quarta-feira, 4 de março de 2009

As gotas de chuva queimam-me sem que eu tenha a noção de mim...
Hoje os meus passos estão presos no solo...e eu movo-me, mas não chego a lugar algum...
Desassossego...
Loucura...
Silêncio...
Nada...
Escuro...
Está escuro aqui...
Frio...muito frio...nos objectos em que toco...
Frio...no chão que piso...
Frio...em mim...na minha pele...
Horas...que não passam...ou passam sem que eu saiba...

Colapso...

Sinto...e não sinto...
nada me chama...
o mundo corrói-me...
Respiro...e o ar sufoca-me
caminho...e afundo-me na areia movediça do espaço...
Falo...e as minhas palavras flutuam no vazio...
A realidade lá fora apresenta-se muda para mim...
Aqui...do isolamento da minha existência...
Fecho as portas e impeço que a luz do exterior me assalte...
Ignoro quaisquer estimulos da aleatoridade dos dias...
Cerro a minha consciência e tento adormecer...
E durmo...com os olhos abertos, sem me aperceber
que luzes intermitentes vagueiam no escuro do meu refúgio solitário...
Dormir não chega, quando os pensamentos despertam no meio da escuridão,
Dormir não chega...
Se eu já não sou eu...
Se o tempo já não me pertence...
Dormir não chega...se a realidade colapsa á minha volta...

Tempos houve em que eu escrevia...escrevia e as palavras conseguiam penetrar o espaço vazio em meu redor...e eu continuava em frente sem remorsos...
Tempos houve que eu escrevia, e sentia cada palavra escrita...e as frases transpunham paredes, janelas...muros no tempo...
Mas hoje, escrevo e nada acontece...não chove...não queima...nada...
Hoje encontro-me...sem me perder e perco-me e não me encontro...
Hoje as palavras vão...e eu não vou...

terça-feira, 3 de março de 2009

Baile de Máscaras

Há dias em que te sentes tão inútil que nada parece ter consolação...sentes os músculos entorpecidos, e os teus olhos teimam em não querer abrir-se...
Há dias em que nada mais há a fazer, senão permanecer no véu apático do teu ser...nada dizer, nada fazer, nada desejar...nada esperar...
Há dias em que parece que o mundo decidiu conspirar contra a tua existência...
Sorte ou azar...já não sabes...
O que sentes...mata-te lentamente...

O que não sentes...abre feridas na tua alma...
O que vês...não é o que na verdade olhas...
O que ouves...não conrresponde aos sons reais...
O que dizes...não é o que pensas...
Vives os dias num disfarce contínuo, como se a vida nada mais fosse que um enorme baile de máscaras...desfilas por aí...misturas-te na multidão...

Será que no fim há algum prémio para o melhor disfarce?
Haverá alguma recompensa por todo o tempo em que andaste a fingir...por todos os dias em que adulteraste a tua imagem?
No fim...que propósito terá tudo isto?
Dias e dias...na imensidão do nevoeiro social...

domingo, 1 de março de 2009

......

Como ir e não voltar...
Como cair e afundar...
Como partir e não regressar...
Como sorrir e sufocar....

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


Há então...desde há dias um desconforto...no tempo...no espaço...na madeira dos móveis...nos vidros das janelas...no branco das folhas de papel...um descompasso lento nos dias...nas horas...sinto-me adormecida...é como se não dormisse há dias...ou tivesse mesmo agora acabado de acordar...é um sono pesado...entranhado na pele...na alma...no silêncio...
E há...então...desde há dias...este sentimento que me corrói em silêncio...que se apodera de mim num passo mudo e pesado...e desde então que não sou...e não estou...
Não há mais palavras para descrever tudo isto...nenhuma mais poderia acrescentar para o exprimir...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

...


Os meus passos estão incertos...desordenados...troco-os o tempo todo e caio inúmeras vezes...não consigo ser coerente...atropelo-me vezes sem conta...e depois sigo em frente ...levando comigo as nódoas negras das minhas quedas...

Não consigo manter um padrão...um dia sou uma pessoa e no dia a seguir já sou outra...digo uma coisa e faço outra completamente diferente...engano-me uma e outra vez...uns dias odeio...e noutros não odeio assim tanto... ou nada sequer...uns dias sinto-me presa...e noutros livre como se nada me tocasse...

E tudo isto acontesse enquanto o relógio permance parado...nas mesmas horas de sempre...como se quisesse mostrar que os objectos também conseguem ser irónicos...o relógio pode parar...e o tempo continua sem se importar....

Será que disse tudo o queria dizer?
Será que as minhas palavras me levaram a algum lado?
Será que alguém me ouviu?


Hoje sou uma pessoa que amanhã já não quero ser...amanhã sei que continuarei a ser a mesma...será que isso muda alguma coisa?


E deixo este texto sem titulo...porque não sei que nome dar a isto...a isto que me move todos os dias...a isto que sinto...


Apatia?
Loucura?
Nada?
Vazio?
Descontrolo?
….........................

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Tenho saudades das estrelas...de quando eu as via com olhos de criança...

O nada dos dias...

Porquê? Eu pergunto-me porquê imensas vezes...porquê esta inconsistência nos dias...as horas ignoradas que passam sem remédio...o tempo que nos devora com chamas incessantes desta grande fogueira do mundo...
E eu vagueio pelas ruas e observo as caras desatentas das pessoas que encontro no meu caminho...e todas me dizem o mesmo...NADA! é apenas um vazio constante em todos os que me rodeiam por aí...nada de novo...nada de inspirador...
E não sei se é de mim...ou os dias ficam mais curtos á medida que o tempo passa...parece que há uma pressa qualquer de chegar a algum lado...ou então pode não haver nenhum propósito...
E... se realmente não houver mesmo nenhum propósito? e se for isto...apenas...sem mais nada a esperar...é imensamente desolador pensar isso...acreditar nisso...
Os dias...as noites...os meses...os anos... não passam de consequências da rotação deste planeta ao qual resolveram chamar Terra...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Há caminhos que conseguimos traçar de olhos fechados, outros, porém, por mais que os mantenhamos bem abertos, não conseguimos encontrar uma forma de chegar a parte alguma...


Em 12.03.05

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Tu não sabes...

Tu não sabes...e eu não te direi...e isto jamais será revelado...
Tu não dizes nada...e eu mantenho-me neste silêncio gelado...
Nada mais há a dizer...
Tu não o sabes...não o poderias saber...e eu jamais te o poderia contar...
Tu estás aí...e eu já me já não sei mais onde estou...perdi-me...
Não há mais ar entre nós que possa tornar os sons em palavras...
E eu não sei...sabendo, no entanto tudo...
Tu não o sabes...eu sei que não...e não te posso culpar por isso...está fora do teu controlo...está para além do que possas pensar...querer...ou viver...
Tu não sabes...e eu sei demais...demais do que quero saber...do que devo saber...demais do que preciso saber
Tu não o sabes...e eu não te odeio por isso...odeio-me a mim por não te o conseguir dizer...

sábado, 10 de janeiro de 2009

E vi-te...

E então vi-te... estavas ali á minha frente...e de repente não soube se eras real...ou se eras apenas mais uma alucinação...e de repente não soube mais de mim...fiquei ali presa mais uma vez...a ti...a noite em ti...á tua presença na noite...a tua inesistência em mim...o frio...o desconforto de estares ali mais uma vez á minha frente...tão perto...mas na realidade a uma distância enorme e dolorosa...
E vi-te...como te imaginei durante anos...e depois ali...estavas real como antes...
E...de repente nenhuma palavra pode surgir...nenhuma seria apropriada..e nenhuma podia existir já...todas já haviam sido aglomeradas a um canto pela força dos anos...
E vi-te...sim...vi-te...e não sei...ao ver-te...se te vi realmente..ou se mais te via quando te imaginava...
E vi-te...e de repente... tudo em mim parou...e o vento...as vozes...as cores daquela noite dissiparam-se todas por entre os contornos da tua imagem...
E vi-te...mas pela primeira vez, ao olhar-te...tu eras tu...e eu era eu...
E vi-te...após tanto tempo...e nada de impressionante se pode sentir num momento assim...

sábado, 13 de dezembro de 2008



E era de novo Outono...e de novo aquela melodia melacólica entoava na minha cabeça...
Permaneces ai na frieza da casa com se ja nada mais te importasse...
És um bloco de gelo na minha existência ...e eu ja nao sei o que dizer ...se vou... se fico... não consigo perceber se isto é real se estou aqui...se estás aí...se realmente este dia existe ...e eu acho que não existe...acho que estou a sonhar isto...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Os caminhos seguem-se caminhando....passo a passo...na direcção que se vai apresentando dia após dia....

Não sei se fui ou se fiquei aqui perdida e estática...não sei se me movo ou se o chão se move debaixo dos meus pés...não sei se passo pelas coisas ou se as coisas passam por mim...nada sei agora...um dia após outro...já nao sei..fingo o que sou...e não sou o que fingo...



Permaneço aqui na evasão deste dia...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Eu nao quero admitir isto...não poderei jamais admitir...dói-me demasiado...é tremendamente sufocante....dói tanto que ás vezes é dificil respirar...as palavras ficam presas dentro de mim como espinhos cravados na pele...

sábado, 29 de novembro de 2008


Diz-me só desta vez...ouve-me...diz-me algo que me faça acreditar em alguma coisa...mente-me...podes-me mentir...eu deixo...não precisas de me dizer a verdade...não é isso que eu exijo de ti...apenas quero ouvir de ti alguma palavra...algo que me faça acreditar que isto é real...depois podes voltar para o teu mundo silencioso...eu não te pedirei mais nada...depois podes ir descansado...e eu permanecerei aqui como dantes...


Acho que já te perdi...acho que já partiste há muito...e eu nem me apercebi...a porta ainda tem o som da tua partida...e as paredes estão cheias do vazio da tua ausência...
já foste há tanto tempo e ainda parece que aqui estás...há fragmentos teus espalhados por aí...não consigo andar livremente pela casa sem esbarrar contigo...e no entanto vejo claramente que estou completamente sozinha aqui...
depois há o vento gélido do Outono que sopra em mim...como chamas incandescentes na minha pele...
Os dias começam e terminam...passam ao ritmo desenfreado das curtas horas da esquizofrenia desmedida deste tempo insaciável...e eu tento em vão continuar...caminhar e fingir que tudo faz sentido...mas há ainda os ecos da tua voz nos meus ouvidos...ainda há pedaços da tua epiderme nos móveis...e não é que eu me incomode...na maioria dos dias nem me apercebo...mas não sei se é deste Outono que teima em me atingir...ou se sou eu que ja não te consigo esquecer mais...estou assim...meio nostálgica...

Vou continuando..dia-após-dia...mas lembrar-me-ei de ti...porque não consigo simplesmente esquecer-te, ainda que tente muitas e muitas vezes...
Há estas palavras ....que me entoam na imensidão do meu silêncio...como se eu jamais podesse pensar noutra coisa qualquer a não ser em ti...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Relembra-te de olhar sempre para o outro lado...de tentar sempre seguir o outro caminho....a vida não é feita apenas numa direcção...quando caminhamos muito tempo pelo mesmo caminho...o melhor é parar e tentar outra direcção...nada nem ninguém te poderá dizer que o caminho que segues não é o certo poque na verdade ninguém sabe o que é certo e errado...a vida é uma viagem repleta de verdades subjectivas...
Relembra-te sempre de tentar de novo...de seguir em frente mesmo após uma batalha perdida...ou mesmo após uma sequência de batalhas perdidas...relembra-te de nunca te deixar mergulhar na monotonia dos dias vazios...de vencer a rigidez dos músculos...a ausência das palavras...
Com o tempo vais-te aperceber que os muros não são assim tão altos...que as paredes não são assim tão opacas...há sempre uma forma de transpôr tudo o que se apresenta á tua frente...
Com o tempo verás que as coisas afinal são tão mais simples...
Com o tempo o que era complicado fica apenas na memória como mais um obstáculo ultrapassado...
Com o tempo o que era longe fica perto...e o que estava perto começa a ficar tão longe...
Lembra-te de não andares tão depressa...não te canses...caminha no tempo...com tempo...com calma...não deixes que o tempo caminhe abruptamente em ti....
Não te esqueças de olhar primeiro para ti...de te conheceres bem....de saberes bem a pessoa que és...podes nunca descobrir realmente, mas tenta todos os dias vasculhar dentro de ti em busca da tua identidade....depois de olhares bem para ti...de aprofundares a tua existência...olha á tua volta...aceita e descobre o mundo...a realidade...
Não percas demasiado tempo com preocupações...o que for que tenha que acontecer...acontecerá...quer te preocupes imenso, quer nem te preocupes nada...
Aceita as adversidades...elas fazem parte desta tua jornada...da tua aprendizagem...aceita-as...ultrapassa-as e esquece-as...deixa que fique apenas em ti a experiência, o que aprendeste...não permitas nunca que elas deixem em ti o medo de continuar...
A vida nem sempre vai ser doce...e não vai haver finais de "e viveram felizes para sempre"...aceita isso desde o inicio...não cries expectativas positivas em relação a nada nem ninguém...e assim não terás desilusões desnecessárias...as coisas são aquilo que pensas delas...aquilo que constróis em torno delas...
Não confies no senso comum...esquece! Não vivas das experiências dos outros...vai em frente...passa por debaixo das escadas...e deixa que os gatos pretos se atravessem na tua estrada...não procures mais um trevo de quatro folhas...desafia a sorte e o azar....
Cria novas histórias para a tua vida...sempre que aquela em que estiveres se tornar demasiado rotineira, aborrecida e previsivel...recomeça a qualquer hora...em qualquer lugar...muda de personagem e de argumento quanto te apetecer... a vida não é linear nem rectilínea...há inúmeras possibilidades...
Mente...diz a verdade...foge...volta...esconde-te....aparece...baralha as coisas...simplifica tudo...liberta-te...prende-te...joga...ganha...perde...tropeça...cai...levanta-te...racionaliza e perde razão....
Assume que nada é perfeito...nada nem ninguém...
Assume que vais errar imenso ao longo da tua vida...e assume também que vais acertar também inúmeras vezes...tens que manter o equilibrio...
Assume igualmente que as coisas não acontecem apenas aos outros...quer sejam coisas boas ou más...tu tens as mesmas possibilidades que o resto do mundo...tanto de ganhar a lotaria, como de ter um acidente de carro...
Lembra-te que o facto de seres uma boa pessoa...de fazeres boas acções...não te vai impedir que te aconteçam coisas muito más...mas lembra-te também de nunca interferires no livre-arbítrio dos outros...assim como nunca deves deixar que ninguém interfira no teu...
As coisas e as pessoas não são apenas boas ou más...tudo tem duas faces...
Não te enganes por aí a idolatrar dogmas abstratos e confusos que impoêm regras na tua vida sem que percebas muito bem porquê...assume que deves ser tu a criar e construir as tuas próprias crenças e convicções, porque és tu que vais ter que viver com elas e aceitá-las...não deixes que sejam outros a fazer isso por ti...assume que tu és a única pessoa a responder pelas tuas próprias acções...sejam elas boas ou más...
De resto...lembra-te de viver..viver a sério...conciliando as tuas obrigações com o as tuas diversões...sem que as obrigações sejam demasiadas que chegues ao ponto de já não te saberes divertir...vive a sério...mesmo...sabendo que as coisas mais simples e mais fáceis de encontrar são as mais preciosas...e são também as que com mais facilidade esqueces e perdes...
Lembra-te de respirar a casa segundo...o ar é precioso...lembra-te de sorrir...lembra-te de voltar a casa...e ser criança de novo...quantas vezes quiseres e te apetecer...
Vive com um pensamento bem presente: aconteça o que acontecer, em qualquer lugar, há sempre algo que podes fazer para mudar a situação
.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Não tentes mudar o rumo das coisas...o que é agora... jamais mudará...nada do que faças vai alterar o que quer que seja...

Nada podes fazer para impedir que eu parta agora...nada poderás fazer para tentar que eu permaneça aqui mais um dia...agarrei as asas e vou voar...voar para longe sem receios...vou perder-me das memórias todas que carrego comigo agora...vou despreender-me de tudo...hoje...agora sou apenas eu...sou apenas a pessoa que sempre fui...que um dia perdi...

Não sei o que dizer...as palavras estão estáticas no silêncio da minha cabeça...não sei sequer mais o que pensar...estou ofuscada por dúvidas e inseguranças...eu não quero voltar a pensar que estou perdida por tua causa...não podes ser a razão de tudo isto...não aceito!!

Nâo voltes...nao te quero mais ver aqui...quero que partas para sempre...e que para sempre permaneças na solidão dos dias longuinquos...o que foi jamais voltará...és poeira que o vento levou para longe...e pouco a pouco o tempo apagará a tua memória...quero esquecer a tua voz...os teus olhos...o que costumavas dizer e o que calavas tão bruscamente...quero que para sempre não haja mais o passado...não quero mais que o sabor daquilo que foste permaneça nos ecos das paredes da casa...partiste...para sempre partiste...não há volta a dar...

Hoje acordei e lembrei-me de ti...e não sei o que mais escreva em relação a isso...



terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ainda sou a pessoa que era antes...mas há coisas que jamais poderei recuperar...há coisas que perdi para sempre na imensidão dos dias....há sorrisos...momentos...sentimentos...que jamais voltarão...há fileiras e fileiras de vazio a separar-me de tudo o que eu era...há desertos ...há mares..há muros...paredes altas e violentas...eu permaneço aqui perdida...parte de mim ficou lá...e parte de mim partiu há muito...