quinta-feira, 17 de janeiro de 2008


Abandonei-te e abandonaste-me…nada mais há a fazer…
Às vezes nem nos apercebemos como estamos obcecados...é como uma doença…mas chega o dia em que aquelas coisas que nós mais queríamos se transformam em simples fragmentos de poeira dos nossos pesadelos…flutuando na noite desenfreada…
Tu estás aí…e eu estou aqui…e entre nós, todo um vácuo de distâncias dispersas…
A nossa solidão não cabe no mundo…e a nossa vida é tremendamente vazia…
Não te encontro…não é que te procure…mas as vezes recordo os dias que acordavam em nós como púrpura caída levemente na seda…mas não te procuro…deixei de te procurar quando ainda te encontrava…
Nós éramos frágeis sombras esvoaçantes…e a nossa frieza era infernal…
Guardei os dias de liberdade…os dias de sonhos…mas vou enterrá-los para sempre…não preciso mais deles…
Dizer-te que tudo foi em vão, seria extremamente cruel...mas agora nada mais me importa…
Esqueci as últimas palavras…vejo-as apenas a pairar por aí no vento calmo do entardecer…
Vagueio ao longe sem rumo…perdida entre a nostalgia das horas…
Sim, agora nada mais me importa…agora os dias nada mais são que árvores mortas…



O Silêncio Do Espelho...

Imagina a tua vida…
Imagina o espelho partido…imagina-te a ver o teu reflexo em pedaços no chão…
Imagina o silêncio…
Imagina a escuridão…
Imagina a dor…
Imagina a solidão…
Imagina um dia que não acaba…um dia que morre numa noite povoada de estrelas mortas…
Imagina um grito…um grito que não se reflecte no espelho quebrado…
Imagina o silêncio do espelho…que dia após dia observa tudo sem nada fazer ou dizer…
Imagina o silêncio do espelho perante o teu sofrimento…perante as tuas lágrimas….
Imagina o silêncio do espelho que, inútil, tudo presencia sem nada sentir…
Imagina-te a ti….imagina este momento…este que está mesmo agora a acontecer…
Sentiste?
Imagina que este mesmo momento ainda não tinha acabado…teria sido diferente?
Imagina o silêncio do espelho que todos os dias te fita do outro lado testemunhando as tuas expressões e movimentos sem nunca demonstrar um único sentimento…uma mísera reacção
Imagina o silêncio do espelho…esse silêncio infernal…que mesmo depois de jazer ali no chão quebrado em pedaços…a única coisa que consegue fazer é reflectir a tua expressão de mágoa …
Imagina a indiferença do espelho, outrora preso imóvel na parede, perante a tua própria indiferença…
Imagina o silêncio do espelho… que todos dias permanece no seu pedestal estático de mundos contrários…

sábado, 12 de janeiro de 2008

Se ao menos...


Se ao menos houvesse mais a não ser este vazio...se ao menos viver fosse mais que esta existência sombria... se ao menos o tempo fosse suficiente...se ao menos nao fosse dificil acordar...se ao menos eu não tivesse já partido há muito...se ao menos ainda conseguisse voltar...
Havia uma alma dentro de mim em tempos...mas perdeu-se por aí nos recantos escondidos da vida...
A realidade em meu redor tornou-se irrelevante ,deixei de me importar com as coisas…para mim, é igual se o sol um dia nasce no lado contrário…
Sinto que estou diferente...e, no entanto, não me lembro de ter sido de outra forma antes...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A chuva quebra-se em mim...caminho sem destino...
Encontro-me então perdida num jardim de rosas adormecidas no chão....
Deito-me e fingo que estou a dormir...a vida não pode ser assim tão estranha...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sinto-me vazia ....vazia de sentimentos...vazia de emoções...vazia de vontades...vazia de tempo...vazia de pensamentos...
Nada me ocorre neste estado vazio e solitário....

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Beleza Eterna...

O teu espírito repousado no pó
A tua sombra adormecida nas trevas

A tua voz...o canto dos pássaros mortos...
As tuas lágrimas...o choro dos anjos de pedra...
Que tempestade te acordou?
Que dias perturbaram a tua eternidade?
Que luz acorda a tua paz?
O teu corpo mergulhado na imensidão
O teu olhar inerte no vazio
Que anjo ou demónio…
Que voz…que gesto…
Te prende ainda á realidade?
Que amanhecer rouba a tua beleza?
Tu que nasceste do fundo da escuridão…
Tu que foste a névoa fria da solidão do luar…
Não te vejo mais….dissipas-te no horizonte…
Confundes-te na penumbra…
Nada mais resta na tua ausência…
Nem sequer esta solidão…
Nem sequer a dor…
Tudo se apaga á tua passagem…
Apenas as estátuas, imóveis, te contemplam …
E vêem-te a afastares-te sem remorsos…sem reflexo …
Amanhece…a luz do dia invade o meu olhar…
E com ela, afasta-se a memória da tua presença…

sexta-feira, 30 de novembro de 2007


Eu caminhava nas ruas…alheia ao mundo…mergulhada em apatia…sem dizer nada…E eu pensava que era suficiente …eu pensava que podia usar isso como uma protecção…pensava que me bastava ignorar a realidade para que ela não invadisse o meu mundo…mas ela teima sempre em perturbar a minha solidão…em tentar acordar-me…quando na verdade apenas desejo permanecer neste sono profundo…

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Sinto uma última vez este momento...

Depois de horas aqui fechada, sinto que estou a enlouquecer...
Todos os gritos...todas as lágrimas..são em vão...
Mais um dia... e nada mais vale a pena...porque agora os dias são tão vazios...
Porque eu não posso mais suportar toda esta angústia...
Porque eu não me consigo compreender...
Porque estou apática perante o mundo...porque não consigo sentir nada...
Sinto uma última vez este momento...e depois nada mais há a dizer...depois o silêncio e a multidão a invandir a escuridão...

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Insónia...o vazio...ou a ausência...


Não sei mais onde estou… tento fechar os olhos mas não consigo sair daqui…
Quero adormecer…cair no sono e vaguear para longe…
Fechada nesta noite sem fim…tento afugentar esta luz que teima em me dominar…






Não posso mais ficar aqui…está frio…





Acho que estou a enlouquecer…estou a entranhar-me nas sombras…torno-me uma delas…deixei o meu corpo caído no chão…o sangue espalha-se pela casa…absorve o meu reflexo no espelho…mas não estou mais aqui…não acompanho mais o meu corpo…sou agora mais uma sombra na escuridão…nada me perturba agora nesta solidão calma…e por fim posso descansar nesta doce apatia…ausente de qualquer som ou de qualquer presença… ausente do tempo e do espaço…não há mais dor…não há mais sofrimento…apenas permaneço…aqui moribunda…sem agonia…
E o tempo passa lá fora…sem que eu faça parte dele…sem que o acompanhe…


Não sei mais de mim…não me vejo…não sei onde estou…


Tento esquecer o tempo que existiu quando te via…tento esquecer as horas que passaram em que te olhava…tento deixar para trás momentos…dias…semanas…mas não posso ignorar o facto de ainda querer voltar aos dias eternos…ás manhãs mergulhadas em liberdade…voltar a mim…voltar a ti…e depois deixar-te mais uma vez…ver-te partir de novo para que me convença que é o fim…


Porque não há mais anda que eu possa fazer…porque tudo é inútil…
Porque o mundo agora é apenas um estranho para nós…porque não há mais coerência nas coisas…porque a distância agora é um abismo de memórias…porque tudo o que éramos se esgotou…porque estás aqui e não te encontro…porque te vi partir e ainda assim não aceito a tua ausência…
Porque agora restam-me apenas estas repetições…estas frases sem nexo…estas palavras vazias…

O que devia eu sentir eu sentir? Devia eu sentir alguma coisa? Devia eu chorar? Devia eu sorrir? Devia ter pena? Devia eu fingir um pouco de felicidade? Devia eu demonstrar um pouco de dor?
Devia eu revoltar-me?

E mesmo agora que te tenho, sinto que já te perdi …E não consigo evitar que partas, mesmo que te agarre com todas as minhas forças.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Hoje...

Hoje sinto-me estupidamente infeliz…
Estupidamente longe do mundo…
Estupidamente inútil…
Estupidamente vazia…
Estupidamente insegura…
Estupidamente só…
Estupidamente revoltada…
Hoje sinto-me mergulhada num caos de pensamentos…
Hoje não estou cá…
Hoje vagueio por aí…no meio do nada…
Hoje sinto-me absorvida pela névoa á minha volta…
Hoje estou mais dispersa…
Hoje vou apenas esconder-me nas sombras…e não me importar…

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Provavelmente...

Provavelmente já não vais estar cá quando eu voltar…já terás tomado o teu caminho… já estarás longe…talvez sejas até outra pessoa…
Provavelmente eu vou chegar tarde…vou chegar depois de tudo ter acabado…
Provavelmente vou chegar no fim do dia…ao anoitecer…num tarde chuvosa…provavelmente já nem te vais aperceber que cheguei…nem eu vou notar que cheguei…
Provavelmente nem vais perguntar porque demorei tanto…nem te vai perturbar a minha ausência…
Provavelmente nunca mais nos vamos ver…e no fundo sabes que é melhor assim…
Provavelmente ainda poderás ver o meu reflexo a passar no vidro de uma janela qualquer…mas talvez nem te apercebas que é o meu reflexo…
Provavelmente ainda ouvirás a minha voz na tua memória…mas talvez a ignores…
O tempo esgotou-se…sabes bem…deixámos de ser o que fomos…quebrámos as correntes do passado…e tudo o que acontecer a partir de agora, já não importa…
Lembrar-nos-emos apenas do dia da despedida…mas vamos fazer tudo para esquecer o que sentimos…
Provavelmente tentemos não voltar aos mesmos sítios…talvez inventemos desculpas para evitar as lembranças…
Provavelmente tentemos enfrentar sem receio o facto de sermos outras pessoas…noutros cenários…pessoas sem memória…sem referências…
Provavelmente acabaremos como todos os outros…perdidos no meio da multidão…com olhares dispersos…aleatoriamente a passar…

"If only night can hold you where I can see you..."

Love is bleeding in the fog…
I am standing at the cemetery gate…drowning myself into this disastrous symphony…
Darkness has come to conquer my heart…
And I bleed…
I’m suffering…I’m defeated…
I will forget you…I promise…
Let me just close the coffin door and escape from you…escape from the world…
You are the biggest delusion I’ve ever had…the one I can’t let go…
My heart is no longer beating…my voice is soundless...
I hate to watch you there…so far away…but it hurts so much getting closer to you…
It’s painful to want you…it’s painful to leave you…
I will give up of life…I don’t mind anymore…
I’m starving for loneliness, for emptiness…
How can you do this to me?
How can you cause me so much pain?
I thought you were only in my imagination
…

sábado, 17 de novembro de 2007

“ Eu observo-te ao longe…os olhos vermelhos de não poder chorar…”

Estou obcecada por algo que não entendo …não estou mim…o mundo lá fora perdeu o interesse…todas as palavras não são suficientes…todos os gestos não chegam…
Hoje acordei…e não estou mesmo em mim…
Hoje acordei e o ar tem um cheiro ácido…e as sombras estão mais escuras…
Hoje acordei…com o corpo dormente…com os olhos fechados…
Hoje acordei…e não queria acordar…
Imagens intermitentes vagueiam na minha memória…estou longe ou perto…já não me vejo…
Permaneço no vácuo…no baú apático das minhas ilusões…
E assim, inerte, caminho na direcção errada…
Nada mais há a fazer…apenas observar ao longe o poderia ter sido...
E odeio este dia…odeio as emoções vazias desta existência…odeio este momento…
Odeio acordar neste dia…odeio que este dia seja mais um dia…
Odeio sentir-me inútil perante mim própria…observar-me ao longe…imóvel…sem uma única reacção…se um sentimento sequer…sem uma lágrima…sem um sorriso…sem um gesto…sem um grito…sem um olhar de revolta…
Estou a consumir-me…sinto-o mais a cada dia que passa…estou a empurrar-me para o fundo…
Estou a afogar-me no vazio gélido…se ao menos eu me conseguisse impedir… se ao menos eu me importasse…

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hoje mais do que nunca sinto que...estou a enlouquecer...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Todas as palavras foram ditas...resta-me este silêncio inútil...
Nada posso contra esta apatia que ocupa agora a minha vida...nada posso contra esta existência enexistente...
Não percebo esta inquietude...perdi o controlo de mim própria...
O final feliz foi-se para sempre...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ainda te escondes nas sombras...e não sei como te afugentar...não sei como seguir em frente...virar as costas e não olhar para trás...
Vejo-te e desapareces no mesmo instante...Toco-te e desfazes-te nas minhas mãos...
Tenho-te e perco-te...
Sinto-me a sufocar...sem forças...onde estou? onde estás? que lugar é este?
Gritas...mas já não te consigo ouvir...apenas sinto a tua dor no horizonte...
Abadono-me uma vez mais...sinto-me vazia...apática...dona de uma existencia vã...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

While you were sleeping, the voices stopped scream …

Why don’t you fall asleep one more time?
Why don’t you give up trying?

The rain is falling down on your hair …your heart is drowning…

There are no more reasons to go on…

No more nightmares…no more loneliness… no more sorrow…no more empty rooms…no more random days…

Maybe one day someone will cry a tear for you…
Maybe one day someone will remember you…

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Não fazem sentido as imagens que sinto vivas dentro de mim...a vozes que gritam na minha consciência...as palavras que rasgam a minha alma...
Momentos que vão e voltam...dias que se sucedem...horas que não acabam..outras que se esgotam ferozmente...
Um desconcerto interior...uma dor que me fustiga mais e mais...
Tento fugir...esconder-me de todas as pessoas da multidão...
Apenas busco a solidão...a inexistência...
Apenas desejo não estar...não ser...

domingo, 14 de outubro de 2007

Estou errada...eu sei que estou errada...não faço sentido nas coisas que digo ou que faço...estou vazia de lógica e de razão...
Minto a mim mesma...escondo-me quando tento procurar-me...
Não tenho cura...não tenho forma de deixar de ser o que sou...e o que sou está a matar-me!
Ultimamamente ando a magoar-me mais do que o habitual...sou, sem dúvida a minha pior inimiga...

Fui para além do que podia ser racional...
Como é que no fundo ainda me consigo divertir com tudo isto?!