segunda-feira, 17 de agosto de 2015

I heard it somewhere and it seems pretty accurate “It’s really not worth going away, because it really does make it ten times worst to come back “

sexta-feira, 17 de julho de 2015

"Wake me up when the party's over it seems I've had too much wine"

Do you know that girl who goes to the shopping mall at 09 pm just to buy two bottles of wine and a pack of cigarettes?
That girl who hates being a hangover in the morning but can’t stop drinking night after night? Do you know that girl who tries to catwalk on the streets pretending she's on the red carpet?
That girl who doesn't believe in God but, in times of despair, tries to reach out to him asking for some guidance?
Do you know that girl who tells lies just to be funny?
That girl who is always broke because she spends all her money on things she doesn't need?
Do you know that girl who keeps changing places to live because she can’t stand the routine?
That girl who’s always alone in the middle of the crowd, because she never lets anyone get into her life? 
Do you that girl who tries so hard to fit in…to be the normal girl …but she’s always the awkward one?
That girl who hates to dress like everyone else, but is too insecure to stand up and to be different?
Do you know that girl who watches those old movies over and over again, knowing that nothing new is going to happen, expecting some thrill?
That girl who is nostalgic all the time?
Do you know that girl who eats only salad on a daily basis but keeps getting fatter?
That girl who should get some help?
That girl could be me, right?

quinta-feira, 25 de junho de 2015

“An it harm none do what ye will”

May the Goddess give you sweet and fertile soil for your feet to walk on.
And may the God make you stronger to face the storms that will spoil your harvest.
May you have the will to sow the seeds once again after the hurricane.
May you accept that the big wheel will turn over and over again, and sometimes you´re up and sometimes you´re down. May you take the lessons you need from it and carry on.
And may you receive with joy the good and the bad that comes into your life , for there are no wrong choices, for there are no wrong directions…life is a journey and it’s not about the destination, but the several paths you take , unaware of what is expecting you at the end. There’s no end. There’s no beginning.
And If you’re ever feeling in doubt, questioning yourself and your surroundings, keep in mind that the Universe has set up a plan for your existence and nothing is random.  Not even your idle days.
And there will be times you won’t know which side you’ll take… wandering between what your parents taught you and what the world showed to you .
What your parents had taught you was based  on their own life experiences, and it won’t suit you, and the world is showing you images, feelings, sensations only  based on your perspective, and they may be deceiving. It's alright , you don't need to choose a side.
May you receive the cold air of the Winter nights, just so you can  appreciate the warm  of the Summer days.
May  you acknowledge the fallen leaves  of the Autumn days , so you can celebrate the blooming flowers in the Springtime.
May you be conscious that life is a cycle … and so as seasons turn, you and everybody around you will change. So don’t have unrealistic expectations about nobody. Don’t expect anything; be only thankful for each day.   

                               
                        


                                                       

terça-feira, 2 de junho de 2015

Don Draper felt it...I felt it...

 “People walk right by me. I know they don't see me… no one's cared where I've gone.I had a dream I was on the shelf in the refrigerator. Someone closes the door and the light goes off, and I know everybody's out there eating. And they open the door and you see everyone smiling and they are happy to see you but maybe they don't look right at you and maybe they don't pick you. And then the door closes again, the light goes off.”
                                                                                                                          Mad Men, S07E14  -"Person to Person " 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sonhei demais outrora.
Sonhei tanto que julguei ter esgotado a minha capacidade de voltar a sonhar .
Sonhei que tudo poderia acontecer. Que a vida se poderia resolver.
Que a lua me escutava.Que as estrelas me enviavam sinais e que o vento curava feridas.
Sonhei que o amanhã seria o dia que os sonhos seriam reais.
Caminhei descalça na erva molhada numa manhã de Inverno.
Espalhei pétalas de flores pelo vento.Dancei em círculos de olhos fechados.
Permaneci imóvel sob o sol enchendo-me de luz...
Caminhei no escuro da noite...desbravando caminhos...cruzando sombras...
Sonhei as minhas crenças.Os meus rituais...
Buscando, talvez, respostas, encontrando-as eventualmente em forma de mais perguntas.
Sonhei a minha realidade e desprezei tudo o que vivera até então.
Quis questionar o que acreditava e questionei.
Encontrei nomes para chamar ao que não conhecia
E pude, assim, chamá-lo.
E quando veio até mim, levou-me para longe
E eu deixei-me levar.
Sonhei muito outrora.
Sonhei que estava tão longe.
E continuara sempre no mesmo lugar...
E então...voltei a sonhar.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Supernova

I’m looking through the veil
I’m looking into the world.
Out here, alone, I fear nothing
Have I ever lived in constant fear?
The thought of something, anything, everything and nothing
I am  a mechanical body breathing in and out...
Embracing the chaos
I am one hundred kilometers away... More or less
I am the bad luck sign at the end of the road...
I don't know what’s left of my life... And that’s fine
I am a shot of whisky and a Valium
God bless me!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

"Tentei carregar o peso do mundo...mas só tenho duas mãos..."



Eu tenho 28 anos ...e as pessoas fazem-me este tipo de perguntas o tempo todo...quando vou casar?...quando vou ter filhos?...

Grande parte das pessoas que cresceram comigo, amigos de infância, familiares, colegas de escola, vizinhos, e muitos outros bem mais novos que eu todos parecem estar a casar-se e a ter filhos, dando a impressão de que eu estou a fazer algo errado...

Honestamente, não me interpretem mal, mas eu acho que  as relações amorosas, casamento , filhos ..tudo isto é extremamente sobrevalorizado ...

Eu gostaria de dizer a essas pessoas cujas vidas parecem girar em torno das relações amorosas... que eu lamento. Lamento que o ponto alto das suas vidas seja encontrar alguém para casar e ter filhos...

Talvez seja apenas a  minha forma de ver as coisas...eu admito que possa estar errada...
Alguém um dia disse que eu era um” cavalo selvagem” e creio que essa foi a melhor definição que  já fizeram de mim...sinto que a minha vida é demasiado preciosa...demasiado curta...cheia de tantas possibilidades, que casar e ter filhos parece ser algo tão minimalista...sinto que tenho tantos projectos na minha cabeça ...tantas ideias de coisas que quero fazer...tantas as personagens e histórias que ainda me falta criar...tantas vidas que quero experimentar...tantas peles que quero vestir...tantas máscaras que quero colocar...que concentrar-me em casar e ter filhos apenas iria arruinar tudo isso...

Sinto que como um cavalo selvagem que fui feita para correr livre por aí...ao sabor do vento...do sol ...sem rédeas para me prender...sem alguém para  me dizer onde eu devo ir...eu escolho o meu próprio caminho ...sozinha...como sempre...

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Eu vi um Deus de duas faces
Um Deus sem nome e sem tempo.
Um Deus de sempre e para sempre.
Um Deus de luz e de escuridão
Vi um Deus que caminhava
por entre a multidão
E era a multidão.
Vi um Deus que caminhava
em mim
E era eu.
Eu vi a sucessão das estações
Eu vi o Deus a morrer nas trevas 
Para nascer de novo mais forte
no apogeu de todo o esplendor
De uma Deusa
Plena e casta
Mãe de toda a prosperidade. 
Eu vi a grande roda
dar uma volta completa 
Uma e outra vez sem cessar
Eu vi a água, o ar, o fogo e a terra
Numa dança harmoniosa,
num círculo perfeito...
Pois tudo o que for semeado será colhido.
Pois tudo o que nasce
Há-de um dia morrer.
E tudo o que morre
Renascerá...

Assim seja.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Eu tomei a decisão da esperança.
Eu tomei a decisão de acreditar. Eu tomei a decisão de tomar a responsabilidade de que posso fazer algo para eliminar o que não me agrade à minha volta. 
Tomei a decisão de ser paciente. De relaxar. De ter a capacidade de compreender que a vida é uma jornada e que não é rectilínea e de que tudo o que acontece é reflexo dos nossos pensamentos, da forma como vemos o mundo e como nos vemos a nós mesmos. que os nossos pensamentos ou palavras são como sementes que plantamos e que o resultado é a nossa vida, o dia-a-dia...
Eu continuo sem saber exactamente o que vou fazer a seguir. Continuo sem saber como vai ser a minha vida dentro de um mês ou dois, ou amanhã... mas isso é bom...abre-me no horizonte toda uma série de possibilidades...pela primeira vez em tempos eu não me sinto ansiosa em relação ao futuro...agora eu sei...eu percebi que de nada adianta querer apressar as coisas...preocupar-me demasiado...tomar decisões repentinas apenas porque estou desesperada que algo aconteça...que alguma mudança ocorra urgentemente...
Já tentei tantas mudanças...já apostei a minha felicidade em todas essas mudanças...apostei a minha felicidade numa mudança de hábitos...numa mudança da minha aparência física...numa mudança de cidade...e até de país...e nada parece ter resultado...ao fim do dia por mais que tudo tivesse diferente, eu acabava por me sentir miserável...
Mas eu aceito tudo o que passou por mim...eu aceito e estou grata pelas experiências negativas que cruzaram o meu caminho...eu tinha algo a aprender...e penso que hoje finalmente eu vejo essa aprendizagem...
Então eu aprendi...algo que eu já tinha de certa forma compreendido antes ....mas que ainda não estava preparada para executar...eu percebi que para mudar o que quer que seja...mas melhorar tudo o que desagrada eu tenho que mudar apenas a minha forma de pensar...parece simples, não é? Bem, na verdade é, mas só o conseguimos fazer na hora certa ...é inútil acelerar o tempo e desesperar por resultados...
No final das contas tudo se resume à auto-estima, à auto-aceitação, ao perdão...e de nos concentrarmos no nosso caminho...na nossa missão pessoal...naquilo que nos preenche...sem pressas...sem competições com ninguém...à nossa velocidade...e se for para ser, será...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

...

O vento cresceu. Está frio. Frio demais para estes dias ociosos. 
Não há um refúgio suficientemente quente para abrigar  esta angústia. Esta inexistência
do nada e coisa nenhuma. 
Quero ir. Ir com o vento. Para longe onde o mar quebra a força em espuma morta.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

"Algures nesta escuridão há uma luz que eu não encontro. Talvez esteja demasiado longe.Ou talvez eu esteja apenas cega."



Há algumas pessoas que parece que acertam sempre. Que parece que tudo na vida lhes corre bem e são extremamente bem sucedidas. Ou será apenas a nossa perspectiva e julgamos que as vidas dos outros são sempre melhores que as nossas. Algumas vidas dos outros são realmente melhores. Admiramos o resultado daqueles que são bem sucedidos. Invejamos o seu dinheiro, o seu estilo de vida , a sua fama e como isso tudo parece continuar a crescer , enquanto que observamos como pateticamente nós permanecemos como estáticas testemunhas do seu sucesso. E inconscientemente , sentimos que estamos num patamar desigual , que há alguma injustiça . Como é que algumas pessoas conseguem prosperar tanto na vida e outros simplesmente não saem da concha?
Bem , na verdade , nós vemos apenas o resultado do sucesso dessas pessoas, não vemos tudo o que passaram para chegar aonde estão. Não vemos os dias que trabalharam sem descansar para poder ser melhor naquilo que fazem, não vemos as noites que passaram sem dormir a estudar, ou os quilómetros que correram ou os livros que leram ou todas as portas a que bateram  e todas as pessoas e probabilidades contra as quais  tiveram que lutar. Não vemos o cansaço, o desânimo, a exigência que aquelas pessoas colocaram nelas próprias para atingir um objectivo.
A maioria de nós diz que quer fazer algo, que tem um sonho  mas não quer realmente.  Estamos tão ocupados a culpar as pessoas , os nossos pais, o sitio onde vivemos , a nossa aparência física, a nossa idade, a nossa formação académica, a nossa situação financeira. Arranjamos tantos obstáculos que nos convencemos e convencemos o universo que é realmente impossível para nós esse sonho. Enquanto isso , devíamos estar a ver em cada limitação uma oportunidade para resolver o problema. Li algures que  “ a solução está onde está o problema”.
Mas é mais fácil. Mais cómodo. Sentamo-nos no nosso sofázinho a procrastinar toda a uma vida , porque temos demasiada preguiça para sair dessa nossa zona de conforto e fazer alguma coisa para sermos aquilo que querermos ser.
As pessoas bem sucedidas vivem , respiram , comem, dormem  o seu sonho . Por exemplo, um desportista mediano treina um pouco todos os dias ,ou apenas alguns dias por semana, o suficiente para o manter em forma , mas não tem a ambição de evoluir , de subir o patamar, de desafiar o seu corpo e será sempre mais um entre tantos. Mas um grande desportista treina até à exaustão  , treina enquanto os outros treinam, treina mesmo depois de todos terem ido para o balneário, treina mesmo quando os outros já estão a dormir. Treinar e ser melhor é a coisa mais importante para ele. Mais importante que comer , dormir  , até que a sua família. Com o esforço, terá a sua recompensa. E isto acontece em qualquer área.  O sucesso naquilo que façamos ou que desejemos é directamente proporcional à nossa entrega física e mental a essa mesma coisa.  
Eu suponho que apenas conseguimos ser realmente grandes naquilo que é o nosso sonho se isso for a coisa mais importante para nós. Se temos um sonho e ainda não fizemos nada para o conseguir ou se ainda não estamos no caminho para sermos o queremos ser é porque , simplesmente , há outras coisas que gostamos mais de fazer, há muitas coisas que nos estão a roubar o tempo e a energia.
Os inimigos para o nosso sucesso não são a nossa idade, os nossos pais, a nossa aparência física, o lugar onde estamos ou quanto dinheiro temos. Nós somos o nosso único inimigo. A nossa mente é a nossa única limitação...

domingo, 23 de novembro de 2014

"All these thousands of miles later, all these different people I've been, and it's still the same story. Why is it you feel like a dope if you laugh alone, but that's usually how you end up crying? How is it you can keep mutating and still be the same deadly virus?"
                  Chuck Palahniuk, Invisible Monsters

                     

domingo, 27 de julho de 2014

É estranho e duro para mim ...estar aqui neste mundo de loucos onde tenho que estar a constantemente a resolver os problemas de pessoas ás quais não tenho qualquer afecto ...e pensar que a minha avó está  no hospital neste momento...
mas eu sou adulta agora...e acho que faz parte desta coisa de ser-se adultos...enfrentar as coisas más ...

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Por vezes é mais fácil mentir..fingir que não estamos cá.
E eu não estou mais cá. Permanece apenas o meu corpo..o meu espírito está longe. Assim tem de ser...estou em modo de sobrevivência...
Os meus dias estão cheios de pequenos/grandes azares. Coisas que, apesar de tudo, me “permitem” continuar a viver ...mas que me atrapalham a vida.
São pequenos acidentes de carro...são problemas de alojamento...são colegas de trabalho que vão embora...fazendo alterar o meu horário o tempo todo...e deixando-me sem nenhum dia de descanso.
Estou esgotada.
Eu só queria ter um trabalho normal. Horários certos. Dias de descanso certos. Mas ninguém me mandou vir para uma recepcão de hotel. Ainda por cima para um hotel que é uma desorganização em todos os sectores.
Cada dia que passa vejo-me mais sozinha no meu posto de trabalho e a cada dia que passa tenho mais tarefas e mais responsabilidades para as quais eu não sei se estava preparada.
Isto era suposto ser um estágio...era suposto ter mais formação...não ter que acabar por dar a formação que ainda devia estar a receber.
Mas, ninguém disse que a vida era fácil..muito menos a vida numa recepção de hotel...
neste momento apenas procuro uma forma de levar isto até ao fim e de conseguir sair deste mundo do turismo.
A minha vontade era fazer como os outros...desistir...uma dia de repente dizer “já não vou mais trabalhar”...não dar a cara..enviar mensagem ...como tenho visto aqui...
mas desistir seria demasiado fácil...seria encostar-me na minha zona de conforto...e eu não posso fazer isso...não desta vez...

Resta-me colocar-me em piloto automático e deixar os dias passarem..um atrás do outro...e ver até onde os limites do possível podem ir...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

“I let it go...
 It’s like swimming against the current. It exhausts you.
After a while, whoever you are, you just have to let go, and the river brings you home.” 

Joanne Harris

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Eu queria ter um bilhete de volta no tempo. Queria poder retroceder a cada arrependimento. Mas estou presa dentro desta camisa de forças em que as minhas escolhas passadas se tornaram.  Não consigo imaginar o que poderia ter sido se a determinada altura eu tivesse mudado o rumo de tudo…resta-me apenas sonhar com o que poderia ter sido…e acreditar que isso era o mais certo para mim.
Queria adormecer esta noite, sabendo que amanhã eu estaria salva.  Mesmo que fosse salva para me perder logo a seguir.
Havia um caminho. Havia um caminho com muitas ramificações.
Havia um destino.
Às vezes temos que viajar sozinhos…às vezes temos que deixar a nossa bagagem do outro lado.
A vida não é rectilínea e temos que seguir para muitas direcções  ao longo da nossa vida.
Havia um caminho que eu tinha que seguir para perceber  que há mais para além daquilo que temos como certo…que há mais para além da nossa zona de conforto.
 Eu queria ser livre. Livre de todas as amarras. Ser livre. Voar. Para longe. Ir e voltar sem ressentimentos.
Gostaria de quebrar  barreiras. Ousar. Ser menos eu.
Havia uma solidão. Havia desanimo.

Não sei em que momento da minha vida eu escolhi a direcção errada  ou se toda a minha vida até agora nada mais foi que uma  sucessão de más escolhas e direcções erradas. 

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Eu sei que é fácil pensarmos que toda a gente está a viver melhor do que nós. Que toda gente se está a divertir e nós somos os únicos a passar um mau bocado. Eu sei que é mais fácil assim. 
Os meus dias sucedem-se a um ritmo muito lento...cada dia há novidades menos boas para o meu lado...como se o universo tivesse apenas ocupado em complicar-me a vida...
Vivendo assim é fácil pensar-se que o resto do mundo está bem e apenas nós estamos no fundo do poço...


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Desabafos...

Estou a ter um dia mau." É um daqueles dias do mês..."  Mas ninguém se importa. Nem eu quero que se importem.Nem estou à espera de algum tipo de recompensa. Quero estar só no meu canto sem que me venham perturbar. Mas não é de todo possível..
Quem me dera estar em casa. Quem me dera ser criança e andar perdida em mil e uma brincadeiras.E não ter medo do futuro. E não odiar as pessoas.
Sim, eu odeio pessoas. Posso dizê-lo. Alguém que trabalha ou já trabalhou numa recepção de hotel sabe que facilmente se odeia pessoas. E não são só os clientes. São os colegas também.
Mas tudo isto porque eu não queria estar aqui. Mas ninguém tem culpa disto.
Nem sei se eu própria tenho culpa disto...
Estou a ter um dia mau. Não quero ter que sorrir e ser prestável.

domingo, 11 de maio de 2014

Efervescência


Algures no vácuo do tempo 
ficam os dias que eu não
vivi. Os dias presos 
numa anomalia dolorosa.
Algures entre o que passou
Fica o que eu não fui.
A existência inócua da realidade.
Por entre as pinceladas do
passado e do presente, há
um quadro por pintar.
Exposto num corredor longínquo
de uma galeria desconhecida.
E eu sou o pintor que nunca
pintou.
Sou a obra que nunca 
saiu da imaginação do artista cego.
Por entre tudo o que sou 
Eu sou tudo o que não sou.
Sou a voz enfurecida que 
clama num silêncio morto
Calma na calada da noite caindo.
Não sei para onde caminham 
os meus passos.
Ás vezes, em murmúrios,
Sinto-me em busca de uma fé
estranha.
Estranha para quem não 
quer crer no que está à sua volta.
Viro-me para os céus 
E aos céus brado.
Busco uma luz . Uma resposta. 
Como um prisioneiro inerte
no fundo de uma
jaula que um dia é liberto
e contempla a luz
pela primeira vez.
"...Eu era cego, e agora vejo..." 
Vejo...vejo
sem realmente ver.
Acordo de um pesadelo 
e nunca adormeci.
Para onde vamos quando nos sentimos perdidos?
Que fé é esta que nos sustém mesmo
na corda bamba? 
"...Poderão cair mil ao teu lado..."
Eu sento-me aqui nesta
rocha no ponto mais alto 
de onde se avista o longe e tudo
Eu sento - me e absorvo 
a génese.
O fim e o princípio de cada
vida. Eu sou todos aqueles 
que se sentaram nesta rocha  
e observaram mais alto e mais longe.
Eu sou os olhos 
e as pernas de todas 
as crianças que aqui
 brincaram. Eu sou a liberdade.
Eu sou tudo. Também
vezes há em que sou nada.
Se sou dia. Ás vezes 
sou apenas noite.
Sou o declínio. Sou a renovação.
Tenho em mim o sangue 
de todas as gerações 
que me antecederam.
Dói em mim a sua luta.
Dói em mim os seus corpos 
cansados.
Caem-me lágrimas de 
uma nostalgia absurda.
Saudade de um tempo
antes de mim.
Memórias do que nunca
vivi.
Ás vezes eu sou o tempo
que fugazmente nos
tira tudo.
E estou em toda a parte.  
E não sei de mim.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O tempo e outros milagres

Às vezes que precisamos mesmo de um milagre.
Depois de termos tentado vários caminhos…voltamos ao lugar de onde partimos…sentamo-nos e observamos a encruzilhada que nos rodeia.
Não parece haver uma resposta. Então ficamos à espera; um dia após outro até que um daqueles caminhos nos pareça esse milagre.
Estaremos condenados a voltar sempre ao lugar de partida?
Estarei eu condenada a voltar sempre ao lugar de partida?
Há um momento da nossa vida em que claramente estamos perdidos. Perdidos à força de nos esforçar-mos tanto para nos encontrar-mos. Perdidos à força de andarmos às voltas em torno do nosso destino sem saber qual o sentido dos ponteiros do nosso relógio.
Há esse momento da nossa vida em que temos  que pegar nas pontas soltas de dias, noites..semanas…anos  passados... e pintar um quadro…um quadro de uma existência ascendente e descendente.
Um dia tens dezassete anos e sonhas imenso. Tudo pode acontecer ainda . O horizonte que se apresenta à tua frente parece dizer que tudo pode ser possível. Com dezassete anos, não tens medo do futuro. Não sentes o peso da tua idade nem o peso da idade das pessoas que mais amas. Tudo parece ser simples.
Um dia acordas de repente e tens vinte e sete  anos…dez anos passaram e apercebes-te que a vida não é nada do que julgavas ser. Estás só. Tens medo. Medo do presente…medo do futuro…e vives no passado…
Na história da minha vida, desde a infância até ao inicio da idade adulta, passando pela adolescência, nada mais fui do que um narrador ausente dos factos. Um mero espectador. Uma figura inútil que, de uma posição relativamente confortável ,observa a realidade sem interferir nela.
Creio que desde a minha infância já tudo estava estipulado. A minha pessoa já estava formada. Aquilo que eu sou hoje, foi algo que sempre aceitei, assumindo , à partida, que não havia nada a fazer. Eu estava condenada antes de ter sequer a noção de que poderia ser diferente.
É como se , no momento do nosso nascimento, alguém colocasse um carimbo na nossa alma que nos obrigasse a ser assim, independentemente de todas as situações e de qualquer esforço contrário da nossa parte.
Olhando para trás, agora, aqui, lembro-me  de pouco ou nada ter feito para mudar tudo aquilo que não me agradava.
O meu aspecto físico, a minha timidez, a minha formação académica, a minha relação com os outros..e tantas outras coisas…Sempre tive este maldito hábito de me acomodar às situações...
E eu pensava que o que precisava mais era de tempo…mas, na verdade, tempo era o que eu tinha de sobra…apenas o deixava passar por mim, sem o agarrar, acabando sempre por perdê-lo…
Não me apercebia dos dias..perdia-os a fugir da realidade…não sentia as noites…perdia-as a flutuar em sonhos vagos…E, pouco a pouco, eu já não sentia nada…excepto aquela apatia a entranhar-se em mim cada vez mais …e a minha solidão era por vezes sufocante…
E o que eu achava que precisava mais era de tempo…tempo para encarar a realidade…tempo para cicatrizar as feridas e apaziguar a dor…tempo para dizer e fazer tudo o que queria…tempo para ir onde nunca fora…tempo para ganhar coragem e enfrentar a verdade…tempo para me libertar do passado…tempo para sair do meu esconderijo e olhar a claridade de frente…
Mas o tempo, esse, eu acabava sempre por tê-lo em excesso…mas, todavia, eu continuava a chegar a parte alguma. Continuava presa numa confusão de momentos sem sentido…
Se ao menos tempo fosse o que eu mais necessitava…!
E o que eu mais necessitava na realidade, era apenas de me encontrar…mas eu estava sempre tão longe…perdida por aí à minha procura…