I’m looking through the veil
I’m looking into the world.
Out here, alone, I fear nothing
Have I ever lived in constant fear?
The thought of something, anything, everything and nothing
I am a mechanical body breathing in and out...
Embracing the chaos
I am one hundred kilometers away... More or less
I am the bad luck sign at the end of the road...
I don't know what’s left of my life... And that’s fine
I am a shot of whisky and a Valium
God bless me!
"What are these barriers that keep people from reaching anywhere near their real potential? The answer to that can be found in another question and that's this: Which is the most universal human characteristic: fear, or laziness?" Waking Life
segunda-feira, 9 de março de 2015
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
"Tentei carregar o peso do mundo...mas só tenho duas mãos..."
Eu tenho 28 anos ...e as pessoas fazem-me este tipo de
perguntas o tempo todo...quando vou casar?...quando
vou ter filhos?...
Grande parte das pessoas que cresceram comigo, amigos de infância,
familiares, colegas de escola, vizinhos, e muitos outros bem mais novos que eu
todos parecem estar a casar-se e a ter filhos, dando a impressão de que eu estou
a fazer algo errado...
Honestamente, não me interpretem mal, mas eu acho que as relações amorosas, casamento , filhos
..tudo isto é extremamente sobrevalorizado ...
Eu gostaria de dizer a essas pessoas cujas vidas parecem
girar em torno das relações amorosas... que eu lamento. Lamento que o ponto
alto das suas vidas seja encontrar alguém para casar e ter filhos...
Talvez seja apenas a
minha forma de ver as coisas...eu admito que possa estar errada...
Alguém
um dia disse que eu era um” cavalo selvagem” e creio que essa foi a melhor
definição que já fizeram de mim...sinto
que a minha vida é demasiado preciosa...demasiado curta...cheia de tantas
possibilidades, que casar e ter filhos parece ser algo tão minimalista...sinto
que tenho tantos projectos na minha cabeça ...tantas ideias de coisas que quero
fazer...tantas as personagens e histórias que ainda me falta criar...tantas vidas
que quero experimentar...tantas peles que quero vestir...tantas máscaras que
quero colocar...que concentrar-me em casar e ter filhos apenas iria arruinar
tudo isso...
Sinto que como um cavalo selvagem que fui feita para correr
livre por aí...ao sabor do vento...do sol ...sem rédeas para me prender...sem alguém
para me dizer onde eu devo ir...eu
escolho o meu próprio caminho ...sozinha...como sempre...
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Eu vi um Deus de duas faces
Um Deus sem nome e sem tempo.
Um Deus de sempre e para sempre.
Um Deus de luz e de escuridão
Vi um Deus que caminhava
por entre a multidão
E era a multidão.
Vi um Deus que caminhava
em mim
E era eu.
Eu vi a sucessão das estações
Eu vi o Deus a morrer nas trevas
Para nascer de novo mais forte
no apogeu de todo o esplendor
De uma Deusa
Plena e casta
Mãe de toda a prosperidade.
Eu vi a grande roda
dar uma volta completa
Uma e outra vez sem cessar
Eu vi a água, o ar, o fogo e a terra
Numa dança harmoniosa,
num círculo perfeito...
Pois tudo o que for semeado será colhido.
Pois tudo o que nasce
Há-de um dia morrer.
E tudo o que morre
Renascerá...
Assim seja.
Um Deus sem nome e sem tempo.
Um Deus de sempre e para sempre.
Um Deus de luz e de escuridão
Vi um Deus que caminhava
por entre a multidão
E era a multidão.
Vi um Deus que caminhava
em mim
E era eu.
Eu vi a sucessão das estações
Eu vi o Deus a morrer nas trevas
Para nascer de novo mais forte
no apogeu de todo o esplendor
De uma Deusa
Plena e casta
Mãe de toda a prosperidade.
Eu vi a grande roda
dar uma volta completa
Uma e outra vez sem cessar
Eu vi a água, o ar, o fogo e a terra
Numa dança harmoniosa,
num círculo perfeito...
Pois tudo o que for semeado será colhido.
Pois tudo o que nasce
Há-de um dia morrer.
E tudo o que morre
Renascerá...
Assim seja.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Eu tomei a decisão da esperança.
Eu tomei a decisão de acreditar. Eu tomei a decisão de tomar a responsabilidade de que posso fazer algo para eliminar o que não me agrade à minha volta.
Tomei a decisão de ser paciente. De relaxar. De ter a capacidade de compreender que a vida é uma jornada e que não é rectilínea e de que tudo o que acontece é reflexo dos nossos pensamentos, da forma como vemos o mundo e como nos vemos a nós mesmos. que os nossos pensamentos ou palavras são como sementes que plantamos e que o resultado é a nossa vida, o dia-a-dia...
Eu continuo sem saber exactamente o que vou fazer a seguir. Continuo sem saber como vai ser a minha vida dentro de um mês ou dois, ou amanhã... mas isso é bom...abre-me no horizonte toda uma série de possibilidades...pela primeira vez em tempos eu não me sinto ansiosa em relação ao futuro...agora eu sei...eu percebi que de nada adianta querer apressar as coisas...preocupar-me demasiado...tomar decisões repentinas apenas porque estou desesperada que algo aconteça...que alguma mudança ocorra urgentemente...
Já tentei tantas mudanças...já apostei a minha felicidade em todas essas mudanças...apostei a minha felicidade numa mudança de hábitos...numa mudança da minha aparência física...numa mudança de cidade...e até de país...e nada parece ter resultado...ao fim do dia por mais que tudo tivesse diferente, eu acabava por me sentir miserável...
Mas eu aceito tudo o que passou por mim...eu aceito e estou grata pelas experiências negativas que cruzaram o meu caminho...eu tinha algo a aprender...e penso que hoje finalmente eu vejo essa aprendizagem...
Então eu aprendi...algo que eu já tinha de certa forma compreendido antes ....mas que ainda não estava preparada para executar...eu percebi que para mudar o que quer que seja...mas melhorar tudo o que desagrada eu tenho que mudar apenas a minha forma de pensar...parece simples, não é? Bem, na verdade é, mas só o conseguimos fazer na hora certa ...é inútil acelerar o tempo e desesperar por resultados...
No final das contas tudo se resume à auto-estima, à auto-aceitação, ao perdão...e de nos concentrarmos no nosso caminho...na nossa missão pessoal...naquilo que nos preenche...sem pressas...sem competições com ninguém...à nossa velocidade...e se for para ser, será...
Eu tomei a decisão de acreditar. Eu tomei a decisão de tomar a responsabilidade de que posso fazer algo para eliminar o que não me agrade à minha volta.
Tomei a decisão de ser paciente. De relaxar. De ter a capacidade de compreender que a vida é uma jornada e que não é rectilínea e de que tudo o que acontece é reflexo dos nossos pensamentos, da forma como vemos o mundo e como nos vemos a nós mesmos. que os nossos pensamentos ou palavras são como sementes que plantamos e que o resultado é a nossa vida, o dia-a-dia...
Eu continuo sem saber exactamente o que vou fazer a seguir. Continuo sem saber como vai ser a minha vida dentro de um mês ou dois, ou amanhã... mas isso é bom...abre-me no horizonte toda uma série de possibilidades...pela primeira vez em tempos eu não me sinto ansiosa em relação ao futuro...agora eu sei...eu percebi que de nada adianta querer apressar as coisas...preocupar-me demasiado...tomar decisões repentinas apenas porque estou desesperada que algo aconteça...que alguma mudança ocorra urgentemente...
Já tentei tantas mudanças...já apostei a minha felicidade em todas essas mudanças...apostei a minha felicidade numa mudança de hábitos...numa mudança da minha aparência física...numa mudança de cidade...e até de país...e nada parece ter resultado...ao fim do dia por mais que tudo tivesse diferente, eu acabava por me sentir miserável...
Mas eu aceito tudo o que passou por mim...eu aceito e estou grata pelas experiências negativas que cruzaram o meu caminho...eu tinha algo a aprender...e penso que hoje finalmente eu vejo essa aprendizagem...
Então eu aprendi...algo que eu já tinha de certa forma compreendido antes ....mas que ainda não estava preparada para executar...eu percebi que para mudar o que quer que seja...mas melhorar tudo o que desagrada eu tenho que mudar apenas a minha forma de pensar...parece simples, não é? Bem, na verdade é, mas só o conseguimos fazer na hora certa ...é inútil acelerar o tempo e desesperar por resultados...
No final das contas tudo se resume à auto-estima, à auto-aceitação, ao perdão...e de nos concentrarmos no nosso caminho...na nossa missão pessoal...naquilo que nos preenche...sem pressas...sem competições com ninguém...à nossa velocidade...e se for para ser, será...
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
...
O vento cresceu. Está frio. Frio demais para estes dias ociosos.
Não há um refúgio suficientemente quente para abrigar esta angústia. Esta inexistência
do nada e coisa nenhuma.
Quero ir. Ir com o vento. Para longe onde o mar quebra a força em espuma morta.
Não há um refúgio suficientemente quente para abrigar esta angústia. Esta inexistência
do nada e coisa nenhuma.
Quero ir. Ir com o vento. Para longe onde o mar quebra a força em espuma morta.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
"Algures nesta escuridão há uma luz que eu não encontro. Talvez esteja demasiado longe.Ou talvez eu esteja apenas cega."
Há algumas pessoas que parece que acertam sempre. Que parece
que tudo na vida lhes corre bem e são extremamente bem sucedidas. Ou será apenas a nossa
perspectiva e julgamos que as vidas dos outros são sempre melhores que as
nossas. Algumas vidas dos outros são realmente melhores. Admiramos o resultado
daqueles que são bem sucedidos. Invejamos o seu dinheiro, o seu estilo de vida
, a sua fama e como isso tudo parece continuar a crescer , enquanto que
observamos como pateticamente nós permanecemos como estáticas testemunhas do
seu sucesso. E inconscientemente , sentimos que estamos num patamar desigual ,
que há alguma injustiça . Como é que algumas pessoas conseguem prosperar tanto
na vida e outros simplesmente não saem da concha?
Bem , na verdade , nós vemos apenas o resultado do sucesso
dessas pessoas, não vemos tudo o que passaram para chegar aonde estão. Não vemos
os dias que trabalharam sem descansar para poder ser melhor naquilo que fazem,
não vemos as noites que passaram sem dormir a estudar, ou os quilómetros que
correram ou os livros que leram ou todas as portas a que bateram e todas as pessoas e probabilidades contra as
quais tiveram que lutar. Não vemos o
cansaço, o desânimo, a exigência que aquelas pessoas colocaram nelas próprias
para atingir um objectivo.
A maioria de nós diz que quer fazer algo, que tem um
sonho mas não quer realmente. Estamos tão ocupados a culpar as pessoas , os
nossos pais, o sitio onde vivemos , a nossa aparência física, a nossa idade, a
nossa formação académica, a nossa situação financeira. Arranjamos tantos obstáculos
que nos convencemos e convencemos o universo que é realmente impossível para nós
esse sonho. Enquanto isso , devíamos estar a ver em cada limitação uma
oportunidade para resolver o problema. Li algures que “ a solução está onde está o problema”.
Mas é mais fácil. Mais cómodo. Sentamo-nos no nosso
sofázinho a procrastinar toda a uma vida , porque temos demasiada preguiça para
sair dessa nossa zona de conforto e fazer alguma coisa para sermos aquilo que
querermos ser.
As pessoas bem sucedidas vivem , respiram , comem,
dormem o seu sonho . Por exemplo, um desportista
mediano treina um pouco todos os dias ,ou apenas alguns dias por semana, o
suficiente para o manter em forma , mas não tem a ambição de evoluir , de subir
o patamar, de desafiar o seu corpo e será sempre mais um entre tantos. Mas um
grande desportista treina até à exaustão
, treina enquanto os outros treinam, treina mesmo depois de todos terem
ido para o balneário, treina mesmo quando os outros já estão a dormir. Treinar
e ser melhor é a coisa mais importante para ele. Mais importante que comer ,
dormir , até que a sua família. Com o esforço, terá a sua recompensa. E isto acontece em qualquer área.
O sucesso naquilo que façamos ou que desejemos é directamente proporcional à nossa entrega física e mental a essa mesma coisa.
Eu suponho que apenas conseguimos ser realmente grandes
naquilo que é o nosso sonho se isso for a coisa mais importante para nós. Se
temos um sonho e ainda não fizemos nada para o conseguir ou se ainda não estamos
no caminho para sermos o queremos ser é porque , simplesmente , há outras
coisas que gostamos mais de fazer, há muitas coisas que nos estão a roubar o
tempo e a energia.
Os inimigos para o nosso sucesso não são a nossa idade, os
nossos pais, a nossa aparência física, o lugar onde estamos ou quanto dinheiro
temos. Nós somos o nosso único inimigo. A nossa mente é a nossa única
limitação...
domingo, 23 de novembro de 2014
"All these thousands of miles later, all these different people I've been, and it's still the same story. Why is it you feel like a dope if you laugh alone, but that's usually how you end up crying? How is it you can keep mutating and still be the same deadly virus?"
Chuck
Palahniuk, Invisible Monsters
domingo, 27 de julho de 2014
É estranho e duro para mim ...estar aqui neste mundo de loucos onde tenho que estar a constantemente a resolver os problemas de pessoas ás quais não tenho qualquer afecto ...e pensar que a minha avó está no hospital neste momento...
mas eu sou adulta agora...e acho que faz parte desta coisa de ser-se adultos...enfrentar as coisas más ...
mas eu sou adulta agora...e acho que faz parte desta coisa de ser-se adultos...enfrentar as coisas más ...
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Por vezes é mais fácil mentir..fingir
que não estamos cá.
E eu não estou mais cá. Permanece
apenas o meu corpo..o meu espírito está longe. Assim tem de ser...estou em modo de sobrevivência...
Os meus dias estão cheios de
pequenos/grandes azares. Coisas que, apesar de tudo, me “permitem”
continuar a viver ...mas que me atrapalham a vida.
São pequenos acidentes de carro...são
problemas de alojamento...são colegas de trabalho que vão
embora...fazendo alterar o meu horário o tempo todo...e deixando-me
sem nenhum dia de descanso.
Estou esgotada.
Eu só queria ter um trabalho normal.
Horários certos. Dias de descanso certos. Mas ninguém me mandou vir
para uma recepcão de hotel. Ainda por cima para um hotel que é uma
desorganização em todos os sectores.
Cada dia que passa vejo-me mais sozinha
no meu posto de trabalho e a cada dia que passa tenho mais tarefas e
mais responsabilidades para as quais eu não sei se estava preparada.
Isto era suposto ser um estágio...era
suposto ter mais formação...não ter que acabar por dar a formação
que ainda devia estar a receber.
Mas, ninguém disse que a vida era
fácil..muito menos a vida numa recepção de hotel...
neste momento apenas procuro uma forma
de levar isto até ao fim e de conseguir sair deste mundo do
turismo.
A minha vontade era fazer como os
outros...desistir...uma dia de repente dizer “já não vou mais
trabalhar”...não dar a cara..enviar mensagem ...como tenho visto
aqui...
mas desistir seria demasiado
fácil...seria encostar-me na minha zona de conforto...e eu não
posso fazer isso...não desta vez...
Resta-me colocar-me em piloto
automático e deixar os dias passarem..um atrás do outro...e ver até
onde os limites do possível podem ir...
quinta-feira, 19 de junho de 2014
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Eu queria ter um bilhete de volta no tempo. Queria poder
retroceder a cada arrependimento. Mas estou presa dentro desta camisa de forças
em que as minhas escolhas passadas se tornaram.
Não consigo imaginar o que poderia ter sido se a determinada altura eu
tivesse mudado o rumo de tudo…resta-me apenas sonhar com o que poderia ter
sido…e acreditar que isso era o mais certo para mim.
Queria adormecer esta noite, sabendo que amanhã eu estaria
salva. Mesmo que fosse salva para me
perder logo a seguir.
Havia um caminho. Havia um caminho com muitas ramificações.
Havia um destino.
Às vezes temos que viajar sozinhos…às vezes temos que deixar
a nossa bagagem do outro lado.
A vida não é rectilínea e temos que seguir para muitas
direcções ao longo da nossa vida.
Havia um caminho que eu tinha que seguir para perceber que há mais para além daquilo que temos como
certo…que há mais para além da nossa zona de conforto.
Gostaria de quebrar
barreiras. Ousar. Ser menos eu.
Havia uma solidão. Havia desanimo.
Não sei em que momento da minha vida eu escolhi a direcção
errada ou se toda a minha vida até agora
nada mais foi que uma sucessão de más
escolhas e direcções erradas.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Eu sei que é fácil pensarmos que toda a gente está a viver melhor do que nós. Que toda gente se está a divertir e nós somos os únicos a passar um mau bocado. Eu sei que é mais fácil assim.
Os meus dias sucedem-se a um ritmo muito lento...cada dia há novidades menos boas para o meu lado...como se o universo tivesse apenas ocupado em complicar-me a vida...
Vivendo assim é fácil pensar-se que o resto do mundo está bem e apenas nós estamos no fundo do poço...
Os meus dias sucedem-se a um ritmo muito lento...cada dia há novidades menos boas para o meu lado...como se o universo tivesse apenas ocupado em complicar-me a vida...
Vivendo assim é fácil pensar-se que o resto do mundo está bem e apenas nós estamos no fundo do poço...
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Desabafos...
Estou a ter um dia mau." É um daqueles dias do mês..." Mas ninguém se importa. Nem eu quero que se importem.Nem estou à espera de algum tipo de recompensa. Quero estar só no meu canto sem que me venham perturbar. Mas não é de todo possível..
Quem me dera estar em casa. Quem me dera ser criança e andar perdida em mil e uma brincadeiras.E não ter medo do futuro. E não odiar as pessoas.
Sim, eu odeio pessoas. Posso dizê-lo. Alguém que trabalha ou já trabalhou numa recepção de hotel sabe que facilmente se odeia pessoas. E não são só os clientes. São os colegas também.
Mas tudo isto porque eu não queria estar aqui. Mas ninguém tem culpa disto.
Nem sei se eu própria tenho culpa disto...
Estou a ter um dia mau. Não quero ter que sorrir e ser prestável.
Quem me dera estar em casa. Quem me dera ser criança e andar perdida em mil e uma brincadeiras.E não ter medo do futuro. E não odiar as pessoas.
Sim, eu odeio pessoas. Posso dizê-lo. Alguém que trabalha ou já trabalhou numa recepção de hotel sabe que facilmente se odeia pessoas. E não são só os clientes. São os colegas também.
Mas tudo isto porque eu não queria estar aqui. Mas ninguém tem culpa disto.
Nem sei se eu própria tenho culpa disto...
Estou a ter um dia mau. Não quero ter que sorrir e ser prestável.
domingo, 11 de maio de 2014
Efervescência
Algures no vácuo do tempo
ficam os dias que eu não
vivi. Os dias presos
numa anomalia dolorosa.
Algures entre o que passou
Fica o que eu não fui.
A existência inócua da realidade.
Por entre as pinceladas do
passado e do presente, há
um quadro por pintar.
Exposto num corredor longínquo
de uma galeria desconhecida.
E eu sou o pintor que nunca
pintou.
Sou a obra que nunca
saiu da imaginação do artista cego.
Por entre tudo o que sou
Eu sou tudo o que não sou.
Sou a voz enfurecida que
clama num silêncio morto
Calma na calada da noite caindo.
Não sei para onde caminham
os meus passos.
Ás vezes, em murmúrios,
Sinto-me em busca de uma fé
estranha.
Estranha para quem não
quer crer no que está à sua volta.
Viro-me para os céus
E aos céus brado.
Busco uma luz . Uma resposta.
Como um prisioneiro inerte
no fundo de uma
jaula que um dia é liberto
e contempla a luz
pela primeira vez.
"...Eu era cego, e agora vejo..."
Vejo...vejo
sem realmente ver.
Acordo de um pesadelo
e nunca adormeci.
Para onde vamos quando nos sentimos perdidos?
Que fé é esta que nos sustém mesmo
na corda bamba?
"...Poderão cair mil ao teu lado..."
Eu sento-me aqui nesta
rocha no ponto mais alto
de onde se avista o longe e tudo
Eu sento - me e absorvo
a génese.
O fim e o princípio de cada
vida. Eu sou todos aqueles
que se sentaram nesta rocha
e observaram mais alto e mais longe.
Eu sou os olhos
e as pernas de todas
as crianças que aqui
brincaram. Eu sou a liberdade.
brincaram. Eu sou a liberdade.
Eu sou tudo. Também
vezes há em que sou nada.
Se sou dia. Ás vezes
sou apenas noite.
Sou o declínio. Sou a renovação.
Tenho em mim o sangue
de todas as gerações
que me antecederam.
Dói em mim a sua luta.
Dói em mim os seus corpos
cansados.
Caem-me lágrimas de
uma nostalgia absurda.
Saudade de um tempo
antes de mim.
Memórias do que nunca
vivi.
Ás vezes eu sou o tempo
que fugazmente nos
tira tudo.
E estou em toda a parte.
E não sei de mim.
segunda-feira, 24 de março de 2014
O tempo e outros milagres
Às vezes que precisamos mesmo de um milagre.
Depois de termos tentado vários caminhos…voltamos ao lugar de onde partimos…sentamo-nos e observamos a encruzilhada que nos rodeia.
Não parece haver uma resposta. Então ficamos à espera; um
dia após outro até que um daqueles caminhos nos pareça esse milagre.
Estaremos condenados a voltar sempre ao lugar de partida?
Estarei eu condenada a voltar sempre ao lugar de partida?
Há um momento da nossa vida em que claramente estamos
perdidos. Perdidos à força de nos esforçar-mos tanto para nos encontrar-mos. Perdidos
à força de andarmos às voltas em torno do nosso destino sem saber qual o
sentido dos ponteiros do nosso relógio.
Há esse momento da nossa vida em que temos que pegar nas pontas soltas de dias,
noites..semanas…anos passados... e pintar
um quadro…um quadro de uma existência ascendente e descendente.
Um dia tens dezassete anos e
sonhas imenso. Tudo pode acontecer ainda . O horizonte que se apresenta à tua
frente parece dizer que tudo pode ser possível. Com dezassete anos, não
tens medo do futuro. Não sentes o peso da tua idade nem o peso da idade das
pessoas que mais amas. Tudo parece ser simples.
Um dia acordas de repente e tens vinte e sete anos…dez anos passaram e
apercebes-te que a vida não é nada do que julgavas ser. Estás só. Tens medo.
Medo do presente…medo do futuro…e vives no passado…
Na história da minha vida, desde a infância até ao inicio da
idade adulta, passando pela adolescência, nada mais fui do que um narrador
ausente dos factos. Um mero espectador. Uma figura inútil que, de uma posição
relativamente confortável ,observa a realidade sem interferir nela.
Creio que desde a minha infância já tudo estava estipulado. A
minha pessoa já estava formada. Aquilo que eu sou hoje, foi algo que sempre aceitei,
assumindo , à partida, que não havia nada a fazer. Eu estava condenada antes de
ter sequer a noção de que poderia ser diferente.
É como se , no momento do nosso nascimento, alguém colocasse
um carimbo na nossa alma que nos obrigasse a ser assim, independentemente de
todas as situações e de qualquer esforço contrário da nossa parte.
Olhando para trás, agora, aqui, lembro-me de pouco ou nada ter feito para mudar tudo
aquilo que não me agradava.
O meu aspecto físico, a minha timidez, a minha formação
académica, a minha relação com os outros..e tantas outras coisas…Sempre tive
este maldito hábito de me acomodar às situações...
E eu pensava que o que precisava mais era de tempo…mas, na
verdade, tempo era o que eu tinha de sobra…apenas o deixava passar por mim, sem
o agarrar, acabando sempre por perdê-lo…
Não me apercebia dos dias..perdia-os a fugir da realidade…não
sentia as noites…perdia-as a flutuar em sonhos vagos…E, pouco a pouco, eu já
não sentia nada…excepto aquela apatia a entranhar-se em mim cada vez mais …e a
minha solidão era por vezes sufocante…
E o que eu achava que precisava mais era de tempo…tempo para
encarar a realidade…tempo para cicatrizar as feridas e apaziguar a dor…tempo
para dizer e fazer tudo o que queria…tempo para ir onde nunca fora…tempo para
ganhar coragem e enfrentar a verdade…tempo para me libertar do passado…tempo
para sair do meu esconderijo e olhar a claridade de frente…
Mas o tempo, esse, eu acabava sempre por tê-lo em excesso…mas,
todavia, eu continuava a chegar a parte alguma. Continuava presa numa confusão
de momentos sem sentido…
Se ao menos tempo fosse o que eu mais necessitava…!
E o que eu mais necessitava na realidade, era apenas de me
encontrar…mas eu estava sempre tão longe…perdida por aí à minha procura…quinta-feira, 20 de março de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Linhas Obscuras
Algumas linhas obscuras são paralelas à nossa casa.
O vento traz um sentimento de fúria num vendaval
de folhas e nadas.
Algumas linhas obscuras correm nas nossas veias.
Como sangue fervilhante no auge de uma batalha.
Há uma tempestade que se acolhe a nós.
Destroços de uma bomba que impludiu.
Algumas linhas obscuras são correntes de água turva.
Corpos cegos em procissão.
Há um terror na minha sombra.
Passos de velcro na esquizofrenia da solidão.
Algumas linhas obscuras são cordas de enforcados.
Condenação vã da alma doente.
Há por vezes uma hora que não passa.
Asilo de uma dor vulgar.
Algumas linhas obscuras são pedaços de sonhos.
Praias em maré vazia.
O murmúrio de um povo cala uma voz rígida.
O chamamento perturbado de uma geração amórfica.
Algumas linhas obscuras são clarões e parecem cegar-nos de luz...
O vento traz um sentimento de fúria num vendaval
de folhas e nadas.
Algumas linhas obscuras correm nas nossas veias.
Como sangue fervilhante no auge de uma batalha.
Há uma tempestade que se acolhe a nós.
Destroços de uma bomba que impludiu.
Algumas linhas obscuras são correntes de água turva.
Corpos cegos em procissão.
Há um terror na minha sombra.
Passos de velcro na esquizofrenia da solidão.
Algumas linhas obscuras são cordas de enforcados.
Condenação vã da alma doente.
Há por vezes uma hora que não passa.
Asilo de uma dor vulgar.
Algumas linhas obscuras são pedaços de sonhos.
Praias em maré vazia.
O murmúrio de um povo cala uma voz rígida.
O chamamento perturbado de uma geração amórfica.
Algumas linhas obscuras são clarões e parecem cegar-nos de luz...
sábado, 21 de dezembro de 2013
Ser eu o mosaico encardido de uma terra que tem tanto de calor como de solidão.
O campo vasto. Vazio. Nú. Gênese.
A cria da terra seca do entardecer.
As criaturas vivas de uma noite cerrada.
Não há uma fuga, há uma chama.
Talvez um espaço impossível de tempo que vem.
Um cruzamento infindável de muros. Dores.
O corpo mole numa dança desenfreada.
Jogo de escondidas. Feridas.
Ser eu o choque do batente da porta que fere o diálogo.
O canto livre dos homens sérios.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Eu sempre fui a
pessoa que faz sempre tudo mal.
A minha mãe assim
o achava.
E de, uma maneira
ou de outra, ao longo da minha vida a maiorias das pessoas com quem me tenho
relacionado têm sido uma espécie de cópias da minha mãe nesse sentido.
Na verdade, eu
sei que não faço tudo mal. Na verdade sou como qualquer outra pessoa, ou seja, faço
umas coisas mal e outras eventualmente farei bem, certo?
Com o passar do
tempo percebi que o problema não estava particularmente nas minhas acções, ou
seja, não era que eu tivesse a fazer as coisas todas mal, e os outros a
estivessem a fazer bem, a diferença sempre residiu no facto de eu não me
importar minimamente com o que os outros faziam, como o faziam, quando e porquê
o faziam...e de eles sempre se importarem demasiado…
quarta-feira, 25 de julho de 2012
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