedem-se…uma após outra…vazias.
Terapia sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Queres partilhar connosco a tua história?
Nós ajudamos-te.
Só tens que falar.
Não funciona.
Mais um dia. Mais um fracasso.
A comida não tem sabor. Já não a sentes. Já mal consegues mastigar. Nem dormir. As tuas funções vitais estão a deteriorar-se.
Hospital à direita. Suicido à esquerda.
Há pessoas a chamarem-te.
Ouves?
Provavelmente não ouves. Ou se as ouves preferes ignorá-las.
São apenas ruídos longínquos e absurdos que tentam irromper o teu delírio.
Fala. Diz o que sentes. O que vês que os outros não vêem.
Conta. Expõe o quão doente és. Todos vão querer ouvir-te. E ajudar-te.
Vai correr tudo bem.
Psiquiatria sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
A loucura é a única coisa que torna a vida interessante, porque transfigura-a.
Disfarça-a. Suaviza-a.
Enchem-te a cabeça de ideias. Dogmas. Crenças, cuja única função é manipular-te e privar-te de quaisquer hipóteses de livre arbítrio.
A tua alma está impura. As tuas mãos também. Todo o teu corpo.
Confissão sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Fala. Confessa tudo. “A verdade libertar-te-á.”
Deixa o bem prevalecer sobre o mal.
Só assim poderás ser perdoada.
És inconsequente. Inconsciente. Absurda. Desequilibrada.
Vives num mundo à parte que criaste para te proteger da realidade, mas agora os monstros que alimentaste na tua cabeça, estão cheios de vontade de te devorar.
Precisas de dormir. Meses.
E no entanto, não consegues acordar.
Estás sozinha. Completamente sozinha.
Pensavas que não?!
Como podes ser tão cega?
Tentas sair. Há uma porta.
Podes sair. Só tens que abrir a porta, e sorrir.
Realidade sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Tudo o que tens a fazer é escolher, mas não importa o caminho, o final é o mesmo.
Todos os dias acordas no mesmo sítio, da mesma forma.
Estás presa numa rotina que não é a tua, mas na qual entraste por acidente e agora da qual não consegues sair.
As medicações acumulam-se.
Cada vez mais fortes. Cada vez mais mortíferas.
Psiquiatria sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Sobrevives. Tentas sobreviver, fugindo da sobriedade dos dias.
As garrafas sucedem-se…uma após outra…vazias.
Terapia sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Queres partilhar connosco a tua história?
Nós ajudamos-te.
Só tens que falar.
Não funciona.
Mais um dia. Mais um fracasso.
A comida não tem sabor. Já não a sentes. Já mal consegues mastigar. Nem dormir. As tuas funções vitais estão a deteriorar-se.
Hospital à direita. Suicido à esquerda.
Há pessoas a chamarem-te.
Ouves?
Provavelmente não ouves. Ou se as ouves preferes ignorá-las.
São apenas ruídos longínquos e absurdos que tentam irromper o teu delírio.
Fala. Diz o que sentes. O que vês que os outros não vêem.
Conta. Expõe o quão doente és. Todos vão querer ouvir-te. E ajudar-te.
Vai correr tudo bem.
Psiquiatria sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
A loucura é a única coisa que torna a vida interessante, porque transfigura-a.
Disfarça-a. Suaviza-a.
Enchem-te a cabeça de ideias. Dogmas. Crenças, cuja única função é manipular-te e privar-te de quaisquer hipóteses de livre arbítrio.
A tua alma está impura. As tuas mãos também. Todo o teu corpo.
Confissão sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Fala. Confessa tudo. “A verdade libertar-te-á.”
Deixa o bem prevalecer sobre o mal.
Só assim poderás ser perdoada.
És inconsequente. Inconsciente. Absurda. Desequilibrada.
Vives num mundo à parte que criaste para te proteger da realidade, mas agora os monstros que alimentaste na tua cabeça, estão cheios de vontade de te devorar.
Precisas de dormir. Meses.
E no entanto, não consegues acordar.
Estás sozinha. Completamente sozinha.
Pensavas que não?!
Como podes ser tão cega?
Tentas sair. Há uma porta.
Podes sair. Só tens que abrir a porta, e sorrir.
Realidade sala à direita. Suicídio sala à esquerda.
Tudo o que tens a fazer é escolher, mas não importa o caminho, o final é o mesmo.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Quebrei o espelho de novo.
O sangue seca nos pedaços de vido espalhados pelo chão.
O meu reflexo repousa agora nas entranhas do inferno.
Espectros canibais famintos ressurgem no caos.
Quem sou eu?
Não sou mais eu.
O pêndulo indica uma resposta para a qual eu não tinha sequer formulado uma pergunta.
Não sei ao certo o que criei. Não sei igualmente o que matei.
E não sei o que permaneceu.
Peça a peça. Membro a membro.
Sucumbe…
Lentamente…dolorosamente.
O inicio teve o seu inicio.
O recomeço teve o seu recomeço.
O fim não terá o seu fim…
O sangue seca nos pedaços de vido espalhados pelo chão.
O meu reflexo repousa agora nas entranhas do inferno.
Espectros canibais famintos ressurgem no caos.
Quem sou eu?
Não sou mais eu.
O pêndulo indica uma resposta para a qual eu não tinha sequer formulado uma pergunta.
Não sei ao certo o que criei. Não sei igualmente o que matei.
E não sei o que permaneceu.
Peça a peça. Membro a membro.
Sucumbe…
Lentamente…dolorosamente.
O inicio teve o seu inicio.
O recomeço teve o seu recomeço.
O fim não terá o seu fim…
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
É agora…á luz verde da noite que abraça o meu redor…que tudo me parece claro…que o caos e a serenidade se juntam…que sou um ser indecifrável numa imensidão desajustada…há imagens, sons…antigos…recentes….permanentes e efémeros…e eu sou uma sombra inerte nesta infinidade de luz que rodeia o meu corpo…
E o mundo tornou-se um lugar estranho para pessoas como eu…
E o mundo tornou-se um lugar estranho para pessoas como eu…
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
“Não peço que me sigam, pois também estou perdida …”
Quanto mais tento descobrir algo de “bom” em mim, mais me apercebo de que o mais provável é não haver mesmo nada de bom em mim. É uma realidade que eu tenho que aceitar. Alguém um dia me disse que eu não era uma má pessoa, mas que gostava de fingir que o era. Mas estava muito enganado, porque o que é verdade é exactamente o contrário: sou uma péssima pessoa, a tentar parecer boa pessoa. No fundo sou uma criadora de mentiras, de disfarces, de enigmas…e tudo isto me deixa bastante desordenada. Não sou mais que uma personagem de uma história qualquer que eu criei, e da qual não consigo sair. Perdi a capacidade de discernimento entre a “minha” realidade e a minha ficção.
Confuso isto, não?
Não sei…talvez…
Descobri que tenho uma certa habilidade para criar ruína, pouco a pouco…vai minando…
Tenho igualmente uma habilidade extraordinária para ser completamente desinteressada em relação a tudo e a todos.
Será o meu verdadeiro “eu”…ou a minha personagem?
Ou o meu verdadeiro “eu”, é no fundo a personagem…
Seja como for, tudo surge de forma extremamente confusa para mim…estou meio emaranhada entre vários mundos, várias realidades, várias personalidades…alucinações…sonhos…pesadelos…e momentos de qualquer coisa a que nem sei se lhe possa chamar “realidade”…
Afinal a realidade e a ficção são bastante subjectivas.
Como saber onde começa uma, e acaba a outra…ou vice versa…
Eu promovo o caos. Como se fosse uma certa forma de prazer escondido…
E depois, no fundo ainda consigo-me “divertir”com este caos autoproposto.
Uma vez mais volto a este poema…porque continua a fazer imenso sentido.
“Não peço que me sigam,
pois também estou perdida.
Desconheço até as profundezas de mim mesma,
persigo em busca de respostas
e só encontro a individualidade obscura contra as verdades absolutas, hipócritas....
Às vezes renuncio ao consciente para me sentir viva
e fantasio nas sombras do subconsciente
e por mais que seja ilusão,
vejo uma realidade minha,
reflexo da minha imaginação..."
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Eventualmente, acabamos por seguir os caminhos errados na vida. Nada a fazer. Acabamos por numa certa altura da vida por perder o controlo da realidade, dos factos. As situações desenrolam-se á nossa volta e tudo surge como um conjunto de hologramas. Às vezes parece que não conseguimos tocar a realidade, como se tivéssemos sido depositados à pressa dentro de um filme. A história já está delineada, os personagens seguem o seu rumo. E a nós não nos é permitido alterar nada. Limitamo-nos a ficar a observar o decorrer da história. No entanto, poder-nos-á agradar a posição de passividade. É confortável.
Eventualmente, dizia eu, acabamos mesmo por seguir os caminhos errados na vida…e às vezes escolhemo-los…mesmo só por serem errados. Eventualmente, encontrar-nos-emos em situações estranhas, com pessoas estranhas em lugares ainda mais estranhos. Às vezes parece que algo interrompe o seguimento normal do “filme”, há partes que parecem cortadas, e portanto não percebemos a sequência de algumas cenas.
Eventualmente, os nossos sonhos não se irão realizar. Pelo menos a maior parte deles.
Os sonhos são uma espécie de “cenoura á frente do cavalo”, são apenas um incentivo para continuarmos contentes no dia-a-dia. É como em miúdos quando nos diziam que o Pai Natal existia, e que, se nos portássemos bem, ele trazer-nos-ia o presente que tanto desejávamos.
Os sonhos são publicidade. Ficção.
Eventualmente, a maioria das pessoas que consideramos importantes para nós hoje, deixarão de o ser com as circunstâncias da vida.
Eventualmente, teremos muitos momentos felizes. Uns longos outros muito curtos. Segundos apenas.
As coisas não serão boas o suficiente para nos deixar satisfeitos sempre, mas não serão igualmente más, que nos sintamos miseráveis o tempo todo. A vida é uma questão de equilíbrio e perspectiva.
Eventualmente, dizia eu, acabamos mesmo por seguir os caminhos errados na vida…e às vezes escolhemo-los…mesmo só por serem errados. Eventualmente, encontrar-nos-emos em situações estranhas, com pessoas estranhas em lugares ainda mais estranhos. Às vezes parece que algo interrompe o seguimento normal do “filme”, há partes que parecem cortadas, e portanto não percebemos a sequência de algumas cenas.
Eventualmente, os nossos sonhos não se irão realizar. Pelo menos a maior parte deles.
Os sonhos são uma espécie de “cenoura á frente do cavalo”, são apenas um incentivo para continuarmos contentes no dia-a-dia. É como em miúdos quando nos diziam que o Pai Natal existia, e que, se nos portássemos bem, ele trazer-nos-ia o presente que tanto desejávamos.
Os sonhos são publicidade. Ficção.
Eventualmente, a maioria das pessoas que consideramos importantes para nós hoje, deixarão de o ser com as circunstâncias da vida.
Eventualmente, teremos muitos momentos felizes. Uns longos outros muito curtos. Segundos apenas.
As coisas não serão boas o suficiente para nos deixar satisfeitos sempre, mas não serão igualmente más, que nos sintamos miseráveis o tempo todo. A vida é uma questão de equilíbrio e perspectiva.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Pelas coisas que nunca te disse, e que não te direi.
Pelo sim, pelo não.
Pelo oposto e pelo conciliável.
Pelos dias, pelas noites.
Por dentro e por fora.
Pelos sorrisos e pelas lágrimas.
Pelas dúvidas e pelas certezas.
Pela crueldade das horas, e pela frieza das circunstâncias.
Pelo que foi. Pelo que não foi.
Pelo que não será. Nunca.
Pelo que pensei.
E não pensei.
Pelo caminhar para o abismo.
Pelo regresso.
Por tudo.
Nada.
Pelo sim, pelo não.
Pelo oposto e pelo conciliável.
Pelos dias, pelas noites.
Por dentro e por fora.
Pelos sorrisos e pelas lágrimas.
Pelas dúvidas e pelas certezas.
Pela crueldade das horas, e pela frieza das circunstâncias.
Pelo que foi. Pelo que não foi.
Pelo que não será. Nunca.
Pelo que pensei.
E não pensei.
Pelo caminhar para o abismo.
Pelo regresso.
Por tudo.
Nada.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Megalomania - "Cupid bought a gun..."
É excessivo. Doentio. Obsessivo.
Contamina. Corrói. Esmaga.
É ensurdecedor. É como se o mundo repetisse em surdina a mesma palavra.
É uma partida. Sem regresso.
É uma queda. Sem consolação.
É quando se apaga a última luz viva. Como se de repente as estrelas se descolassem do céu e caíssem no solo…mortas…apagadas…para sempre.
É o momento em que a voz não consegue trespassar a barreira do silêncio. Quando as unhas ferem o branco da parede. E quando a primeira gota de sangue inunda o chão.
É o sufoco. A inexistência abrupta do nada sombrio.
É o momento em que o relógio permanece estático nas mesmas horas.
São seis da tarde? Meia-noite? Que dia é hoje?
E é sempre assim…quando um eco longínquo entoa de uma forma trémula e descompassada uma melodia há muito perdida…
É o choro da noite. O canto do silêncio. A dança das sombras.
É um veneno. Um tumor. Uma infecção. Um cadáver a céu aberto.
Uma poça de sangue putrefacto.
Uma luz em câmara lenta, num deserto de carne desfeita…destroços…
É a paranóia. A demência. A tragédia exasperada.
È uma necessidade compulsiva. Um vício.
Contamina. Corrói. Esmaga.
É ensurdecedor. É como se o mundo repetisse em surdina a mesma palavra.
É uma partida. Sem regresso.
É uma queda. Sem consolação.
É quando se apaga a última luz viva. Como se de repente as estrelas se descolassem do céu e caíssem no solo…mortas…apagadas…para sempre.
É o momento em que a voz não consegue trespassar a barreira do silêncio. Quando as unhas ferem o branco da parede. E quando a primeira gota de sangue inunda o chão.
É o sufoco. A inexistência abrupta do nada sombrio.
É o momento em que o relógio permanece estático nas mesmas horas.
São seis da tarde? Meia-noite? Que dia é hoje?
E é sempre assim…quando um eco longínquo entoa de uma forma trémula e descompassada uma melodia há muito perdida…
É o choro da noite. O canto do silêncio. A dança das sombras.
É um veneno. Um tumor. Uma infecção. Um cadáver a céu aberto.
Uma poça de sangue putrefacto.
Uma luz em câmara lenta, num deserto de carne desfeita…destroços…
É a paranóia. A demência. A tragédia exasperada.
È uma necessidade compulsiva. Um vício.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
"Life is an aimless drive that you take alone..."
Isto - a vida - não é um relato sobre grandiosas aventuras, enormes sorrisos e finais felizes…não é disso que a vida se compõe…a vida é, na sua essência mais pura e crua, solidão. Solidão e nada mais. E desenganem-se os idealistas desde o inicio. Será mais fácil depois lidar com a realidade. Demasiadas ilusões e esperanças só provocam mais solidão…mais dor.
De nada adianta serem “boas pessoas”, praticarem boas acções… as boas intenções não vos ajudarão, pelo contrário deixar-vos-ão mais vulneráveis…fracos…
Há uma enorme quantidade de pessoas cruéis que conseguem ter uma vida longa e próspera, e, por outro lado, há uma enorme quantidade de pessoas que se dedicam a ajudar outras enquanto que a vida delas se desmorona sem que ninguém se importe. A vida é atroz para as pessoas “boazinhas”. É um facto.
Podemos acreditar que a atitude positiva ajuda, mas devemos consciencializarmo-nos de antemão que a vida é uma jornada solitária…e que é completamente inútil lutarmos contra isso.
Estamos inevitavelmente condenados a viver para o tempo que ainda não nos pertence, a acreditar que o “amanhã será um dia melhor”…e o amanhã chega repentinamente e saberemos que tudo será igual.
Desiludam-se aqueles que vivem embalados em histórias utópicas e falsas crenças de felicidade eterna.
Isto não é uma exposição moralista de premissas aleatórias do senso comum…a vida na sua natureza mais genuína, é hostil…e de nada adianta tentarmos enganar os factos com eufemismos baratos.
O mundo não pára quando têm que chorar…simplesmente não quer saber…o mundo não espera por vós se precisarem de um tempo extra para delinearem a vossa vida…que importa isso? Nada…
Como já referi a vida é uma jornada solitária…acabarão por se aperceber disso (caso ainda não se tenham apercebido), que ao longo do vosso caminho vão deparar-se com situações em que a única pessoa com a qual poderão contar, é a vossa própria pessoa. Solidão…é disto que é feita a vida…não de sonhos como alguns acreditam…e fazem acreditar…a vida é uma viagem embrenhada em solidão. E pronto. Ninguém se importa. Eu não me importo.
Espero que percebam que o facto de eu pensar assim, não é, evidentemente uma escolha de ânimo leve, é não mais que uma constatação de episódios repetitivamente sucedidos em momentos constantes ao longo do tempo.
De nada adianta serem “boas pessoas”, praticarem boas acções… as boas intenções não vos ajudarão, pelo contrário deixar-vos-ão mais vulneráveis…fracos…
Há uma enorme quantidade de pessoas cruéis que conseguem ter uma vida longa e próspera, e, por outro lado, há uma enorme quantidade de pessoas que se dedicam a ajudar outras enquanto que a vida delas se desmorona sem que ninguém se importe. A vida é atroz para as pessoas “boazinhas”. É um facto.
Podemos acreditar que a atitude positiva ajuda, mas devemos consciencializarmo-nos de antemão que a vida é uma jornada solitária…e que é completamente inútil lutarmos contra isso.
Estamos inevitavelmente condenados a viver para o tempo que ainda não nos pertence, a acreditar que o “amanhã será um dia melhor”…e o amanhã chega repentinamente e saberemos que tudo será igual.
Desiludam-se aqueles que vivem embalados em histórias utópicas e falsas crenças de felicidade eterna.
Isto não é uma exposição moralista de premissas aleatórias do senso comum…a vida na sua natureza mais genuína, é hostil…e de nada adianta tentarmos enganar os factos com eufemismos baratos.
O mundo não pára quando têm que chorar…simplesmente não quer saber…o mundo não espera por vós se precisarem de um tempo extra para delinearem a vossa vida…que importa isso? Nada…
Como já referi a vida é uma jornada solitária…acabarão por se aperceber disso (caso ainda não se tenham apercebido), que ao longo do vosso caminho vão deparar-se com situações em que a única pessoa com a qual poderão contar, é a vossa própria pessoa. Solidão…é disto que é feita a vida…não de sonhos como alguns acreditam…e fazem acreditar…a vida é uma viagem embrenhada em solidão. E pronto. Ninguém se importa. Eu não me importo.
Espero que percebam que o facto de eu pensar assim, não é, evidentemente uma escolha de ânimo leve, é não mais que uma constatação de episódios repetitivamente sucedidos em momentos constantes ao longo do tempo.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Havia um tempo...
Havia um tempo em que eu sorria ao ver uma estrela cadente. Sorria e pedia um desejo.
Acreditava que a vida era simples. Feita de estrelas cadentes e desejos realizados.
Havia um tempo em que eu não tinha ainda atingido a superfície da realidade, andava dispersa em ilusões e esperanças no mais profundo da minha inocência. Era criança.
E não conseguia ser mais nada. Era feliz. Tinha pessoas felizes á minha volta. Os dias eram grandes, e neles cabiam todos os meus sonhos.
Havia um tempo em que nada importava. Apenas o presente. As decisões não definiam uma vida. Tudo era momentâneo e encantador.
Depois não sei o que aconteceu, eu mudei. O mundo á minha volta mudou. Mudaram os lugares, as pessoas, e os dias ficaram mais curtos e até as estrelas desapareceram do céu, ou eu comecei a esquecer-me de olhar para elas.
E alguém me disse que eu crescera. E haveria de continuar a crescer. E não havia nada que eu pudesse fazer. Era um processo fustigante e completamente irreversível.
Implicava mudanças. Á minha volta e em mim. E eu aceitei essa situação. E o tempo passou. Eu fui passando com ele. E vendo-o passar. A deixá-lo passar.
Pouco a pouco deixei de reconhecer a pessoa que me olhava no outro lado do espelho.
A distância aumentou. As caras á minha volta mudaram uma e outra vez...em chegadas e partidas... dia após dia fui-me perdendo em constantes metamorfoses e quase nem me dei conta disso…
Hoje sei que a vida não é feita de sonhos. E já não olho tanto para o céu e por isso já não vejo estrelas cadentes.
Mas se vir alguma, tenho a certeza que vou sorrir - um sorriso que me vai levar de volta a casa, á infância, á inocência… - e, claro vou pedir um desejo...
Acreditava que a vida era simples. Feita de estrelas cadentes e desejos realizados.
Havia um tempo em que eu não tinha ainda atingido a superfície da realidade, andava dispersa em ilusões e esperanças no mais profundo da minha inocência. Era criança.
E não conseguia ser mais nada. Era feliz. Tinha pessoas felizes á minha volta. Os dias eram grandes, e neles cabiam todos os meus sonhos.
Havia um tempo em que nada importava. Apenas o presente. As decisões não definiam uma vida. Tudo era momentâneo e encantador.
Depois não sei o que aconteceu, eu mudei. O mundo á minha volta mudou. Mudaram os lugares, as pessoas, e os dias ficaram mais curtos e até as estrelas desapareceram do céu, ou eu comecei a esquecer-me de olhar para elas.
E alguém me disse que eu crescera. E haveria de continuar a crescer. E não havia nada que eu pudesse fazer. Era um processo fustigante e completamente irreversível.
Implicava mudanças. Á minha volta e em mim. E eu aceitei essa situação. E o tempo passou. Eu fui passando com ele. E vendo-o passar. A deixá-lo passar.
Pouco a pouco deixei de reconhecer a pessoa que me olhava no outro lado do espelho.
A distância aumentou. As caras á minha volta mudaram uma e outra vez...em chegadas e partidas... dia após dia fui-me perdendo em constantes metamorfoses e quase nem me dei conta disso…
Hoje sei que a vida não é feita de sonhos. E já não olho tanto para o céu e por isso já não vejo estrelas cadentes.
Mas se vir alguma, tenho a certeza que vou sorrir - um sorriso que me vai levar de volta a casa, á infância, á inocência… - e, claro vou pedir um desejo...
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Cansaço
Estou cansada. Um cansaço interno. Nos ossos. No sangue Na pele. Na consciência.
Um cansaço que se arrasta e permanece.
Estou cansada de ser …todos os dias.
Cansada de saber…todos os dias.
Cansada de acreditar…todos os dias.
Cansada de pensar…todos os dias.
Cansada de ser eu…todos os dias. Cansada de ver o meu reflexo no espelho.
Cansada da realidade e da idealidade. Cansada do meu mundo e do mundo lá fora.
Cansada da rotina e da não rotina.
Cansada de mudar e permanecer na mesma.
Cansada de andar e não sair do mesmo lugar.
Cansada das palavras. Das frases. Cansada do silêncio.
Hoje acordei cansada. E faça o que fizer, continuarei cansada.
Um cansaço que se arrasta e permanece.
Estou cansada de ser …todos os dias.
Cansada de saber…todos os dias.
Cansada de acreditar…todos os dias.
Cansada de pensar…todos os dias.
Cansada de ser eu…todos os dias. Cansada de ver o meu reflexo no espelho.
Cansada da realidade e da idealidade. Cansada do meu mundo e do mundo lá fora.
Cansada da rotina e da não rotina.
Cansada de mudar e permanecer na mesma.
Cansada de andar e não sair do mesmo lugar.
Cansada das palavras. Das frases. Cansada do silêncio.
Hoje acordei cansada. E faça o que fizer, continuarei cansada.
Combustão. Sistemática.
O mundo em pedaços visto através de um vidro de uma janela de um carro.
É noite.
Não estou a ir. Estou a voltar.
Estou virada do avesso. Uma peça retirada do seu espaço.
Este é o momento em que percebo que a vida é isto. Nada mais.
Há um sentimento incómodo. Há silêncio. Em excesso. Há calma. Em excesso.
A escuridão e a luminosidade na noite em simultâneo sinalizam uma tempestade iminente.
E eu sei. Sou cúmplice. Sei que está próxima.
Que poderia eu fazer para a impedir?
O mundo em pedaços visto através de um vidro de uma janela de um carro.
É noite.
Não estou a ir. Estou a voltar.
Estou virada do avesso. Uma peça retirada do seu espaço.
Este é o momento em que percebo que a vida é isto. Nada mais.
Há um sentimento incómodo. Há silêncio. Em excesso. Há calma. Em excesso.
A escuridão e a luminosidade na noite em simultâneo sinalizam uma tempestade iminente.
E eu sei. Sou cúmplice. Sei que está próxima.
Que poderia eu fazer para a impedir?
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
.........................................................................
Dias vazios. Ilusões perdidas em horas ociosas. A desocupação acumula-se nas estantes. Nos vidros das janelas. Os ponteiros do relógio movem-se num compasso moroso. Sente-se o tempo a passar. Sente-se nos objectos. No ar. Em mim.
Sente-se o tempo a passar…e não passa…
Sente-se o tempo a passar…e não passa…
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Talvez te tenha dito muitas coisas. Algumas vezes. E poucas coisas. Imensas vezes.
A verdade surge crua na minha frente. Não sei como alterar esta inabalável presença de dias. Momentos. Serenidade. Desordem. Renovação.
Tu não és mais a mesma resposta. Não tenho mais as mesmas perguntas.
Tu não és mais a resposta que eu procuro. Mudei as minhas perguntas.
Voltei atrás imensas vezes. Vezes demais, eu sei.
Destruí tudo o que havia construído vezes sem conta.
Mas agora recomeço em branco. Recomeço de um nada desprovido de tudo.
A verdade surge crua na minha frente. Não sei como alterar esta inabalável presença de dias. Momentos. Serenidade. Desordem. Renovação.
Tu não és mais a mesma resposta. Não tenho mais as mesmas perguntas.
Tu não és mais a resposta que eu procuro. Mudei as minhas perguntas.
Voltei atrás imensas vezes. Vezes demais, eu sei.
Destruí tudo o que havia construído vezes sem conta.
Mas agora recomeço em branco. Recomeço de um nada desprovido de tudo.
sábado, 19 de setembro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
É sempre tarde. momentâneo e desconsertado.este dia.estas horas.a luz.o ar que respiro.
é o fim, eu sei. vira-se as costas e nada mais há a afirmar ou interrogar.
O que fizeram de ti?
Será que ainda sabes o caminho para casa?
Será que um dia as coisas voltarão a ser como antes?
sem medos. sem perguntas.
Imensas perguntas pairam na tua cabeça, enquanto apertas na tua mão o pequeno pedaço de papel que te irá levar para longe. o teu bilhete para o "seja o que for".
Talvez um dia voltes, e ao voltares tentes viver tudo de novo e ver a beleza onde nunca conseguiste ver antes. e nunca mais voltes a partir.
Ou talvez nunca mais voltes. E deixes que tudo perca a tua memória, e que deixes simplesmente de existir neste lugar.
é o fim, eu sei. vira-se as costas e nada mais há a afirmar ou interrogar.
O que fizeram de ti?
Será que ainda sabes o caminho para casa?
Será que um dia as coisas voltarão a ser como antes?
sem medos. sem perguntas.
Imensas perguntas pairam na tua cabeça, enquanto apertas na tua mão o pequeno pedaço de papel que te irá levar para longe. o teu bilhete para o "seja o que for".
Talvez um dia voltes, e ao voltares tentes viver tudo de novo e ver a beleza onde nunca conseguiste ver antes. e nunca mais voltes a partir.
Ou talvez nunca mais voltes. E deixes que tudo perca a tua memória, e que deixes simplesmente de existir neste lugar.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Dissonância
Queria ser mais forte. Talvez mais cega. Talvez mais inteligente. Queria ser bela. Bela aos teus olhos. Queria que me fizesses odiar-te. Queria matar-te da minha pele. Estou só. A solidão é fácil de enfrentar. Vagueio solitariamente pelas ruas. As estrelas caem sobre os tectos dos prédios da cidade. Por toda a parte há um rumor desalinhado em torno de mim. As fibras sonoras da civilização circundante ressoam numa dissonância trémula. Para onde foi o meu mundo? Para onde foram os meus muros? As minhas paredes. As minhas portas. As minhas armaduras. Estou permeável, aqui, perdida no meio deste labiríntico caos de ruas desconexas. Procuro-te. Procuro-te? O teu sangue.
È apenas o teu sangue. No chão nu. O teu sangue. Frio. E eu permaneço aqui. Calada. Quero enterrar-te. Eu enterrei-te!
Queria ser mais forte. Uma tempestade. E devastar-te. Varrer-te daqui…de todos os lugares onde permaneces. Queria ser mais cega. Nada ver. Nada sentir. Ser um corpo emerso á superfície de um qualquer rio e mover-me apenas ao sabor da corrente. Queria ser mais inteligente. E saber exactamente o caminho que tenho que seguir para desprender-te de mim.
È apenas o teu sangue. No chão nu. O teu sangue. Frio. E eu permaneço aqui. Calada. Quero enterrar-te. Eu enterrei-te!
Queria ser mais forte. Uma tempestade. E devastar-te. Varrer-te daqui…de todos os lugares onde permaneces. Queria ser mais cega. Nada ver. Nada sentir. Ser um corpo emerso á superfície de um qualquer rio e mover-me apenas ao sabor da corrente. Queria ser mais inteligente. E saber exactamente o caminho que tenho que seguir para desprender-te de mim.
terça-feira, 28 de julho de 2009
O que somos nós?
É uma multidão.
É um caos.
A realidade.
Os dias.
São horas.
Parcelas ilusórias do tempo.
O que é o tempo?
O que somos nós?
Túmulos. Frios. A céu aberto. Com lápides repletas de inscrições vazias.
Fragmentos de músicas tristes.
Restos. Restos de momentos varridos na enxurrada do tempo.
Tempo. Sempre o tempo.
O herói e o vilão nas nossas vidas.
Tentamo-lo agarrar e ele escapa-se das nossas mãos sem nunca o termos tocado.
O que somos nós?
Candeeiros estáticos na rua. Com lâmpadas incandescentes e dissolutas.
Carcaças em movimento sem sintonia num caminho abstracto.
Viajantes desconhecidos no tempo.
O tempo. Molda-nos. Moldamo-lo. Destrói-nos. Destruímo-lo.
O que somos nós?
Tumultos de epiderme espalhados aleatoriamente pelo espaço.
Vozes exasperadas num vácuo profundo.
Gotas de chuva secas pelo tempo.
O tempo. Corre. Cessa. Mata-nos. Matamo-lo.
O que somos nós?
Cadáveres amontoados num cenário pós-guerra.
Desarmados. Sem vida. Sem…tempo…
É um caos.
A realidade.
Os dias.
São horas.
Parcelas ilusórias do tempo.
O que é o tempo?
O que somos nós?
Túmulos. Frios. A céu aberto. Com lápides repletas de inscrições vazias.
Fragmentos de músicas tristes.
Restos. Restos de momentos varridos na enxurrada do tempo.
Tempo. Sempre o tempo.
O herói e o vilão nas nossas vidas.
Tentamo-lo agarrar e ele escapa-se das nossas mãos sem nunca o termos tocado.
O que somos nós?
Candeeiros estáticos na rua. Com lâmpadas incandescentes e dissolutas.
Carcaças em movimento sem sintonia num caminho abstracto.
Viajantes desconhecidos no tempo.
O tempo. Molda-nos. Moldamo-lo. Destrói-nos. Destruímo-lo.
O que somos nós?
Tumultos de epiderme espalhados aleatoriamente pelo espaço.
Vozes exasperadas num vácuo profundo.
Gotas de chuva secas pelo tempo.
O tempo. Corre. Cessa. Mata-nos. Matamo-lo.
O que somos nós?
Cadáveres amontoados num cenário pós-guerra.
Desarmados. Sem vida. Sem…tempo…
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Quero que saibas que parti.
Não me procures mais, não me vais encontrar. É inútil.
Não adianta fazeres o que quer que seja para mudar as coisas.
Nada.
Não há mais nada aqui.
Apenas o vazio me cerca. Te cerca.
Quero que saibas que nem tentei. Nem por um momento tentei. Fui cobarde e virei as costas á realidade.
Já nada me importa.
A brisa da manhã não é mais doce e o sol não nasce mais no horizonte.
As portas fecharam-se. Nenhum ruído trespassa este muro.
Não me procures mais, não me vais encontrar. É inútil.
Não adianta fazeres o que quer que seja para mudar as coisas.
Nada.
Não há mais nada aqui.
Apenas o vazio me cerca. Te cerca.
Quero que saibas que nem tentei. Nem por um momento tentei. Fui cobarde e virei as costas á realidade.
Já nada me importa.
A brisa da manhã não é mais doce e o sol não nasce mais no horizonte.
As portas fecharam-se. Nenhum ruído trespassa este muro.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Há pessoas que julgamos inimigos e nos quais descobrimos amigos…
E há pessoas que julgamos estarem ao nosso lado…e estão muito longe…
Há dias de Verão tão frios!
E há dias de tempestade…tão calmos…
Há mentiras que nos fazem felizes…e verdades com lâminas muito afiadas…
Há noites claras...e dias tão sombrios…
Há humanidade nas pessoas que mostram expressões agressivas…e ódio naqueles que nos sorriem todos os dias…
Há horas tão curtas que nem nos dão tempo para respirar…e há minutos tão longos que nos sufocam…
Há erros nas coisas perfeitas…e harmonia na imperfeição…
Há feridas saradas que nos corroem…e feridas abertas das quais nem nos apercebemos…
Há pancadas que não fazem qualquer mossa…e palavras que nos fustigam a alma…
Há caras desconhecidas que nos parecem familiares…e caras familiares que serão sempre desconhecidas…
Há lugares que permanecem uma eternidade imutáveis…e lugares que já não reconhecemos a cada momento que passa…
Há dias de embriaguez lúcida…e noites de sobriedade entorpecida …
Há poemas escritos em folhas de papel…e poemas escritos em gestos…
Há realidades tão ficcionais…e ficções imensamente reais…
Há uma solidão no meio da multidão … e um abrigo no isolamento….
Há pessoas com armaduras facilmente permeáveis…e pessoas impermeáveis na sua nudez…
Há uma imensidão e um final…
Uma chegada…e uma partida…
Há saudades do que nunca se teve…e indiferença pelo que se tem…
Há ruídos mudos …e silêncios ensurdecedores …
Há gritos calados…e sussurros clamados…
Há mágoas acolhidas …e felicidade rejeitada…
Há frases que relembramos uma vida inteira…e há um dia em que viramos as costas…
Há lágrimas de alegria e sorrisos dolorosos…
Há histórias que sabemos o final apenas pelo título…e histórias que não têm fim…
Há textos imensamente extensos que nada dizem…e folhas papel em branco que tudo dizem…
Há aquilo que somos…a essência…aquilo que fica dentro das janelas e das portas fechadas…e há a película invisível que todos os dias envergamos… a fraude da nossa criação…
Somos uma fraude…um abismo…sem consolação…
E há pessoas que julgamos estarem ao nosso lado…e estão muito longe…
Há dias de Verão tão frios!
E há dias de tempestade…tão calmos…
Há mentiras que nos fazem felizes…e verdades com lâminas muito afiadas…
Há noites claras...e dias tão sombrios…
Há humanidade nas pessoas que mostram expressões agressivas…e ódio naqueles que nos sorriem todos os dias…
Há horas tão curtas que nem nos dão tempo para respirar…e há minutos tão longos que nos sufocam…
Há erros nas coisas perfeitas…e harmonia na imperfeição…
Há feridas saradas que nos corroem…e feridas abertas das quais nem nos apercebemos…
Há pancadas que não fazem qualquer mossa…e palavras que nos fustigam a alma…
Há caras desconhecidas que nos parecem familiares…e caras familiares que serão sempre desconhecidas…
Há lugares que permanecem uma eternidade imutáveis…e lugares que já não reconhecemos a cada momento que passa…
Há dias de embriaguez lúcida…e noites de sobriedade entorpecida …
Há poemas escritos em folhas de papel…e poemas escritos em gestos…
Há realidades tão ficcionais…e ficções imensamente reais…
Há uma solidão no meio da multidão … e um abrigo no isolamento….
Há pessoas com armaduras facilmente permeáveis…e pessoas impermeáveis na sua nudez…
Há uma imensidão e um final…
Uma chegada…e uma partida…
Há saudades do que nunca se teve…e indiferença pelo que se tem…
Há ruídos mudos …e silêncios ensurdecedores …
Há gritos calados…e sussurros clamados…
Há mágoas acolhidas …e felicidade rejeitada…
Há frases que relembramos uma vida inteira…e há um dia em que viramos as costas…
Há lágrimas de alegria e sorrisos dolorosos…
Há histórias que sabemos o final apenas pelo título…e histórias que não têm fim…
Há textos imensamente extensos que nada dizem…e folhas papel em branco que tudo dizem…
Há aquilo que somos…a essência…aquilo que fica dentro das janelas e das portas fechadas…e há a película invisível que todos os dias envergamos… a fraude da nossa criação…
Somos uma fraude…um abismo…sem consolação…
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Algumas pessoas permanecem caladas…
Outras gritam o tempo todo!
Algumas pessoas vestem a sua melhor roupa e saem para conquistar a noite.
Outras conquistam a noite com um sorriso.
Algumas pessoas caminham sozinhas pela rua com olhar desinteressado…
Outras caminham pela rua interessadas em tudo…
Algumas pessoas fazem listas de compras e compram tudo excepto o que está na lista…
Outras não fazem listas e compram tudo ...
Algumas pessoas têm agendas com dias bastante preenchidos…
Outras têm apenas agendas…
Algumas pessoas têm medo do escuro…
Outras, porém vivem na escuridão uma vida toda sem, no entanto temerem nada
Algumas pessoas magoam os outros com mentiras compulsivas…
Outras magoam-se a elas próprias com sucessivas verdades…
Algumas pessoas bebem café para acordar…
Outras tomam comprimidos para adormecer…
Algumas pessoas escrevem…escrevem muito…
Outras…lêem…lêem imenso…
Algumas pessoas são modelo de comportamento para as restantes…
Outras são o exemplo exacto que como não se deve comportar…
Algumas pessoas vivem fechadas nas suas casas…
Outras vivem na rua….
Algumas pessoas procuram respostas…
Outras procuram lugares…
Algumas pessoas fazem perguntas…
Outras indicam direcções…
Algumas admitem que erram…
Outras proclamam que estão certas…
Algumas pessoas jogam…
Outras fazem as regras…
Algumas pessoas são peritas em fórmulas químicas…
Outras gostam de flores…
Algumas pessoas arrumam coisas…organizam tudo…
Outras vivem numa constante desarrumação…
Algumas pessoas comem…comem demasiado…
Outras passam fome…imensa fome…
Algumas pessoas são encarceradas…
Outras são forçadas á liberdade…
Algumas pessoas confessam os seus pecados…
Outras pessoas demonstram as suas virtudes…
Algumas pessoas são belas…
Outras ainda não foram descobertas que o são…
Algumas pessoas controlam o tempo…
Outras gastam-no…
Algumas pessoas têm pesadelos…
Outras provocam-nos…
Algumas pessoas são obrigadas a afastarem-se…
Outras promovem o seu auto-afastamento…
Algumas pessoas falam vários idiomas…
Outras são mudas…
Algumas pessoas acreditam que amam…
Outras sabem que não…
Algumas pessoas usam disfarces pelo Carnaval …
Outras usam disfarces uma vida toda…
Algumas pessoas são felizes e nem o sabem…
Outras fingem sê-lo...
Algumas pessoas são passado…
Outras são futuro…
Quase nenhumas são presente…
Outras gritam o tempo todo!
Algumas pessoas vestem a sua melhor roupa e saem para conquistar a noite.
Outras conquistam a noite com um sorriso.
Algumas pessoas caminham sozinhas pela rua com olhar desinteressado…
Outras caminham pela rua interessadas em tudo…
Algumas pessoas fazem listas de compras e compram tudo excepto o que está na lista…
Outras não fazem listas e compram tudo ...
Algumas pessoas têm agendas com dias bastante preenchidos…
Outras têm apenas agendas…
Algumas pessoas têm medo do escuro…
Outras, porém vivem na escuridão uma vida toda sem, no entanto temerem nada
Algumas pessoas magoam os outros com mentiras compulsivas…
Outras magoam-se a elas próprias com sucessivas verdades…
Algumas pessoas bebem café para acordar…
Outras tomam comprimidos para adormecer…
Algumas pessoas escrevem…escrevem muito…
Outras…lêem…lêem imenso…
Algumas pessoas são modelo de comportamento para as restantes…
Outras são o exemplo exacto que como não se deve comportar…
Algumas pessoas vivem fechadas nas suas casas…
Outras vivem na rua….
Algumas pessoas procuram respostas…
Outras procuram lugares…
Algumas pessoas fazem perguntas…
Outras indicam direcções…
Algumas admitem que erram…
Outras proclamam que estão certas…
Algumas pessoas jogam…
Outras fazem as regras…
Algumas pessoas são peritas em fórmulas químicas…
Outras gostam de flores…
Algumas pessoas arrumam coisas…organizam tudo…
Outras vivem numa constante desarrumação…
Algumas pessoas comem…comem demasiado…
Outras passam fome…imensa fome…
Algumas pessoas são encarceradas…
Outras são forçadas á liberdade…
Algumas pessoas confessam os seus pecados…
Outras pessoas demonstram as suas virtudes…
Algumas pessoas são belas…
Outras ainda não foram descobertas que o são…
Algumas pessoas controlam o tempo…
Outras gastam-no…
Algumas pessoas têm pesadelos…
Outras provocam-nos…
Algumas pessoas são obrigadas a afastarem-se…
Outras promovem o seu auto-afastamento…
Algumas pessoas falam vários idiomas…
Outras são mudas…
Algumas pessoas acreditam que amam…
Outras sabem que não…
Algumas pessoas usam disfarces pelo Carnaval …
Outras usam disfarces uma vida toda…
Algumas pessoas são felizes e nem o sabem…
Outras fingem sê-lo...
Algumas pessoas são passado…
Outras são futuro…
Quase nenhumas são presente…
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