
Abandonei-te e abandonaste-me…nada mais há a fazer…
Às vezes nem nos apercebemos como estamos obcecados...é como uma doença…mas chega o dia em que aquelas coisas que nós mais queríamos se transformam em simples fragmentos de poeira dos nossos pesadelos…flutuando na noite desenfreada…
Tu estás aí…e eu estou aqui…e entre nós, todo um vácuo de distâncias dispersas…
A nossa solidão não cabe no mundo…e a nossa vida é tremendamente vazia…
Não te encontro…não é que te procure…mas as vezes recordo os dias que acordavam em nós como púrpura caída levemente na seda…mas não te procuro…deixei de te procurar quando ainda te encontrava…
Nós éramos frágeis sombras esvoaçantes…e a nossa frieza era infernal…
Guardei os dias de liberdade…os dias de sonhos…mas vou enterrá-los para sempre…não preciso mais deles…
Dizer-te que tudo foi em vão, seria extremamente cruel...mas agora nada mais me importa…
Esqueci as últimas palavras…vejo-as apenas a pairar por aí no vento calmo do entardecer…
Vagueio ao longe sem rumo…perdida entre a nostalgia das horas…
Sim, agora nada mais me importa…agora os dias nada mais são que árvores mortas…



